Segredos da Rua Augusta

Capítulo 9 — A Lágrima de Ísis e a Teia de Thorne

por Bruno Martins

Capítulo 9 — A Lágrima de Ísis e a Teia de Thorne

O silêncio no salão da mansão Thorne era palpável, denso com a tensão que se instalara. Os convidados, antes absorvidos pelo fascínio do leilão, agora observavam a cena com uma mistura de choque e apreensão. Elias Thorne, um vulcão de poder contido, encarava Sofia, sua expressão uma máscara de frieza calculista que mal escondia a fúria que borbulhava em seu interior. Silas Blackwood, o homem com o broche da coruja, segurava a "Lágrima de Ísis" com uma firmeza possessiva, seus olhos atentos a qualquer movimento.

"Minha mãe foi assassinada!", Sofia repetiu, sua voz embargada pela dor, mas com uma força que surpreendeu a todos, inclusive a si mesma. "E eu sei que você está envolvido, Thorne! Eu sei que você roubou o que ela estava investigando!"

Thorne deu um passo à frente, seus olhos percorrendo Sofia de cima a baixo. "Você se equivoca, garota. Helena Vargas era uma mulher com tendências conspiratórias. Suas pesquisas a levaram a conclusões errôneas e perigosas."

"Perigosas para quem?", Sofia retrucou, sentindo a adrenalina correr em suas veias. Daniel estava ao seu lado, um escudo silencioso, seus olhos avaliando cada ameaça.

"Perigosas para a estabilidade do mundo que ela não compreendia", Thorne disse, com um tom que misturava desprezo e ameaça. "Ela se intrometeu em assuntos que não lhe diziam respeito. O amuleto que você vê em mãos do Sr. Blackwood... não é um roubo. É uma restituição. Algo que sua mãe tentou, de forma imprudente, perturbar."

Silas Blackwood, até então em silêncio, deu um passo à frente. "O amuleto pertence ao círculo. Sua mãe, a Srta. Vargas, estava tentando desestabilizar um acordo histórico. Um acordo que garante a paz e o equilíbrio em certas regiões."

"Equilíbrio? Paz?", Sofia riu amargamente. "Vocês falam de equilíbrio enquanto mentem, roubam e matam? Minha mãe descobriu a verdade. Ela descobriu que vocês não recuperam artefatos, vocês os roubam de seus locais de origem, traficam, falsificam e usam para manter o poder. E a 'Lágrima de Ísis' era a chave para expor tudo isso, não é?"

Thorne deu um sorriso fino, desprovido de qualquer calor. "Você tem a audácia de uma tola, garota. Mas sua coragem não a protegerá." Ele fez um gesto discreto para seus seguranças, que avançaram lentamente, cercando Sofia e Daniel.

"Não se aproxime!", Daniel alertou, assumindo uma postura defensiva. Ele era habilidoso em combate, mas contra vários homens armados, a situação era desesperadora.

"O amuleto", Sofia disse, ignorando a ameaça iminente, seus olhos fixos em Blackwood. "Deixe-me vê-lo. Se é tão importante, deve ter algo que comprove suas mentiras."

Blackwood hesitou, olhando para Thorne. Thorne assentiu levemente. "Mostre a ela. Que ela veja a futilidade de sua busca."

Blackwood estendeu o amuleto. Sofia o pegou com mãos trêmulas. O metal frio parecia vibrar em sua palma. Ela girou o objeto, procurando por algo incomum. E então, ela viu. No interior do amuleto, quase imperceptível, havia uma gravação. Uma gravação minúscula, um símbolo que ela reconheceu de imediato. Era o mesmo símbolo da coruja, mas com um detalhe sutil: um pequeno "H" gravado ao lado. Helena.

"É dela!", Sofia exclamou, seus olhos marejados de emoção. "Minha mãe gravou isso aqui. Ela sabia que seria levada, sabia que o amuleto cairia em mãos erradas. Ela deixou uma marca."

Thorne se aproximou, seus olhos fixos na gravação. Sua expressão mudou por um instante, um lampejo de surpresa, talvez até de receio. "Isso não prova nada."

