O Assassino de Copacabana

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Assassino de Copacabana", escritos com o calor e o drama de um romance brasileiro:

por Felipe Nascimento

Claro, aqui estão os capítulos 6 a 10 de "O Assassino de Copacabana", escritos com o calor e o drama de um romance brasileiro:

O Assassino de Copacabana Autor: Felipe Nascimento

Capítulo 6 — O Sussurro da Sereia Ferida

O sol do Rio de Janeiro, implacável como a verdade que se escondia nas sombras, batia com força na varanda de Clara. O café, forte e amargo como o nó na garganta, parecia não fazer efeito. Desde a noite passada, desde a ligação de Lúcia, o mundo dela girava em torno de um abismo escancarado. Elias Thorne, o homem que ela pensara conhecer, a figura imponente e aparentemente íntegra por trás do império Thorne Corp., estava envolvido em algo sombrio, algo que cheirava a morte.

Lúcia, a antiga secretária de Thorne, uma mulher que sempre exalou uma aura de fragilidade e discrição, parecia ter se transformado. Seu tom de voz, na linha telefônica, era um misto de pavor e desespero, um grito mudo que ecoava na mente de Clara. "Eles o pegaram, Clara. Elias... eles o levaram. E o que ele me disse... meu Deus, o que ele me disse..." A voz embargada, as pausas cheias de ardor contido, pintavam um quadro aterrador. A promessa de Clara de que a ajudaria, de que descobririam a verdade juntas, soava como um sopro de esperança num mar de desolação.

Agora, com a brisa salgada de Copacabana acariciando seu rosto, Clara sentia o peso da promessa. A imagem de Thorne, a última vez que o vira numa festa beneficente, sorrindo com aquela confiança que a intrigava e fascinava, contrastava violentamente com o relato de Lúcia. Ele não era um homem que se deixasse levar, não sem luta. A ideia de que ele havia sido "levado", como uma peça num tabuleiro de xadrez perigoso, era perturbadora.

Seus olhos percorreram a orla, observando a multidão de turistas e locais, cada um imerso em sua própria bolha de existência. Quem seria capaz de fazer algo assim a Elias Thorne? E por quê? Os negócios de Thorne eram vastos, com ramificações que se estendiam por diversos setores. Havia rivais, claro, mas uma ação tão drástica?

O celular vibrou no bolso. Era Lúcia. Clara atendeu, o coração acelerado. "Clara, eu... eu não consigo mais ficar aqui. Tenho medo. Ele me disse para encontrar um lugar seguro, um lugar que só nós dois conhecíamos. Algo sobre um 'refúgio na Rocha', mas eu não sei o que significa."

"Lúcia, calma", Clara tentou suavizar a voz, embora o pânico da amiga a contagiasse. "Onde você está? Consegue me encontrar?"

"Não. Eu não posso. Eles podem estar me observando. Ele disse... ele disse para eu procurar por uma mulher. Uma que ele chamava de 'Sereia'. Ele disse que ela saberia o que fazer."

Clara franziu a testa. Sereia? Nunca ouvira Thorne mencionar tal pessoa. Seria um codinome? Uma pista disfarçada? A mente de Clara começou a trabalhar febrilmente. Thorne era conhecido por seus jogos mentais, por sua inteligência afiada. Se ele estava em perigo, com certeza deixaria um rastro de migalhas de pão para quem soubesse interpretar.

"Lúcia, você se lembra de mais alguma coisa que ele disse? Qualquer detalhe, por menor que seja."

Houve um silêncio, pontuado por respirações ofegantes. "Ele mencionou um nome... uma sigla. 'A.N.D.R.A.'. Ele disse que era a chave para entender o que estava acontecendo. E... e ele me deu um objeto. Uma pequena caixa de madeira, entalhada com um golfinho. Disse para eu mantê-la segura."

A.N.D.R.A. Clara tentou conectar a sigla a algo no mundo de Thorne, mas nada vinha à mente. A caixa de madeira com o golfinho... soava como algo pessoal, não corporativo. Lúcia continuou: "Ele estava assustado, Clara. Mais assustado do que eu jamais o vi. Ele disse que estava desvendando algo muito maior, algo que poderia abalar muitas estruturas. E que isso tinha começado com um erro antigo."

Um erro antigo. A expressão pairou no ar, densa de mistério. Clara lembrou-se da conversa com o detetive Silva, sobre o assassinato de Sandra Lacerda, a ex-executiva da Thorne Corp. Assassinato este que nunca fora totalmente resolvido. Seria essa a conexão? O erro antigo?

