O Assassino de Copacabana

Com certeza! Prepare-se para mergulhar de cabeça nas reviravoltas e paixões de "O Assassino de Copacabana". Aqui estão os capítulos 16 a 20, escritos com a alma de um verdadeiro novelista brasileiro:

por Felipe Nascimento

Com certeza! Prepare-se para mergulhar de cabeça nas reviravoltas e paixões de "O Assassino de Copacabana". Aqui estão os capítulos 16 a 20, escritos com a alma de um verdadeiro novelista brasileiro:

Capítulo 16 — O Eco das Promessas Quebradas

O ar pesado da noite carioca parecia impregnado de uma melancolia que se agarrava à pele de Sofia. Sentada à janela do seu apartamento em Ipanema, o brilho distante das luzes de Copacabana pintava reflexos trêmulos no vidro, mas o espetáculo que antes a extasiava agora trazia apenas uma dor surda. O encontro com Helena, a mulher que desvendara parte da teia de mentiras em torno da morte de seu pai, deixara um rastro de incerteza e desconfiança. Helena, com seus olhos que pareciam carregar o peso de segredos antigos, a alertara sobre as intenções de Victor. Mas seria Helena uma aliada ou mais uma peça no intrincado jogo de manipulação?

"Por que essa desconfiança, Sofia?", a voz de Victor soou suave, quase um carinho, quando ele entrou no apartamento, o perfume caro e a elegância habitual o precedendo. Ele pousou um buquê de rosas vermelhas sobre a mesa de centro, o gesto que antes a faria sorrir agora parecia uma tentativa barata de disfarçar algo sombrio.

Sofia se virou lentamente, o olhar fixo nele. "Helena veio aqui hoje, Victor."

Um leve espasmo percorreu o rosto de Victor, quase imperceptível, mas Sofia, com sua sensibilidade aguçada pela dor, o notou. Um sorriso calculista surgiu em seus lábios. "Helena? Que surpresa. Ela anda se dedicando ao seu bem-estar, parece. O que ela queria?"

"Ela disse que você não é quem eu penso que é. Que você está envolvido na morte do meu pai." As palavras saíram duras, carregadas de uma acusação velada.

Victor riu, um som que deveria ser leve, mas que soou oco. Ele se aproximou, as mãos tocando os ombros de Sofia com uma delicadeza que contrastava com a frieza em seus olhos. "Sofia, meu amor, você não vai dar ouvidos a essa mulher desequilibrada, vai? Helena sempre foi... peculiar. E você sabe que o seu pai e eu tínhamos nossas diferenças, mas envolvimento na morte dele? Isso é um absurdo. Um insulto."

Ele a puxou para um abraço, o corpo forte e seguro dela contra o dele. Sofia se deixou envolver, mas a resistência interna gritava. Aquele abraço, que antes significava refúgio, agora parecia uma armadilha. A promessa de amor eterno que ele lhe fizera, a confiança cega que depositara nele, tudo parecia ruir em pedaços.

"Ela tem provas, Victor", Sofia sussurrou, a voz embargada pela emoção. "Ela disse que tem algo que o incrimina."

Victor se afastou um passo, o rosto agora assumindo uma expressão de falsa preocupação. "Provas? Que tipo de provas? Sofia, você tem que me dizer tudo o que ela falou. Essa mulher pode estar tentando te manipular. Ela sempre teve inveja da nossa felicidade, da nossa vida."

Ele a olhou nos olhos, a intensidade do seu olhar quase a hipnotizando. "Você confia em mim, não confia? Eu te amo mais do que tudo. E eu jamais faria mal ao seu pai, muito menos a você."

Sofia hesitou. A necessidade de acreditar nele, de se agarrar à imagem do homem que ela amava, lutava contra a voz da razão e a advertência de Helena. "Eu não sei mais em quem acreditar, Victor."

"Acredite em mim", ele disse, a voz rouca de uma paixão fingida. "Acredite no que você sente. O que temos é real, Sofia. E nada nem ninguém vai destruir isso."

