A Corrente Invisível

Com prazer, continuo a saga de "A Corrente Invisível" com os capítulos 16 a 20, mantendo a intensidade dramática e o estilo apaixonado característicos do romance brasileiro.

por Thiago Barbosa

Com prazer, continuo a saga de "A Corrente Invisível" com os capítulos 16 a 20, mantendo a intensidade dramática e o estilo apaixonado característicos do romance brasileiro.

Capítulo 16 — O Refúgio na Sombra e o Sussurro da Verdade

O cheiro de mofo e poeira impregnava o ar do porão, um aroma de esquecimento que, de alguma forma, parecia acolhedor para Lia. A luz fraca de uma única lâmpada pendurada no teto lançava sombras dançantes pelas paredes de pedra úmida, fazendo parecer que o próprio lugar respirava um segredo ancestral. A chuva batia impiedosamente no telhado lá em cima, um tamborilar constante que abafava os sons do mundo exterior e criava uma bolha de isolamento para ela e para o homem que a trouxera ali.

Gabriel. O nome ecoava em sua mente, misturado ao som da chuva e às batidas aceleradas de seu coração. Ele a olhava com uma intensidade que a desarmava, um misto de preocupação e algo mais profundo, algo que ela se recusava a nomear ainda, mas que a fazia sentir um calor estranho na ponta dos dedos.

“Você está segura aqui”, disse ele, a voz rouca, mas firme. Ele se moveu pelo pequeno espaço, pegando um cobertor velho e um cantil de metal. “Não é o ideal, eu sei. Mas é o único lugar onde eles não vão nos encontrar tão cedo.”

Lia aceitou o cobertor, enrolando-se nele como se procurasse se proteger de algo mais do que do frio. "Eles... quem são 'eles', Gabriel?" A pergunta pairava no ar, carregada de medo e de uma esperança teimosa de que ele finalmente lhe contaria tudo.

Ele hesitou. Seus olhos escuros, que em outros momentos brilhavam com uma inteligência afiada e um humor contagiante, agora estavam velados por uma sombra de tormento. Sentou-se em um caixote de madeira apodrecida, virado de frente para ela.

“São pessoas que não medem esforços para manter seus segredos enterrados. Pessoas com muito poder e pouca moral. Pessoas que me caçam há anos.” Ele suspirou, um som pesado que parecia carregar o peso de um fardo insuportável. “Eu os chamei de ‘A Ordem’. Um nome grandioso para um grupo de abutres.”

A Ordem. O nome soava sinistro, como algo saído de um romance de mistério. Mas a gravidade no semblante de Gabriel era palpável, real. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Eles... eles têm a ver com o meu pai?”

Gabriel assentiu lentamente, o movimento quase imperceptível. “Tudo tem a ver com o seu pai, Lia. E com o que ele descobriu. Ele foi um homem corajoso, muito corajoso. E muito teimoso. Ele viu algo que não deveria, algo que a Ordem esconde há décadas.”

As palavras de Gabriel eram como pedras caindo em um lago calmo, espalhando ondas de incerteza e medo em Lia. Ela lembrava-se de seu pai, um homem gentil, um cientista brilhante, mas também um homem reservado, que guardava seus pensamentos mais profundos como um tesouro. Ela nunca imaginou que ele estivesse envolvido em algo tão perigoso.

“O que ele descobriu, Gabriel? Por favor, me diga.” A súplica em sua voz era quase um sussurro. Ela sentia que a verdade, por mais dolorosa que fosse, era a única coisa que a libertaria daquela angústia que a corroía desde o dia do acidente.

Gabriel pegou o cantil e bebeu um longo gole. O líquido, provavelmente água, parecia não ter efeito em acalmar sua sede de desabafo. “Seu pai trabalhou em um projeto... um projeto que prometia mudar o mundo. Algo relacionado à energia, mas de uma forma que ninguém jamais imaginara. Ele era um gênio, Lia. Um dos poucos que realmente entendia o potencial daquela ideia.”

