O Legado das Trevas

Capítulo 12 — A Dança das Lâminas e o Pacto Quebrado

por Bruno Martins

Capítulo 12 — A Dança das Lâminas e o Pacto Quebrado

O ar na câmara subterrânea vibrava com uma tensão palpável, um prenúncio da tempestade que se abatia sobre nós. As criaturas sombrias avançavam, seus movimentos sinuosos e erráticos, como sombras em movimento em um pesadelo febril. Seus olhos, focados em mim com uma sede predatória, eram a personificação do mal puro. Eu podia sentir o medo deles, um medo ancestral, de algo que eu representava.

Mestre Alaric, com sua lâmina escura em punho, se posicionou à minha frente, um escudo imponente entre mim e o perigo iminente. Mas eu sabia que não era dele que eles queriam se alimentar. Eles queriam o poder que agora corria em minhas veias, a Sombra Ancestral que eu havia acabado de despertar.

“Aurora, lembre-se do que lhe ensinei”, Alaric disse, sua voz calma, mas firme, cortando o silêncio tenso. “Mantenha a calma. Controle a sua raiva, canalize-a. Use o amuleto.”

Apertei o amuleto de prata em meu pescoço, sentindo seu frio reconfortante, um elo tangível com o poder que eu acabara de receber. A dor do ritual ainda era uma memória incômoda, mas a força que ela despertou era inegável. Uma energia latente, como um vulcão prestes a entrar em erupção.

A primeira criatura se lançou contra nós, um borrão de garras e presas. Alaric se moveu com uma graça surpreendente para seu porte, sua lâmina traçando um arco mortal no ar. Um grito agudo ecoou quando a criatura foi partida ao meio, seu corpo se desfazendo em pó sombrio que se dissipou no ar.

Mas para cada um que caía, dois pareciam surgir das sombras mais profundas. Eles eram implacáveis, uma maré crescente de destruição. Minhas mãos tremiam, não mais de medo, mas de uma excitação perigosa. Eu sentia o poder formigando em meus dedos, a vontade de lutar, de defender.

“Não se contenha, Aurora!”, Alaric gritou, desviando-se de um golpe traiçoeiro. “Sua força está em você! Deixe-a fluir!”

Hesitei por um instante. O diário de minha mãe falava sobre o perigo de se entregar à Sombra, de perder o controle. Mas era isso que eles queriam? Que eu me tornasse fraca, com medo?

Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Imaginei a energia dentro de mim, um rio de lava negra, e a empurrei para fora, para minhas mãos. Abri os olhos, e a escuridão ao meu redor pareceu se curvar à minha vontade.

Estendi as mãos, concentrando toda a minha energia. Os símbolos do amuleto brilharam com uma luz intensa, e um escudo de energia escura se formou ao meu redor, repelindo as criaturas que tentavam me alcançar. Elas recuaram com guinchos de frustração, a energia escura queimando sua pele sombria.

“Isso! É assim que se faz!”, Alaric elogiou, sua voz carregada de admiração.

A câmara se tornou um campo de batalha caótico. Alaric, com sua perícia inata, abatia as criaturas com precisão mortal. Eu, por outro lado, experimentava a nova força em meu corpo, aprendendo a manipular a energia sombria que agora era parte de mim. Era como aprender a andar novamente, um processo instintivo, mas que exigia foco e controle.

Uma criatura mais ágil conseguiu contornar meu escudo, saltando em minha direção com garras afiadas prontas para cravar em meu peito. No último instante, instintivamente, concentrei minha energia em um punho, liberando uma onda de choque sombria que atingiu a criatura em cheio. Ela foi arremessada para trás, batendo contra a parede com um som oco e se desintegrando.

A adrenalina corria em minhas veias, misturando-se com o poder que agora dominava meu corpo. A dor do ritual havia sido substituída por uma força avassaladora. Eu não era mais a Aurora frágil que buscava respostas. Eu era algo mais. Algo mais forte.

Alaric se juntou a mim, seus olhos escuros encontrando os meus. Havia um reconhecimento ali, uma aceitação tácita do meu novo estado.

“Você está aprendendo rápido, Aurora”, ele disse, um leve sorriso de aprovação em seus lábios. “Sua mãe ficaria orgulhosa. Ou talvez… assustada.”

A menção a minha mãe sempre me trazia um misto de sentimentos. Orgulho pela sua força, mas também uma pontada de tristeza por sua ausência. E agora, com essa nova força, eu me perguntava se ela teria sido capaz de fazer o que eu estava fazendo agora.

Enquanto lutávamos, notei um detalhe perturbador. As criaturas não eram apenas selvagens; pareciam ter um objetivo, uma direção. Elas não atacavam indiscriminadamente, mas pareciam se concentrar em um ponto específico da câmara, um aglomerado de pedras antigas que eu não havia notado antes.

“Alaric, olhe!”, apontei.

Ele seguiu meu olhar, e a expressão em seu rosto mudou de determinação para uma preocupação ainda mais profunda.

“Os Guardiões Antigos… eles estão tentando abrir um portal”, ele murmurou, a voz baixa e tensa. “Se eles conseguirem, não haverá mais esperança.”