Ele a beijou, um beijo que começou com ternura, mas que rapidamente se tornou possessivo, urgente. Sofia se permitiu ser levada pela correnteza, mas uma pequena parte dela permanecia à margem, observando a cena com um misto de medo e desespero. A noite avançava, e com ela, a sensação de que as promessas de amor e segurança que Victor lhe oferecia eram tão frágeis quanto o vidro da janela, prestes a estilhaçar.

Enquanto isso, em um canto sombrio da cidade, em um casarão antigo e decadente no Leme, Helena observava um envelope que continha não apenas cartas, mas a prova irrefutável de um crime que abalaria a elite carioca. As palavras de Sofia, a hesitação em sua voz, o medo genuíno, tudo isso a deixava apreensiva. Victor era um lobo em pele de cordeiro, e Sofia, por mais forte que fosse, era a sua presa mais preciosa.

Helena pegou um copo de uísque, o líquido âmbar refletindo a luz fraca de um abajur. Ela se lembrava de cada detalhe daquele dia fatídico no escritório do pai de Sofia. As gravações, os documentos, a confissão sussurrada pelo homem que agora se passava por anjo. "Ele sempre foi um mestre em manipular as pessoas", ela murmurou para si mesma. "Mas desta vez, ele cometeu um erro. Ele subestimou a força de quem ele machucou."

Ela sabia que o tempo estava se esgotando. Victor, sentindo-se acuado, poderia se tornar ainda mais perigoso. A única maneira de proteger Sofia era expor a verdade, por mais dolorosa que fosse. Mas como fazer isso sem quebrar o coração da mulher que já sofrera tanto?

Helena abriu uma gaveta e tirou uma pequena fotografia. Era dela, mais jovem, abraçada a um homem sorridente. O pai de Sofia. Um lampejo de dor atravessou seus olhos. "Eu te prometi que não ia descansar até que a justiça fosse feita", ela sussurrou, a voz embargada. "E eu vou cumprir essa promessa."

No apartamento luxuoso, Victor observava Sofia dormir, o rosto sereno sob a luz suave do quarto. Ele acariciava os cabelos dela, um gesto que parecia carinhoso, mas que escondia uma frieza calculista. "Pobre Sofia", ele pensou. "Tão ingênua. Você acredita em mim, e é por isso que vai ser ainda mais doloroso quando tudo acabar."

Ele se levantou, a silhueta esguia se projetando na penumbra. Caminhou até a sacada, o vento salgado beijando seu rosto. A cidade de Copacabana, com seus arranha-céus e sua agitação, parecia um palco para os seus jogos. Ele era o predador, e o amor de Sofia era a sua arma mais poderosa. A revelação de Helena era um obstáculo, sim, mas nada que ele não pudesse contornar. Afinal, ele era Victor Andrade, o homem que sempre conseguia o que queria. E ele queria Sofia. A qualquer custo.

Capítulo 17 — A Teia de Aranha e o Fio Solto

O sol da manhã em Copacabana, geralmente um convite à alegria e à vida, parecia hoje tingido de uma névoa de incerteza para Sofia. O sono que a abraçara na noite anterior fora turbulento, pontuado por pesadelos fragmentados e pela sensação persistente de que algo fundamental estava errado. A conversa com Victor, as palavras de Helena, o abraço que deveria ser reconfortante, mas que agora soava como um prenúncio, tudo se misturava em sua mente como uma tintura borrada.

Ela se levantou, a preguiça natural da manhã substituída por uma urgência crescente. Precisava de ar, de clareza. Caminhou até a varanda, o mar azul-turquesa se estendendo até o horizonte, convidativo e imponente. Contemplou o calçadão de Copacabana, o fluxo constante de pessoas, a energia vibrante que emanava da praia. Em meio àquela vitalidade, ela se sentia como uma ilha de melancolia.

A lembrança das palavras de Helena ecoava em sua mente: "Victor não é quem você pensa, Sofia. Ele está envolvido na morte do seu pai." A desconfiança plantada por Helena era como uma semente que germinava em terreno fértil, alimentada pelas inconsistências que ela, por amor ou cegueira, havia ignorado em Victor. A forma como ele reagira ao nome de Helena, a falsa preocupação em seus olhos, tudo agora parecia suspeito.

