O Contrato de Diva
Capítulo 19 — O Confronto Ardente e a Aliança Improvável
por Fernanda Ribeiro
Capítulo 19 — O Confronto Ardente e a Aliança Improvável
A notícia do incidente na estreia se espalhou como fogo em palha seca. A mídia, ávida por um escândalo, não poupou Aurora. Manchetes sensacionalistas e artigos cruéis inundaram os jornais e a internet. A diva, antes aclamada, agora era alvo de escárnio e especulação. Aurora se refugiou em seu apartamento, a dor da humilhação se misturando à raiva crescente contra Clara. Ela sabia que precisava enfrentá-la.
Leonardo, fiel à sua promessa, estava ao seu lado. Ele havia acionado sua equipe jurídica para lidar com a enxurrada de notícias negativas e estava em contato com os donos do teatro para descobrir como o incidente havia ocorrido. Ele sentia a fúria de Aurora, e a compartilhava. Clara havia cruzado uma linha, e agora teria que arcar com as consequências.
"Ela pensou que poderia me destruir, Leonardo", Aurora disse, sua voz carregada de uma raiva fria enquanto observava uma matéria particularmente cruel em seu tablet. "Ela achou que, ao me expor assim, eu desmoronaria. Mas ela está enganada."
Leonardo sentou-se ao lado dela no sofá, o braço envolvendo seus ombros em um gesto de apoio. Ele não tentou suavizar a verdade. "Ela usou você, Aurora. Usou a sua paixão pela arte contra você. É o golpe mais baixo que ela poderia dar."
"E eu vou revidar", Aurora declarou, seus olhos brilhando com uma determinação feroz. "Eu não vou permitir que ela se saia impune. Você prometeu me ajudar a lutar, Leonardo. E agora é a hora."
Leonardo assentiu, seu olhar sério. "Eu prometi. E cumprirei. Já estamos investigando o que aconteceu no teatro. Parece que houve uma falha proposital na costura do seu figurino. E eu tenho fortes suspeitas de quem foi o responsável."
"Clara", Aurora disse, sem hesitar. "Só pode ter sido ela."
"Eu também acho", Leonardo concordou. "E vamos provar isso. Mas não é só isso. Clara tem se aproveitado de uma brecha em nosso contrato para tentar minar sua carreira fora do teatro. Ela tem feito ligações, plantado sementes de dúvida sobre sua profissionalismo e sua estabilidade."
Aurora fechou os olhos, a mente trabalhando a mil por hora. Ela sabia que Clara era ardilosa, mas nunca imaginou que ela iria tão longe. A vingança de Clara era meticulosa e cruel.
"Ela quer me arruinar completamente", Aurora sussurrou. "Ela quer me ver na sarjeta."
"E nós não vamos deixar", Leonardo disse com firmeza. Ele a puxou para mais perto. "Eu tenho um plano. Um plano que vai expor Clara e proteger você. Mas preciso da sua total cooperação. E preciso que você esteja pronta para um confronto."
Aurora assentiu, a adrenalina correndo em suas veias. Ela estava pronta.
Naquele mesmo dia, Leonardo marcou um encontro com Clara em seu escritório. Ele sabia que era arriscado, que Clara poderia usar o momento para manipular ainda mais a situação, mas era a única maneira de obter as provas que precisavam. Aurora não foi, pois Leonardo sabia que o confronto direto poderia ser explosivo demais para ela naquele momento.
Clara chegou com sua habitual pose de superioridade, um sorriso condescendente nos lábios. Ela esperava encontrar Leonardo fragilizado, implorando por trégua. Em vez disso, encontrou um homem determinado, com um olhar que não deixava margem para dúvidas.
"Leonardo, que surpresa agradável", Clara disse, seu tom zombeteiro. "Veio me pedir desculpas por ter sido um pouco… impaciente? Sei que a Aurora é muito sensível."
Leonardo a encarou, sem se abalar. "Clara, eu sei o que você fez. Eu sei que você sabotou o figurino de Aurora na noite da estreia. E eu tenho provas."
