O Contrato de Diva
Capítulo 22 — O Preço da Salvação e o Jogo das Sombras
por Fernanda Ribeiro
Capítulo 22 — O Preço da Salvação e o Jogo das Sombras
Leonardo a observou, um sorriso lento e perigoso se formando em seus lábios. A vulnerabilidade de Isabella era palpável, um contraste gritante com a mulher altiva que ele conhecera e que tentara destruí-lo. A oferta de "qualquer coisa" que escapou dela foi como um convite para um jogo que ele conhecia bem, um jogo de poder, sedução e, acima de tudo, de controle.
"Qualquer coisa, Isabella?", ele repetiu, sua voz um sussurro grave que a fez estremecer. Ele se aproximou mais, o perfume amadeirado dele a envolvendo. "Você tem certeza do que está dizendo? Lembre-se do nosso último acordo. Os termos foram claros, e você os quebrou."
Isabella engoliu em seco, o orgulho lutando contra a necessidade desesperada. "Eu sei que errei. Fui impetuosa. Mas minha mãe… a vida dela está em jogo, Leonardo. E meu pai… ele não pode saber de nada disso. Ele ficaria devastado." A menção de seus pais, a fragilidade deles, era a sua arma mais poderosa.
Leonardo se afastou, andando até a janela panorâmica. Seus ombros tensos indicavam a batalha interna que ele travava. Ele sabia que podia ajudá-la. Tinha os recursos, o poder. Mas a ideia de ceder tão facilmente à mulher que o traiu, que o humilhou… isso feria seu ego. No entanto, a imagem de Isabella em agonia, o desespero em seus olhos, atiçava algo nele, uma mistura de raiva e um desejo perverso de possuí-la completamente.
"Você me causou muitos problemas, Isabella", ele disse, a voz baixa, voltada para a cidade que se estendia lá embaixo. "Eu perdi um contrato importante por sua causa. Minha reputação foi manchada. Você acha que um pedido de desculpas sincero apaga isso?"
"Eu sei que você está ferido", Isabella respondeu, a voz embargada pela emoção. "E eu sinto muito. Mas a minha mãe não tem culpa de nada. Ela é inocente nessa história. Se você puder me ajudar, eu serei eternamente grata. E farei o que você quiser."
O silêncio se estendeu, pesado e carregado de expectativas. Isabella sentiu o suor frio escorrer em suas costas. Ela estava jogando um jogo perigoso, mas não tinha outra escolha. Leonardo era um homem de negócios implacável, acostumado a obter o que queria, a qualquer custo. E ela, naquele momento, era um prêmio tentador.
Finalmente, Leonardo se virou. Seu olhar era penetrante, calculista. "Muito bem, Isabella. Você sempre foi boa em barganhar, não é? Mesmo quando suas barganhas se voltavam contra você." Ele caminhou de volta para sua mesa, sentou-se e pegou uma caneta. "Eu vou cobrir todas as despesas médicas da sua mãe. Pagarei as dívidas pendentes do hospital. Garantirei que seu pai tenha o melhor tratamento, sem que ele precise saber de nada."
Um sopro de alívio escapou dos lábios de Isabella, mas ela sabia que não havia terminado. O sorriso de Leonardo se alargou, um predador satisfeito com sua presa.
"Mas, em troca", ele continuou, batendo a caneta na mesa, "você me dará algo. Algo que valha o meu tempo e o meu risco."
Isabella apertou as mãos. "O quê? O que você quer, Leonardo?"
Ele a encarou, seus olhos escuros faiscando. "Você quer saber o que eu quero? Eu quero o controle. Quero ter certeza de que você nunca mais será uma ameaça para mim. Quero que você esteja em dívida comigo. Completamente."
Ele se levantou e contornou a mesa, parando bem na frente dela. Sua voz baixou, tornando-se perigosamente íntima. "Eu quero que você trabalhe para mim. Não como uma funcionária comum. Mas como minha assistente pessoal. Alguém que esteja ao meu lado, me acompanhando em viagens, eventos. Alguém que esteja sob o meu olhar constante."
Isabella arregalou os olhos. Trabalhar para ele? Ser sua sombra? A ideia era aterradora. "Mas… eu não tenho experiência para isso. E você sabe que eu não sou… eu não sou o tipo de pessoa que se encaixa nesse mundo."
"Ah, você se encaixa", Leonardo disse, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. "Você tem inteligência, determinação. E, mais importante, você me deve. Uma dívida que você não poderá pagar facilmente. E eu vou garantir que você se lembre disso todos os dias."
Ele estendeu a mão, segurando um contrato. Não era o contrato original, mas outro. "Este é o meu contrato. Você trabalhará para mim por um ano. Sem salário. Seu único sustento será o que eu decidir lhe dar. Você me acompanhará em todas as minhas reuniões importantes. Você será a minha face pública em eventos que eu não queira comparecer. E, nos momentos em que eu decidir que sua presença é necessária… você estará lá. Para mim."
Isabella olhou para o contrato, sentindo o peso de cada palavra. Um ano. Sem salário. Submissão total. Era uma forma diferente de escravidão, mas era a única maneira de salvar sua mãe.
"E se eu me recusar?", ela perguntou, a voz quase inaudível.
Leonardo deu de ombros, um gesto de indiferença que a gelou. "Bem, então sua mãe… terá que lidar com as consequências. E seu pai… talvez ele precise saber da verdade sobre o quanto você o decepcionou."
As palavras de Leonardo eram como facas afiadas perfurando seu coração. Ele estava usando seus piores medos contra ela. A dor em seus olhos não passou despercebida por ele.
"Você tem até o final do dia para decidir, Isabella", ele disse, sua voz adquirindo um tom final. "Pense bem. Sua mãe é mais importante do que o seu orgulho, não é?"
Isabella sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos, mas se recusou a chorar na frente dele. Ela olhou para o contrato, para a letra miúda que selaria seu destino pelos próximos doze meses. A ironia era cruel. Ela lutou tanto para escapar dele, e agora estava se entregando de volta, de uma forma ainda mais profunda.
"Eu aceito", ela disse, a voz firme apesar do tremor interior. "Eu aceito o seu contrato."
Um brilho de triunfo nos olhos de Leonardo. Ele empurrou o contrato para ela. "Assine aqui. E saiba que você acabou de entrar em um jogo muito mais perigoso do que imagina, Isabella. Um jogo onde as regras são minhas, e a única forma de sobreviver é jogando como eu mandar."
Com as mãos trêmulas, Isabella pegou a caneta. Ela assinou o nome, cada letra um lamento silencioso. Ao entregar o contrato de volta, seus olhos encontraram os de Leonardo. Havia um fogo perigoso neles, uma promessa de controle e possessividade que a assustou, mas que também, de forma perturbadora, a fez sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo.
"Agora", Leonardo disse, com um sorriso que não trazia nada de bom, "vá para casa. Descanse. Amanhã, nosso novo acordo começa. E eu estarei esperando."
Isabella saiu do escritório de Leonardo, sentindo-se vazia e esgotada. A cidade, que antes parecia um espetáculo, agora era apenas um pano de fundo sombrio para o seu desespero. Ela havia salvado sua mãe, mas a que custo? Estava presa em uma teia de sombras, sendo governada pelo homem que ela mais temia e, de uma forma assustadora, pelo qual se sentia atraída. O jogo havia começado, e Isabella sabia que seria uma batalha pela sua alma.