Sofia pegou o celular, as mãos trêmulas. Hesitou antes de discar o número de Helena. O que ela realmente queria? Era uma aliada sincera ou tinha seus próprios motivos ocultos? A incerteza era torturante. Finalmente, ela discou.

"Sofia?", a voz de Helena soou do outro lado, um misto de surpresa e apreensão.

"Helena, preciso falar com você de novo. Agora." A voz de Sofia era firme, mas carregada de urgência.

"Estou a caminho do seu apartamento. Uns dez minutos." Helena desligou.

Sofia sentiu um alívio misturado à ansiedade. Enquanto esperava, decidiu investigar por conta própria. Lembrava-se de uma caixa antiga no armário do escritório do seu pai, uma caixa que ele sempre guardava com cuidado e que continha documentos "importantes", como ele dizia. Talvez ali houvesse alguma pista, algum fio solto que pudesse ligar Victor aos acontecimentos.

O escritório, outrora um refúgio de paz e sabedoria, agora parecia carregado de uma aura de mistério. Sofia abriu o armário e retirou a pesada caixa de madeira escura. O cheiro de papel antigo e de lembranças pairava no ar. Ela abriu a tampa, revelando pilhas de documentos, cartas amareladas e cadernos de anotações. Era um tesouro, mas também um labirinto.

Ela começou a revirar os papéis, com o coração acelerado. Havia contratos, contas, cartas de amigos e colegas do seu pai. Tudo parecia normal, até que ela encontrou um pequeno caderno de capa preta, escondido sob uma pilha de papéis. As anotações eram em uma caligrafia elegante, mas apressada. Eram anotações financeiras, com datas e valores. E o nome que se repetia, em quase todas as páginas, era o de Victor Andrade.

Os números eram alarmantes. Grandes somas de dinheiro movimentadas em curtos períodos, em transações que não faziam sentido dentro do contexto das empresas de seu pai. Havia também anotações cifradas, códigos que ela não entendia. Mas uma frase, escrita em destaque em uma das últimas páginas, chamou sua atenção: "Victor - O golpe final. Ele não pode me trair assim."

Um arrepio percorreu a espinha de Sofia. O golpe final. Seu pai havia descoberto algo sobre Victor, algo que o levou a se sentir traído. E isso aconteceu pouco antes de sua morte.

Nesse exato momento, a campainha tocou. Era Helena.

Sofia fechou o caderno com um baque surdo e guardou-o de volta na caixa. Recebeu Helena na porta, o semblante preocupado.

"O que você descobriu?", Helena perguntou, seus olhos percorrendo o rosto de Sofia, buscando sinais de desespero.

Sofia a conduziu até o escritório. "Eu encontrei isto", disse ela, entregando o caderno de capa preta a Helena. "Meu pai. Ele estava investigando Victor. E descobriu algo que o deixou apavorado."

Helena pegou o caderno, seus dedos ágeis folheando as páginas. Um leve franzir de testa apareceu em seu rosto ao ver os nomes e os números. "São movimentações financeiras. E parecem... irregulares."

"Eu não entendo", Sofia confessou. "Mas meu pai escreveu aqui 'O golpe final'. E o nome de Victor aparece em quase todas as páginas."

Helena continuou examinando os papéis, seus olhos fixos em uma sequência de números e letras. De repente, ela parou. "Eu acho que entendo", ela disse, a voz baixa e tensa. "Meu pai e o seu pai trabalhavam juntos em alguns projetos de filantropia. Ele me contou uma vez sobre um esquema que Victor estava tentando implementar, um desvio de verba para financiar algo... ilegal. Seu pai descobriu e estava prestes a expô-lo."

Ela olhou para Sofia, os olhos carregados de uma tristeza profunda. "O seu pai não morreu de causas naturais, Sofia. Ele foi silenciado."

