O Assassino de Copacabana

Capítulo 3 — A Sombra de um Passado Esquecido

por Felipe Nascimento

Capítulo 3 — A Sombra de um Passado Esquecido

A manhã seguinte ao assassinato de Ricardo Vargas amanheceu com um sol radiante sobre o Rio de Janeiro, mas o otimismo do clima contrastava fortemente com a atmosfera tensa que pairava sobre a Almeida & Vargas Incorporações. Isabella de Almeida, com os olhos marcados pela insônia e a mente turbulenta, recebia o Delegado Leonardo Costa e sua parceira, Detetive Carla Mendes, em sua espaçosa sala com vista para o mar. A cena do crime, ainda fresca na memória coletiva da cidade, parecia ecoar nas paredes de mármore e vidro do escritório.

"Bom dia, Delegado. Detetive Mendes", disse Isabella, a voz firme, mas com um toque de cansaço. Ela havia passado a noite em claro, decifrando o diário de Ricardo e as cartas anônimas, cada palavra uma nova camada de complexidade e perigo ao já intrincado quebra-cabeça.

"Bom dia, Senhora de Almeida", respondeu Leonardo, seus olhos escuros avaliando a empresária com atenção. Ele notou o semblante abatido, mas também a resiliência que emanava dela. "Trouxemos algumas atualizações. Conseguimos localizar o senhor Marcos Oliveira."

Uma onda de alívio percorreu Isabella. "Graças a Deus! Onde ele está? Ele está bem?"

"Ele está em nosso interrogatório", disse Carla, com um tom mais direto. "Ele estava escondido em um sítio afastado em Guaratiba. Parecia apavorado. Disse que fugiu porque temia por sua vida, depois de descobrir certas coisas sobre o 'Projeto Aurora'."

"Certas coisas? O que ele descobriu?", Isabella pressionou, o coração acelerado.

"Segundo ele, o terreno destinado ao 'Projeto Aurora' não era apenas uma área de expansão urbana como pensávamos", explicou Leonardo. "Ele encontrou evidências de que o local era, na verdade, um antigo cemitério indígena, com uma história bastante sombria. E parece que algumas pessoas não queriam que isso viesse à tona."

Isabella assentiu, lembrando-se das anotações no diário de Ricardo e das cartas ameaçadoras. "Eu sabia. Ricardo também descobriu algo assim. Ele encontrou documentos antigos que mencionavam rituais e uma história peculiar ligada àquela terra."

"Exatamente", confirmou Leonardo. "Marcos disse que ouviu rumores, sussurros entre os moradores mais antigos da região, sobre 'espíritos inquietos' e 'proteção ancestral'. Ele se assustou e tentou avisar Ricardo, mas o senhor Vargas, aparentemente, já estava ciente e parecia mais preocupado com quem poderia estar interessado em manter esse passado em segredo."

"Quem? Quem se beneficiaria em manter um cemitério indígena em segredo?", perguntou Isabella, a mente voltando-se para os potenciais inimigos de Ricardo e da empresa.

"Marcos mencionou um nome, um nome que ele ouviu em conversas nos arredores do terreno. Um homem chamado Elias Thorne. Um colecionador de antiguidades, interessado em artefatos indígenas. Dizem que ele é obcecado por história pré-colombiana e que tem contatos com pessoas influentes que compartilham desse interesse."

"Elias Thorne...", Isabella repetiu o nome, sentindo um leve calafrio. Ela não o conhecia pessoalmente, mas o nome circulava nos círculos de colecionadores e historiadores. Um homem enigmático, recluso, com uma fortuna considerável e uma reputação de ser implacável em seus negócios.

"Marcos disse que Thorne tem tentado adquirir artefatos daquela região há anos, e que ele viu o 'Projeto Aurora' como uma ameaça direta a seus interesses. Ele acredita que Thorne pode ter orquestrado as ameaças para intimidar Ricardo e impedir o desenvolvimento", disse Carla.

