Cap. 21 / 21

O Contrato de Diva

Com certeza! Prepare-se para mergulhar nas emoções intensas de "O Contrato de Diva". Aqui estão os capítulos que você solicitou, escritos com a paixão e o drama que só o Brasil sabe oferecer.

por Fernanda Ribeiro

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Capítulo 21 — O Peso da Coroa e o Sussurro da Dúvida

O sol da manhã tentava, sem sucesso, dissipar a névoa densa que pairava sobre o coração de Isabella. O casarão em São Conrado, antes um refúgio de luxo e sonhos, agora parecia um mausoléu de promessas quebradas. O contrato, aquela peça de papel que outrora representara a esperança de um futuro digno para sua família, agora pesava em sua alma como um fardo insuportável. Dormir fora de questão. Cada vez que fechava os olhos, a imagem de Leonardo, o olhar de traição em seus olhos penetrantes, a revirava. E a voz de sua mãe, fraca, mas carregada de uma dor que a consumia, ecoava em sua mente: "Isabella, minha filha, faça o que for preciso. Salve sua mãe."

Ela se levantou e caminhou até a varanda, o mármore frio sob seus pés descalços. O Rio de Janeiro se desdobrava diante dela, um espetáculo de tirar o fôlego, mas naquela manhã, a beleza da paisagem parecia zombar de sua própria desgraça. A brisa marinha, em vez de trazer alívio, parecia um sopro gélido que acariciava sua pele, lembrando-a da fragilidade de sua situação.

A lembrança do beijo de Leonardo, tão intenso e inesperado, a atingiu como um choque elétrico. Era real? Ou apenas uma tática cruel para mantê-la sob seu controle? A dúvida a corroía. Ele, o homem que a humilhara publicamente, que a negara em seu momento mais vulnerável, era agora o único que podia estender a mão. O ironia era cruel. Ela se sentia como uma marionete, cujos fios eram puxados por mãos invisíveis, em uma dança macabra orquestrada por um destino implacável.

No andar de baixo, o burburinho dos empregados já começava. O cheiro de café fresco pairava no ar, um aroma reconfortante que Isabella não conseguia apreciar. Ela precisava de um plano. Não podia se dar ao luxo de sucumbir ao desespero. A força que a impulsionara a enfrentar Leonardo no evento de gala, a coragem que a fizera proferir aquelas palavras de desafio, ainda residiam em algum lugar dentro dela. Precisava encontrá-la.

Desceu as escadas, seus passos ecoando no silêncio da casa. Na sala de estar, o sol da manhã invadia o ambiente, iluminando os móveis caros e as obras de arte que testemunhavam a riqueza da família de seu pai. A solidão a envolvia. Seus pais, suas únicas âncoras, estavam distantes, um em um hospital particular sob os cuidados de médicos caros, o outro, Leonardo, a fonte de sua própria angústia.

A porta da cozinha se abriu e Dona Lurdes, a governanta leal de sua família há décadas, surgiu com um sorriso gentil, mas carregado de preocupação.

"Bom dia, minha menina. Durmiu bem?", perguntou, seus olhos experientes perscrutando o rosto pálido de Isabella.

Isabella forçou um sorriso. "Bom dia, Dona Lurdes. Como sempre, você cuida de tudo." Ela tentou soar natural, mas a voz falhou um pouco.

"Tome seu café, querida. Trouxe um pão de queijo fresquinho, como você gosta." Dona Lurdes depositou uma bandeja com café e quitutes na mesinha de centro.

Isabella sentou-se, mas a fome a abandonara. Pegou a xícara de café quente, o aroma reconfortante lutando contra o nó em sua garganta. "Dona Lurdes, o Dr. Souza ligou hoje de manhã?"

A governanta suspirou, o rosto franzindo em preocupação. "Ligou. A situação da sua mãe ainda é delicada, Isabella. O tratamento é caro, muito caro. E o hospital não quer... não quer esperar mais. Eles exigem o pagamento de todas as despesas pendentes. Em dez dias, no máximo."

Dez dias. O prazo apertava como um torniquete em seu peito. Dez dias para encontrar uma fortuna que ela não possuía, para pagar a dívida que não era sua, para salvar a vida que mais amava.

"E o meu pai?", perguntou Isabella, a voz embargada.

"Ele está mais calmo hoje. Mas ainda fraco. O Dr. Souza disse que ele precisa de repouso absoluto. E que a notícia da situação financeira... bem, ele ainda não pode saber de tudo. Para não piorar o estado dele."

