O Silêncio dos Inocentes Perdidos

Capítulo 17 — A Dança das Sombras no Mercado Proibido

por Thiago Barbosa

Capítulo 17 — A Dança das Sombras no Mercado Proibido

O coração de Helena batia descompassado, um ritmo frenético que ecoava o burburinho caótico do mercado noturno. As vielas estreitas de Portimão fervilhavam com uma energia febril, um submundo de segredos e transações ilícitas. Lanternas de papel iluminavam tenuemente barracas improvisadas, onde mercadorias de origem duvidosa eram exibidas sob o manto da escuridão. O cheiro de especiarias exóticas se misturava ao de peixe fresco e algo mais… algo pungente e metálico, que Helena não conseguia identificar, mas que lhe causava um arrepio na espinha.

“Você tem certeza que é aqui, Gabriel?”, sussurrou Helena, apertando a mão dele com força. A frase do medalhão de sua avó – “A verdade reside onde o silêncio clama” – ecoava em sua mente, um enigma que a levara àquele lugar insólito.

Gabriel assentiu, seus olhos atentos vasculhando a multidão. Ele se movia com uma agilidade surpreendente, um predador silencioso entre a presa desprevenida. “A informação que conseguimos através de nossos contatos… este é o lugar. Aqui, objetos incomuns trocam de mãos. E há rumores de um homem… um antiquário que se diz ser especialista em ‘artefatos com história’. Ele é conhecido como ‘O Corvo’.”

Eles haviam passado dias decifrando os diários de sua avó, conectando fragmentos de informações, tentando entender o verdadeiro significado da caixa registradora e da Ordem Sombria. A menção de “artefatos com história” e a localização geográfica que sua avó havia anotado em uma página mais tarde no diário os levaram a Portimão, a este mercado noturno onde o proibido florescia.

“Ele não vai simplesmente nos dizer o que sabemos, Helena”, Gabriel advertiu, sua voz baixa e séria. “Precisamos ser cautelosos. E discretos.”

Eles se misturaram à multidão, observando os rostos furtivos, os olhares que se encontravam e desviavam rapidamente. Havia uma tensão palpável no ar, uma sensação de perigo iminente. Helena sentia os olhares sobre si, como se fosse um alvo em meio à escuridão.

De repente, Gabriel parou, puxando Helena para uma viela lateral mais escura. “Ali. Olhe.”

Em frente a uma barraca humilde, sob uma única lâmpada fraca, estava um homem de idade avançada. Seus olhos, penetrantes e escuros, pareciam ver através da noite. Ele usava um chapéu de aba larga que sombreava parcialmente seu rosto, e em seu pescoço, pendurado em um cordão de couro, havia um pequeno broche de prata em forma de corvo. O Corvo.

Helena sentiu um frio na espinha. Algo naquele homem a incomodava profundamente, uma aura de mistério e de um conhecimento perigoso.

Gabriel se aproximou da barraca, com Helena logo atrás. “Boa noite”, disse Gabriel, sua voz calma e polida. “Ouvi dizer que o senhor tem um olho para objetos raros e… incomuns.”

O Corvo olhou para eles, um leve sorriso enrugando os cantos de seus lábios. Seus olhos percorreram Helena, e ela sentiu como se estivessem desnudando sua alma. “E o que o traz a um lugar como este, meu jovem? Procurando algo que a luz do dia não pode oferecer?”

“Procuramos por algo que tem uma história. Uma história que pode ser perigosa se cair em mãos erradas”, disse Gabriel, observando a reação do antiquário.

O Corvo riu, um som seco e sem alegria. “Perigo é apenas uma questão de perspectiva. E o que é mais precioso do que o conhecimento, meu caro? O conhecimento esconde-se em todos os cantos, e às vezes… em objetos que parecem triviais.”

Helena sentiu uma pontada de coragem. “Nossa avó… ela nos deixou um objeto. Uma caixa registradora. E um símbolo. Um símbolo que se parece com um labirinto.”

O rosto do Corvo permaneceu impassível, mas Helena percebeu um leve tremor em seus dedos que repousavam sobre a bancada. Um lampejo de reconhecimento em seus olhos escuros.

