A Fúria do Carrasco

Capítulo 14 — O Despertar do Carrasco

por Bruno Martins

Capítulo 14 — O Despertar do Carrasco

O coração de Ana batia descompassado contra suas costelas enquanto ela corria pela fenda estreita, a escuridão e o eco de seus próprios passos amplificando o medo. Cada curva, cada rocha irregular, parecia um obstáculo a mais no caminho de sua fuga. Os gritos distantes de Miguel e os sons abafados de luta a mantinham em alerta constante, a angústia por ele se misturando à urgência de sua própria sobrevivência.

Ela emergiu da fenda para a vasta extensão do deserto, agora banhado pela luz alaranjada do pôr do sol. O calor era intenso, mas o ar seco oferecia um alívio momentâneo do sufocamento da caverna. A formação rochosa que abrigava o covil do Carrasco se erguia atrás dela, um monumento sombrio à sua existência.

Ana parou por um instante, ofegante, tentando processar a sequência de eventos. Miguel. O livro. O Carrasco. A revelação sobre seu avô e sua mãe. Tudo parecia um turbilhão de informações e emoções que a deixavam atordoada. Ela apertou o medalhão em seu bolso, sentindo sua frieza familiar contra sua pele. Aquilo era sua única ligação com o passado, sua única arma contra o futuro incerto.

O silêncio do deserto a envolvia, um silêncio que agora parecia mais ameaçador do que tranquilizador. Ela sabia que não podia ficar ali. Miguel precisava dela, e as informações contidas no livro eram cruciais para desvendar a teia de mentiras que envolvia sua família e a cidade.

Com um último olhar para a entrada da caverna, Ana começou a correr em direção ao carro, impulsionada por uma força que ela não sabia de onde vinha. A cada passo, a imagem de sua mãe, radiante e sorridente, a guiava.

Ela alcançou o carro, as mãos tremendo ao tentar inserir a chave na ignição. O motor roncou, um som bem-vindo que quebrou a quietude opressora. Ao dar a partida, os faróis iluminaram a paisagem desértica, revelando a silhueta de um veículo se aproximando rapidamente. Não era o carro de Miguel. Era um dos carros dos homens que a haviam encurralado.

O pânico voltou com força total. Eles a haviam visto sair. A perseguição havia começado.

Ana pisou no acelerador, o carro sacudindo violentamente sobre a areia. Ela dirigia sem rumo, apenas tentando se afastar do perigo iminente. O carro perseguidor, um veículo mais potente, diminuía a distância rapidamente.

Ela olhou para o banco de trás, para a mochila contendo o livro do Carrasco. Precisava protegê-lo. Precisava levá-lo para um lugar seguro.

De repente, um brilho metálico chamou sua atenção. O medalhão em seu bolso parecia pulsar com uma luz fraca. Ana sentiu uma energia estranha emanando dele, uma sensação de alerta, de proteção.

Ela apertou o medalhão com mais força, concentrando-se na necessidade de escapar, na necessidade de sobreviver. E, para sua surpresa, o carro perseguidor pareceu desacelerar, como se uma força invisível o estivesse impedindo de avançar.

Ana não perdeu tempo. Acelerou o máximo que pôde, deixando o veículo perseguidor para trás. Ela dirigiu por mais tempo do que achava que seria possível, o deserto se estendendo infinitamente ao seu redor. Quando finalmente parou, estava exausta, o corpo tremendo, mas com a adrenalina ainda correndo em suas veias.

Ela estava em um local desconhecido, longe da caverna, longe do perigo imediato. O sol já havia se posto completamente, e o céu estava repleto de estrelas cintilantes, um espetáculo de beleza serena que contrastava com o caos que ela havia deixado para trás.

Ana pegou a mochila e tirou o livro do Carrasco. Sentou-se na areia fria, abrindo o livro com as mãos ainda trêmulas. Precisava entender mais sobre essa organização sombria, sobre o papel de seu avô, e sobre como derrotá-los.