"Lúcia, escute com atenção", Clara disse, sua voz agora firme, uma onda de determinação varrendo o medo. "Você precisa ir para um lugar seguro. Aquele lugar que vocês dois conheciam. E guarde essa caixa como se fosse sua própria vida. Quando puder, me diga mais sobre esse 'refúgio na Rocha'. E sobre a Sereia. Eu vou descobrir o que está acontecendo. Eu prometo."

A ligação caiu, deixando Clara em silêncio, apenas o som das ondas quebrando na praia preenchendo o vazio. O Rio de Janeiro, tão vibrante e cheio de vida, parecia agora esconder segredos sombrios sob seu manto de sol. Elias Thorne, o homem de poder, o enigma, estava em apuros. E Lúcia, a frágil Lúcia, era a portadora de pistas cruciais. Clara sentiu um arrepio. A "Sereia" e o "refúgio na Rocha" eram os próximos elos nessa corrente de perigo que ela estava determinada a desvendar. O sol continuava a brilhar, mas para Clara, a sombra da noite eterna já havia começado a se estender. Ela precisava agir rápido. A vida de Elias Thorne, e talvez a de Lúcia, dependia disso. A investigação tomava um rumo mais pessoal, mais urgente. A promessa feita a Lúcia não era apenas profissional; era humana. E Clara sempre honrara suas promessas, custasse o que custasse.

Capítulo 7 — O Refúgio da Rocha e o Segredo do Golfinho

O sol da tarde pintava de dourado as fachadas coloridas de Ipanema, mas a beleza da paisagem não alcançava o interior da mente de Clara. A conversa com Lúcia reverberava em sua cabeça como um tambor insistente. "Refúgio na Rocha", "Sereia", "A.N.D.R.A.", "erro antigo" e a misteriosa caixa com o golfinho. Cada peça era um fragmento de um quebra-cabeça intrincado, e Clara sentia a urgência de encaixá-las antes que o quadro se tornasse uma tragédia completa.

O detetive Silva fora um conselheiro relutante, mas sua experiência em casos complexos e seu conhecimento das entranhas do poder no Rio a haviam inspirado a agir com mais cautela. Ela sabia que se expor demais, sem ter as informações corretas, seria como caminhar por um campo minado. Mas Thorne em perigo a impelia a correr riscos. Ela precisava encontrar Lúcia, e para isso, precisava decifrar as pistas que ele lhe deixara.

O "refúgio na Rocha". Onde seria? A menção de "Rocha" a fez pensar em Leme, em São Conrado, em qualquer lugar com uma formação rochosa proeminente. Mas o contexto parecia mais pessoal, um lugar de intimidade, não de geografia genérica. E a "Sereia"? Um apelido, sem dúvida. Alguém próxima de Thorne, alguém que ele confiava o suficiente para lhe passar informações vitais em um momento de desespero.

Clara decidiu começar pela pista mais tangível: a caixa de madeira. Ela ligou novamente para Lúcia. Depois de vários toques, Lúcia atendeu, a voz ainda trêmula, mas com um fio de controle que Clara não ouvira antes.

"Clara? Você conseguiu...?"

"Ainda não, Lúcia. Mas estou perto. Sobre a caixa. Descreva-a para mim, por favor. Cada detalhe."

"É... é uma caixinha pequena", Lúcia respondeu, a respiração pesada. "Feita de madeira escura, parece mogno. E tem um golfinho esculpido na tampa. Não é um entalhe comum, é muito detalhado, quase como se estivesse vivo. Ele está nadando, com uma onda contornando seu corpo."

Um golfinho. Clara fechou os olhos, buscando em sua memória qualquer associação de Thorne com golfinhos. Ele possuía uma cobertura de praia, uma mansão afastada em Angra dos Reis, com uma marina particular. Em seu escritório, havia uma pequena coleção de artefatos marítimos, mas nenhum golfinho específico chamou sua atenção. Seria algo mais discreto? Algo que apenas alguém muito íntimo conheceria?

"Lúcia, você disse que ele mencionou 'A.N.D.R.A.'. Você se lembra de algo mais sobre isso? Alguma palavra completa, alguma imagem associada?"

