A Vingança da Lua Negra

Capítulo 14 — O Sussurro da Armadilha e a Fuga Desesperada

por Thiago Barbosa

Capítulo 14 — O Sussurro da Armadilha e a Fuga Desesperada

O ambiente na mansão, agora vazio e silencioso, parecia ecoar a urgência que tomara conta de Clara e Rafael. As 24 horas concedidas por Silas eram um prazo implacável, um lembrete constante da ameaça que pairava sobre eles. Clara sentiu a adrenalina diminuir gradualmente, dando lugar a uma apreensão gélida. A ousadia de Silas em aparecer ali, tão abertamente, era um sinal de que eles estavam em seu radar, e que qualquer tentativa de expor a verdade seria recebida com força total.

"Precisamos sair daqui, e rápido", disse Rafael, seus olhos varrendo a paisagem escura através das janelas empoeiradas. "Ele pode voltar com reforços. Ou pior, pode ter deixado alguém nos observando."

Clara concordou, sentindo o peso da pasta e do diário em suas mãos como se fossem artefatos incriminatórios. Ela fechou o diário com cuidado, a imagem de sua avó, Dona Aurora, agora manchada por uma complexidade perturbadora. A mulher que ela amava e idolatrava também havia sido uma peça fundamental em um jogo de poder e ganância, usando a fraqueza de outros para ascender.

"Você acha que ele realmente tem a documentação que comprova a venda, ou que ele está apenas blefando para nos intimidar?", perguntou Clara, enquanto se dirigiam para a saída, seus passos ecoando no silêncio.

"A forma como ele falou… parecia ter certeza de tudo", respondeu Rafael, sua voz baixa e concentrada. "E o interesse em recuperar esses documentos, especialmente o diário… isso sugere que o que encontramos aqui é significativo. Se ele não tivesse nada a esconder, não se importaria tanto."

Ao saírem da mansão, a noite parecia ainda mais escura, a lua negra parcialmente obscurecida por nuvens densas, como se o próprio céu estivesse retendo a luz. O carro preto de Silas não estava mais à vista, mas a sensação de estarem sendo observados persistia. O silêncio da estrada rural era opressor.

"Meu carro está a alguns quilômetros daqui, em um local mais discreto", disse Clara. "É melhor irmos para lá e depois pensarmos em um lugar seguro para analisar tudo isso com calma."

Enquanto caminhavam pela estrada, a cada ruído distante, a cada sombra que se movia na mata, a tensão aumentava. Clara sentia a necessidade de correr, de se afastar o mais rápido possível daquele lugar, mas a racionalidade a impedia de sucumbir ao pânico.

De repente, um feixe de luz intensa rasgou a escuridão, vindo de um carro que apareceu rapidamente atrás deles, em alta velocidade. A luz dos faróis cegou Clara e Rafael, forçando-os a se virar. O carro, um sedã escuro e potente, parecia vir direto na direção deles.

"Corram!", gritou Rafael, empurrando Clara para o acostamento.

Eles dispararam pela estrada, o som do motor do carro se aproximando cada vez mais. Clara sentiu o coração bater descompassado no peito, a adrenalina voltando com força total. Não era um encontro casual. Era uma emboscada. Silas havia cumprido sua promessa.

"Ele nos rastreou!", gritou Clara, ofegante.

O carro diminuiu a velocidade, mas não parou. Ele começou a segui-los, mantendo uma distância ameaçadora. Clara podia distinguir a silhueta de duas pessoas dentro do veículo. Não era apenas Silas.

"Precisamos de um abrigo", disse Rafael, seus olhos procurando freneticamente por alguma saída. "Não podemos continuar correndo assim."

À frente, Clara avistou uma antiga estrada de terra, quase engolida pela vegetação. Era uma saída improvisada, um caminho que poderia levá-los para longe da estrada principal, para a escuridão da mata.

"Por ali!", gritou Clara, puxando Rafael para a entrada da estrada de terra.