Isabella fechou os olhos, uma onda de impotência a varrendo. Presa entre o dever para com sua mãe e a proteção a seu pai. E no centro de tudo, Leonardo.

Ela se levantou de repente, a xícara de café quase caindo de suas mãos trêmulas. "Dona Lurdes, preciso ir à cidade. Tenho assuntos urgentes a resolver."

"Mas, menina, você mal dormiu. E se o Dr. Souza ligar de novo?"

"Eu darei um jeito. Me chame um táxi, por favor." Isabella já se dirigia para a porta, determinada.

"Para onde, minha menina?"

Isabella parou, olhou para trás, seus olhos fixos nos de Dona Lurdes. Havia uma resolução feroz em seu olhar. "Para o lugar onde as decisões mais difíceis são tomadas. Para a Torre da Fortuna. Para o escritório de Leonardo."

O nome pairou no ar, carregado de uma tensão palpável. Dona Lurdes balançou a cabeça, resignada. "Que Deus a proteja, Isabella. Ele não é um homem fácil."

"Eu sei", respondeu Isabella, sua voz um sussurro rouco. "Mas ele é a minha única chance."

O táxi a levou pelas ruas movimentadas do Rio, cada quilômetro percorrido aumentando a apreensão em seu peito. A Torre da Fortuna, um arranha-céu imponente que dominava a paisagem urbana, parecia um predador prestes a engoli-la. Ela desembarcou, a dignidade tentando mascarar o medo que a consumia.

Ao chegar à recepção, a recepcionista, uma mulher impecavelmente vestida, a olhou com um ar de superioridade. "Posso ajudar?"

"Eu sou Isabella Vasconcelos. Preciso falar com o Dr. Leonardo de Alencar. É uma questão de extrema urgência."

A recepcionista digitou algo em seu computador, um leve franzir de testa indicando que a visita não estava agendada. "O Dr. de Alencar está em reunião. E não tem horários disponíveis hoje."

"Por favor", Isabella implorou, a voz um fio. "É uma questão pessoal e de vida ou morte. Por favor, diga a ele que sou eu."

A recepcionista hesitou, percebendo a urgência e o desespero nos olhos de Isabella. Ela pegou o telefone. "Um momento, por favor."

Após alguns minutos tensos, ela desligou. "Ele vai recebê-la. No escritório. Terceiro andar."

O elevador subiu em um silêncio opressor. Cada andar que passava parecia levá-la para mais perto de um precipício. Ao sair, foi recebida por um assistente que a conduziu por um corredor luxuoso até uma porta imponente.

Leonardo estava lá, em seu escritório espaçoso, a vista da cidade de tirar o fôlego. Ele parecia ainda mais imponente em seu terno impecável, a aura de poder irradiando dele. Ele a observou cruzar a sala, seus olhos escuros analisando-a com uma intensidade que a fez se sentir exposta.

"Isabella", ele disse, a voz grave e controlada. "Que surpresa desagradável. Pensei que tivéssemos deixado os nossos 'assuntos urgentes' para trás."

Ela o ignorou, parando a uma distância respeitosa. O beijo da noite anterior ecoava em sua memória, uma contradição cruel para as palavras frias que ele proferia agora.

"Leonardo, eu preciso da sua ajuda."

Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "A ajuda de quem você tentou destruir? A ajuda de quem você humilhou? Que audácia a sua, Isabella."

"Eu não vim para discutir o passado", ela disse, tentando manter a voz firme. "Minha mãe está muito doente. O hospital… eles precisam de um pagamento. Uma quantia muito alta. Em dez dias."

Ele cruzou os braços, a expressão indecifrável. "E você acha que eu, o homem que você atacou sem piedade, vou estender a mão para salvá-la?"

"Eu sei que você tem o poder de fazer isso. Você pode. E eu... eu estou disposta a fazer qualquer coisa." A última frase escapou antes que ela pudesse contê-la, carregada de um desespero que a assustou.

Leonardo se levantou, caminhando lentamente em sua direção. Cada passo dele era um golpe no coração de Isabella. Ele parou a poucos centímetros dela, seu olhar fixo no dela.

"Qualquer coisa, Isabella? Você realmente quer ir por esse caminho de novo?"

O ar ficou denso, carregado de uma eletricidade perigosa. O contrato, a dívida, a doença de sua mãe… tudo se misturava em um turbilhão de desespero e uma fagulha de esperança que ela se recusava a apagar. Ele era seu algoz, mas também sua única salvação. A luta interna de Isabella atingiu um novo pico, o peso da coroa de sua família, agora esmagadoramente pesado, a empurrando para o abismo.

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