As palavras de Helena caíram sobre Sofia como um raio. O chão pareceu sumir sob seus pés. A ideia era aterradora, insuportável. Victor, o homem que ela amava, o homem que lhe prometeu um futuro, capaz de tirar a vida do seu pai?

"Não", Sofia sussurrou, balançando a cabeça. "Não pode ser. Victor me ama. Ele jamais faria algo assim."

"O amor pode ser uma máscara, Sofia", Helena disse, sua voz suave, mas firme. "E Victor é um mestre em usar máscaras. A prova está aqui. E eu tenho mais."

Helena tirou uma pequena memória USB do bolso. "Eu gravei uma conversa dele. O dia em que fui confrontá-lo sobre o que eu sabia. Ele confessou tudo. Ele achou que eu não faria nada com isso, que eu seria covarde. Mas ele estava enganado."

Helena ligou a memória USB a um laptop que trouxera. A tela iluminou o rosto aflito de Sofia. Ela clicou no arquivo. A voz de Victor, rouca e ameaçadora, preencheu o silêncio do escritório.

"Você acha que pode me deter, Helena? Você não sabe com quem está lidando. Esse dinheiro é meu por direito. E o pai de Sofia... bem, ele era um obstáculo. E obstáculos precisam ser removidos."

O sangue de Sofia gelou. Aquela voz, tão familiar, tão cruel, estava confessando o assassinato de seu próprio pai. As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, quentes e amargas. A teia de aranha que Victor tecera ao seu redor finalmente se desfez, revelando a monstruosidade por trás da fachada charmosa.

Victor, que entrava naquele momento no apartamento, trazendo um sorriso ensaiado, parou abruptamente ao ver as duas mulheres ali, a expressão de desolação no rosto de Sofia e a determinação nos olhos de Helena. Ele percebeu que a armadilha havia sido descoberta. O jogo havia mudado.

Capítulo 18 — A Fúria da Vítima

O ar no apartamento de Sofia tornou-se denso, carregado de uma tensão palpável que parecia prestes a explodir. Victor, com seu sorriso habitual congelado no rosto, avaliava a cena com uma precisão fria. Sofia, em pé, com o rosto banhado em lágrimas, mas com uma nova determinação que endurecia seus traços, olhava para ele com uma repulsa que era quase física. Helena, ao lado dela, era a personificação da calma ameaçadora, a memória USB ainda conectada ao laptop, a prova irrefutável de sua culpa prestes a ser revelada.

"Sofia, meu amor, o que está acontecendo aqui?", a voz de Victor era suave, melódica, mas agora soava como uma nota desafinada, uma tentativa desesperada de manter o controle. Ele deu um passo em direção a ela, as mãos estendidas como se quisesse abraçá-la, mas Sofia recuou, o gesto repelindo-o com força.

"Não chegue perto de mim!", a voz de Sofia soou embargada pela emoção, mas com uma força que surpreendeu até a si mesma. "Eu sei o que você fez, Victor. Eu sei que você matou o meu pai!"

A fachada de Victor rachou. O sorriso desapareceu, substituído por uma expressão de surpresa e, em seguida, por um lampejo de raiva controlada. "Isso é um absurdo, Sofia! Você está sendo influenciada por essa mulher. Helena está mentindo para você, te manipulando."

"Mentindo?", Helena interveio, a voz firme e cortante. "Victor, a gravação está aqui. Você mesmo confessa tudo. O desvio de dinheiro, o seu pai descobrindo, o 'golpe final'. Você se traiu."

Victor olhou para Helena, seus olhos escuros faiscando de ódio. Ele deu um passo ameaçador na direção dela, mas Sofia se colocou no caminho, um escudo protetor.

"Fique longe dela, Victor!", Sofia gritou, a fúria substituindo a dor. A vítima, a mulher que ele acreditava ter dominado, estava se erguendo. A fragilidade que ele via nela era apenas uma ilusão. "Você achou que podia me enganar, que podia brincar com os meus sentimentos, com a minha vida. Mas você se enganou. Eu não sou mais a mesma."

