A Ausência que Mata

Capítulo 17 — A Sombra do Passado no Empreendimento de Ferro

por Bruno Martins

Capítulo 17 — A Sombra do Passado no Empreendimento de Ferro

O sol da manhã tentava romper as nuvens carregadas, mas a atmosfera em torno de Clara ainda era densa. O apartamento, antes um refúgio de paz, agora parecia uma armadilha. A carta de Pedro, guardada em um envelope selado, era um lembrete constante da verdade desconcertante que ela havia descoberto. Daniel, com sua presença calma e determinada, era o único ponto de luz em meio à escuridão.

"Você tem certeza que quer fazer isso, Clara?", Daniel perguntou, observando-a enquanto ela se arrumava, vestindo roupas discretas, mas elegantes. "Ir até a construtora pode ser arriscado. Se 'ele' estiver vigiando…"

"Eu preciso saber mais, Daniel. Preciso entender a conexão de Pedro com esse lugar. A carta mencionava o trabalho dele, o 'empreendimento de ferro'. Não pode ser coincidência", Clara respondeu, sua voz firme, apesar do tremor em suas mãos. "Se ele estava envolvido nisso, então a resposta pode estar lá."

Daniel assentiu, compreendendo a necessidade de Clara por respostas. Ele sabia que a inércia a consumiria. "Tudo bem. Mas vamos com cuidado. Eu vou com você. E faremos tudo de forma discreta. Sem chamar atenção."

A viagem até a sede da "Ferreira & Associados" foi tensa. Clara observava cada carro que passava, cada rosto na rua, imaginando quem poderia ser um observador, um informante. Daniel dirigia com foco, mantendo os olhos na estrada, mas atento a qualquer movimento suspeito. O prédio da construtora era imponente, uma estrutura moderna de vidro e aço que contrastava com a paisagem urbana ao redor. Parecia um lugar onde negócios eram fechados e fortunas construídas, mas Clara sentia uma aura sombria emanando dele.

"Vamos entrar como se fôssemos clientes em potencial", Daniel sugeriu. "Precisamos encontrar alguém que possa nos dar informações sobre os projetos recentes, talvez até sobre o pessoal que trabalhou neles."

Na recepção, foram recebidos por uma moça simpática, mas com um olhar um tanto quanto vazio. Clara, com sua habilidade natural de persuasão, conseguiu marcar um breve encontro com um gerente de projetos, um homem chamado Sr. Bastos, que parecia mais interessado em seu relógio caro do que em suas perguntas.

"Sou arquiteta, e estou muito interessada em projetos de aço e ferro. Ouvi falar muito bem da Ferreira & Associados", Clara começou, oferecendo um sorriso profissional. "Gostaria de saber sobre o projeto mais recente, o que envolveu… digamos… um material mais bruto, mais rústico."

Sr. Bastos suspirou, consultando o relógio. "Ah, você deve estar falando do antigo galpão em Vila Nova. Foi um projeto desafiador, sem dúvida. Uma revitalização complexa. Muita mão de obra, muito material."

"Vocês tiveram problemas com a segurança durante a obra?", Daniel interveio, com um tom casual.

O gerente franziu a testa. "Segurança? Tivemos os nossos incidentes. Roubo de material, um ou outro desentendimento. Nada fora do comum para um canteiro de obras desse porte." Ele fez uma pausa, como se lembrasse de algo. "Houve um rapaz, muito talentoso, aliás. Trabalhava na parte de design, da estrutura metálica. Um pouco reservado, mas brilhante. Pedro, acho que era esse o nome dele."

O coração de Clara disparou. "Pedro?", ela repetiu, tentando manter a voz neutra. "Ele trabalhava para vocês?"

"Não diretamente. Era terceirizado. Um consultor. Ele era o melhor que tínhamos para aqueles projetos complexos. Tinha um olho clínico para o detalhe, sabia lidar com o ferro como ninguém", Sr. Bastos disse, parecendo mais animado ao falar do trabalho. "Mas ele sumiu de repente. Bem no meio da obra. Deixou tudo para trás. Ninguém soube o motivo. Deu um trabalho danado para achar outro profissional à altura."

"Sumido?", Clara questionou, a esperança se misturando a um novo receio. "Ele nunca chegou a nos contar que trabalhava para vocês. Nem que o projeto era em Vila Nova."

"É, ele era… discreto", Sr. Bastos deu de ombros. "Mas a gente entende. Cada um tem seus motivos. O que importa é que o projeto foi concluído. Um sucesso, graças a Deus."

Enquanto o gerente falava, Clara sentiu um arrepio. A descrição de Pedro, o "talento rústico", o sumiço repentino... tudo se encaixava com a imagem que ela tinha dele. Mas por que ele escondia isso dela? Por que o empreendimento de ferro, a "revitalização complexa", era algo que ele precisava manter em segredo?

"Ele mencionou algum problema específico? Alguma ameaça que o fez desaparecer?", Daniel insistiu.

Sr. Bastos riu, um som seco e sem humor. "Ameaça? No nosso ramo, Clara, as ameaças são o dinheiro, a concorrência. Esse rapaz parecia mais preocupado com os prazos e a qualidade do material. E, bem, com a burocracia do governo. Aquela área em Vila Nova era cheia de entraves, licenças… um inferno para conseguir tudo em ordem."

A menção de "entraves" e "licenças" fez um sinal de alerta soar na mente de Clara. Havia algo mais acontecendo naquele empreendimento do que apenas construção. Algo que envolvia burocracia e, talvez, gente perigosa.

"Muito obrigada, Sr. Bastos", Clara disse, levantando-se. "Suas informações foram muito úteis."

Ao saírem do prédio, o peso daquela conversa pairava sobre eles.

"Ele sumiu, Daniel. Ele simplesmente desapareceu", Clara disse, a voz embargada pela emoção. "Ele estava lá, trabalhando em algo tão grande, e não me disse nada. Por quê?"

"Porque o perigo estava lá também, Clara. O perigo que o forçou a fugir, e que agora se estende a você", Daniel respondeu, sua mão pousando gentilmente em seu ombro. "A 'Ferreira & Associados' não é apenas uma construtora. É um fachada. Pedro estava envolvido em algo muito maior do que a gente imaginava."

Eles voltaram para o apartamento de Clara, a mente fervilhando com novas perguntas. Se Pedro estava trabalhando em algo ilícito, por que ele a envolvia com seu amor, com suas promessas de um futuro juntos? Era uma distração? Uma forma de protegê-la? Ou ele realmente acreditava que poderia salvar os dois daquela situação?

Naquela noite, enquanto Daniel pesquisava incansavelmente sobre a "Ferreira & Associados" e seus projetos, Clara não conseguia dormir. Ela revivia cada momento com Pedro, cada palavra dita, cada olhar trocado. A imagem dele, o homem que ela amava, agora se misturava com a figura de um estranho envolto em mistério e perigo.

O que ele estava realmente construindo? E quem era o "ele" que o ameaçava? A ausência de Pedro, antes um amor palpável, agora era um abismo de incertezas. A verdade, aos poucos, se revelava, mas cada fragmento descoberto trazia consigo uma nova camada de medo e desespero. O empreendimento de ferro, a obra que deveria ser um marco de sucesso, parecia ser o epicentro de uma teia sombria que envolvia a vida de Pedro e, agora, a dela também.

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