Houve um suspiro longo. "Ele parecia... frustrado. Disse que era uma velha dívida, um pacto que ele não sabia que estava fazendo. Ele disse que A.N.D.R.A. era 'a raiz de todo o mal'. E que quando ele descobriu a verdade, já era tarde demais."

"A raiz de todo o mal", Clara repetiu, a frase ecoando com um tom quase místico. O que Thorne estava desvendando? E como isso se conectava com o assassinato de Sandra Lacerda, tantos anos atrás? Era possível que Thorne estivesse encobertando algo? Ou, o mais provável, que ele próprio estivesse sendo vítima de um segredo antigo que ele tentava expor?

"Clara, eu preciso ir. Sinto que não estou sozinha." O pânico voltou à voz de Lúcia.

"Lúcia, espere! O refúgio na Rocha! Onde é? Você pode me dar uma pista?" Clara implorou, sentindo a oportunidade escorrer por entre os dedos.

Um silêncio tenso. Então, a voz de Lúcia, um sussurro quase inaudível: "A Sereia... ela gosta de marés baixas. E de pedras que cantam com o vento."

Pedras que cantam com o vento. Clara sentiu uma onda de reconhecimento. Havia um lugar, um pequeno paraíso isolado na costa oeste de Ilha Grande, que Thorne frequentava. Era uma praia rochosa, com formações de pedra curiosas que, com a força do vento, produziam um som melódico, quase um canto. Ele a chamava de seu "ponto de reflexão". E havia um detalhe peculiar: a entrada para essa praia era acessível apenas durante as marés baixas, escondida por uma fenda na rocha. O "refúgio na Rocha".

"Ilha Grande?", Clara perguntou, a voz embargada pela esperança.

Um clique seco na linha. Lúcia desligara. Clara não precisava de mais. Ela sabia para onde ir. A caixa de madeira com o golfinho, o refúgio na Rocha em Ilha Grande. E a Sereia. Precisava encontrar a Sereia.

Clara correu para o seu escritório, a adrenalina pulsando em suas veias. Precisava de um barco, e precisava de discrição. Elias Thorne não era apenas um cliente; ele era um homem que ela admirava pela sua inteligência e resiliência, mesmo com a aura de mistério que o cercava. Agora, ele era uma vítima, e ela sentia um dever quase pessoal de ajudá-lo.

Ela ligou para um contato antigo, um homem do mar que lhe devia um favor, um pescador experiente que conhecia as águas da Baía da Ilha Grande como a palma da sua mão. "Preciso de um barco, rápido e discreto. E preciso ir para Ilha Grande. Tem uma praia específica em mente." Ela descreveu a praia que Thorne lhe mencionara uma vez, sem dar detalhes sobre o porquê.

Enquanto esperava o amanhecer e a chegada do barco, Clara vasculhou os arquivos que possuía sobre Thorne. Suas antigas reportagens sobre a Thorne Corp., os escândalos que haviam circulado, as aquisições. Nada sobre A.N.D.R.A. Nada sobre uma "Sereia". Mas ela sabia que Elias Thorne era um mestre em esconder informações. A caixa de madeira com o golfinho era a chave. Se ela conseguisse recuperá-la, talvez a verdade sobre A.N.D.R.A. se revelasse.

A imagem de Sandra Lacerda, a executiva assassinada anos atrás, voltou à sua mente. A investigação havia esfriado, o caso arquivado como um assalto que deu errado. Mas havia algo que nunca se encaixou. Clara sentia uma ligação, uma teia invisível conectando o passado de Thorne ao seu presente perigo. A "raiz de todo o mal". A.N.D.R.A.

O sol começava a despontar no horizonte, tingindo o céu de tons vibrantes de laranja e rosa. O barco já a esperava no pequeno cais de Copacabana. Clara embarcou, o coração cheio de uma mistura de apreensão e determinação. Ilha Grande a aguardava, e com ela, o mistério do refúgio na Rocha, a enigmática Sereia, e a verdade por trás de A.N.D.R.A. e do erro antigo que assombrava Elias Thorne. A maré estava baixa, e Clara estava pronta para adentrar a fenda na rocha, onde quer que ela levasse.

Capítulo 8 — A Dança das Marés e o Segredo da Sereia

A brisa do mar, antes reconfortante, agora parecia cortante. O pequeno barco de pesca, batizado carinhosamente de "Maré Mansa" pelo seu capitão, o velho Zé, singrava as águas da Baía da Ilha Grande. Clara observava a paisagem mudar, as montanhas verdejantes se aproximando, o ar ficando mais puro, mais selvagem. Ela sentia a distância da cidade, e com ela, uma sensação de isolamento que era ao mesmo tempo libertadora e perigosa.

