A Ausência que Mata

Capítulo 4 — A Teia de Elias

por Bruno Martins

Capítulo 4 — A Teia de Elias

O café "O Segredo" era um lugar discreto, com pouca iluminação e mesas isoladas. Helena entrou com o coração acelerado, os olhos varrendo o ambiente em busca de algum sinal. Ela se aproximou de uma mesa no canto mais afastado, onde um homem de meia-idade, com feições cansadas e um olhar furtivo, acenou discretamente. Ele usava um chapéu que sombreava parcialmente seu rosto.

Helena sentou-se à sua frente, tentando manter a compostura. "Você me ligou?"

O homem assentiu. "Senhora Alencar. É um prazer, embora as circunstâncias não sejam ideais." Ele baixou a voz. "Meu nome é Marcos. Eu era um dos homens de confiança do seu pai. E vi muitas coisas que não deveria ter visto."

Helena sentiu um arrepio. O pai de seu falecido primeiro marido. O homem que Elias Vasconcelos havia mencionado na carta como seu cúmplice. "Meu sogro, Sr. Silva, você quer dizer?"

Marcos assentiu, um leve tremor em seus lábios. "Sim. Ele e Elias Vasconcelos. Uma aliança perigosa. Mas o Sr. Silva não era o cérebro por trás de tudo. Era Elias quem orquestrava. E o Sr. Silva era apenas uma peça no tabuleiro dele."

"E o meu marido, Arthur?", Helena perguntou, a voz embargada. "O que aconteceu com ele?"

"Como a carta que o Sr. Arthur escreveu para a senhora diz, não foi um acidente", Marcos confirmou, olhando ao redor com nervosismo. "Elias planejou tudo. Ele sabia que Arthur estava reunindo provas contra ele. Arthur descobriu um esquema de lavagem de dinheiro que Elias usava para financiar suas operações ilegais. Arthur estava prestes a expor tudo."

"Mas quem fez isso?", Helena insistiu. "Quem dirigiu o carro?"

Marcos hesitou. "Não posso dar nomes. São pessoas perigosas. Mas posso te dizer que Elias Vasconcelos tem uma rede de influência que vai muito além do mundo dos negócios. Ele usa pessoas em posições de poder para fazer o seu trabalho sujo."

Helena sentiu uma onda de desespero. A carta de Arthur mencionava um cofre em seu ateliê. "Eu preciso encontrar as provas que Arthur escondeu. No ateliê dele, na praia."

"A senhora tem sorte", Marcos disse, um leve sorriso surgindo em seu rosto cansado. "Eu sei onde fica esse ateliê. E sei como o cofre está escondido. O Sr. Arthur me contou alguns detalhes, confiando em mim. Eu o ajudei com a coleta de algumas evidências antes que ele fosse… silenciado."

A confissão de Marcos trouxe um fio de esperança para Helena. Ela se sentia mais forte, mais determinada a desvendar essa teia de mentiras e traições.

"Eu preciso ir até lá. Agora", Helena declarou.

"É arriscado, senhora", Marcos alertou. "Elias Vasconcelos é vigilante. Ele não quer que ninguém descubra a verdade. Ele pode estar te observando agora mesmo."

Helena balançou a cabeça. "Eu não posso mais viver com essa incerteza. Arthur merece justiça."

Marcos pegou um pequeno envelope de seu bolso. "Aqui estão as coordenadas exatas do ateliê. E um mapa detalhado do terreno. O cofre está escondido atrás de uma falsa estante de livros na biblioteca do ateliê. O código é a data do seu primeiro encontro com o Sr. Arthur, em formato DDMMYYYY."

Helena pegou o envelope, sentindo o peso das informações. Ela agradeceu a Marcos e saiu do café, com a mente fervilhando de planos. A viagem até a casa de praia seria longa, mas ela estava disposta a enfrentar qualquer perigo.

Ao retornar para a mansão, Helena encontrou Miguel sentado na sala de estar, imerso em seu celular. Ele parecia alheio a tudo ao redor.

"Miguel", Helena chamou, aproximando-se dele.

Ele levantou o olhar, com a mesma frieza de sempre. "Sim, mãe?"

"Eu preciso conversar com você. Preciso que você me ouça."

Miguel suspirou, guardando o celular no bolso. "Eu já disse que não quero falar sobre isso."

"É sobre o seu pai", Helena disse, a voz calma, mas firme. "E sobre quem foi o responsável pela morte dele. Não foi um acidente, Miguel. Foi um assassinato."

A menção de assassinato fez Miguel levantar as sobrancelhas. Ele a olhou com uma mistura de surpresa e desconfiança. "O que você está falando?"

Helena sentou-se ao lado dele e, com a voz embargada pela emoção, contou a ele sobre a carta de Arthur, sobre Elias Vasconcelos, sobre a traição de seu avô e sobre a possibilidade de seu pai ter sido vítima de um plano elaborado para destruir a família Alencar.

Enquanto Helena falava, o semblante de Miguel mudou. A frieza deu lugar a uma expressão de choque e incredulidade. Seus olhos, idênticos aos de Arthur, se encheram de lágrimas.

"Não… não pode ser verdade", ele sussurrou. "Meu avô… ele nunca seria capaz disso."

"Eu também não queria acreditar, Miguel. Mas as evidências… a carta do seu pai… tudo aponta para isso", Helena disse, pegando a mão dele. "Eu estou indo para o ateliê do seu pai. Lá, ele escondeu provas que podem confirmar tudo isso. Você vem comigo?"

Miguel olhou para ela, e Helena viu a batalha interna em seus olhos. A necessidade de acreditar na inocência de seu avô, e a dolorosa verdade que sua mãe estava revelando.

"Eu não sei, mãe", ele respondeu, a voz embargada. "Eu preciso de tempo para pensar."

"Eu entendo", Helena disse. "Mas saiba que você não está sozinho. E que juntos, podemos descobrir a verdade e honrar a memória do seu pai."

Helena sentiu que havia plantado uma semente de dúvida e esperança no coração de Miguel. Talvez ele ainda pudesse ser alcançado. Talvez ele pudesse escolher o lado certo.

No dia seguinte, Helena partiu para a casa de praia. Ela sabia que estava se arriscando, mas a necessidade de justiça para Arthur e a busca pela verdade a impulsionavam. A mansão Alencar, com seus segredos e suas sombras, ficava para trás. Agora, o foco era a velha casa à beira-mar, um lugar de memórias e, esperava Helena, de respostas.

Enquanto o carro se afastava, Helena olhou para a mansão, sentindo um pressentimento sombrio. Ela tinha a sensação de que algo ou alguém a observava, uma presença invisível que pairava sobre a propriedade. Elias Vasconcelos. Ele sabia que ela estava perto da verdade. E ele não a deixaria em paz. A teia de Elias era vasta e perigosa, e Helena estava prestes a mergulhar nela de cabeça.

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