A Vingança da Lua Negra

Capítulo 5 — O Encontro Sombrio no Pátio das Sombras

por Thiago Barbosa

Capítulo 5 — O Encontro Sombrio no Pátio das Sombras

O pânico se espalhou pelo casarão como um incêndio. Gritos e o som de portas sendo arrombadas ecoavam pelas escadas. Dona Cecília agarrou o braço de Isabella com força.

"Precisamos sair daqui, minha filha! Agora!", ela disse, os olhos arregalados de medo.

Isabella, ainda com a mente voltada para as constelações e para a conexão entre Mariana e Mateus, sentiu a adrenalina tomar conta. Pegou o diário e o mapa que Dona Cecília guardara com cuidado, e as duas desceram correndo pela escada em espiral, o som dos agressores se aproximando cada vez mais.

Chegaram ao térreo, onde um grupo de homens corpulentos, vestidos de preto, já havia invadido o salão principal. Seus rostos eram frios e determinados, sem emoção. Carregavam armas discretas, mas visivelmente perigosas.

"Onde está a moça?", um deles rosnou, a voz grave e ameaçadora.

Dona Cecília se colocou na frente de Isabella, protegendo-a com seu corpo frágil. "Não há ninguém aqui que vocês procuram. Vão embora!"

O homem riu, um som desprovido de alegria. "Não minta para nós, velha. Sabemos que ela está aqui. Dona Clara nos disse que ela viria buscar algo que nos pertence."

"Algo que lhes pertence?", Isabella indagou, dando um passo à frente, a coragem vindo de um lugar profundo de revolta. "Vocês não pertencem a nada. São apenas cães de guarda de alguém que tem medo da verdade."

O homem a encarou, seus olhos escuros faiscando de raiva. Ele fez um sinal para seus comparsas, que começaram a avançar.

Foi então que, do nada, um estrondo vindo do lado de fora chamou a atenção de todos. A porta principal do casarão foi arrombada com violência, e um vulto surgiu na entrada. Era Mateus.

Seus olhos encontraram os de Isabella, e um lampejo de alívio misturado com urgência cruzou seu olhar. Ele não estava sozinho. Atrás dele, mais dois homens, musculosos e com uma expressão séria, entraram no casarão.

"Parece que o seu tempo acabou", Mateus disse, a voz firme e controlada, dirigindo-se aos agressores. "Eu não vou deixar que machuquem a Isabella, ou que levem o que é dela."

Uma troca de olhares tensos se estabeleceu entre Mateus e o líder dos homens de preto.

"Mateus Silva", o líder disse, com um sorriso de escárnio. "Sempre se metendo onde não é chamado. Achei que Dona Clara tivesse te ensinado a ser mais discreto."

"Dona Clara me ensinou a proteger o que é certo", Mateus retrucou. "E a Isabella está sob minha proteção agora."

A situação se tornou um impasse perigoso. Os homens de preto avançaram contra Mateus e seus acompanhantes. A luta começou. Gritos, o som de golpes e o ranger de metal preencheram o ar.

Dona Cecília aproveitou a distração e puxou Isabella para uma passagem secreta atrás de uma grande estante de livros. "Rápido! Este caminho leva ao pátio dos fundos. Vocês precisam sair daqui!"

Isabella hesitou, olhando para a luta que se desenrolava. Mateus estava lutando com bravura, mas os homens de preto eram muitos e bem treinados.

"Eu não posso deixá-lo!", ela disse.

"Você precisa, Isabella!", Dona Cecília insistiu, os olhos marejados. "O futuro está nas suas mãos. Você precisa encontrar a Tela da Verdade. Ele sabe disso. Vá!"

Com o coração apertado, Isabella se rendeu à urgência. Ela e Dona Cecília correram pelo corredor estreito e escuro, emergindo em um pátio nos fundos do casarão, um lugar abandonado e coberto de sombras, onde a vegetação crescia selvagem e as estátuas antigas pareciam fantasmas adormecidos.

"Eu vou chamar um táxi para você", Dona Cecília disse, ofegante. "E você precisa ir para um lugar seguro. E não pare de procurar a verdade. Dona Clara sempre disse que a verdade é a arma mais poderosa."

Antes que Isabella pudesse agradecer, um carro preto, semelhante aos que haviam parado em frente ao ateliê, surgiu na rua que margeava o pátio. Os vidros escuros não revelavam quem estava dentro.

"Oh, não...", Dona Cecília murmurou, o pânico voltando aos seus olhos. "Eles nos cercaram."

Nesse exato momento, o homem que parecia ser o líder dos agressores apareceu no portão do pátio, com um sorriso triunfante. Ele não estava sozinho. Tinha Mateus consigo, algemado e com um corte no rosto, mas de pé.

"Parece que a brincadeira acabou", o homem disse, com um tom de superioridade. Ele olhou para Isabella. "Você tem algo que nos pertence. A pintura. Entregue-a, e talvez seu amigo saia daqui ileso."

Isabella olhou para Mateus. Seus olhos se encontraram, e ele lhe deu um leve aceno de cabeça, um sinal sutil de encorajamento. A força de sua presença, mesmo em cativeiro, era inegável.

"Eu não tenho a pintura", Isabella disse, a voz firme, apesar do medo. Ela segurou o diário e o mapa. "Tenho isso. E isso é mais valioso do que qualquer quadro roubado."

O homem riu. "Você é tola. Acha que esses papéis podem deter a força que estamos representando?"

"Eu não sei quem vocês são, ou para quem trabalham", Isabella continuou, sentindo uma nova determinação. "Mas eu sei que vocês roubaram essa pintura, que ela tem um valor histórico e sentimental, e que Dona Clara passou a vida tentando recuperá-la. E eu vou honrar o trabalho dela."

Ela olhou para o céu que começava a escurecer, e a lua, ainda pálida, mas com um brilho crescente, parecia testemunhar a cena. A lua negra.

"Vocês podem ter o poder agora", Isabella disse, a voz ganhando força. "Mas a verdade... a verdade sempre encontra seu caminho. E quando ela vier, ela será implacável."

O homem de preto pareceu irritado com a ousadia de Isabella. Ele fez um gesto para um de seus homens.

"Leve-a. E o que quer que ela esteja segurando", ele ordenou.

Isabella sentiu mãos fortes a agarrando. Ela lutou, mas era inútil. Olhou para Mateus, seus olhos expressando um misto de desespero e determinação.

"Eu confio em você, Mateus", ela sussurrou, as palavras quase inaudíveis.

Mateus apenas piscou, um sinal silencioso de que ele não desistiria.

Enquanto era arrastada para fora do pátio, Isabella lançou um último olhar para o casarão, para Dona Cecília, que a observava com tristeza e esperança. Ela sabia que estava entrando em um caminho perigoso, um caminho que a levaria para as profundezas do Rio de Janeiro e para os segredos de sua própria família. A vingança da lua negra estava apenas começando, e ela era, agora, seu principal alvo. O jogo de gato e rato havia se intensificado, e o desfecho era incerto. Mas uma coisa era clara: Isabella não desistiria. A verdade, como a lua, eventualmente emergiria da escuridão.

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