Zé, um homem de poucas palavras e olhos que pareciam ter visto todas as marés do mundo, lançou um olhar curioso para Clara. "Praia escondida, dona Clara? Lugares assim guardam segredos."

Clara sorriu fracamente. "Só preciso de um momento de paz, Zé. E de um lugar bonito."

Ele assentiu, voltando sua atenção para a navegação. Clara sabia que não podia se dar ao luxo de relaxar. O "refúgio na Rocha" era sua única pista para encontrar Lúcia e, talvez, Elias Thorne. A descrição de Lúcia sobre as pedras que cantam com o vento a guiou até um ponto específico na costa oeste da ilha, um trecho de costa que parecia inóspito e selvagem, longe de qualquer trilha turística.

Ao se aproximarem, a maré baixa revelou o que Lúcia descrevera: uma fenda estreita e escura na parede rochosa, quase imperceptível. O som do vento, canalizado pelas formações rochosas, produzia um murmúrio baixo e melódico, como um lamento distante. O "canto das pedras".

"É aqui, Zé", Clara disse, a voz firme.

Zé manobrou o barco com maestria, aproximando-se o suficiente para que Clara pudesse descer. "Fique de olho no tempo, dona Clara. A maré sobe rápido por aqui."

Clara agradeceu e saltou para as pedras escorregadias, sentindo a umidade e o cheiro forte de maresia. A entrada da fenda era estreita, e ela teve que se espremer para passar. O interior era escuro e úmido, mas logo a luz do dia começava a clarear à frente. Ela emergiu em uma pequena enseada secreta, um arco de areia dourada cercado por rochas imponentes, com uma vegetação exuberante crescendo nas encostas. Era um lugar de beleza selvagem e intocada. O refúgio.

Ela estava sozinha. Onde estava Lúcia? E a "Sereia"? Clara chamou o nome de Lúcia, mas apenas o eco respondeu. Ela caminhou pela praia, observando cada detalhe, procurando por qualquer sinal. Então, avistou algo. Uma pequena caixa de madeira, parcialmente escondida sob uma pedra. O coração de Clara disparou. Era a caixa.

Com as mãos trêmulas, ela a pegou. A madeira escura, o entalhe detalhado do golfinho nadando na onda. Era exatamente como Lúcia descrevera. Clara abriu a caixa. Dentro, não havia joias, nem dinheiro. Apenas um pequeno medalhão de prata, gravado com as iniciais "A.N.D.R.A.". E, dobrado cuidadosamente, um pedaço de papel amarelado com uma única frase escrita à mão: "O que foi esquecido, a maré trará de volta."

A.N.D.R.A. O medalhão confirmava a sigla. Mas o que significava? E a frase... esquecido, maré trará de volta. Clara sentiu um arrepio. A ligação com o passado era inegável.

De repente, um som. Um farfalhar na vegetação. Clara se virou rapidamente, o instinto de sobrevivência aguçado. Uma figura emergiu das sombras das árvores, uma mulher de beleza etérea, cabelos longos e escuros caindo sobre os ombros, olhos profundos como o oceano. Ela usava um vestido branco esvoaçante, que parecia feito de espuma do mar. Era a Sereia.

"Você demorou", a Sereia disse, sua voz suave como a brisa, mas com uma autoridade inquestionável.

Clara, ainda surpresa, segurou a caixa com mais firmeza. "Eu sou Clara. Lúcia me disse para procurá-la."

A Sereia assentiu, seus olhos examinando Clara com uma intensidade que a fez se sentir exposta. "Lúcia é uma alma assustada. Elias a enviou. Ele sabia que você viria."

"Ele está em perigo? Onde ele está?" Clara perguntou, a urgência em sua voz.

"Ele está seguro, por ora. Mas o que ele descobriu... é perigoso demais. A.N.D.R.A. não é apenas uma sigla, Clara. É uma organização. Uma sombra que paira sobre os negócios e a vida de muitos no Rio. E eles acreditam que Elias roubou algo deles."

"O quê?", Clara insistiu.

"A verdade. A verdade sobre o passado. Sobre um erro que foi cometido há muitos anos. Um erro que custou a vida de Sandra Lacerda."

O nome de Sandra Lacerda atingiu Clara como um raio. "Sandra? O que ela tem a ver com isso?"