"Sofia, você está se deixando levar pelas emoções", Victor tentou argumentar, sua voz assumindo um tom paternalista que agora soava grotesco. "Você sabe que eu te amo. Eu jamais machucaria você ou alguém que você ama."

"Amor?", Sofia riu, um som amargo e sem alegria. "Você chama isso de amor? Destruir a vida de quem você ama? Manipular e matar para satisfazer a sua ganância? Você é um monstro, Victor. Um monstro com um sorriso bonito."

A raiva de Victor borbulhava. Ele se sentia encurralado, sua persona cuidadosamente construída desmoronando diante de seus olhos. Ele sabia que a gravação era um problema sério, mas ele sempre teve um plano B.

"Você não pode provar nada", Victor disse, um sorriso de escárnio começando a surgir em seus lábios. "Essa gravação pode ser forjada. E as anotações do seu pai? Um delírio. Ele não estava bem nos últimos tempos."

"Ele estava mais lúcido do que você jamais será", Helena retrucou, seus olhos fixos em Victor. "E as provas estão aí. A polícia já está a caminho. Eu liguei para eles."

A menção da polícia fez Victor vacilar por um instante. Seus olhos percorreram o apartamento, procurando uma saída. Ele não podia ser pego ali. Ele não podia ser derrotado por Sofia e Helena.

"Você não vai se safar dessa, Victor Andrade", Sofia disse, a voz firme, carregada de uma resolução que ela não sabia que possuía. "Você vai pagar por tudo o que fez. Pelo meu pai. Por todos que você enganou e machucou."

Victor deu um passo para trás, sua mente trabalhando rapidamente. Ele não podia enfrentar a polícia ali, não com as provas. Sua única chance era escapar.

"Isso não acabou, Sofia", ele disse, seus olhos encontrando os dela, um brilho perigoso neles. "Você vai se arrepender disso. Você vai se arrepender de ter mexido comigo."

Com uma agilidade surpreendente, Victor se virou e correu em direção à porta dos fundos do apartamento, que dava acesso a uma área de serviço. Ele sabia que havia uma saída ali, uma rota de fuga para os becos que cercavam o prédio.

"Ele está fugindo!", Helena gritou.

Sofia não hesitou. A adrenalina a impulsionou. Ela correu atrás de Victor, seguida de perto por Helena. A perseguição começou.

Victor desceu as escadas de serviço às pressas, o som de seus passos ecoando no corredor estreito. Sofia e Helena o seguiam, a respiração ofegante. A porta dos fundos estava entreaberta. Victor a abriu com um empurrão e saiu para o beco úmido e escuro.

O beco era um labirinto de latas de lixo e sombras. Victor se movia com a agilidade de um animal acuado, enquanto Sofia e Helena tentavam acompanhá-lo. A luz fraca das lâmpadas de rua criava um jogo de luz e sombra, dificultando a visibilidade.

De repente, uma sirene distante começou a soar. A polícia estava chegando.

Victor sabia que o tempo estava se esgotando. Ele viu uma oportunidade – um muro baixo que levava a um telhado de um prédio vizinho. Com um último esforço, ele escalou o muro e desapareceu no topo.

Sofia e Helena chegaram ao muro segundos depois. Elas olharam para cima, mas Victor já havia sumido.

"Ele escapou", Sofia disse, a voz embargada pela frustração.

"Por enquanto", Helena respondeu, ofegante. "Mas agora ele está sendo procurado. A polícia tem a gravação. Eles vão encontrá-lo."

Enquanto isso, a poucos quarteirões dali, o carro de Victor deslizava pelas ruas de Copacabana. Em seus olhos, a fúria se misturava a um brilho de determinação. Ele havia escapado, mas não estava derrotado. Ele jurou que voltaria. E que Sofia e Helena pagariam caro por tê-lo exposto.

No topo do prédio, Victor observava a multidão que se reunia em frente ao apartamento de Sofia, alertada pelo barulho. Ele era uma sombra, um fantasma que se esgueirava pela noite, planejando seu próximo movimento. A fúria da vítima, a coragem de Sofia e Helena, tudo isso apenas o tornara mais perigoso. Ele não era apenas um assassino, era um homem com muito a perder. E ele lutaria com unhas e dentes para não perder.