As páginas revelaram mais detalhes sobre a estrutura do Carrasco. Havia listas de membros, alguns dos quais Ana reconheceu como figuras proeminentes na cidade. Havia relatos de "missões" secretas, de manipulações políticas e financeiras. E havia uma seção dedicada à "herança", à linhagem que seria encarregada de perpetuar a influência do Carrasco.

"A linhagem Silva...", leu Ana em voz alta, seu coração apertado. "O mestre que traiu o pacto. A semente plantada para a redenção ou para a ruína. A criança destinada a carregar o peso do Carrasco."

Ela entendeu. Seu avô, percebendo o mal que havia feito, tentou corrigir seus erros, deixando pistas para que ela, a "semente", pudesse desmantelar a organização. Mas o Carrasco não permitiria. Eles a queriam de volta, ou queriam silenciá-la para sempre.

De repente, um barulho sutil a fez levantar a cabeça. Um zumbido baixo, quase imperceptível. Ela olhou para o céu, mas não viu nada. O zumbido aumentou, acompanhado por um brilho fraco que se aproximava.

Ana se levantou, sentindo uma mistura de apreensão e fascínio. O brilho se intensificou, revelando ser um drone pequeno e ágil, pairando a poucos metros acima dela. E no drone, havia uma câmera. Eles a estavam rastreando.

"Droga!", praguejou Ana. Eles a encontraram.

Mas antes que pudesse reagir, algo inesperado aconteceu. Outro drone, idêntico ao primeiro, surgiu do céu, e em seguida, mais um. Eles começaram a se mover em padrões complexos, como se estivessem em combate.

Um dos drones disparou um raio de luz fraco contra o outro, que desviou habilmente. Ana observava, confusa e maravilhada, enquanto os drones se engalfinhavam no céu noturno.

Então, um dos drones se aproximou dela, pairando a uma distância segura. Uma voz eletrônica, ligeiramente distorcida, emanou dele.

"Ana Silva. Você está em perigo. Precisa sair daqui imediatamente."

"Quem é você?", perguntou Ana, desconfiada.

"Sou um aliado. Um que acredita que o Carrasco precisa ser detido. Os drones que você vê são nossos. Estamos monitorando seus perseguidores."

"Aliado? De onde você veio?"

"De um lugar onde a justiça ainda tem significado. Onde as pessoas não são peões em jogos de poder."

"Você sabe quem era o Carrasco? Você sabe o que eles fizeram?"

"Sabemos o suficiente. E estamos aqui para ajudar. Seu avô deixou um legado. Não podemos deixar que ele seja em vão."

Ana sentiu um fio de esperança se reacender. Havia outros. Pessoas que compartilhavam seu objetivo.

"Eu preciso ajudar Miguel", disse Ana, a preocupação em sua voz. "Ele ficou para trás."

"Miguel está bem. Ele é forte. E nós o ajudamos a escapar. Ele está a caminho de um local seguro."

Ana sentiu um alívio imenso. Miguel estava vivo.

"Agora, você", continuou a voz eletrônica. "Você precisa vir conosco. Há um lugar onde você estará segura. Um lugar onde podemos planejar nossos próximos passos."

Ana olhou para a mochila com o livro do Carrasco, para o medalhão em sua mão. Ela não estava mais sozinha. A fúria do Carrasco estava prestes a enfrentar uma força maior.

"Para onde vamos?", perguntou Ana.

"Para o lugar onde a verdade se encontra. E onde a justiça começa."

Com as estrelas como testemunhas, Ana se afastou do deserto, sentindo um novo propósito se formar dentro dela. O caminho seria longo e perigoso, mas ela não estava mais correndo sozinha. A sombra do Carrasco ainda pairava, mas o despertar de uma nova força, impulsionada pela busca por justiça, estava apenas começando.

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