A Sereia caminhou até a beira da água, olhando para o horizonte. "Sandra Lacerda descobriu A.N.D.R.A. Ela estava prestes a expor tudo. Elias, na época, era jovem e ambicioso. Ele fez uma escolha errada. Uma escolha que o assombra desde então."

"Que escolha?", Clara implorou.

"Ele a silenciou. Não diretamente, mas ele permitiu que o fizessem. Ele acreditava que estava protegendo a Thorne Corp., protegendo o futuro. Mas ele estava apenas adiando o inevitável. A.N.D.R.A. nunca perdoa. Eles manipulam, controlam. E agora, eles acham que Elias tem provas contra eles."

Clara sentiu o estômago revirar. Elias Thorne, o homem que ela admirava, o homem que parecia tão íntegro, estava envolvido na morte de Sandra Lacerda? A história contada pelo detetive Silva, sobre um assalto que deu errado, era uma farsa. E Thorne, em seu desespero, buscou a ajuda de Lúcia, que por sua vez, a procurou.

"E o que é A.N.D.R.A.? O que eles querem?", Clara perguntou, a mente girando com as revelações.

"Eles buscam controle. Um controle absoluto sobre os negócios, sobre as pessoas. Eles se alimentam do segredo, da manipulação. O medalhão com as iniciais era um presente, um símbolo de pertencimento. Elias o roubou como prova. A frase no papel é um código. 'O que foi esquecido, a maré trará de volta.' Refere-se à verdade que Sandra Lacerda descobriu e que Elias enterrou."

A Sereia se virou para Clara, seus olhos penetrantes. "Elias me encarregou de uma missão. Ele sabia que se algo acontecesse a ele, você seria a única a entender. Ele quer que você encontre as provas que Sandra Lacerda deixou. Provas que podem destruir A.N.D.R.A. E ele quer que você entregue a mim. Eu sou a guardiã dos segredos que a maré traz."

"Por que você? Quem é você?", Clara perguntou, a curiosidade misturada com um pressentimento.

"Eu sou a filha de Sandra Lacerda", ela respondeu, a voz embargada pela primeira vez. "E Elias Thorne destruiu minha família. Agora, ele quer redimir seus erros. Ele me deu a caixa e o medalhão, esperando que eu a encontrasse. Ele sabia que eu seria a pessoa certa para lidar com A.N.D.R.A. quando o momento chegasse."

O peso da verdade caiu sobre Clara com a força de uma onda. A Sereia não era um apelido, era uma identidade. A filha de Sandra Lacerda, a vítima que a perseguição de A.N.D.R.A. havia tornado uma lenda. E Elias Thorne, o homem que ela acreditava estar ajudando, era também o responsável pela tragédia que dera início a tudo. A linha entre o bem e o mal, entre a vítima e o algoz, estava perigosamente borrada. Clara agora tinha a caixa, o medalhão e um propósito: encontrar as provas de Sandra Lacerda. E ela sabia que, ao entregar essas provas à filha de sua vítima, ela estaria não apenas ajudando Elias Thorne, mas também buscando uma forma de justiça para Sandra.

Capítulo 9 — A Teia de Aranha Corporativa e o Passado Sombrio

O sol já se punha, lançando longas sombras sobre a vegetação exuberante da enseada secreta quando Clara se despediu da Sereia. A mulher, cujo nome era Helena, explicou que Elias Thorne estava escondido em um local seguro, monitorado por pessoas de confiança dele, e que ele logo entraria em contato com Clara. Helena, por sua vez, assumiria a responsabilidade de proteger as provas que Clara encontrasse, utilizando seus próprios meios para desmantelar A.N.D.R.A.

"Elias cometeu um erro terrível, Clara", Helena disse, enquanto Clara se preparava para retornar ao barco de Zé. "Um erro que ele carrega em sua alma. Mas ele está tentando consertar isso. Ele quer justiça para minha mãe. E eu também." Ela apertou a caixa de madeira com o golfinho entre as mãos. "Este objeto... é mais do que apenas um símbolo. É uma chave."

Clara sentiu um aperto no peito. A complexidade da situação era avassaladora. Elias Thorne, o homem de negócios implacável, era também um homem atormentado por um passado sombrio, um passado que envolvia a morte de Sandra Lacerda. E agora, Clara estava no centro dessa teia intrincada, encarregada de desenterrar a verdade.