Capítulo 19 — O Vazio da Ausência e a Sombra Persistente

O amanhecer em Copacabana tingia o céu de tons rosados e alaranjados, um espetáculo que, dias antes, teria despertado em Sofia uma onda de otimismo e esperança. Agora, porém, a beleza da natureza parecia zombar de sua dor. A noite havia sido um turbilhão de emoções: a descoberta devastadora, a confrontação com Victor, a sua fuga desesperada, a chegada da polícia. O apartamento, antes um refúgio, agora era um campo de batalha em ruínas, palco de uma traição que a deixara desolada.

Sofia sentou-se no sofá, o corpo pesado de exaustão. O caderno do pai, a memória USB com a confissão de Victor, tudo estava ali, como evidências tangíveis da destruição de seu mundo. A polícia levara Victor como principal suspeito, mas a sua ausência física no apartamento deixava um vazio ainda maior, um eco ensurdecedor da presença dele, da sua manipulação.

Helena, com a mesma calma resignada que a caracterizava, preparava um café na cozinha. Seus gestos eram precisos, quase mecânicos, como se estivesse acostumada a lidar com desastres. "Você precisa se cuidar, Sofia", disse ela, oferecendo uma xícara fumegante. "Agora que ele fugiu, ele pode tentar se vingar. Precisamos ficar atentas."

Sofia pegou a xícara, o calor reconfortante em suas mãos. "Vingança? Ele já destruiu tudo o que eu amava, Helena. O que mais ele poderia tirar de mim?"

"Ele pode tirar a sua paz", Helena respondeu, sentando-se à mesa. "Ele é perigoso. E agora, ele sabe que você foi a responsável por expô-lo."

A ideia de Victor, livre e furioso, à solta pela cidade, era aterrorizante. Ela o conhecia. Sabia da sua inteligência, da sua capacidade de planejamento, da sua crueldade quando encurralado. A fuga dele não era um fim, mas apenas uma pausa em sua jornada sombria.

Enquanto conversavam, o celular de Sofia tocou. Era a delegacia. Uma voz formal informou que Victor havia escapado da custódia durante o transporte. A notícia, embora esperada, atingiu Sofia como um golpe físico. Ele estava livre. E ele voltaria.

Sofia sentiu um tremor percorrer seu corpo. O medo era real, palpável. Mas por baixo dele, uma raiva fria começava a se formar. Victor não a intimidaria. Ela havia enfrentado a verdade, por mais dolorosa que fosse, e não cederia agora.

"Ele escapou", Sofia disse a Helena, a voz tensa. "Ele está livre."

Helena suspirou. "Eu sabia que seria difícil detê-lo completamente. Ele é astuto. Mas agora ele sabe que não tem para onde correr. A polícia está em seu encalço."

"Mas e se ele vier atrás de nós?", Sofia perguntou, a incerteza em sua voz. "E se ele tentar se vingar?"

"Vamos nos proteger", Helena respondeu, com firmeza. "E vamos garantir que ele seja pego. Temos as provas. A justiça prevalecerá."

Os dias seguintes foram de apreensão constante. Cada sombra parecia esconder Victor, cada carro desconhecido na rua levantava suspeitas. Sofia se sentia vigiada, a sensação de que ele a observava de algum lugar, planejando seu retorno.

Ela tentava retomar a sua rotina, mas a normalidade parecia inatingível. O trabalho no ateliê, que antes a preenchia de alegria, agora parecia vazio. As cores, as formas, tudo parecia desbotado pela dor e pelo medo.

Victor, enquanto isso, se movia nas sombras, um fantasma implacável. Ele usava seus contatos, seus recursos, para se manter um passo à frente da polícia. Ele observava Sofia à distância, um misto de ódio e obsessão em seus olhos. Ele não podia perdê-la. E ele não permitiria que Helena, aquela mulher intrusa, arruinasse tudo o que ele havia planejado.

Em uma noite chuvosa, enquanto Sofia tentava dormir, o celular tocou. Era uma mensagem anônima.