"Isso faz sentido", murmurou Isabella, olhando para o diário de Ricardo em sua mão. "Ricardo escreveu que Ricardo teve um encontro marcado na noite em que foi morto. Ele ia se encontrar com um 'informante' que prometia entregar provas sobre o que realmente aconteceu naquela terra. Será que esse informante era...?"

"Não temos certeza", interrompeu Leonardo. "Marcos disse que Ricardo não revelou o nome do informante. Mas ele confirmou que Ricardo saiu de casa naquela noite com a intenção de se encontrar com alguém. E que ele levou a adaga de família consigo. Ele achou estranho, pois Ricardo nunca saía armado."

"Ele estava se sentindo ameaçado", disse Isabella, a voz embargada. "Ele sabia que estava se arriscando. E ele me deixou isso." Ela estendeu o diário para Leonardo. "As anotações dele. Ele documentou tudo. As ameaças, a descoberta sobre o cemitério, o nome de Elias Thorne. E ele mencionou que ia se encontrar com alguém para obter provas."

Leonardo pegou o diário com cuidado, folheando as páginas com interesse. "Isso é crucial. O que mais ele mencionou sobre Elias Thorne?"

"Nada específico. Apenas que Thorne era um homem perigoso, com recursos e um interesse profundo naquela área. E que ele era um colecionador de antiguidades, o que se encaixa com o que o senhor Oliveira disse."

Carla pegou as cartas anônimas que Isabella havia separado. "Essas cartas... a caligrafia é bastante elaborada. Pode ser um disfarce, mas sugere alguém com certo nível de refinamento. Elias Thorne se encaixa nesse perfil."

"Precisamos investigar Elias Thorne a fundo", disse Leonardo, o tom determinado. "Precisamos saber onde ele estava na noite do crime. Precisamos de provas concretas que o conectem ao assassinato de Ricardo Vargas. E sobre o 'informante' que Ricardo iria encontrar... se ele ainda estiver vivo e disposto a falar, pode ser a nossa testemunha chave."

Enquanto os detetives organizavam as novas linhas de investigação, Isabella sentia um misto de alívio e apreensão. O caminho para a verdade estava se abrindo, mas o perigo parecia se intensificar a cada nova descoberta. Elias Thorne era um homem poderoso, e ele não seria facilmente desmascarado.

Horas depois, Leonardo e Carla estavam em um café discreto, analisando as informações.

"Elias Thorne é um fantasma", disse Carla, frustrada. "Ele é rico, tem influência, mas é incrivelmente discreto. Ninguém parece ter informações concretas sobre seus paradeiros, a menos que sejam pessoas muito próximas a ele. E elas não falam com a polícia."

"Ele tem conexões. Isso é certo. E Marcos Oliveira confirmou que Thorne estava interessado naquela terra há anos. Parece que a Almeida & Vargas Inc. pisou no calo dele com o 'Projeto Aurora'."

"Mas a adaga, Leo. A adaga de família. Por que Ricardo a levaria? Para se defender? Ou para mostrar ao informante, como prova de algo?"

"Talvez fosse um símbolo. Algo que ele planejava usar para provar a ligação de Thorne com a história da terra. Ou talvez, ele apenas sentisse a necessidade de se proteger de alguém que ele já sabia ser perigoso." Leonardo tomou um gole de seu café. "Preciso conversar com Helena Vargas novamente. Ela disse que não sabia de nada, mas talvez ela tenha alguma informação sobre os hábitos de Ricardo, sobre seus encontros, sobre os inimigos dele que ela não queria revelar."

"Ela parece genuinamente abalada, Leo. Mas você tem razão. Às vezes, o choque inicial mascara outras coisas. E quanto a Elias Thorne, estou monitorando suas contas e movimentos de perto. Ele não é idiota. Provavelmente está se preparando para fugir, se for o caso."

Isabella, por sua vez, sentia-se cada vez mais envolvida no mistério. Ela decidiu que não podia mais esperar. Precisava agir por conta própria, de alguma forma. Naquela tarde, ela decidiu visitar o terreno do "Projeto Aurora". Era um ato impulsivo, talvez perigoso, mas ela sentia a necessidade de ver com seus próprios olhos o lugar que havia tirado a vida de Ricardo.

