A Ausência que Mata

Claro, aqui estão os capítulos 21 a 25 de "A Ausência que Mata", escritos no estilo de um romance brasileiro de best-seller:

por Bruno Martins

Claro, aqui estão os capítulos 21 a 25 de "A Ausência que Mata", escritos no estilo de um romance brasileiro de best-seller:

A Ausência que Mata Autor: Bruno Martins

Capítulo 21 — O Sussurro da Ruína no Armazém Abandonado

O ar no armazém abandonado era pesado, carregado com o cheiro acre de mofo, poeira e um rastro de óleo diesel que parecia ter se impregnado nas paredes de concreto. A luz fraca de uma única lâmpada pendurada precariamente no teto alcançava apenas uma fração do espaço vasto e sombrio, projetando sombras dançantes que pareciam ter vida própria. Helena apertou o passo, o salto do seu escarpin batendo com um eco solitário no chão de concreto rachado. A cada passo, uma nova onda de ansiedade a atingia, um pressentimento sombrio que se instalara em seu peito desde que recebera a mensagem anônima.

"Tem certeza que é aqui, Rafael?", a voz dela tremeu levemente, um desvio notável da sua usual compostura. Rafael, com sua postura relaxada, mas olhos atentos que varriam cada canto escuro, assentiu. Seus passos eram mais firmes, acostumados a ambientes hostis. Ele trazia consigo uma lanterna poderosa, cujo feixe cortava a escuridão em fatias brancas e intensas, revelando pilhas de caixas empoeiradas, máquinas enferrujadas cobertas por lonas rasgadas e, mais adiante, a silhueta ameaçadora de um guindaste obsoleto.

"A mensagem foi clara, Helena. 'Onde o ferro descansa e o silêncio reina'. Este lugar grita essas palavras." Ele fez uma pausa, o feixe da lanterna pousando em um símbolo tosco pintado na parede de tijolos: uma serpente enroscada em torno de uma âncora. O mesmo símbolo que haviam encontrado no refúgio escondido.

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era uma confirmação gélida de que estavam no caminho certo, mas também uma intensificação do perigo iminente. A noite anterior, no caos do confronto na aurora, a fuga apressada, a sensação de que haviam deixado algo para trás, ou pior, que o inimigo sabia mais do que eles imaginavam. O silêncio dos seus perseguidores era mais aterrador do que qualquer grito.

"O que você acha que encontraremos aqui, Rafael?", perguntou, a voz baixa, como se temesse que as próprias paredes pudessem ouvir. Ela imaginava a sombra de seu pai, o Dr. Almeida, pairando naquele lugar, os segredos que ele guardara, as decisões que o levaram à beira do abismo. O empreendimento de ferro, o porto, tudo se conectava de forma sinistra a ele.

Rafael parou e se virou para ela, o feixe de luz iluminando o rosto tenso de Helena. "Não sei, meu amor. Mas tudo indica que é aqui que o último pedaço do quebra-cabeça está escondido. E pode ser algo que nos coloque em risco ainda maior." Ele deu um passo em direção a ela, cobrindo a palma da mão dela com a sua. "Mas não estamos sozinhos. Nunca mais."

A simples menção de "nunca mais" aqueceu o coração de Helena, mas a frieza do ambiente e a gravidade da situação não a deixavam relaxar. Ela precisava entender. Precisava saber por que seu pai havia se envolvido com figuras tão obscuras, que tipo de negócios o levara a ser o alvo de tanta perseguição. A ausência dele sempre fora um fantasma em sua vida, mas agora, essa ausência estava se manifestando de formas cada vez mais concretas e perigosas.

Eles avançaram com cautela pelo labirinto de caixas. Cada rangido de metal, cada eco distante, fazia Helena sobressaltar. Rafael, porém, mantinha a calma de um predador, seus sentidos aguçados, pronto para reagir. Ele abriu uma porta de metal enferrujada que dava para um corredor escuro, onde o cheiro de mofo era ainda mais intenso.