“Uma caixa registradora?”, disse o Corvo, sua voz ligeiramente mais tensa. “E um símbolo em forma de labirinto. Interessante. Muitas caixas registradora são apenas recipientes. Mas algumas… algumas podem ser muito mais.”

“Você sabe sobre isso?”, Helena perguntou, a esperança misturada com o medo crescendo em seu peito. “Você sabe o que significa?”

O Corvo olhou para eles, seus olhos perscrutando cada detalhe de seus rostos. “O passado guarda muitos segredos, minha jovem. Alguns, é melhor que permaneçam enterrados. Outros… outros precisam ser trazidos à luz, mesmo que isso traga o inferno à Terra.” Ele fez uma pausa, como se ponderasse suas próximas palavras. “Se este símbolo que você menciona é… aquele que eu imagino… então a caixa que você descreve pode ser um dispositivo de grande poder. Um portal.”

Helena e Gabriel trocaram olhares. Portal. A palavra ressoava com as anotações do diário de sua avó.

“Um portal para onde?”, Gabriel perguntou, sua voz controlada, mas sua mente correndo a mil.

“Ah, isso depende do que se busca”, disse o Corvo, seu olhar fixo em um ponto distante na multidão. “Alguns buscam conhecimento. Outros, poder. E alguns… alguns buscam uma passagem para além do véu, para um lugar onde o tempo e o espaço não têm o mesmo significado.” Ele se inclinou para a frente, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. “E existem aqueles que desejam controlar essa passagem. Aqueles que se chamam… a Ordem Sombria.”

O nome fez Helena tremer. A Ordem Sombria. Era real. E eles estavam procurando por algo que ela possuía.

“Como você sabe sobre eles?”, Helena perguntou, a voz embargada.

“Eu me dedico a desvendar os mistérios do mundo, minha jovem. E a Ordem Sombria é um dos mais antigos e sombrios. Eles buscam controlar a caixa registradora para seus próprios fins. Para reescrever a história, talvez. Ou para abrir caminhos que deveriam permanecer fechados.” O Corvo pegou um pequeno objeto embrulhado em um pano de seda de sua barraca. “Tenho algo que pode interessá-la. Algo que sua avó pode ter deixado para trás. Uma chave.”

Ele desembrulhou o objeto. Era um pequeno livro de metal, com um intrincado padrão gravado na capa, o mesmo símbolo do labirinto. Era um cadeado sem fechadura aparente.

“Este livro…”, Helena começou.

“Não é um livro para ser lido com os olhos”, interrompeu o Corvo. “É um dispositivo. Uma forma de interagir com a caixa. Sua avó era esperta. Ela sabia que precisaria de algo mais do que apenas a caixa para ativar seu verdadeiro propósito. E ela sabia que precisaria de proteção.”

Gabriel pegou o livro de metal, examinando-o com fascínio. “Como funciona?”

“O símbolo no livro é a chave. Ele se alinha com o símbolo na caixa. Quando a conexão é feita… o portal se abre. Mas cuidado. A abertura de tal portal atrai atenção. E a Ordem Sombria está sempre observando.”

Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo. O que sua avó havia se envolvido? E por que ela deixara algo tão perigoso para trás?

“Obrigado”, disse Gabriel, tirando algumas notas de dinheiro de seu bolso e colocando-as na mão do Corvo. “Por tudo.”

“Lembrem-se”, disse o Corvo, seus olhos escuros fixos nos deles. “A verdade reside onde o silêncio clama. Mas o silêncio pode ser enganador. Às vezes, o barulho do perigo é o que nos alerta para a verdade.”

Enquanto se afastavam, Helena sentiu o peso do livro de metal em suas mãos. O mercado noturno, com seu turbilhão de segredos, parecia agora um palco para um jogo perigoso. A Ordem Sombria estava atrás deles, e a caixa registradora, que um dia fora um objeto de família, agora era a chave para algo que poderia mudar tudo. A noite, antes apenas um véu de escuridão, agora parecia pulsar com as sombras da ameaça.

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