O Silêncio dos Inocentes Perdidos

Capítulo 20 — As Cinzas da Esperança e a Sombra da Vingança

por Thiago Barbosa

Capítulo 20 — As Cinzas da Esperança e a Sombra da Vingança

O apartamento em Lisboa agora era um túmulo de memórias. O cheiro de ozônio, resquício da energia liberada pelo portal, ainda pairava no ar, misturando-se ao odor metálico do sangue e à poeira de uma batalha travada. Gabriel estava sentado no chão, abraçando os joelhos, o olhar perdido no vazio onde Helena havia desaparecido. O sol da manhã espreitava pelas frestas das persianas, projetando raios pálidos sobre o caos, mas para Gabriel, a escuridão ainda reinava suprema. Helena. Seu nome era um lamento silencioso em sua alma, a dor da sua perda um fardo insuportável.

As cinzas da esperança que ele havia cultivado com ela, a promessa de um futuro juntos, haviam sido dispersadas pelo vento implacável da tragédia. O sacrifício dela, um ato de amor puro e desesperado, havia selado o portal, mas também havia aberto uma ferida incurável em seu coração. A Ordem Sombria havia sido repelida, mas a ameaça de vingança pairava no ar, tão palpável quanto a própria ausência de Helena.

Ele se levantou lentamente, os músculos rígidos pela noite de vigília e pela dor. Seus olhos pousaram na caixa registradora e no livro de metal. Objetos agora inertes, testemunhas silenciosas do poder que haviam liberado e do sacrifício que havia custado. A frase de sua avó – “A verdade reside onde o silêncio clama” – ecoava em sua mente, mas agora o silêncio era o de um vazio ensurdecedor. O silêncio de Helena.

Gabriel pegou o diário de sua avó, as páginas manchadas pelas lágrimas e pelo sangue que ele não conseguia mais distinguir. Ele folheou as últimas anotações, a última esperança de encontrar uma pista, uma explicação, uma forma de trazer Helena de volta. Mas as palavras eram claras: “O sacrifício será a única forma de selá-lo. A luz de um inocente deve apagar a escuridão.” Não havia menção a reverter o processo.

“Helena…”, ele sussurrou, sua voz rouca e quebrada. As lembranças de seus sorrisos, de seus abraços, de seus planos para o futuro, eram torturantes. Como ele poderia seguir em frente sem ela?

Ele pensou nos homens da Ordem Sombria, em seus rostos sombrios e seus olhos frios. Eles voltariam. E agora, eles teriam um motivo a mais para buscá-lo. Para se vingar pela perda que ele, de certa forma, havia causado. A culpa o corroía, uma fera faminta em seu interior. Se ele não tivesse se envolvido com a caixa, se ele não tivesse buscado desvendar os segredos de sua avó…

Uma súbita determinação endureceu seu olhar. Não. Helena se sacrificara para protegê-lo. Para protegê-los de um mal maior. Ele não podia deixar que seu sacrifício fosse em vão. Ele tinha que honrá-la. Ele tinha que garantir que a Ordem Sombria pagasse pelo que havia feito, e pelo que representava.

Gabriel começou a arrumar o apartamento, não com a intenção de limpar a bagunça, mas para reunir o que restava. Ele pegou os diários de sua avó, o livro de metal, a caixa registradora. Tudo o que pudesse conter uma pista, uma fraqueza da Ordem. A busca por respostas se transformara em uma busca por vingança.

Ele sabia que não estaria sozinho. Havia pessoas que ele conhecia, contatos no submundo que poderiam fornecer informações, recursos. O Corvo. Aquele antiquário enigmático que havia lhe dado o livro de metal. Ele sabia mais do que deixava transparecer. Gabriel precisava encontrá-lo novamente.

Enquanto juntava seus pertences, ele encontrou um pequeno objeto caído sob a mesa. Era um pequeno pingente, o mesmo que sua avó usava, com o símbolo do labirinto. Helena devia ter o deixado cair durante a luta. Gabriel o pegou, sentindo o metal frio em seus dedos. Era uma conexão com ela, com a luta dela, com o seu amor. Ele o guardou em seu bolso, como um amuleto.

Ao sair do apartamento, Gabriel olhou para trás uma última vez. O silêncio que o cercava não era mais o silêncio de um mistério a ser desvendado, mas o silêncio de uma promessa. A promessa de honrar Helena, de lutar contra a escuridão que a havia tirado dele. A sombra da vingança pairava sobre ele, mas sob essa sombra, ardia uma chama de determinação. Ele iria encontrar a Ordem Sombria. E ele iria fazer com que pagassem.

A jornada de Gabriel estava apenas começando. Ele se lançaria nas profundezas do submundo, buscando aliados, desvendando os segredos da Ordem Sombria, movido pela memória de Helena e pela sede de justiça. O silêncio dos inocentes perdidos havia se tornado o grito de guerra do vingador. A luz de Helena havia se apagado, mas em seu lugar, a escuridão da Ordem Sombria encontraria um novo e implacável adversário.

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