Eles se embrenharam na vegetação rasteira, os galhos arranhando seus rostos e braços. O carro, com dificuldade, tentou segui-los, mas a estrada de terra era irregular e estreita, forçando o motorista a reduzir a velocidade. Clara e Rafael correram desesperadamente, o som do carro os perseguindo, os faróis dançando nas árvores.

"Eles estão chegando!", ofegou Rafael.

Eles chegaram a uma pequena clareira, onde um antigo galpão abandonado se erguia em meio à vegetação. Era precário, mas oferecia um refúgio temporário.

"Ali!", gritou Clara, correndo em direção ao galpão.

Eles se jogaram para dentro, fechando a porta rangente atrás de si. O local estava escuro, impregnado com o cheiro de mofo e ferrugem. O som do carro parou do lado de fora. Um silêncio tenso se instalou, quebrado apenas pela respiração ofegante de Clara e Rafael.

"Acho que os despistamos por enquanto", sussurrou Rafael, espiando por uma fresta na porta.

"Por enquanto", repetiu Clara, sentindo um arrepio percorrer seu corpo. A fuga foi desesperada, mas a sensação de perigo iminente não diminuía. Silas e seus comparsas não desistiriam tão facilmente.

Enquanto se acalmavam, Clara abriu a pasta, retirando os papéis que haviam encontrado na mansão. A luz fraca que entrava pelas frestas do galpão era suficiente para ler os documentos. Rafael acendeu a lanterna do celular, iluminando as páginas.

"Aqui", disse Clara, apontando para um contrato. "Este é o documento que prova que a venda da mansão foi feita para uma empresa de fachada, a 'Fortuna Oculta Ltda.'", o nome era irônico.

Rafael analisou outro documento. "E este contrato de empréstimo… foi assinado por Dr. Valério, em nome da 'Fortuna Oculta', e garante uma linha de crédito para sua avó, Dona Aurora. Em troca… ela cedeu a escritura da mansão como garantia."

"Então… minha avó nunca realmente vendeu a mansão. Ela a hipotecou para obter capital, e quando não conseguiu pagar, a 'Fortuna Oculta' a tomou", Clara sentiu a verdade amarga inundá-la. A ascensão de sua avó não foi fruto de sua genialidade, mas sim de um acordo perigoso com figuras sombrias, que se aproveitaram de sua situação e a usaram como fachada.

"E o diário de sua avó confirma tudo isso", disse Rafael. "Ela sabia que estava se envolvendo com pessoas perigosas. Ela tentou se proteger, mas acabou criando um legado de dívidas e segredos que agora recai sobre nós."

Um barulho vindo de fora os fez sobressaltar. Passos. Lentos, calculados. Alguém estava procurando por eles. Silas não havia desistido.

"Eles nos encontraram", sussurrou Rafael, apagando a lanterna do celular.

Clara sentiu o medo tomar conta novamente, mas misturado a uma raiva crescente. Eles haviam tentado fugir, eles haviam se escondido, mas a sombra de Silas e de seus patrões parecia segui-los implacavelmente.

"Não podemos ficar aqui", disse Clara. "Precisamos voltar para a cidade, ir para um lugar seguro. E usar essas informações antes que seja tarde demais."

Rafael concordou, seus olhos fixos na porta do galpão, onde os passos se aproximavam. "Sim. Mas como? Eles sabem que estamos aqui."

O som de um carro estacionando do lado de fora ressoou pelo galpão. Os faróis iluminaram as frestas da porta, lançando sombras fantasmagóricas no interior. Era o carro de Silas. Ele havia os encurralado.

"Ou você entrega o que pegou, ou as coisas ficarão… muito mais desagradáveis", a voz de Silas, amplificada, ecoou pelo ar.

Clara e Rafael se entreolharam, a determinação em seus olhos. A fuga desesperada os levara a um beco sem saída. Mas a verdade, contida nos papéis e no diário, era a sua única arma. E eles não a entregariam. O preço da verdade era alto, mas a alternativa – o silêncio perpetuado pela ganância e pela corrupção – era inaceitável. A vingança da lua negra estava longe de terminar, e a próxima fase prometia ser a mais perigosa de todas.

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