De volta ao continente, a cidade do Rio de Janeiro parecia ainda mais vibrante, mais barulhenta, como se tentasse abafar os segredos que escondia. Clara sentia o peso da responsabilidade. Ela precisava encontrar as provas de Sandra. Mas onde elas estariam?

A frase no papel: "O que foi esquecido, a maré trará de volta." Era uma metáfora, Clara sabia. Mas qual era o significado literal? Onde Sandra Lacerda poderia ter escondido algo tão crucial?

Clara decidiu que a melhor abordagem seria investigar os últimos dias de Sandra Lacerda, focando em seu trabalho na Thorne Corp. Ela precisava acessar informações que a polícia talvez tivesse ignorado ou desconsiderado. Para isso, ela precisava voltar ao seu antigo mundo, o mundo corporativo que ela havia deixado para trás, mas que agora se mostrava vital.

Ela ligou para um contato antigo na polícia, um detetive chamado Ricardo, conhecido por sua integridade em um ambiente muitas vezes corrupto. "Ricardo, preciso de um favor. Preciso revisitar o arquivo do caso Sandra Lacerda. De preferência, algo que não esteja registrado no sistema público."

Ricardo, um homem pragmático e de poucas palavras, hesitou. "Clara, faz anos. Aquele caso foi arquivado. O que você procura?"

"A verdade", Clara respondeu, com a firmeza que a caracterizava. "Algo que o Elias Thorne, da Thorne Corp., pode ter escondido. E que talvez tenha a ver com A.N.D.R.A."

O nome da organização fez Ricardo silenciar. "A.N.D.R.A.? Você tem certeza do que está falando?"

"Tenho. E preciso de sua ajuda. Consigo acesso aos arquivos antigos, aqueles que não foram digitalizados? Algo que possa ter sido guardado em depósitos."

Ricardo suspirou. "Cuidado, Clara. Entrar nesse caminho pode ser perigoso. A.N.D.R.A. não é brincadeira. Mas eu vou ver o que consigo."

Enquanto esperava por Ricardo, Clara decidiu investigar a própria Thorne Corp. Elias Thorne, mesmo em perigo, provavelmente teria deixado algum rastro em seus escritórios, algo que pudesse indicar onde as provas estariam. Com a ajuda de um hacker conhecido, ela conseguiu acesso remoto aos sistemas de segurança da Thorne Corp. Ela vasculhou registros de acesso, comunicações internas, e-mails criptografados.

Foi então que ela encontrou algo intrigante. Nos dias que antecederam sua morte, Sandra Lacerda havia feito pesquisas intensas sobre um projeto antigo da Thorne Corp., um projeto chamado "Projeto Poseidon". O projeto fora cancelado abruptamente anos atrás, com a justificativa de problemas ambientais e falta de viabilidade financeira. Mas Sandra parecia ter descoberto algo mais, algo que a levou a um ponto de não retorno.

Clara aprofundou a pesquisa sobre o "Projeto Poseidon". Era um projeto de exploração submarina em águas profundas, com o objetivo de extrair recursos minerais raros. Havia pouca informação pública sobre ele, mas nos poucos documentos que Clara conseguiu acessar, havia menções a parcerias internacionais e a um consórcio secreto.

Ela ligou para Helena. "Helena, você sabe algo sobre um 'Projeto Poseidon' da Thorne Corp.? Sandra Lacerda estava pesquisando sobre ele."

A voz de Helena ecoou com um misto de surpresa e apreensão. "Projeto Poseidon... Lembro de Elias mencionando isso uma vez. Algo que foi enterrado muito fundo. Ele disse que era um projeto ambicioso, que poderia ter mudado o mundo, mas que também abriu portas para coisas sombrias."

"Coisas sombrias como A.N.D.R.A.?", Clara perguntou.

"Provavelmente", Helena confirmou. "Sandra pode ter descoberto a ligação entre o projeto e a organização. Elias acreditava que o Projeto Poseidon foi o ponto de partida para A.N.D.R.A. ganhar força. Ele estava tentando desenterrar os segredos por trás dele."

Clara sentiu um arrepio. A história de Elias Thorne começava a fazer mais sentido. Ele não era apenas um criminoso, mas alguém que tentava expiar seus pecados passados.

Ricardo ligou. "Clara, tenho algo para você. Uma caixa antiga, guardada em um depósito da polícia. Registros antigos indicam que foi apreendida em um dos escritórios de Sandra Lacerda após sua morte, mas nunca foi aberta. Estava rotulada como 'Evidência Adicional'. Talvez seja o que você procura."

