O Silêncio dos Inocentes Perdidos

Capítulo 18 — O Enigma das Estrelas e o Chamado do Abismo

por Thiago Barbosa

Capítulo 18 — O Enigma das Estrelas e o Chamado do Abismo

O cheiro salgado do mar invadia o pequeno apartamento em Lisboa, misturando-se ao aroma amadeirado do incenso que Helena havia acendido na esperança de acalmar seus nervos. A noite lá fora era clara, salpicada de estrelas que pareciam zombar de sua confusão. O livro de metal, com seus intrincados entalhes, repousava sobre a mesa de centro, um enigma mudo que prometia tanto revelação quanto perigo. O diálogo com O Corvo havia sido um divisor de águas, confirmando seus piores medos e abrindo uma nova porta para o desconhecido.

“Ele disse que a caixa é um portal, Gabriel. Um portal para… para onde?”, Helena murmurou, seus dedos traçando as linhas do símbolo na capa do livro de metal. A frase de sua avó – “A verdade reside onde o silêncio clama” – parecia agora ecoar em um coro de perguntas sem resposta.

Gabriel, sentado ao seu lado, a abraçou, sentindo a tensão em seus ombros. “Não sei, Helena. Mas o Corvo parecia saber mais do que dizia. Ele nos deu essa chave. Sua avó o conhecia, ou pelo menos, sabia de sua existência e de sua reputação.”

“Mas a caixa registradora… como ela pode ser um portal? E esse símbolo? Minha avó era uma mulher tão simples, dedicada ao seu jardim, às suas histórias… Como ela se envolveu com algo assim? Com uma Ordem Sombria?” A voz de Helena estava carregada de uma mistura de incredulidade e angústia. As lembranças de sua infância na casa da vovó, preenchida com cheiro de bolo e histórias de fadas, pareciam distantes e irreais diante da complexidade que agora se desdobrava.

“Talvez a simplicidade fosse a sua maior arma, Helena”, disse Gabriel suavemente. “Talvez ela soubesse como se proteger. E talvez o passado dela seja muito mais… sombrio do que imaginamos.”

Eles passaram horas debruçados sobre os diários da avó. As anotações sobre a Ordem Sombria eram fragmentadas, mas a mensagem era clara: um grupo que buscava controlar um poder antigo, escondido na caixa registradora. O símbolo do labirinto era a chave para desvendar esse poder, e a caixa era a porta de entrada. Mas, em meio a tudo isso, havia uma referência recorrente a “estrelas alinhadas” e a “um chamado do abismo”.

“Estrelas alinhadas…”, Helena repetiu, olhando para o céu noturno pela janela. “O que isso tem a ver com um portal?”

Gabriel pegou um dos diários, folheando-o. “Aqui… ela menciona um evento astronômico. Uma conjunção específica de planetas, que acontece a cada cem anos. Ela diz que é o momento em que ‘o véu entre os mundos se torna mais fino’.”

“Um véu entre os mundos?”, a voz de Helena era um sussurro aterrorizado. “Você acha que… que essa caixa abre um portal para outro lugar? Para outro… mundo?”

“Eu não sei o que pensar, Helena. Mas sua avó acreditava nisso. E se ela acreditava, então há uma possibilidade, por menor que seja.” Gabriel suspirou, passando a mão pelos cabelos. “E o abismo… O que ela quis dizer com ‘chamado do abismo’?”

Helena fechou os olhos, tentando evocar a imagem que as palavras pintavam em sua mente. Um lugar escuro, profundo, insondável. “Talvez não seja um lugar físico, Gabriel. Talvez seja… um estado. Um estado de desespero. Ou talvez um estado de… existência diferente.”

Um pensamento repentino atingiu Helena. “Espere. O Corvo disse que a caixa é um portal e que o livro de metal é a chave. E a frase da vovó… ‘A verdade reside onde o silêncio clama’.”

Ela se levantou e foi até a escrivaninha onde guardava alguns objetos de sua avó que havia trazido consigo. Entre eles, estava um pequeno telescópio antigo, que ela usava para observar as estrelas quando criança.

“A vovó adorava observar as estrelas”, disse Helena, pegando o telescópio. “Ela dizia que as estrelas contam histórias antigas, que carregam segredos do universo.”

Gabriel olhou para o telescópio, depois para o livro de metal. Uma ideia começou a se formar em sua mente. “E se… e se a chave não for apenas para a caixa, mas para entender o momento certo? O momento em que as estrelas se alinham?”

Helena pegou o livro de metal e o telescópio. Ela voltou para a mesa de centro, sentindo uma energia estranha percorrer o ambiente. A luz das estrelas parecia mais intensa, mais presente.

“O Corvo disse que precisamos alinhar os símbolos”, Helena disse, colocando o livro de metal ao lado da caixa registradora. “E a vovó mencionou estrelas alinhadas.”

Ela apontou o telescópio para o céu, ajustando o foco. As estrelas se tornaram pontos de luz brilhantes e claros. Ela se lembrou de um diagrama simples que sua avó havia rabiscado em uma das páginas do diário, uma representação de algumas constelações.

“Aqui”, Helena disse, sua voz ganhando um tom de excitação. “Essa constelação… parece com o símbolo do labirinto. É quase como se as estrelas formassem o padrão.”

Gabriel pegou o livro de metal e o posicionou sobre a caixa registradora. “E se o alinhamento das estrelas for o que ativa o livro? E o livro, por sua vez, ativa a caixa?”

Helena olhou para o céu, depois para o livro e a caixa. Uma sensação de vertigem a dominou. Era como se o universo estivesse conspirando para revelar um segredo antigo.

“A vovó disse que o símbolo é o guia”, Helena murmurou, seus olhos percorrendo a constelação no céu e o símbolo no livro. “E que é preciso encontrar o ponto exato onde as coisas se movem.”

Ela começou a girar o livro de metal sobre a caixa registradora, tentando casar o padrão do símbolo no céu com o entalhe na capa do livro. Era um movimento delicado, que exigia precisão. A cada pequeno ajuste, Helena sentia uma leve vibração emanando do objeto.

“Está se mexendo…”, sussurrou Gabriel, observando o livro.

“Silêncio clama…”, Helena repetiu, concentrada. De repente, ela percebeu algo. O símbolo na capa do livro tinha pequenas aberturas, quase imperceptíveis. E elas pareciam se alinhar com certos pontos de luz na constelação que ela via pelo telescópio.

“A verdade reside onde o silêncio clama… O silêncio do espaço, o silêncio das estrelas!”, exclamou Helena, sua voz cheia de uma súbita compreensão.

Ela girou o livro mais um pouco, até que as pequenas aberturas no símbolo se encaixaram perfeitamente com os pontos de luz das estrelas no céu. No exato momento em que o alinhamento foi completo, um clique suave ecoou no apartamento.

Um feixe de luz azulada, fraco e etéreo, emanou da caixa registradora, iluminando o símbolo no livro de metal. A luz parecia pulsar, um ritmo hipnótico que hipnotizou Helena e Gabriel. O ar ao redor deles começou a vibrar, e um zumbido baixo e profundo encheu o ambiente.

“O que está acontecendo?”, perguntou Gabriel, sua voz tensa.

“Eu não sei!”, respondeu Helena, olhando para a luz com fascinação e temor. “Mas… eu sinto… eu sinto que estamos prestes a descobrir a verdade.”

A luz azulada se intensificou, e o zumbido se tornou mais forte, como um chamado vindo de um lugar distante e desconhecido. O abismo. O portal. Estava se abrindo.

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