A Ausência que Mata

Capítulo 3 — A Revelação Sussurrada

por Bruno Martins

Capítulo 3 — A Revelação Sussurrada

Os dias que se seguiram ao incidente na sala de estar foram tensos. Miguel mantinha um distanciamento calculista de Helena, respondendo suas perguntas com monossílabos e evitando qualquer contato visual prolongado. A governanta Sofia, percebendo a crescente preocupação de Helena, tentava oferecer conforto e consolo, mas suas palavras pareciam cair em um poço de desespero. A mansão Alencar, outrora um lar, transformara-se em um palco de silêncios eloquentes e de receios ocultos.

Helena passava horas em seu escritório, o local onde Arthur costumava trabalhar e onde ela agora buscava refúgio em meio aos papéis e à poeira do passado. Ela revisitava contratos, cartas e diários, tentando encontrar algum indício, alguma pista que pudesse explicar a mudança drástica em Miguel ou a conexão que sua mente, em seu desespero, buscava com Elias Vasconcelos. A rivalidade entre seu pai e Elias sempre fora um tabu na família, algo envolto em mistério e ressentimento.

Um dia, enquanto vasculhava uma caixa antiga de documentos de seu pai, Helena encontrou um pequeno caderno de capa dura, esquecido em um compartimento secreto. O caderno estava em branco, exceto por uma única folha, dobrada cuidadosamente. Ao desdobrá-la, ela viu uma caligrafia familiar, embora um pouco mais jovem e menos formal do que a que ela conhecia: a de Arthur.

Era uma carta, endereçada a ela.

"Minha querida Helena," começava a carta. "Se você está lendo isto, é porque algo terrível aconteceu. Algo que eu sempre temi. A verdade é que o meu acidente não foi um acidente. Fui sabotado. E sei quem é o responsável."

Helena sentiu o sangue gelar nas veias. A carta continuava:

"O responsável é Elias Vasconcelos. Ele planejou tudo. Ele me persegue há meses, querendo me afastar de você e de tudo o que construímos. Ele me ameaçou, mas eu nunca pensei que ele fosse capaz de chegar a este ponto. Ele quer o império Alencar, Helena. E ele não vai parar por nada para conseguir o que quer."

A carta detalhava os planos de Elias, como ele usara pessoas influentes para encobrir o crime e como ele pretendia, eventualmente, minar a família Alencar por dentro. Arthur escrevera sobre suas suspeitas, sobre as evidências que ele havia reunido secretamente e sobre o seu plano de expor Vasconcelos assim que tivesse provas irrefutáveis.

"Eu sei que você é forte, meu amor", continuava a carta. "E sei que você vai descobrir a verdade. Não confie em ninguém que pareça próximo a Elias. Cuidado com o seu sogro, Sr. Silva. Ele está envolvido. Ele sempre foi ambicioso e Elias explorou isso. Ele me traiu."

A menção de seu sogro, o pai de seu falecido primeiro marido, a atingiu como um raio. Sr. Silva, um homem que sempre a tratara com frieza e distanciamento, mas que ela nunca considerara perigoso.

"Eu escondi algumas provas que podem te ajudar", a carta prosseguia. "Estão em um cofre, escondido no meu antigo ateliê, um lugar que só nós conhecemos. Naquela velha casinha à beira-mar, você sabe. Procure lá. Tenha cuidado, Helena. Elias é perigoso. E ele não hesitará em te machucar se souber que você está perto da verdade."

A carta terminava com um apelo apaixonado: "Te amo mais do que a minha vida. Viva por nós dois. Descubra a verdade e faça justiça. Sua, para sempre, Arthur."

Helena chorou. Chorou pela traição, pela morte brutal de Arthur, pela coragem dele em escrever aquela carta sabendo do risco que corria. Chorou pela sua própria cegueira, por não ter percebido a complexidade sombria que envolvia a vida do homem que amava. Elias Vasconcelos. O nome era um pesadelo que voltava à tona com força redobrada.

Ela sabia que precisava ir até o ateliê de Arthur, aquele refúgio de paz que eles compartilhavam, e encontrar as provas que ele mencionara. Era um risco, claro. Arthur havia alertado sobre o perigo. Mas Helena sentiu uma nova determinação nascer dentro de si. A dor de Arthur e a injustiça de sua morte a impulsionavam. Ela não podia deixar Elias Vasconcelos vencer.

"Sofia", Helena chamou, a voz ainda embargada, mas firme.

A governanta apareceu, seu olhar sempre atento e prestativo.

"Preciso que você me ajude a organizar uma viagem. Para a casa da praia", Helena disse. "Preciso ir até lá o mais rápido possível."

Sofia assentiu, sem fazer perguntas. Ela já havia percebido que algo havia mudado em Helena. Havia uma nova luz em seus olhos, uma mistura de dor e determinação que ela não via há muito tempo.

Enquanto Helena arrumava uma pequena mala, o celular tocou. Era um número desconhecido. Hesitante, ela atendeu.

"Alô?"

"Senhora Helena Alencar?", uma voz masculina e rouca perguntou.

"Sim, sou eu."

"Tenho informações importantes para a senhora. Sobre o falecimento do seu marido, Sr. Arthur."

O coração de Helena disparou. "Quem é você? Como conseguiu meu número?"

"Meu nome não importa. O que importa é que eu sei a verdade sobre o que aconteceu com o Sr. Arthur. E posso te provar. Mas preciso que a senhora venha até mim. Sozinha."

Helena hesitou. A carta de Arthur ecoava em sua mente: "Não confie em ninguém que pareça próximo a Elias." Seria essa pessoa uma armadilha?

"Onde você está?", Helena perguntou, tentando manter a calma.

"Em um café discreto, no centro da cidade. O nome é 'O Segredo'. Em dez minutos", a voz respondeu, e então a ligação foi encerrada.

Helena olhou para a carta de Arthur, para a foto dele em seu porta-retrato. Ela sabia que Arthur a teria alertado para ter cautela. Mas as palavras do homem desconhecido a deixaram em um dilema terrível. E se fosse uma oportunidade real de obter mais informações? E se fosse uma armadilha de Elias Vasconcelos?

Ela tomou uma decisão. Ela iria ao encontro, mas com precaução. Ela não podia ignorar a possibilidade de que essa fosse uma peça crucial no quebra-cabeça da morte de Arthur. A mansão, com seus segredos e sua atmosfera sufocante, parecia prendê-la em um passado doloroso. Talvez a resposta estivesse fora de seus muros, no mundo exterior, onde Elias Vasconcelos reinava em seu império de trevas.

Enquanto se dirigia para o centro da cidade, Helena não conseguia tirar da cabeça a imagem de Miguel. O que ele estaria fazendo? Seria possível que ele estivesse envolvido, mesmo que involuntariamente, nos planos de Elias? A ideia a assustava. O futuro da família Alencar, outrora tão claro e promissor, agora parecia obscurecido por um véu de mistério e perigo. E Helena sabia que, para desvendar esse mistério, ela teria que confrontar os fantasmas do passado, mesmo que isso significasse arriscar sua própria vida. A ausência de Arthur a consumia, mas a verdade, por mais dolorosa que fosse, era a única coisa que poderia trazer um pouco de paz.

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