As criaturas restantes redobraram seus ataques, concentrando sua energia em um ponto específico das pedras. Uma luz roxa e sinistra começou a emanar delas, distorcendo o ar ao redor. Um portal para onde? Para um reino de escuridão ainda maior?

“Precisamos detê-los!”, gritei, sentindo a urgência da situação.

Alaric assentiu. “Você irá manter as criaturas longe do portal, Aurora. Eu irei tentar fechá-lo.”

Ele correu em direção às pedras, sua lâmina escura brilhando com uma luz ameaçadora. Eu me posicionei entre ele e as criaturas restantes, sentindo a energia sombria pulsando em minhas mãos.

“Vocês não vão passar!”, gritei, liberando uma onda de energia que varreu as criaturas, jogando-as para trás.

Elas rugiram de fúria, seus olhos fixos em mim, a nova Guardiã. Eu era o obstáculo, a personificação da resistência que eles tanto odiavam. Uma a uma, elas voltaram a atacar, mas eu estava pronta. Usei minha agilidade recém-descoberta, desviando de seus golpes, contra-atacando com a força que agora fluía em mim.

A cada golpe, sentia uma ligação mais forte com a Sombra Ancestral. Não era mais algo estranho, mas parte de mim. Eu podia sentir a energia da terra sob meus pés, a escuridão ao meu redor, e eu a manipulava com uma facilidade crescente.

Alaric, ao meu lado, lutava para selar o portal. Murmurava palavras antigas, traçando símbolos complexos no ar com sua lâmina. A luz roxa do portal pulsava, ameaçando se expandir.

Então, algo inesperado aconteceu. No auge da luta, enquanto uma das criaturas investia contra mim, senti uma dor aguda e repentina no meu ombro. Um dos seus espinhos sombrios havia penetrado minha pele. A dor era excruciante, mas o pior foi a sensação que se seguiu.

A energia sombria em meu corpo começou a se agitar descontroladamente. A Sombra Ancestral parecia estar lutando contra mim, contra a interferência daquele espinho sombrio. Gritos de dor escaparam dos meus lábios, mas não eram apenas de dor física. Eram gritos de alguém que sentia seu próprio poder se voltar contra ela.

“Aurora!”, Alaric exclamou, virando-se para mim com urgência.

As criaturas viram minha fraqueza. Elas se aproximaram com um rosnado triunfante, aproveitando a oportunidade para me atacar em massa. Eu me defendi instintivamente, mas minha força estava falhando. A escuridão dentro de mim estava se tornando um turbilhão caótico.

“Alaric, o portal!”, gritei, minha voz vacilando.

Ele hesitou por um instante, olhando de mim para o portal que pulsava cada vez mais forte. Então, com um rugido de determinação, ele se voltou para as pedras. Com um último esforço, ele cravou sua lâmina escura no centro do aglomerado, proferindo uma palavra antiga e poderosa.

Um clarão ofuscante de luz branca irrompeu, seguido por um som ensurdecedor. O portal se fechou com um estalo, e as criaturas restantes soltaram gritos de agonia, como se o próprio ar estivesse se voltando contra elas. Uma a uma, elas se desintegraram em pó sombrio, desaparecendo tão rapidamente quanto haviam surgido.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Alaric caiu de joelhos, exausto, sua lâmina escura ainda em sua mão. Eu me apoiei na parede, a respiração ofegante, a dor no ombro ainda latejando, mas a energia sombria em meu corpo começando a se acalmar. O amuleto em meu pescoço parecia frio agora, como se tivesse absorvido a energia caótica.

Alaric se levantou com dificuldade e se aproximou de mim. Ele examinou meu ombro com uma expressão sombria.

“Foi por pouco, Aurora”, ele disse, sua voz rouca. “A Sombra Ancestral ainda é selvagem. E eles sabem como explorá-la.”

Ele olhou para o local onde o portal havia estado, seus olhos refletindo uma preocupação profunda.

“O que era aquele portal? Para onde ele levava?”

“Um caminho para o Abismo”, Alaric respondeu sombriamente. “Um lugar onde a escuridão reina suprema. Se eles tivessem conseguido abri-lo completamente, a Corrupção teria consumido nosso mundo.”

Ele olhou para mim, seus olhos escuros carregados de uma seriedade sombria.

“Você foi fundamental hoje, Aurora. Você salvou a todos nós. Mas… o que aconteceu com você… o espinho sombrio interferiu na sua conexão com a Sombra. Isso pode ter consequências inesperadas.”

“Consequências?”, perguntei, sentindo um calafrio percorrer minha espinha.

“Sim. A Sombra Ancestral, agora mais instável, pode se tornar mais difícil de controlar. Ou pior, pode começar a mudar você de formas que nem eu posso prever.”

Ele me ajudou a caminhar para fora da câmara, deixando para trás o eco da batalha e a promessa sombria de perigos ainda maiores. O legado das trevas que eu havia abraçado estava se mostrando mais complexo e perigoso do que eu jamais imaginei. E eu sabia que a luta estava apenas começando. O pacto sombrio que eu fizera ao aceitar esse poder, agora parecia quebrado, ou pelo menos, seriamente ameaçado.

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