A Vingança da Lua Negra

A Vingança da Lua Negra

por Thiago Barbosa

A Vingança da Lua Negra

Por Thiago Barbosa

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Capítulo 16 — O Eco do Desespero

A chuva caía com a fúria de um lamento ancestral sobre as telhas gastas da casa de dona Aurora. Lá dentro, o ar era denso, impregnado com o cheiro de mofo, saudade e um medo palpável que se agarrava às paredes como teia de aranha. Ana Clara, com os olhos vermelhos de tanto chorar e a alma em frangalhos, sentou-se à mesa de madeira envelhecida. A notícia da morte de seu pai, encontrada em circunstâncias suspeitas, ainda ecoava em sua mente como um trovão distante, mas agora, a revelação de que ele havia se envolvido com pessoas perigosas, mergulhadas em um submundo de dívidas e chantagens, era um golpe ainda mais devastador.

“Não pode ser… papai… ele… como?”, sussurrou ela para o silêncio que a engolia. Dona Aurora, a fiel companheira de seu pai, sentou-se ao seu lado, a mão enrugada e calejada pousada suavemente em seu ombro. Os olhos da velha senhora, marejados, refletiam uma dor tão antiga quanto as rugas em seu rosto.

“Seu pai… ele era um bom homem, minha filha. Um homem que amava a vida, que lutava para dar o melhor para você. Mas às vezes, os caminhos da vida nos levam por estradas tortuosas, onde a luz do sol mal alcança”, disse dona Aurora, a voz embargada. “Ele tentou me proteger, tentou te proteger. Mas alguns inimigos são como sombras, Ana Clara. Eles se infiltram onde a gente menos espera.”

Ana Clara levantou a cabeça, o olhar perdido em um ponto indefinido. “Inimigos? Mas quem? Por quê?”

“Ele falou de um homem… um homem que se dizia chamado ‘O Falcão’. Um homem sem piedade, que cobra juros que devoram a alma e que não hesita em usar a violência para conseguir o que quer. Seu pai… ele devia muito a ele. E, pelo que entendi, o Falcão não se contentava apenas com dinheiro. Ele queria algo mais. Algo que seu pai protegia com a própria vida.”

Um arrepio percorreu a espinha de Ana Clara. O Falcão. O nome soava como um presságio, uma promessa de destruição. Ela se lembrou das conversas sussurradas que ouvira ao longo dos anos, das preocupações que seu pai tentava esconder. Agora, tudo se encaixava de uma forma terrível e dolorosa.

“O que ele queria? O que meu pai protegia?”, perguntou Ana Clara, a voz tensa de expectativa.

Dona Aurora hesitou, seus olhos desviando para a janela onde a chuva batia com mais força. “Ele falava de algo… algo que ele guardava. Algo que poderia mudar o destino de muitas pessoas. Ele dizia que era a única coisa que o mantinha vivo, a única esperança de um futuro melhor para você.”

“Algo? Um objeto? Um documento?”, Ana Clara insistiu, a mente correndo a mil. Ela vasculhou em sua memória, tentando encontrar alguma pista, alguma lembrança de algo que seu pai pudesse ter escondido.

“Ele não me disse exatamente o quê. Apenas que era um segredo antigo, guardado a sete chaves. E que o Falcão o cobiçava mais do que qualquer coisa. Seu pai estava com medo, Ana Clara. Muito medo. Ele me pediu para cuidar de você, caso algo acontecesse. Para te proteger.”

As lágrimas voltaram a brotar nos olhos de Ana Clara, desta vez misturadas com uma raiva crescente. Seu pai fora levado, sua vida roubada, e tudo por causa de um segredo que ela sequer conhecia. Ela se levantou abruptamente, a cadeira rangendo no chão de madeira.

“Eu preciso saber. Preciso saber o que ele guardava, o que ele protegia. E vou descobrir quem é esse Falcão. E ele vai pagar. Ele vai pagar por tudo.”

Dona Aurora a segurou pelo braço, a força em suas mãos surpreendente para sua idade. “Calma, minha menina. Seu pai não gostaria de te ver assim. Ele queria que você fosse forte, que lutasse com inteligência, não com desespero. Há pessoas que podem te ajudar. Pessoas que também foram prejudicadas por esse homem.”

“Quem?”, perguntou Ana Clara, a esperança acendendo em seus olhos como uma vela no escuro.

“Houve um tempo, há muitos anos, em que seu pai se envolveu com um grupo de pessoas que lutavam contra a corrupção e a injustiça. Eles eram idealistas, sonhavam em construir um mundo melhor. Mas foram traídos. Alguns foram presos, outros… sumiram. Um deles, um homem chamado Dr. Elias Vasconcelos, um advogado brilhante e um homem de honra, foi um grande amigo do seu pai. Ele também perdeu tudo para o Falcão. Talvez ele possa te ajudar.”

O nome Dr. Elias Vasconcelos soou familiar para Ana Clara. Ela se lembrou de ver fotos antigas em uma caixa de memórias de seu pai, um homem de semblante sério e olhar penetrante ao lado de seu pai em sorrisos que agora pareciam tingidos de melancolia.

“Dr. Elias Vasconcelos… eu acho que conheço esse nome. Onde posso encontrá-lo?”, perguntou Ana Clara, sentindo um fio de determinação se formar em meio à devastação.

“Ele se afastou da vida pública depois do que aconteceu. Vive isolado, mas ainda tem contato com alguns fiéis. Seu pai me deu um antigo cartão dele, com um número de telefone particular. Ele disse que, se um dia eu precisasse, ou se você precisasse, esse era o único caminho. Acredito que ainda seja válido.” Dona Aurora vasculhou um velho armário de madeira escura, o som de objetos sendo remexidos preenchendo o silêncio. Finalmente, ela retirou um pequeno pedaço de papel amarelado, um cartão de visitas desbotado, e o entregou a Ana Clara.

Ana Clara pegou o cartão, os dedos tremendo levemente. Ali, no verso do cartão, rabiscado com a caligrafia de seu pai, havia um endereço e um número de telefone. Era um fio tênue, mas era tudo o que ela tinha. Ela olhou para dona Aurora, a gratidão em seus olhos misturada com a força recém-descoberta.

“Obrigada, Dona Aurora. Por tudo. Vou procurar o Dr. Elias. E vou descobrir a verdade. Pelo meu pai. Pela minha vida.”

O som da chuva parecia diminuir, o céu nublado ainda guardava sua fúria, mas dentro de Ana Clara, uma tempestade diferente se formava. Uma tempestade de coragem, de sede por justiça e de uma vingança que, ela sabia, seria tão implacável quanto a Lua Negra que um dia governaria os céus. Ela guardou o cartão com cuidado em sua bolsa, o peso da responsabilidade se tornando um fardo quase insuportável, mas também um motivo para seguir em frente. O eco do desespero de seu pai a impelia, e a promessa de vingança a guiava.

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