A Vingança da Lua Negra

Capítulo 18 — A Teia do Falcão

por Thiago Barbosa

Capítulo 18 — A Teia do Falcão

De volta à cidade, o livro antigo em suas mãos parecia pesar uma tonelada. Ana Clara sentia a dualidade de sua situação: por um lado, a esperança de justiça e vingança, e por outro, o medo palpável que a presença do livro emanava. Ela sabia que estava sendo observada. A cidade, antes familiar, agora parecia um labirinto de sombras e olhares furtivos. Cada carro que passava, cada pessoa na rua, poderia ser um agente do Falcão.

Ela decidiu buscar refúgio no apartamento de sua amiga, Clara. Clara era uma jornalista investigativa, conhecida por sua coragem e sua dedicação em desvendar a verdade, mesmo quando isso a colocava em perigo. Era a única pessoa em quem Ana Clara confiava para compartilhar o segredo que agora carregava.

Ao chegar ao apartamento de Clara, a atmosfera era de tensão. A jornalista, com os cabelos presos em um coque frouxo e os olhos marcados pela falta de sono, estava rodeada por pilhas de papéis, computadores e mapas. Ela parecia estar no meio de uma investigação.

“Ana! Que bom te ver, mas… o que aconteceu? Você parece… diferente”, disse Clara, percebendo a apreensão no rosto da amiga.

Ana Clara, sem rodeios, contou tudo. A morte de seu pai, as dívidas, o Falcão, e a revelação de Dr. Elias. Ela mostrou o livro antigo e explicou sobre os documentos que ele supostamente continha.

Clara ouviu com atenção, o choque substituído por uma determinação feroz. “Seu pai… meu Deus, Ana! E esse Falcão… ele é o mesmo que estamos investigando? O mesmo que se esconde por trás de tantas empresas de fachada, de tantas mortes misteriosas?”

“Eu acredito que sim, Clara. Dr. Elias disse que o Falcão é o líder de uma rede de corrupção que ele e meu pai tentaram expor anos atrás. E esses documentos… eles são a prova que precisamos.”

Clara pegou o livro com reverência, examinando-o com os olhos de uma investigadora. “Isso é… isso é enorme, Ana. Se for verdade, podemos finalmente derrubar esse monstro. Mas é extremamente perigoso.”

“Eu sei. Dr. Elias me alertou. Ele disse que o Falcão não vai descansar até pegar isso de volta.”

“E ele não vai. Ele não é conhecido por sua paciência. Precisamos ser muito cuidadosas. Precisamos analisar esses documentos, confirmar a autenticidade deles, e planejar a melhor forma de expor tudo sem que sejamos… eliminadas.” Clara suspirou, um arrepio percorrendo sua espinha. “Ainda bem que você veio para mim. Ninguém mais acreditaria nessa história fantástica. Para o mundo, seu pai era apenas um homem endividado. Para nós… ele era um herói que lutou até o fim.”

Nos dias que se seguiram, o apartamento de Clara se tornou um quartel-general secreto. Ana Clara e Clara passaram horas debruçadas sobre o livro antigo, buscando a forma de acessar os documentos escondidos. A teoria era que os papéis estariam disfarçados nas páginas do próprio livro, talvez em compartimentos secretos ou com a ajuda de alguma técnica de impressão invisível.

“Seu pai era engenhoso, Ana. Ele sabia que precisava de um método seguro para esconder isso. Algo que só você, ou alguém que ele confiasse, pudesse acessar”, disse Clara, examinando a encadernação com uma lupa.

Ana Clara lembrou-se de uma frase que seu pai costumava dizer quando brincavam de detetive: “A verdade está sempre escondida à vista, meu amor, basta saber onde olhar.”

“Ele sempre gostou de enigmas”, Ana Clara murmurou, folheando as páginas do livro. Ela parou em uma ilustração específica, um desenho intrincado da Lua Negra em seu ápice, com estrelas ao redor. Parecia diferente das outras. Havia uma sutileza no traço, uma profundidade que chamou sua atenção.

“Clara, olha isso. Essa ilustração… parece… diferente.”

Clara se aproximou, a curiosidade aguçada. Ela pegou uma luz ultravioleta e a passou sobre a ilustração. Um brilho fraco surgiu, revelando linhas finas e detalhes que antes eram invisíveis. Eram palavras. Uma mensagem codificada.

“Meu Deus! É isso!”, exclamou Clara, os olhos brilhando de excitação. “É um código. E pelo que vejo, parece que as palavras formam instruções para acessar os documentos. Seu pai é realmente um gênio.”

Com a ajuda de um código que Dr. Elias lhes forneceu posteriormente, baseado nas antigas conversas com Ricardo, Ana Clara e Clara conseguiram decifrar as instruções. Era um processo meticuloso que envolvia pressionar certas páginas em uma ordem específica, em um determinado momento do dia, quando a luz do sol incidisse de uma maneira particular sobre o livro.

Finalmente, em uma tarde ensolarada, com a luz dourada invadindo o apartamento, Ana Clara seguiu as instruções. Ela sentiu um clique suave, e uma pequena reentrância apareceu na parte de trás da capa do livro. Dentro dela, um pequeno compartimento escondido abrigava um conjunto de microfilmes e um pen drive.

“Conseguimos!”, Ana Clara exclamou, o alívio inundando seu peito.

Clara pegou o pen drive e o conectou ao seu computador. Ela abriu os arquivos com cautela. Eram documentos. Contratos, e-mails, gravações de áudio, fotografias. Todos detalhando a rede de atividades ilegais do Falcão: lavagem de dinheiro, tráfico de influência, extorsão, e até mesmo evidências de assassinatos encomendados. Os nomes de políticos corruptos, empresários inescrupulosos e figuras públicas sombrias estavam todos ali.

“É… é tudo”, Clara sussurrou, chocada com a magnitude da operação. “Seu pai juntou a prova definitiva para incriminar o Falcão e todos os seus cúmplices. E ele fez isso com uma coragem que eu jamais vi.”

Mas a euforia durou pouco. Enquanto Clara analisava os arquivos, um som estranho veio da porta. Um ruído metálico, como se alguém estivesse tentando forçar a fechadura.

“Alguém está tentando entrar!”, Clara sibilou, o medo tomando conta.

Ana Clara sentiu o coração disparar. O Falcão. Ele sabia. De alguma forma, ele sabia que ela estava ali, com o que ele mais desejava.

“Precisamos sair daqui! Agora!”, disse Clara, correndo para a janela.

As duas amigas desceram pelas escadas de incêndio, o som de golpes cada vez mais fortes na porta do apartamento ecoando em seus ouvidos. Elas correram pelas ruas desertas, o som de seus passos apressados na escuridão. Ana Clara olhou para trás e viu vultos surgindo do prédio, figuras sombrias que pareciam se mover com uma agilidade assustadora.

A teia do Falcão era vasta e perigosa, e agora, ela estava presa nela. A única esperança de justiça estava em suas mãos, mas o preço para mantê-la viva parecia cada vez mais alto. A vingança da Lua Negra estava apenas começando, e ela já se sentia engolida pela escuridão.

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