Cap. 23 / 21

O Contrato de Diva

Capítulo 23 — O Despertar da Diva e o Eco do Passado

por Fernanda Ribeiro

Capítulo 23 — O Despertar da Diva e o Eco do Passado

A mansão em São Conrado parecia ainda mais sombria e silenciosa para Isabella após a visita à Torre da Fortuna. Ela se sentia como um fantasma em sua própria casa, assombrada pela sombra de Leonardo e pela fragilidade de sua família. A assinatura do novo contrato pesava em sua alma como um ferro em brasa. Um ano de submissão, de estar sob o olhar constante dele, de ser sua "faz-tudo". A ideia a consumia, mas o alívio por saber que sua mãe estava segura e que seu pai não seria confrontado com a verdade era um bálsamo para as feridas abertas.

Ela se refugiou em seu quarto, a luz do crepúsculo pintando o céu de tons alaranjados e púrpuras. O reflexo no espelho a encarava: uma mulher pálida, com olheiras profundas, os olhos carregados de uma mistura de exaustão e uma determinação recém-descoberta. Ela não seria apenas a "assistente" de Leonardo. Ela seria mais. Ela encontraria uma maneira de virar o jogo.

No dia seguinte, o sol nasceu com uma promessa de recomeço, mas para Isabella, era apenas o início de uma nova e árdua jornada. O café da manhã foi um ritual solitário. Dona Lurdes tentava animá-la, mas a governanta também sentia a tensão que pairava no ar.

"Você vai ficar bem, minha menina", Dona Lurdes disse, colocando uma mão reconfortante no ombro de Isabella. "Você é forte."

Isabella sorriu, um sorriso fraco. "Obrigada, Dona Lurdes. Por tudo."

Ela vestiu um tailleur discreto, mas elegante, um esforço consciente para projetar uma imagem de profissionalismo, mesmo que por dentro estivesse em pedaços. Seu celular vibrou. Era uma mensagem de Leonardo: "10h. Meu escritório. Esteja pontual. Traga a cópia assinada do contrato."

O caminho para a Torre da Fortuna foi mais tenso do que da primeira vez. Cada quilômetro percorrido parecia um passo em direção a um destino incerto. A recepcionista a olhou com uma familiaridade calculada. "O Dr. de Alencar está esperando a senhora."

O escritório de Leonardo era o mesmo, mas agora a atmosfera era diferente. Havia uma sensação de propriedade, de domínio. Leonardo estava atrás de sua mesa, o olhar fixo nos papéis. Ele não a saudou de imediato, permitindo que o silêncio se instalasse, uma tática para impor sua autoridade.

"A cópia do contrato", ele disse finalmente, sem levantar os olhos.

Isabella entregou o documento, sentindo um arrepio quando seus dedos roçaram os dele. Ele pegou o contrato, analisando-o com um olhar satisfeito.

"Ótimo", ele murmurou. "Agora, vamos aos seus deveres. Sua primeira tarefa será me acompanhar em uma viagem de negócios a Nova York. Partimos amanhã de manhã. Você terá que estar pronta. Malas feitas, agenda organizada. Eu não tolero atrasos ou desorganização."

Isabella ficou chocada. Nova York? Tão rápido? "Mas… eu não tenho passaporte para a viagem. E minhas roupas… eu não tenho trajes adequados para uma viagem internacional de negócios."

Leonardo sorriu, um brilho de diversão em seus olhos. "Não se preocupe com isso. Sua identidade é secreta, para o mundo exterior. Você será minha 'assistente pessoal', lembra? Eu cuidarei de tudo. Você terá um cartão de crédito corporativo. Use-o com sabedoria. E quanto às suas roupas… a empresa providenciará um guarda-roupa digno do meu braço direito."

A ideia de ter suas despesas cobertas era tentadora, mas a perspectiva de estar sob o olhar constante de Leonardo, em uma cidade estrangeira, era assustadora. No entanto, ela não tinha escolha.

"Entendido", ela disse, a voz firme.

"Excelente", ele respondeu. "Agora, sente-se. Temos muito a discutir. E quero que você comece a se familiarizar com a minha rotina, com os meus negócios. Quero que você seja os meus olhos e ouvidos. Que antecipe as minhas necessidades."

As horas seguintes foram um turbilhão de informações. Leonardo a instruiu sobre seus principais concorrentes, sobre os detalhes de seus negócios, sobre as pessoas importantes em sua vida profissional. Ele falava com paixão, com um conhecimento profundo que a fascinava, apesar de sua aversão por ele. Ela observava cada movimento, cada palavra, absorvendo tudo como uma esponja.

Em um momento, ele a pegou olhando para ele. "O que foi, Isabella? Impressionada com o meu império?"

Ela desviou o olhar. "Apenas tentando entender."

"Você precisa fazer mais do que entender, Isabella. Você precisa dominar. Quero que você me surpreenda." Ele se levantou e caminhou até ela, parando muito perto. A proximidade era desconcertante. "E eu sei que você é capaz disso. Você é uma Vasconcelos. A astúcia corre em seu sangue."

Ele tocou seu rosto, um toque leve, mas que a fez prender a respiração. "Não me decepcione, Isabella. Porque se você o fizer, as consequências serão… severas."

Quando Isabella saiu do escritório de Leonardo, o sol já se punha. Ela se sentia exausta, mas também estranhamente energizada. Havia uma faísca de desafio dentro dela. Ela não seria apenas uma ferramenta em suas mãos. Ela aprenderia, cresceria e, eventualmente, encontraria uma maneira de se libertar.

De volta à mansão, ela começou a arrumar suas malas, decidida a se apresentar em Nova York da melhor forma possível. Enquanto dobrada uma blusa de seda, um pequeno objeto caiu de uma das gavetas de seu antigo armário: uma foto antiga, desbotada, dela criança, ao lado de sua mãe, ambas sorrindo radiantemente. Uma onda de nostalgia e tristeza a atingiu. Ela se lembrou de sua infância, antes de todas as complicações, antes da dívida, antes de Leonardo.

Ela pegou o porta-retrato, o vidro levemente rachado. Naquela foto, ela era a menina que sonhava em ser cantora, em encantar o mundo com sua voz. A Diva, como sua mãe a chamava. Onde estava essa Diva agora? Sufocada pela necessidade, pela traição, pela promessa de um futuro incerto.

Uma lágrima solitária rolou por seu rosto, mas ela a enxugou rapidamente. A Diva ainda estava ali, adormecida, esperando o momento certo para despertar. E talvez, apenas talvez, esse momento fosse agora. Em Nova York, longe de tudo que a prendia, ela teria a chance de se reencontrar.

Ela se levantou, decidida. Pegou o porta-retrato e o colocou com cuidado em sua mala. Um lembrete do que ela era e do que precisava recuperar.

Na manhã seguinte, o carro oficial de Leonardo a esperava. Ela entrou, sentindo o cheiro sutil do luxo. O motorista, um homem reservado, a levou para o aeroporto. O voo para Nova York seria longo, mas Isabella se sentiu estranhamente preparada. Ela sabia que estava entrando em um território desconhecido, mas pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma ponta de esperança. A esperança de que, no meio da escuridão, ela pudesse encontrar sua própria luz. E talvez, apenas talvez, sua voz.

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