"Você acha que acabou? Você está enganada. Eu voltarei. E farei você se arrepender de ter confiado em Helena."

O coração de Sofia disparou. O medo a envolveu como um manto frio. Ele estava a observando. Ele sabia onde ela estava.

Ela acordou Helena, que dormia em um quarto de hóspedes. "Helena, ele mandou uma mensagem. Ele está vindo."

Helena se levantou rapidamente, o semblante preocupado. "Precisamos sair daqui. Agora."

Elas pegaram apenas o essencial e saíram do apartamento às pressas, a chuva caindo implacável sobre elas. O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som das gotas d'água e pelos seus passos apressados.

Enquanto se dirigiam para um local seguro, Sofia olhou para trás, para o apartamento que agora parecia um símbolo de sua perda. A sombra de Victor pairava sobre ela, persistente e ameaçadora. Mas a fúria que sentia era mais forte que o medo. Ela não o deixaria vencer.

Victor, em seu esconderijo temporário, observava as luzes da cidade através da janela embaçada pela chuva. Um sorriso cruel brincava em seus lábios. Ele sabia que Sofia estava assustada. E isso o deixava mais forte. Ele havia lhe dado tudo, a vida que ela sempre sonhou, e ela o traíra. Agora, ele tiraria tudo dela.

Ele pegou o telefone e discou um número. "Preciso de algo discreto. Uma forma de entrar no apartamento dela sem ser notado. Tenho algumas coisas para recuperar. E uma mensagem para deixar."

A voz do outro lado da linha era rouca e profissional. "Em poucas horas estará feito, Sr. Andrade."

Victor desligou, satisfeito. Sofia pensava que estava segura, mas ele a observava, ele a conhecia. E ele sabia exatamente como atingi-la onde mais doía.

Capítulo 20 — O Confronto Final em São Conrado

A noite em São Conrado caía como um véu escuro sobre os luxuosos condomínios e as ruas sinuosas que serpenteavam pela paisagem montanhosa. Sofia, seguindo as instruções de Helena, dirigia com cautela, o coração batendo forte no peito. A mudança para um local mais seguro, longe do centro de Copacabana, parecia a única opção sensata após a ameaça de Victor. Helena a esperava em uma casa isolada, com vistas deslumbrantes para o mar, um refúgio temporário, mas um que agora parecia um palco para o clímax inevitável.

Ao chegar, Sofia encontrou Helena na varanda, observando a linha do horizonte onde as luzes da cidade se misturavam à escuridão do oceano. A atmosfera era de apreensão contida, como a calma antes de uma tempestade.

"Ele mandou uma mensagem", Sofia disse, entregando o celular a Helena. "Ele invadiu o meu apartamento."

Helena leu a mensagem, um leve franzir de testa em seu rosto. "Ele está tentando te desestabilizar, Sofia. Mas não vamos ceder. Temos que ser mais espertas que ele."

"O que ele poderia querer?", Sofia perguntou, a voz embargada pela preocupação. "Eu dei tudo para a polícia."

"Ele pode querer algo que você não deu, algo que ele considera dele", Helena respondeu, o olhar fixo em Sofia. "Ou ele pode querer te usar como isca. Ele sabe que você é meu ponto fraco."

De repente, um vulto passou correndo pela lateral da casa. Era um segurança que Helena havia contratado. Ele se aproximou, o rosto pálido. "Tem alguém tentando forçar a entrada pelos fundos. Ele parece estar armado."

O pânico se instalou em Sofia. Victor não perderia tempo. Ele estava ali, mais perto do que imaginavam.

"Precisamos ir embora daqui", Sofia disse, apavorada.

"Não podemos", Helena respondeu, com uma determinação fria. "Se fugirmos agora, ele nos caçará. Precisamos enfrentá-lo. Aqui."

Helena pegou uma arma que guardava em um cofre escondido. Era um gesto que demonstrava a sua preparação para o pior. Sofia olhou para ela, surpresa e intimidada. Aquele era o lado de Helena que ela nunca havia visto.