"Prova tudo!", Sofia rebateu. "Ela estava aqui. Ela teve acesso a isso. E se ela gravou isso, é porque ela queria que fosse encontrado, que a verdade fosse revelada!"

Daniel aproveitou a distração de Thorne. Com um movimento rápido, ele acionou um pequeno dispositivo que emitia um pulso eletromagnético de alta frequência. As luzes do salão piscaram, e por um instante, a maioria dos sistemas eletrônicos na sala foi desativada. Os seguranças, confusos, hesitaram.

"Agora!", Daniel gritou.

Sofia, com o amuleto seguro, correu em direção à saída de serviço, com Daniel logo atrás. Os seguranças tentaram interceptá-los, mas a confusão gerada pelo pulso eletromagnético lhes deu a vantagem necessária. Eles se esgueiraram pelos corredores, ouvindo os gritos de Thorne e a confusão que se instalava na mansão.

Conseguiram alcançar a entrada de serviço e sair para a noite fria de Higienópolis. Correram para o carro, o motor de Daniel já ligado.

"O que foi isso?", Sofia perguntou, ofegante, enquanto o carro acelerava para longe da mansão.

"Um EMP tático. Desativa a maioria dos eletrônicos por um curto período. Foi o suficiente para nos dar uma janela de fuga." Daniel olhou para o amuleto nas mãos de Sofia. "Você acha que ele realmente contém a verdade?"

Sofia assentiu, olhando para a joia em sua mão. "Minha mãe deixou sua marca. Ela sabia que eu a encontraria. Ela sabia que eu continuaria a luta."

Enquanto dirigiam, Sofia sentiu uma nova determinação. A morte de sua mãe não seria em vão. Elias Thorne e seus cúmplices seriam expostos.

Chegaram ao apartamento seguro que Daniel preparara. A atmosfera era de urgência e esperança. Daniel, com seu equipamento, começou a analisar a "Lágrima de Ísis".

"A gravação é autêntica", ele confirmou após alguns minutos. "E há um compartimento secreto no amuleto. Helena era engenhosa."

Com um pequeno bisturi, Daniel abriu o compartimento. Dentro, não havia um documento, mas um minúsculo chip de memória.

"Isso é tudo", Sofia disse, quase em um sussurro. "A prova que ela queria que encontrássemos."

Daniel conectou o chip a um computador seguro. Na tela, surgiram documentos, fotos, gravações de áudio. A verdade, nua e crua, se revelou. Helena Vargas, em sua investigação, havia descoberto a fundo a rede de Elias Thorne: o tráfico de artefatos roubados, a falsificação de documentos históricos, o uso desses recursos para financiar atividades ilícitas e influenciar governos. Ela havia reunido provas concretas, depoimentos de ex-membros do círculo de Thorne, e descobriu o plano de Thorne para adquirir a "Lágrima de Ísis" para um ritual secreto que, segundo as crenças do grupo, lhes daria um poder místico.

Havia também gravações de Thorne, falando com frieza sobre a necessidade de "eliminar interferências". E uma gravação final, onde Thorne dava ordens para "silenciar Helena Vargas", mencionando o nome de Silas Blackwood.

Sofia sentiu um nó na garganta, uma onda de dor e raiva a percorrendo. Ali estava. A prova irrefutável. A confirmação de que sua mãe fora assassinada por Elias Thorne.

"Ele a matou", Sofia sussurrou, as lágrimas finalmente correndo livremente. "Ele a matou por causa disso."

Daniel a abraçou, compartilhando sua dor e sua determinação. "Mas nós temos a verdade agora, Sofia. E a verdade, como sua mãe sabia, é a arma mais poderosa."

A noite já ia alta, mas a missão de Sofia estava longe de terminar. A revelação dos segredos da Rua Augusta estava apenas começando. A "Lágrima de Ísis" havia, de fato, revelado verdades ocultas, e agora, Sofia estava pronta para usar essa verdade para trazer justiça para sua mãe. A teia de Elias Thorne, outrora invisível e poderosa, agora estava exposta, e ela não descansaria até que ele pagasse por seus crimes.

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