A viagem até a Zona Oeste foi longa, o cenário urbano dando lugar a áreas mais selvagens e menos desenvolvidas. Quando Isabella chegou ao local, o sol já começava a se pôr, pintando o céu em tons de laranja e roxo. O terreno era vasto, com uma vegetação densa e um silêncio quase opressor. Era um lugar de beleza bruta, mas com uma energia estranha, pesada.

Enquanto caminhava, Isabella sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Era a mesma sensação de presságio que sentira naquela manhã em Copacabana. Ela se aproximou de uma clareira, onde a terra parecia ter sido remexida recentemente. Havia algumas pedras dispostas de forma peculiar, que lembravam vagamente as formações de um antigo círculo de pedras.

De repente, ouviu um barulho. Alguém estava ali.

"Quem está aí?", chamou Isabella, a voz tensa.

Um homem emergiu das sombras das árvores. Era alto, com uma barba grisalha e olhos penetrantes que a encararam com intensidade. Ele usava roupas simples, mas suas mãos estavam sujas de terra, como se tivesse estado cavando.

"Quem é a senhora?", perguntou o homem, a voz rouca.

"Eu sou Isabella de Almeida. Sou a sócia de Ricardo Vargas. Este terreno... é nosso."

O homem a encarou por um momento, e então um sorriso amargo surgiu em seus lábios. "Ricardo Vargas. Sim, eu o conhecia. Ele não deveria ter mexido com isso."

"O senhor é... o informante que ele ia encontrar?", perguntou Isabella, a esperança renascendo em seu peito.

O homem hesitou. "Eu sou um guardião. Um guardião da história. Ricardo veio até mim em busca de respostas. Ele estava ciente dos perigos. Mas Elias Thorne... ele não quer que a verdade seja revelada."

"Elias Thorne!", exclamou Isabella. "Então o senhor o conhece?"

"Conheço o trabalho dele. E o que ele representa. Thorne acredita que este lugar tem um poder especial. Ele quer seus segredos para si. E ele não hesitará em matar para conseguir o que quer."

"Meu sócio foi morto. Ele foi assassinado por causa deste lugar."

"Eu sei. Eu o avisei. Mas ele estava determinado a descobrir a verdade. E eu o ajudei. Entreguei a ele documentos antigos, testemunhos de moradores. Ele estava perto de desvendar o mistério."

"O que ele descobriu, exatamente? O que há de tão importante nesta terra que Elias Thorne mataria por ela?"

O guardião olhou para Isabella com seriedade. "Esta terra não é apenas um cemitério. É um local de poder. Um portal. E há algo enterrado aqui, algo que Thorne deseja possuir. Algo que pode mudar o mundo. Ricardo estava prestes a descobrir o que era."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Um portal? Algo que poderia mudar o mundo? Aquilo ia muito além de um empreendimento imobiliário. Era algo antigo, sombrio e perigoso.

"Ricardo me deixou um diário. Ele mencionou que ia se encontrar com alguém naquela noite. Fui eu?", perguntou ela, a voz trêmula.

"Sim. Ele viria me encontrar. Mas Thorne e seus homens chegaram primeiro. Eu vi de longe. Eles o cercaram. Ricardo se defendeu com a adaga... mas não foi o suficiente. Eles o levaram embora. Mas ele me deu algo antes. Algo para você."

O guardião estendeu a mão, revelando um pequeno objeto envolto em um pano. Era um amuleto de pedra polida, com símbolos gravados. Era estranhamente familiar.

"Ricardo me pediu para entregar isso a você. Ele disse que era uma chave. Uma chave para entender tudo."

Isabella pegou o amuleto, sentindo sua energia fria e antiga em suas mãos. Era o mesmo tipo de pedra que ela vira em algumas das joias de Ricardo, peças que ele guardava com especial carinho. Ela sabia que estava apenas começando a desvendar a verdade, e que o caminho seria longo e cheio de perigos inimagináveis. A sombra do passado esquecido daquela terra havia se estendido até o presente, ceifando a vida de Ricardo e colocando a dela em risco.

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