"Mas como?", Sofia perguntou. "Ele é perigoso."

"Eu tenho um plano", Helena disse, os olhos brilhando com uma mistura de coragem e desespero. "Você vai se esconder. Eu vou lidar com ele."

Enquanto Helena se preparava, Sofia se dirigiu para um quarto nos fundos da casa, que dava para um pequeno jardim. De lá, ela podia ouvir os sons abafados da chuva e, gradualmente, os ruídos que indicavam a aproximação de Victor. O som de vidro quebrando, passos pesados, uma voz rouca gritando o nome dela.

Victor irrompeu na sala de estar, a figura imponente e ameaçadora na escuridão. Helena o esperava, a arma apontada para ele.

"Victor!", Helena gritou. "Acabou! Você não vai machucar ninguém mais!"

Victor riu, um som cruel e sem humor. Ele estava usando roupas escuras, seu rosto marcado pela determinação e pela raiva. "Acabou? Para você, talvez. Mas para mim, é apenas o começo. Eu voltei para pegar o que é meu."

"Nada disso é seu, Victor", Helena retrucou. "Você é um assassino. E vai pagar por isso."

"Você acha que tem o controle?", Victor zombou. "Você é ingênua, Helena. Eu sempre jogo para vencer."

Ele deu um passo em direção a Helena, com uma calma ameaçadora. Helena, com os nervos à flor da pele, manteve a arma firme. "Não se aproxime, Victor."

Mas Victor não a ouviu. Ele avançou, sua intenção clara: desarmá-la e acabar com ela. Helena disparou. O som do tiro ecoou pela casa, seguido por um grito de dor.

Sofia, no quarto dos fundos, ouviu o disparo e correu para a sala de estar, o coração disparado. A cena que encontrou a deixou petrificada. Victor estava caído no chão, um ferimento na perna, mas ainda vivo. Helena estava de pé, a arma ainda em suas mãos, o rosto pálido, mas firme.

Victor olhou para Sofia, seus olhos cheios de ódio e dor. "Você me traiu, Sofia. Ambos me traíram."

"Você é um monstro, Victor", Sofia disse, a voz trêmula, mas firme. "Você destruiu a minha vida."

Nesse exato momento, as sirenes da polícia começaram a soar ao longe, aproximando-se rapidamente. Helena havia contatado as autoridades antes de tudo acontecer.

Victor sabia que não havia mais escapatória. Ele olhou para Sofia, um último lampejo de algo que poderia ser remorso, ou apenas a fúria do derrotado. "Você vai se arrepender disso, Sofia", ele murmurou, antes que os policiais entrassem na sala, cercando-o.

A prisão de Victor foi o fim de uma era sombria. A justiça, embora lenta e dolorosa, finalmente havia sido feita. Sofia, ao lado de Helena, sentiu um peso imenso ser retirado de seus ombros. A dor da perda do pai permaneceria, uma cicatriz em sua alma, mas a certeza de que Victor não machucaria mais ninguém trouxe um alívio profundo.

Nos dias que se seguiram, Sofia e Helena se apoiaram mutuamente. A casa em São Conrado, antes um refúgio de medo, tornou-se um símbolo de superação. A vista para o mar, antes turva pela dor, agora parecia um convite para um novo começo.

Sofia sabia que o caminho à frente seria longo. A reconstrução de sua vida, a cura de suas feridas emocionais, tudo isso exigiria tempo e coragem. Mas ela não estava mais sozinha. Ela tinha Helena, uma aliada improvável que se tornou uma amiga leal. E ela tinha a força que descobriu dentro de si mesma, a força de uma vítima que se recusou a ser silenciada.

Enquanto o sol se punha no horizonte de São Conrado, pintando o céu com cores vibrantes, Sofia sentiu uma paz que há muito tempo não experimentava. A sombra de Victor finalmente se dissipava, abrindo espaço para a luz, para a esperança, para a possibilidade de um futuro onde o amor, a verdade e a justiça pudessem, finalmente, florescer. A história do Assassino de Copacabana chegava ao fim, mas a história de Sofia estava apenas começando.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%