Clara sentiu uma onda de esperança. "Onde podemos nos encontrar?"

Eles marcaram um encontro discreto em um café afastado, longe dos olhares curiosos. Ricardo entregou a Clara uma caixa de metal enferrujada, pesada e cheia de poeira. Ao abri-la, Clara encontrou um tesouro de documentos, fitas cassete antigas e um diário de capa dura. Era o diário de Sandra Lacerda.

Clara folheou as páginas com as mãos trêmulas. As anotações de Sandra eram detalhadas, cheias de informações sobre A.N.D.R.A., seus membros, suas operações financeiras ilícitas e a ligação com o Projeto Poseidon. Sandra havia descoberto que o projeto não era apenas sobre mineração, mas sobre a exploração de algo mais valioso e perigoso, algo que A.N.D.R.A. queria controlar a todo custo. E ela havia documentado tudo, planejando expor a verdade.

Em uma das últimas páginas, Sandra escrevera: "O golfinho guarda a chave. Na rocha, onde as marés se encontram, a verdade espera ser encontrada."

O golfinho. A rocha. As marés. Clara sentiu um arrepio de reconhecimento. A caixa de madeira com o golfinho que Elias Thorne dera a Lúcia. O refúgio na Rocha em Ilha Grande. A Sereia. Era tudo uma conexão. Sandra Lacerda havia escondido as provas de forma que apenas alguém que entendesse suas metáforas pudesse encontrá-las.

Clara sabia o que precisava fazer. Ela precisava voltar para Ilha Grande. E precisava confiar em Helena, a Sereia, a filha de Sandra, para protegê-la e, juntos, desmantelar A.N.D.R.A. A teia corporativa havia se aberto, revelando um passado sombrio. Agora, Clara precisava encontrar a saída.

Capítulo 10 — O Confronto na Costa Selvagem e a Verdade Revelada

A noite em Ilha Grande era pontuada pelo som das ondas e pelo canto distante de criaturas marinhas. Clara, de volta à enseada secreta, sentia a tensão no ar. A caixa de madeira com o golfinho em mãos, o diário de Sandra Lacerda em sua bolsa, ela esperava por Helena. A frase de Sandra – "O golfinho guarda a chave. Na rocha, onde as marés se encontram, a verdade espera ser encontrada" – ressoava em sua mente. A chave não era apenas o medalhão, mas a própria caixa, o símbolo, e o lugar.

Helena surgiu das sombras com a mesma aura etérea de antes. Seus olhos profundos encontraram os de Clara, e um entendimento silencioso passou entre elas.

"Você encontrou", Helena constatou, sua voz um sussurro calmo.

"Sim. O diário de Sandra. Ela descobriu tudo sobre A.N.D.R.A. e o Projeto Poseidon." Clara entregou o diário a Helena. "Ela queria que a verdade viesse à tona."

Helena pegou o diário com reverência, como se fosse um objeto sagrado. "Elias sabia que eu seria a guardiã. Ele confia em você, Clara. Ele acredita que você pode nos ajudar a acabar com isso."

"Mas como? A.N.D.R.A. parece ser poderosa demais", Clara questionou, sentindo a enormidade da tarefa.

"Eles são poderosos porque operam nas sombras. Mas eles dependem de segredos. E nós temos os segredos de Sandra. Eu vou usar as informações do diário para expor suas operações financeiras, seus membros. Elias tem contatos que podem nos ajudar a neutralizá-los."

De repente, um ruído na encosta. Um grupo de homens armados surgia da mata, movendo-se com eficiência militar. Seus rostos eram duros, impiedosos. Eles haviam rastreado Clara.

"A.N.D.R.A.", Helena sibilou, a calma em sua voz substituída por uma determinação feroz. "Eles vieram pegar as provas."

Clara agarrou a caixa de madeira com o golfinho. Era um símbolo, mas também um objeto que Elias Thorne havia dado a Lúcia, um item que representava a conexão entre o passado e o presente. A frase de Sandra era a chave para o que viria a seguir.

"Elias disse que a caixa é uma chave", Clara murmurou, olhando para a caixa. "Ele disse que é mais do que apenas um símbolo."

Helena assentiu. "Ele estava certo. A caixa é feita de uma madeira especial, com propriedades únicas. E o golfinho entalhado... ele não é apenas decorativo."

