A Fúria do Carrasco

Capítulo 12 — A Sombra do Preço

por Bruno Martins

Capítulo 12 — A Sombra do Preço

A luz fraca que filtrava pelas janelas do armazém abandonado mal conseguia dissipar a atmosfera densa e opressora. O ar ainda carregava o cheiro de mofo e de algo mais, algo metálico, como sangue seco. Ana sentia o peso do medalhão em sua mão, um objeto de ouro frio que parecia queimar sua pele com um toque gélido. A revelação de que seu avô, o homem que ela amou e reverenciou, era um "mestre" do Carrasco, uma figura de autoridade em uma sociedade que tirava vidas, era um fardo quase insuportável.

Miguel, com sua habitual postura vigilante, vasculhava as caixas restantes, sua expressão concentrada. Cada documento, cada carta, parecia alimentar o nó em seu estômago. Ele sabia que desenterrar o passado nunca era um ato limpo, e neste caso, a sujeira era profunda, manchada de sangue e traição.

"Parece que seu avô mantinha registros detalhados", disse Miguel, sua voz baixa, quase um sussurro. "Contas, listas de membros, ordens... é um verdadeiro arquivo do crime."

Ele tirou um envelope grosso, selado com um lacre escuro. "Este aqui... parece ser uma comunicação oficial. O destinatário é o seu avô, e o remetente... um nome que não reconheço. 'O Executor'."

Ana se aproximou, o coração disparado. O nome "Executor" soava como um título de poder absoluto, uma figura temida mesmo dentro da temida irmandade.

"O que diz?", perguntou ela, a voz embargada.

Miguel quebrou o lacre com cuidado. As palavras escritas no papel eram formais, mas carregavam uma ameaça implícita.

" 'Caro Mestre Silva,' " começou Miguel a ler. " 'A tarefa designada foi concluída. O pagamento foi processado. A semente plantada deve ser cultivada com cautela. A promessa de silêncio é sagrada. O Carrasco zela por seus segredos. Não falhe.' "

"Concluída? Que tarefa?", Ana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "E 'semente plantada'? Ele estava falando de mim?"

"Provavelmente. E o pagamento... pode ser uma referência à vida de sua mãe." As palavras saíram de Miguel com um pesar palpável. Ele sabia que estava desvendando um pesadelo, mas a verdade era a única arma que eles tinham.

"Então... meu avô não foi apenas um mestre. Ele foi pago para... para o que aconteceu com a minha mãe?", a voz de Ana falhou, a realidade esmagando-a. A ideia de que seu próprio avô, o homem que ela conheceu, pudesse ser o responsável direto pela morte de sua mãe era um abismo de dor que ela não sabia como atravessar.

Miguel fechou os olhos por um momento, a dor refletida em seu rosto. "Não tenho certeza se ele foi o executor direto, Ana. Mas ele certamente esteve envolvido na decisão. A frase 'a promessa de silêncio é sagrada' sugere que sua mãe sabia algo que ameaçava o Carrasco. E seu avô, como mestre, teria o dever de garantir esse silêncio."

Ele continuou a folhear os documentos, encontrando um mapa rudimentar desenhado à mão. "Olhe isso. Parece um mapa de túneis. E há marcações. Uma delas aponta para um local fora da cidade. Um local isolado."

Ana olhou para o mapa, a sensação de que ela estava sendo puxada para um labirinto cada vez mais profundo. "O que poderia haver lá?"

"Talvez o centro das operações do Carrasco. Ou talvez um local de descanso para aqueles que foram... eliminados." A voz de Miguel era sombria.

De repente, um barulho vindo do lado de fora do armazém fez ambos congelarem. Um arrastar de pés, um farfalhar de passos cautelosos. Eles não estavam sozinhos.

"Precisamos sair daqui, agora", sussurrou Miguel, o instinto de sobrevivência aguçado. Ele guardou rapidamente os documentos mais importantes na maleta.

Ana pegou o medalhão do Carrasco e o escondeu em seu bolso. Aquele objeto amaldiçoado era agora uma prova, um símbolo de sua conexão com essa história sombria e uma arma em potencial.

Eles se moveram com a agilidade que a situação exigia, buscando uma saída alternativa. Uma porta lateral, quase escondida pelas caixas, parecia ser a melhor opção. Miguel a abriu com cuidado, revelando um caminho estreito que levava para os fundos do armazém, perto da costa.

Ao emergirem para o ar fresco e salgado, um homem alto, com um rosto sombrio e olhos penetrantes, apareceu das sombras. Ele usava um sobretudo escuro e parecia estar esperando por eles.

"Vocês demoraram", disse o homem, sua voz fria e sem emoção.

Ana e Miguel paralisaram. Reconheceram o homem. Era o mesmo que os seguia desde que chegaram à cidade, um vulto persistente que pairava nas sombras.

"Quem é você?", perguntou Miguel, protegendo Ana com o corpo.

O homem deu um sorriso frio. "Eu sou o guardião dos segredos. E vocês estão invadindo um lugar que não lhes pertence." Ele deu um passo à frente, e Ana notou um brilho metálico em sua mão. Uma adaga longa e afiada.

"Seu avô cometeu muitos erros, Ana", disse o homem, seu olhar fixo nela. "E agora, vocês estão pagando por eles."

A adrenalina tomou conta de Ana. Ela sabia que não podiam lutar de igual para igual. Mas a raiva, a dor e a determinação a impulsionavam.

"Minha mãe não merecia isso", gritou Ana, sua voz ecoando pelo vento.

"O Carrasco decide o destino, não os sentimentos", respondeu o homem, avançando.

Miguel agiu instintivamente. Ele empurrou Ana para trás, para longe do alcance da adaga, e se lançou contra o agressor. A luta foi rápida e brutal. O homem era forte e experiente, mas Miguel lutava com a fúria de quem não tinha nada a perder.

Ana observava, o coração na garganta, o medalhão em seu bolso parecendo pulsar com uma energia própria. Ela precisava fazer algo.

Com um movimento rápido, ela pegou um pedaço de metal enferrujado do chão e o arremessou contra o homem, distraindo-o por um instante crucial. Miguel aproveitou a brecha e desarmou o agressor com um golpe certeiro.

O homem cambaleou para trás, agarrando o braço ferido. Seus olhos, antes frios e calculistas, agora brilhavam com ódio puro.

"Isso não acabou", sibilou ele, antes de desaparecer na escuridão, deixando para trás apenas o eco de suas palavras.

Ana e Miguel se olharam, a respiração ofegante. A luta fora intensa, mas eles haviam vencido. Por enquanto.

"Ele voltará", disse Miguel, sua voz tensa. "E ele não virá sozinho."

Ana assentiu, o medo voltando com força total. "Precisamos sair daqui. E precisamos entender o que o Carrasco planeja."

Miguel pegou o mapa. "Este local isolado... é a nossa melhor chance. Talvez lá possamos encontrar as respostas que precisamos e, quem sabe, uma forma de acabar com tudo isso."

A noite caía sobre o porto, pintando o céu de tons escuros e ameaçadores. Ana e Miguel sabiam que estavam no centro de uma tempestade, e que o preço a ser pago pela verdade seria alto. Mas eles estavam juntos, unidos pela necessidade de justiça e pela busca por um futuro livre da sombra do Carrasco. A estrada à frente era perigosa, mas a esperança, por menor que fosse, os impelia para a frente, em direção ao desconhecido.

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