O Assassino de Copacabana

O Colecionador de Cores

por Felipe Nascimento

O broche em forma de concha marinha repousava sobre a mesa de metal no laboratório da perícia, sob a luz fria e implacável de uma lâmpada fluorescente. Ricardo Vargas observava-o com uma intensidade que beirava a obsessão. O objeto, tão delicado e aparentemente inofensivo, guardava em si a esperança de desvendar o assassino que assombrava Copacabana. A peça era feita de prata envelhecida, com minúsculas zircônias azuis imitando as bolhas do mar. Era uma joia artesanal, sem marca de fabricação aparente, o que dificultava sua rastreabilidade. Mas a forma, a delicadeza, a escolha das pedras… tudo indicava um trabalho minucioso, talvez de um artista, ou de alguém com um olhar apurado para a estética. Vargas havia solicitado uma análise detalhada das impressões digitais, mas sabia que a chance de encontrar algo era remota. O assassino era meticuloso demais para cometer um erro tão grosseiro. Ele se lembrou da conversa com o legista: "Ela o conhecia, ou o deixou entrar." Essa frase ecoava em sua mente. O assassino não era um estranho aleatório. Ele se aproximava, criava um laço, uma falsa sensação de segurança. E a escolha das vítimas? Mulheres jovens, com afinidades artísticas, com vidas vibrantes. Havia um padrão ali, um fio condutor que Vargas tentava captar. Ele folheou o dossiê do caso, as fotos das vítimas espalhadas sobre a mesa. Lúcia Helena, a estudante de artes plásticas. Sofia Mendes, a aspirante a escritora. Clara Bastos, a bailarina. Todas com um brilho nos olhos, um potencial que foi brutalmente extinto. De repente, seus olhos pousaram em um detalhe em uma das fotos de Lúcia Helena. Em um canto do seu ateliê, havia um pequeno quadro inacabado, com tons vibrantes de azul e verde, evocando o mar. E entre as tintas e pincéis, um pequeno objeto se destacava, embora borrado na foto: um broche. Seria o mesmo? Vargas sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele pediu para a equipe trazer mais fotos do apartamento de Lúcia Helena, ampliando cada detalhe. E lá estava, inconfundível. O broche de concha marinha. Por que Lúcia Helena teria um broche igual ao encontrado na cena do crime, a menos que... a menos que o assassino o tivesse deixado cair antes, ou que ela fosse a dona original e ele o tivesse devolvido. Mas isso não fazia sentido. A ideia de que o assassino poderia ter uma conexão com as vítimas, talvez até mesmo um "presente" para elas antes de matá-las, era perturbadora. Ele vasculhou os pertences de Lúcia Helena, em busca de qualquer menção ao broche, de qualquer pessoa que pudesse ter lhe dado aquela joia. Nada. Era como se o objeto tivesse surgido do nada. Vargas voltou sua atenção para o broche. A concha. As pedras azuis. Uma conexão com o mar, com a praia de Copacabana. Ele lembrou-se de uma loja de artesanato perto do Forte de Copacabana, um lugar que ele frequentava ocasionalmente para comprar presentes para sua mãe. Uma loja que vendia joias únicas, feitas à mão, com elementos naturais. Poderia ser dali? Ele decidiu ir até lá. O sol da manhã já começava a dissipar a garoa, pintando o céu de um azul pálido. A praia, ainda úmida, exalava o cheiro salgado e revigorante do mar. Vargas caminhou pela areia, observando os poucos banhistas matinais, os vendedores ambulantes que já montavam suas barracas. Ele se dirigiu à pequena loja de artesanato. O sininho soou ao abrir a porta, anunciando sua chegada. O interior era aconchegante, repleto de peças únicas: cerâmicas coloridas, colares de sementes, brincos feitos de conchas e pedras. Atrás do balcão, uma senhora de cabelos brancos e sorriso acolhedor o cumprimentou. "Bom dia, senhor. Posso ajudar em alguma coisa?" Vargas exibiu o broche. "Bom dia. Estou procurando informações sobre esta peça. Sabe quem a fez? Ou se já a vendeu por aqui?" A senhora pegou o broche com cuidado, seus olhos experientes analisando-o. Um brilho de reconhecimento surgiu em seu olhar. "Ah, sim! Essa é uma peça especial. Foi feita por um jovem artista. Ele costuma trazer suas criações para cá. É um rapaz muito talentoso, com um olho para os detalhes. Ele chama suas peças de 'Coleção de Cores'. Ele diz que cada cor conta uma história."

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