"Parece que há escritórios aqui", murmurou Rafael, iluminando um pequeno cômodo com uma mesa de metal amassada, uma cadeira virada e papéis espalhados pelo chão, parcialmente consumidos pela umidade.

Helena se aproximou, a luz da lanterna de Rafael focada nos papéis. Eram documentos antigos, com timbres desbotados e assinaturas ilegíveis. Ela pegou um deles com cuidado. Era um contrato, datado de muitos anos atrás, entre uma empresa offshore e o empreendimento de ferro. Os valores envolvidos eram astronômicos. E um nome se destacava, grafado em letras vermelhas e esmaecidas: Dr. Elias Almeida.

"Meu pai...", Helena sussurrou, a voz embargada. A realização a atingiu com força total. Ele não era apenas uma vítima, mas um participante ativo. O peso do segredo que ela carregava aumentou, agora misturado com a dor e a confusão.

"Ele estava envolvido em algo grande, Helena. Algo que envolvia dinheiro e poder. E talvez, algo que ele tentou esconder de todos." Rafael pegou outro documento, um relatório de remessas de mercadorias, onde nomes de portos estrangeiros apareciam repetidamente, juntamente com códigos cifrados. "E essas remessas... não parecem ser de minério de ferro comum."

De repente, um barulho alto ecoou do lado de fora do armazém, um estrondo metálico seguido por um grito abafado. Helena e Rafael congelaram. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

"Alguém está aqui", disse Rafael, sua voz um rosnado baixo. Ele tirou uma arma da cintura, a ação rápida e precisa. Helena sentiu o pânico subir, mas se forçou a respirar fundo. Ela não podia desmoronar agora.

"Precisamos ir", ela disse, a voz mais firme.

"Não ainda. Precisamos saber o que é." Rafael fez um sinal para Helena se esconder atrás de uma pilha de caixas. Ele avançou em direção à entrada principal, movendo-se com a furtividade de um fantasma.

Helena observou, o coração martelando no peito. Ela via a silhueta de Rafael desaparecer na escuridão, o feixe de sua lanterna se movendo com cautela. Os minutos se arrastaram. Cada som, cada sombra, parecia uma ameaça iminente. Ela se sentia exposta, vulnerável.

Então, ela ouviu. Passos. Vários deles. Pesados, decididos. E uma voz áspera, familiar, que fez seu sangue gelar. "Procurem por ele! Ele não pode ter escapado de novo!" Era a voz de Dantas.

Helena se encolheu ainda mais atrás das caixas, tentando controlar sua respiração. Dantas. Ele estava ali. Isso significava que eles estavam cada vez mais perto de descobrir a verdade, mas também que o perigo era real e imediato. Se Dantas a encontrasse, tudo estaria perdido.

Rafael reapareceu, movendo-se rapidamente em sua direção. "É o Dantas. Com pelo menos mais três homens. Eles parecem estar procurando por algo, não por nós especificamente."

"Mas eles vão nos encontrar se ficarmos aqui", Helena sussurrou, o pânico voltando a assombrá-la.

"Precisamos sair daqui. Pela porta dos fundos. Conheço outra saída neste complexo." Rafael a puxou pela mão, guiando-a através do labirinto de mercadorias esquecidas. A sensação de ser caçada era palpável, a adrenalina correndo em suas veias.

Enquanto se moviam, Helena pegou um último documento do chão, um diário com capa de couro desgastada. Ela o guardou na bolsa, uma decisão impulsiva movida pela urgência. Era um pedaço de seu pai, algo que ela precisava trazer consigo, custasse o que custasse.

Eles alcançaram uma porta de metal nos fundos, mal visível na escuridão. Rafael a abriu com um esforço, revelando um corredor estreito e úmido que levava para fora do armazém. O ar fresco da noite nunca pareceu tão convidativo.

"Vamos. Rápido." Rafael a empurrou para fora, e eles correram na escuridão, os sons da perseguição do armazém ficando para trás, mas o peso dos segredos recém-descobertos pesando sobre eles. A ausência que mata estava se tornando uma presença aterrorizante.

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