Ele fez uma pausa, o olhar perdido em algum ponto no passado. “Mas essa ideia, nas mãos erradas... se tornaria uma arma terrível. E a Ordem, eles queriam esse poder para si. Seu pai percebeu isso tarde demais. Ele tentou fugir, tentou esconder o que havia descoberto. E eles o pegaram.”

As lágrimas começaram a se formar nos olhos de Lia, mas ela as segurou. Precisava ser forte, para ela e para a memória de seu pai. “Pegaram ele... e o mataram.” A afirmação saiu mais como uma constatação fria do que como uma pergunta.

“Eles fizeram parecer um acidente”, Gabriel disse, a voz baixa e carregada de ressentimento. “Um incêndio em seu laboratório. Mas eu sei a verdade. Eu estava lá perto, vi coisas que não deveria ter visto. Vi os homens da Ordem saindo do local pouco antes das chamas. Eu estava investigando a Ordem há algum tempo, seguindo pistas, tentando entender seus planos. Seu pai foi a peça chave que eu precisava para expô-los. E quando ele morreu, eu jurei que não descansaria até que a verdade viesse à tona.”

Ele olhou diretamente para Lia, e pela primeira vez, ela viu o reflexo de sua própria dor nos olhos dele. “E você, Lia… você é a chave que resta. O seu pai deixou algo para você. Algo que a Ordem quer desesperadamente encontrar. Algo que pode provar tudo o que eu estou dizendo e expor a Ordem para o mundo.”

“Algo para mim?”, Lia repetiu, confusa. Ela não conseguia pensar em nada. Sua vida antes daquela noite havia sido tão comum, tão tranquila.

“Um legado. Um segredo. Uma verdade escondida. Seu pai era meticuloso, Lia. Ele antecipou tudo. Ele sabia que seria caçado.” Gabriel se aproximou dela, a mão pousando suavemente em seu braço. O contato era inesperado, mas não indesejado. “Ele confiou em mim. Antes de morrer, ele me deu uma mensagem. Pediu que eu cuidasse de você, que a protegesse e que a ajudasse a encontrar o que ele deixou.”

O coração de Lia disparou. Ela era a chave? Seu pai havia planejado isso? A ideia era ao mesmo tempo assustadora e incrivelmente reconfortante. Ela não estava sozinha nessa confusão, nessa dor. Havia alguém que a conhecia, que a protegia e que entendia tudo o que estava acontecendo.

“O que eu preciso encontrar?”, ela perguntou, a voz tremendo um pouco.

“Isso é o que vamos descobrir juntos”, Gabriel respondeu, um leve sorriso surgindo em seus lábios, um lampejo de esperança em meio à escuridão. “Seu pai não era de deixar as coisas ao acaso. Ele era um homem brilhante, e eu acredito que ele planejou cada passo. Precisamos desvendar os enigmas que ele deixou para trás.”

Ele se levantou, estendendo a mão para ela. “O perigo ainda está lá fora. A chuva vai parar em algum momento, e eles vão continuar a busca. Precisamos nos mover. Precisamos encontrar esse legado.”

Lia olhou para a mão dele, depois para o seu rosto. A confiança que ela sentia nele crescia a cada minuto, uma força silenciosa que a impelia a seguir em frente. Ela tomou sua mão, sentindo uma corrente elétrica percorrer seu corpo.

“Eu vou com você”, ela disse, com uma determinação que surpreendeu a si mesma. A garota que, horas antes, estava aterrorizada e desorientada, agora sentia uma chama de coragem acender-se em seu peito. Ela estava unida a Gabriel por uma corrente invisível, forjada pelo perigo, pela perda e por uma promessa de vingança e de justiça.

Enquanto saíam do porão, o som da chuva parecia diminuir, como se o próprio céu estivesse contendo a respiração para o que estava por vir. A noite ainda era escura, mas pela primeira vez desde que tudo começou, Lia não se sentia completamente perdida. Havia um caminho a seguir, um propósito a cumprir, e um aliado ao seu lado. E isso, por enquanto, era o suficiente.

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