Cap. 17 / 21

O Contrato de Diva

Capítulo 17 — A Vingança Tecida em Seda e Sombras

por Fernanda Ribeiro

Capítulo 17 — A Vingança Tecida em Seda e Sombras

O reflexo de Clara no espelho do camarim parecia zombar dela. Seus olhos brilhavam com uma satisfação sombria, um triunfo mesquinho que a aquecia por dentro. A notícia da briga entre Aurora e Leonardo, vazada por um de seus contatos discretos, era música para seus ouvidos. A diva, a queridinha de Leonardo, estava abalada. O plano estava, finalmente, ganhando forma, e a destruição de Aurora seria apenas o primeiro passo.

"Aurora...", ela murmurou para si mesma, a voz um fio de veneno. "Você achou que poderia roubar o que era meu por direito? Que poderia se jogar nos braços do homem que eu desejei por anos e sair ilesa? Ingenuidade a sua. O jogo nunca termina até que eu diga que terminou."

Ela se levantou, deslizando para fora da cadeira luxuosa. A seda de seu vestido acariciava suas pernas, um lembrete de sua beleza e poder. O teatro, palco de tantas performances que a catapultaram ao estrelato, agora seria o cenário de sua mais ardilosa trama. A noite de estreia da nova peça, onde Aurora seria a estrela principal, estava se aproximando, e Clara tinha um presente especial reservado para a sua "amiga".

Nos dias que se seguiram, Aurora se fechou em um casulo de dor e incerteza. As palavras de Leonardo ecoavam em sua mente, a promessa de amor misturada à amarga constatação de que ela fora manipulada. Ela evitava seus telefonemas, ignorava suas mensagens. A confiança, que ela havia tão cuidadosamente depositado nele, agora parecia uma moeda falsa em sua mão. O beijo que ela lhe dera na noite anterior à revelação de Clara agora parecia uma memória distante e dolorosa, manchada pela verdade.

Leonardo, por sua vez, tentava desesperadamente reconquistá-la. Ele aparecia em seu camarim, na saída do teatro, enviava flores que eram devolvidas, cartas que permaneciam sem resposta. Ele sabia que tinha errado, mas a dor de Aurora era um espelho de sua própria angústia. Ele sentia o cerco se fechando, não apenas por parte de Aurora, mas também pela crescente tensão com o conselho da empresa, que desconfiava de suas recentes decisões, e pela ameaça velada que emanava de Clara.

"Ela não vai desistir, Aurora", ele disse a ela em uma das poucas vezes que conseguiu falar com ela ao telefone. Sua voz estava carregada de preocupação genuína. "Clara é perigosa. Ela não se importa com quem ela machuca para conseguir o que quer. Por favor, você precisa acreditar em mim. Precisa me deixar explicar tudo."

"Explicar o quê, Leonardo?", Aurora respondeu, sua voz fria como gelo. "Que você me usou? Que você concordou com as maquinações de Clara para me manter sob controle? Eu não sou uma marionete, Leonardo. E eu nunca mais serei. Você e Clara podem ter seu joguinho sujo. Eu estou fora."

Ela desligou o telefone, ignorando os chamados dele. A dor era um nó em sua garganta, mas a raiva a impulsionava. Ela não podia mais se dar ao luxo de ser fraca. Ela precisava se proteger, e isso significava se afastar dele.

Enquanto isso, Clara observava a distância entre Aurora e Leonardo com um prazer perverso. Ela sabia que a instabilidade emocional de Aurora a tornava vulnerável, e era exatamente isso que ela precisava. A estreia estava a apenas alguns dias de distância, e o momento perfeito para sua vingança se aproximava.

Em um movimento astuto, Clara se aproximou do diretor da peça, um homem ambicioso e facilmente influenciável. Ela lhe ofereceu uma quantia considerável em dinheiro e a promessa de apoio financeiro para futuros projetos, em troca de uma pequena "ajuda" em sua noite de estreia. O diretor, cego pela ganância, concordou sem hesitar.

Na noite da estreia, o teatro fervilhava de expectativa. O público, a crítica, os investidores – todos estavam ansiosos para ver a performance de Aurora. Ela, por sua vez, estava nervosa, mas determinada. Ela havia ensaiado incansavelmente, e apesar da dor em seu coração, ela se dedicaria a entregar o seu melhor.

No camarim, momentos antes de subir ao palco, Aurora sentiu um calafrio. Algo estava errado. A atmosfera parecia pesada, carregada de uma tensão que não vinha apenas da pressão da estreia. Seu figurino, um vestido deslumbrante de seda azul-noite, parecia mais pesado do que o normal.

"Aurora, meu amor!", Clara entrou no camarim com um sorriso radiante, um buquê de rosas vermelhas em mãos. "Você está deslumbrante! Tenho tanta certeza de que você vai arrasar esta noite."

Aurora a encarou com desconfiança. A presença de Clara em seu camarim, no dia da estreia, era inesperada e perturbadora. "O que você quer, Clara?", ela perguntou, sua voz firme.

"Ora, eu vim desejar boa sorte à estrela do espetáculo!", Clara respondeu, o sorriso nunca vacilando. Ela se aproximou, colocando o buquê na penteadeira. "Eu sei que as coisas não têm sido fáceis entre nós, mas eu sempre serei sua amiga. E esta noite, quero que você se sinta completamente segura e confiante."

Ela tocou o ombro de Aurora, um gesto que deveria ser de apoio, mas que pareceu carregar uma ameaça latente. "Aproveite o seu momento, querida. É tudo o que você merece."

Aurora sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo nos olhos de Clara, um brilho de malícia que não passava despercebido.

Ao subir ao palco, sob os holofotes quentes, Aurora sentiu o peso do olhar de Leonardo na plateia. Ele estava lá, como sempre, observando-a. Um turbilhão de emoções a atingiu, mas ela tentou focar em sua arte.

A peça começou, e Aurora, inicialmente, brilhou. Sua voz preencheu o teatro, sua atuação era cativante. Mas, à medida que a noite avançava, algo começou a dar errado. Durante uma cena crucial, onde ela precisava de um movimento específico, uma queda calculada, o vestido de seda, que Clara havia "ajustado" sutilmente antes da estreia, começou a ceder. Não era um rasgo pequeno; era uma parte significativa da costura que se soltou, expondo Aurora de uma forma completamente indesejada e humilhante para o público.

Um murmúrio de choque percorreu a plateia. O som de câmeras clicando preencheu o silêncio atordoado. Aurora congelou, o rosto corado de vergonha, sentindo-se completamente exposta. Seus olhos encontraram os de Leonardo, que estava de pé, o rosto pálido de horror.

Do camarote reservado, Clara observava a cena com um sorriso cruel. Seu plano estava se desenrolando com perfeição. A diva estava caindo, e ela, Clara, estava ali para colher os destroços. A vingança, tecida em seda e sombras, começava a se concretizar, prometendo um futuro ainda mais sombrio para Aurora.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%