Um dos homens de A.N.D.R.A. avançou, a arma em punho. "Entregue a caixa, Clara. E o diário."

Clara sentiu um misto de pânico e adrenalina. Ela pensou nas palavras de Sandra: "O golfinho guarda a chave. Na rocha, onde as marés se encontram, a verdade espera ser encontrada." A caixa, o golfinho, a rocha, as marés.

Ela olhou para a parede rochosa da enseada, as formações irregulares que a maré havia esculpido ao longo dos séculos. Ela lembrou-se de como a maré baixa revelara a entrada para a praia.

"Helena!", Clara exclamou, uma ideia se formando em sua mente. "As marés! E a rocha! Sandra não estava falando apenas metaforicamente!"

Helena olhou para Clara, depois para a parede rochosa, e um lampejo de compreensão cruzou seus olhos. "A entrada. A fenda. Ela se esconde com a maré alta."

Os homens de A.N.D.R.A. estavam se aproximando. Clara sabia que não tinha muito tempo. Ela correu em direção à parede rochosa, a caixa de madeira firmemente em suas mãos. Helena a seguiu de perto.

"Onde você vai?", Helena perguntou.

"Sandra mencionou um lugar. Onde a maré traz a verdade de volta. E Elias disse que este refúgio era um lugar de reflexão", Clara respondeu, examinando a parede rochosa. Ela notou uma pequena cavidade, escondida pela vegetação, quase imperceptível. E nela, um entalhe sutil de um golfinho, idêntico ao da caixa.

"Aqui!", Clara gritou. Ela encaixou a caixa de madeira na cavidade. Houve um clique suave. As pedras ao redor da cavidade se moveram ligeiramente, revelando uma passagem secreta, uma fenda que se abria para a escuridão.

Os homens de A.N.D.R.A. hesitaram, surpresos pela aparição súbita da passagem. "O que é isso?", um deles gritou.

"É a verdade que Sandra Lacerda escondeu", Helena disse, sua voz ecoando com poder. "E vocês não vão nos impedir."

Enquanto os homens se aproximavam, Clara e Helena mergulharam na passagem secreta. A caixa de madeira ficou em seu lugar, um guardião silencioso. A passagem era estreita e escura, mas Clara sentia que estavam indo na direção certa.

"O que tem aqui?", Clara perguntou, ofegante.

"O último legado de Sandra", Helena respondeu. "O que ela reuniu para expor A.N.D.R.A. Ela o escondeu em um lugar que apenas Elias e eu poderíamos encontrar."

A passagem os levou a uma pequena câmara subterrânea, iluminada por uma luz fraca que entrava por frestas na rocha. No centro da câmara, havia uma escrivaninha antiga e, sobre ela, um conjunto de discos de dados, um laptop e uma pequena coleção de artefatos marítimos. E entre eles, um objeto familiar: um pequeno golfinho de cristal.

"O símbolo", Helena sussurrou, pegando o golfinho de cristal. "Ele é a chave para acessar os dados. Elias me disse que Sandra o deixou aqui."

Clara observou os discos de dados. Eram a prova que Sandra Lacerda havia reunido. A prova que poderia destruir A.N.D.R.A.

De repente, um tremor na rocha. Os homens de A.N.D.R.A. estavam tentando abrir a passagem por fora. O tempo estava se esgotando.

Helena conectou o golfinho de cristal ao laptop. As telas se acenderam, exibindo arquivos criptografados. "Temos que sair daqui", Helena disse, sua voz urgindo. "Com isso, podemos acabar com eles."

Clara olhou para trás, para a entrada da passagem, onde os sons de luta começavam a ecoar. Ela sabia que Elias Thorne estava em algum lugar, confiando nela para cumprir sua missão. Ela sentiu uma onda de determinação. Ela não estava sozinha. Ela tinha Helena, a filha da vítima, agora sua aliada. E ela tinha a verdade.

Enquanto saíam pela outra saída da passagem subterrânea, que dava para um ponto mais isolado da costa, Clara sentiu uma pontada de esperança. O confronto havia sido inevitável, mas a verdade, finalmente, estava emergindo das profundezas, trazida de volta pela maré, guardada pelo golfinho, revelada na rocha. A luta contra A.N.D.R.A. estava apenas começando, mas Clara sabia que estava no caminho certo. A justiça por Sandra Lacerda e Elias Thorne estava ao alcance.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%