O sorriso de Clara vacilou por um instante, mas ela rapidamente se recompôs. "Bobagem. Você está delirando. Aurora é uma profissional. E eu sou sua amiga. Como você ousa me acusar de algo assim?"
"Amiga?", Leonardo riu, um som frio e sem humor. "Você é uma víbora, Clara. E suas mentiras estão prestes a ser expostas. Eu tenho testemunhas, tenho registros de suas ligações para o diretor da peça, tenho até mesmo a prova de que você pagou a ele para fazer o 'ajuste' no figurino."
O rosto de Clara empalideceu. Ela sabia que Leonardo não era de fazer ameaças vazias. A frieza em seus olhos era real. "Você não tem nada", ela disse, a voz perdendo um pouco de sua confiança.
"Ah, eu tenho", Leonardo retrucou, um leve sorriso de satisfação em seus lábios. "E assim que eu apresentar isso à mídia e ao conselho, você não será mais do que uma nota de rodapé em sua própria ambição destrutiva. E quanto ao nosso contrato, Clara, ele será desfeito. E você terá que arcar com as consequências financeiras de suas ações."
A raiva tomou conta de Clara. Ela havia subestimado Leonardo, e agora estava em perigo. "Você não pode fazer isso!", ela gritou, a voz embargada de fúria. "Eu sou Clara Vidal! Ninguém pode me tocar!"
"Você está enganada", Leonardo disse calmamente. "Você se intrometeu em um jogo que não era seu, Clara. E agora você vai perder. Aurora é uma mulher forte. E eu estou aqui para garantir que ela recupere tudo o que você tentou tirar dela."
O confronto era intenso, mas Leonardo mantinha a calma, a frieza calculada de alguém que sabia que estava prestes a vencer. Clara, por outro lado, estava em pânico. A perspectiva de ter sua reputação arruinada e seus planos frustrados era insuportável.
Enquanto isso, Aurora, em seu apartamento, aguardava ansiosamente notícias de Leonardo. Ela não sabia exatamente o que ele estava fazendo, mas confiava nele. Ela sabia que ele não a decepcionaria.
No final da tarde, Leonardo retornou, um ar de vitória em seus olhos. Ele contou a Aurora sobre o confronto, sobre como Clara havia quase cedido. "Ela está abalada, Aurora. E nós vamos aproveitar isso. Eu já enviei os documentos para a imprensa e para o conselho. A verdade virá à tona em breve."
Aurora sentiu um alívio imenso. A vingança de Clara estava prestes a se voltar contra ela.
"E quanto a você, Leonardo?", Aurora perguntou, seu olhar avaliador. "Você prometeu me ajudar. E você o fez. Mas ainda há... coisas entre nós. Coisas que eu não sei se posso ignorar."
Leonardo a olhou, a esperança e a apreensão misturadas em seu rosto. "Eu sei. E eu entendo. O que eu fiz foi imperdoável. Mas eu te amo, Aurora. E eu quero ter uma chance de provar isso. De provar que o que sinto por você é real, e que eu estou disposto a lutar por você, por nós."
Ele deu um passo à frente, segurando suas mãos. "Nós enfrentamos Clara juntos. E nós vencemos. Talvez... talvez essa seja a nossa chance de começar de novo. De construir algo verdadeiro, algo em que possamos confiar."
Aurora o olhou, sentindo a sinceridade em suas palavras. O caminho para a cura seria longo, e a confiança, uma vez quebrada, era difícil de restaurar. Mas a aliança improvável que se formou entre eles, nascida da necessidade e do desejo de justiça, parecia ter aberto uma porta. Uma porta para um futuro incerto, mas cheio de possibilidades.
"Eu não sei, Leonardo", ela sussurrou, sua voz ainda carregada de cautela. "Mas... eu estou disposta a tentar. Juntos."
Naquele momento, sob o olhar atento um do outro, uma nova esperança nasceu. A sombra de Clara pairava, mas a luz da justiça e do amor, recém-descoberta, começava a brilhar mais forte.