O Silêncio dos Inocentes Perdidos

Capítulo 14 — O Encontro no Abismo e a Prova de Fogo

por Thiago Barbosa

Capítulo 14 — O Encontro no Abismo e a Prova de Fogo

O tiro que ecoou pela floresta, cortando o ar frio da madrugada, fez com que Ricardo e Clara se encolhessem instintivamente. O homem encapuzado, com um sorriso que espelhava a crueldade do seu propósito, abaixou o rádio e ergueu uma arma, a luz fraca da lua refletindo no metal polido. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, apenas quebrado pela aceleração dos seus próprios corações.

"O pacote é a prioridade," as palavras do homem ecoaram na mente de Ricardo. Que pacote? Quem era esse homem? E quem eram aqueles que os perseguiam, que pareciam estar trabalhando em conjunto com ele? As peças do quebra-cabeça se tornavam mais sombrias e confusas.

"Quem é você?", Ricardo exigiu, a voz firme apesar do medo que lhe apertava a garganta. Ele se colocou instintivamente na frente de Clara, protegendo-a com o corpo.

O homem riu, um som seco e desprovido de humor. "Eu? Eu sou apenas um mensageiro. E vocês, meus caros, acabaram de se tornar o problema." Ele gesticulou com a arma na direção da estrada secundária. "Eles estão chegando. E vocês vão vir comigo."

Clara sentiu o pânico subir em suas veias. A ideia de ser capturada, de cair nas mãos dessas pessoas, era insuportável. Ela olhou para Ricardo, buscando um sinal, uma esperança.

"Não vamos a lugar nenhum com você," Ricardo declarou, a adrenalina lhe dando uma força que ele não sabia que possuía. Ele olhou ao redor, avaliando a situação. Os sons dos perseguidores se aproximavam, vindo de diferentes direções. Eles estavam cercados.

De repente, um dos perseguidores irrompeu da mata, os olhos fixos em Ricardo e Clara. Ele parou, surpreso ao ver o homem encapuzado.

"Quem é você?", o homem perguntou, a voz carregada de desconfiança. "Eu fui enviado para trazê-los."

"E eu fui enviado para garantir que eles chegassem ao destino," o encapuzado respondeu, sem tirar os olhos de Ricardo e Clara. "Vocês estão com atraso. O caminhão já deve estar chegando."

Caminhão? Destino? A confusão de Clara aumentava. Parecia que havia diferentes facções envolvidas, e elas estavam competindo por algo.

"Eu não sou seu subordinado," o primeiro perseguidor disse, a voz ficando mais tensa. "Eu tenho minhas ordens."

"E eu tenho as minhas," o encapuzado retrucou, e em um movimento rápido, levantou a arma e disparou. O perseguidor caiu no chão, sem um gemido.

Ricardo e Clara ficaram chocados. A violência era chocante, brutal. O encapuzado não hesitava em eliminar quem estivesse em seu caminho.

"Agora," o encapuzado disse, voltando-se para eles, "vamos. O caminhão não espera."

Ele deu um passo à frente, mas Ricardo o interceptou. Num impulso desesperado, ele agarrou um galho grosso caído no chão e o usou como arma improvisada, investindo contra o homem. Uma luta corpo a corpo se iniciou, um embate selvagem na penumbra da floresta.

Clara viu sua chance. Ela sabia que não podia ficar parada. Correu em direção à estrada secundária, o coração batendo como um tambor de guerra. Ela precisava encontrar uma maneira de escapar, de pedir ajuda.

Enquanto Ricardo lutava com o encapuzado, outros dois perseguidores surgiram na clareira. Eles se dirigiram diretamente para Ricardo, e ele percebeu que estava em desvantagem.

"Clara, corra!", ele gritou, o corpo dolorido pelos golpes.

Clara ouviu o grito de Ricardo e sentiu um aperto no peito. Ela não podia abandoná-lo. Virou-se e viu um pequeno riacho que corria pela lateral da clareira, desaparecendo na escuridão. Uma ideia audaciosa surgiu em sua mente.

Ela mergulhou na água fria do riacho, o choque térmico tirando-lhe o fôlego. A corrente era forte, e ela se deixou levar, usando as árvores e a vegetação nas margens para se esconder. O som da luta de Ricardo e os gritos dos perseguidores se tornaram abafados. Ela estava se afastando, mas não sabia para onde estava indo.

Enquanto isso, na clareira, Ricardo estava sendo dominado. Os dois homens o agarravam, tentando imobilizá-lo. O encapuzado se aproximou, um sorriso sombrio no rosto.

"Você nos deu trabalho, garoto," ele disse. "Mas o seu tempo acabou."

Ele ergueu a arma novamente, mirando em Ricardo. Mas antes que pudesse puxar o gatilho, um brilho forte iluminou a clareira. Um caminhão, com os faróis acesos em sua potência máxima, irrompeu da mata em alta velocidade, parando bruscamente ao lado deles. A porta traseira se abriu, revelando um compartimento escuro.

"O que é isso?", o encapuzado perguntou, confuso.

Os dois homens que seguravam Ricardo hesitaram.

"Entrem no caminhão," uma voz grave e autoritária ecoou do interior do veículo. "Agora."

Ricardo, aproveitando a distração, usou toda a força que lhe restava para se livrar dos homens e correu em direção à porta do caminhão. Os homens que o seguravam tentaram impedi-lo, mas ele conseguiu se jogar para dentro do compartimento.

"Você também, garoto," o encapuzado disse, empurrando Ricardo para dentro do caminhão. "Não queremos que você se perca de novo."

A porta do caminhão se fechou com um baque surdo, mergulhando Ricardo na escuridão. Ele sentiu o veículo arrancar, a terra tremendo sob seus pneus. Ele estava em um cativeiro móvel, sem saber o destino.

Enquanto isso, Clara, que havia sido arrastada pela correnteza do riacho, emergiu em uma parte mais calma, a alguns metros de distância. Ela rastejou para fora da água, tremendo de frio e medo. Ela estava sozinha, perdida na imensidão da floresta.

Ela ouviu os sons do caminhão se afastando. Sabia que Ricardo estava lá dentro. Um desespero avassalador tomou conta dela. Ela precisava encontrá-lo. Precisava salvá-lo.

Olhando ao redor, em meio à escuridão que começava a ceder a um amanhecer incerto, ela viu algo que a fez parar. No chão, perto de onde o caminhão havia estado, havia um pequeno objeto. Era um broche de borboleta. O mesmo broche que Ricardo havia encontrado na cobertura.

Um arrepio percorreu seu corpo. Quem estava por trás de tudo isso? E por que o broche, um símbolo tão pessoal para Sofia, estava ali?

A floresta, antes um refúgio, agora parecia um portal para um abismo de perigos desconhecidos. Clara sabia que não podia voltar. O caminho à frente era incerto, perigoso, mas ela tinha que segui-lo. A esperança de reencontrar Ricardo e de desvendar o mistério que os cercava era o único combustível que a impulsionava. A prova de fogo havia começado.

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