O Contrato de Diva
Capítulo 16
por Fernanda Ribeiro
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar nas profundezas do amor, da ambição e dos segredos que tecem a trama de "O Contrato de Diva". Aqui estão os capítulos que você pediu, recheados de emoção e drama, do jeito que só o Brasil sabe fazer!
O Contrato de Diva Autor: Fernanda Ribeiro
Capítulo 16 — O Preço da Honra e o Sussurro do Perigo
O ar na cobertura de vidro e aço parecia ter um peso novo, denso, carregado de um silêncio que gritava mais alto que qualquer discussão. Aurora, com o coração martelando em seu peito como um tambor desgovernado, encarava Leonardo. A revelação de Clara, a forma como ela jogou a bomba da dívida de seu pai, a humilhação descarada – tudo aquilo a atingira como um golpe físico. Seus olhos, antes cheios de um brilho de esperança e um amor que começava a florescer, agora refletiam uma dor crua e uma determinação fria.
"Então é isso?", a voz de Aurora soou mais rouca do que o normal, um fio de desespero tentando se impor sobre a força que ela reunia. "Tudo isso... você... foi apenas uma forma de me manter sob controle? De garantir que eu não quebrasse o acordo?"
Leonardo fechou os olhos por um instante, uma ruga profunda se formando entre suas sobrancelhas. A confissão de Clara, embora esperada de alguma forma, o pegara desprevenido em sua crueldade. Ele odiou a sensação de impotência, o fato de que a mentira de outra pessoa pudesse ter criado uma fenda tão profunda entre ele e Aurora.
"Aurora, você sabe que não é assim", ele respondeu, sua voz baixa, mas carregada de urgência. Ele deu um passo em sua direção, mas ela recuou, um gesto instintivo de autopreservação. "Clara é… ela é capaz de muitas coisas para conseguir o que quer. E ela achou que isso seria a forma mais eficaz de garantir que você não me abandonasse."
"E você permitiu!", Aurora acusou, a voz subindo em tom. "Você não me disse. Você sabia que eu estava me apaixonando por você, Leonardo. Você viu isso nos meus olhos, sentiu isso em cada toque, em cada beijo. E você me deixou acreditar em uma mentira sobre a minha própria liberdade, sobre a minha dignidade!"
"Eu não menti sobre os meus sentimentos, Aurora", ele implorou, a verdade escorrendo de sua voz. "Eles são reais. Eu nunca menti sobre isso. O que Clara fez foi distorcer a situação. Eu… eu estava tentando proteger você. Proteger a nós."
"Proteger? De quê? De mim mesma?", Aurora riu, uma risada sem alegria, amarga. "Você achou que eu era tão fraca que precisava ser mantida presa por uma dívida que eu nem sabia que existia? Que eu não teria força para tomar minhas próprias decisões? Que eu não resistiria à tentação de fugir de você?"
"Não é isso!", Leonardo tentou novamente, sua voz cheia de frustração. Ele sabia que as palavras de Clara tinham plantado uma semente de dúvida cruel na mente de Aurora. Ele deveria ter agido antes, deveria ter sido mais transparente. Mas o medo de perdê-la, de vê-la sofrer com a verdade completa, o tinha paralisado.
"E o que é, então, Leonardo?", Aurora o desafiou, seus olhos negros fixos nos dele, procurando uma falha, uma mentira que ela pudesse agarrar para se afastar. "Explique. Explique como o homem que me prometeu o mundo, que me fez sentir que eu poderia ser eu mesma, que me fez acreditar que o amor podia ser a minha salvação, pode ter participado dessa... dessa humilhação."
Leonardo sentiu o peso de cada palavra. Ele sabia que tinha errado. Tinha permitido que a teia de Clara se fechasse sobre eles, e agora a verdade, mesmo parcial, era uma arma contra ele. Ele deu um passo à frente, ignorando o recuo dela, e segurou seus braços com gentileza, mas firmeza.
"Aurora, ouça-me", ele disse, sua voz um sussurro rouco. "Eu não participei de uma humilhação. Eu participei de uma tentativa desesperada de manter um contrato que eu acreditava ser o único caminho para proteger você de algo muito pior. Clara usou a dívida do seu pai como um trunfo, sim. E eu… eu aceitei negociar com ela, em parte, para ter certeza de que ela não a usaria contra você de uma forma que a arruinaria. Eu pensei que, ao controlar a situação, eu a estaria protegendo."
"Proteger?", Aurora repetiu, a incredulidade tingindo sua voz. "Você acha que ser mantida como uma refém emocional, sob a ameaça constante de ser exposta como uma filha ingrata, é proteção? Você me fez sentir como uma mercadoria, Leonardo! Como algo que você comprou e que agora está tentando manter no lugar."
"Eu nunca a vi assim!", Leonardo exclamou, a dor genuína em sua voz fazendo Aurora hesitar por um milésimo de segundo. "Eu a vejo como… como a mulher que roubou meu coração. Como a minha razão de ser. E eu sempre, sempre me arrependerei de não ter sido honesto com você sobre o quão suja e manipuladora Clara pode ser. Eu acreditei que a melhor maneira de te manter segura era não te sobrecarregar com os detalhes sórdidos do passado. Eu estava errado. Terrivelmente errado."
Ele a puxou gentilmente para mais perto, seus olhos implorando por compreensão. "Eu não sou o herói dessa história, Aurora. Eu sou apenas um homem que se apaixonou perdidamente e que tentou, da pior maneira possível, proteger a mulher que ama. E a única coisa que eu quero agora é que você me perdoe por não ter tido a coragem de te contar a verdade inteira antes. E que você me deixe provar que meus sentimentos são verdadeiros."
Aurora sentiu as lágrimas quentes brotarem em seus olhos, mas se recusou a deixá-las cair. A batalha em seu peito era feroz. Havia a raiva justa, o sentimento de traição, mas também havia a verdade inegável nos olhos de Leonardo, a dor genuína em sua voz. Ela sabia que ele não mentia sobre seus sentimentos. Mas a forma como tudo se desenrolou, a manipulação de Clara, a cumplicidade silenciosa dele… era difícil de superar.
"Eu não sei se posso, Leonardo", ela sussurrou, sua voz embargada. "Eu preciso de tempo. Preciso pensar. Preciso entender se você me ama de verdade, ou se o 'contrato' ainda dita as regras."
Ela se soltou de seus braços com uma força que ele não esperava e se afastou. Ao chegar à porta, parou, mas não se virou. O silêncio pairava pesado.
"E Clara...", ela adicionou, sua voz mais firme agora, um presságio em seu tom. "Você disse que ela é capaz de tudo. Eu acho que ela acabou de me dar a prova disso. E eu não vou ser uma peão no jogo dela. Nunca mais."
Sem esperar por uma resposta, Aurora abriu a porta e saiu, deixando Leonardo sozinho na vastidão da cobertura, com o eco de suas palavras e o peso esmagador de suas próprias falhas. A noite que se seguia prometia ser longa e solitária, repleta de dúvidas e a sombra crescente do perigo que Clara representava, agora livre e com um novo plano em mente, sabendo que havia semeado discórdia entre os amantes.