O Contrato de Diva

Capítulo 3 — Sombras do Passado

por Fernanda Ribeiro

Capítulo 3 — Sombras do Passado

Os dias que se seguiram à proposta de Arthur Montenegro foram um borrão de ansiedade e ponderação para Isabela. Ela passou horas estudando o contrato, sentindo o peso de cada cláusula, imaginando as implicações de se vincular àquele homem. A editora, sua paixão, seu refúgio, estava nas mãos de um titã que parecia jogar com a vida das pessoas como se fossem meras peças em um tabuleiro de xadrez.

Finalmente, após longas noites de insônia e conversas torturantes consigo mesma, ela tomou sua decisão. A imagem de sua editora fechando as portas, de seus autores desamparados, a impulsionou. Ela não podia desistir. Não agora.

Na manhã seguinte, ela ligou para o escritório de Arthur. Miguel atendeu, sua voz fria e eficiente como sempre.

"Miguel, aqui é Isabela Vasconcelos. Eu gostaria de agendar um horário com o senhor Montenegro para entregar minha resposta sobre o contrato."

Houve uma breve pausa, quase imperceptível. "Um momento, senhorita Vasconcelos."

Alguns segundos depois, Miguel retornou. "O senhor Montenegro a receberá em sua sala. Agora mesmo."

O coração de Isabela disparou. Ela não esperava que fosse tão rápido. Vestiu seu melhor vestido, um tailleur azul-escuro que a fazia sentir-se profissional e confiante, pegou a bolsa com o contrato assinado e dirigiu-se ao imponente prédio da Montenegro Corp.

Ao chegar à recepção, foi imediatamente conduzida ao elevador privativo que a levou diretamente ao andar de Arthur. A sala dele, como sempre, era um santuário de poder e controle. Arthur estava de pé, de costas para ela, observando a cidade pela janela. A luz do sol da manhã banhava seu corpo esguio, realçando a imponência de sua figura.

"Senhorita Vasconcelos", disse ele, sem se virar. Sua voz era calma, mas carregada de uma expectativa palpável. "Vejo que veio com sua resposta."

Isabela sentiu um misto de nervosismo e determinação. Ela não era mais a garota assustada do leilão. Ela estava ali para fazer um acordo, um negócio.

"Sim, senhor Montenegro", respondeu ela, aproximando-se da mesa. "Eu aceitei o seu contrato."

Arthur se virou então, um leve sorriso de canto de boca. Ele parecia satisfeito. Seus olhos escuros a percorreram, analisando sua postura, seu semblante.

"Excelente", disse ele, com um tom que beirava a aprovação. "Eu sabia que você era inteligente o suficiente para reconhecer uma oportunidade quando ela se apresenta. E você, senhorita Vasconcelos, é uma oportunidade."

Ele fez um gesto em direção à cadeira à sua frente. "Sente-se. Miguel já preparou os próximos passos. A partir de hoje, sua vida mudará drasticamente."

Isabela sentou-se, sentindo um calafrio. O contrato parecia ainda mais pesado em sua bolsa. "Eu entendo. Eu me dedicarei aos seus projetos, e a minha editora terá o suporte necessário."

"Exatamente", confirmou Arthur, sentando-se em sua cadeira. "Mas não se trata apenas de trabalho, senhorita Vasconcelos. Trata-se de uma troca. Você me dará algo que eu não tenho. E eu lhe darei algo que você precisa desesperadamente."

Ele fez uma pausa, seus olhos fixos nos dela. "Você disse que minha história era complexa. E é. Uma história repleta de vitórias, sim, mas também de perdas. E de solidão."

Isabela o ouvia atentamente. Havia uma vulnerabilidade em sua voz que a surpreendeu. Era a primeira vez que ele demonstrava algo além de sua fachada fria e calculista.

"Depois do meu divórcio...", ele continuou, a voz ligeiramente tensa, "...meu mundo se tornou ainda mais... controlado. Eu preciso de alguém que me desafie, que me tire da minha zona de conforto. Alguém que me lembre que existem outras histórias além das que se escrevem nos relatórios financeiros."

Ele se inclinou para frente, seus olhos escuros transmitindo uma intensidade que a fez prender a respiração. "E você, senhorita Vasconcelos, parece ser essa pessoa. Você tem uma paixão pela vida, uma resiliência que eu admiro. E eu quero ver até onde essa paixão pode levá-la. Com a minha ajuda, é claro."

Isabela sentiu uma mistura de apreensão e fascínio. Era como se estivesse caminhando em um campo minado, cada passo cuidadosamente calculado.

"Eu farei o meu melhor, senhor Montenegro", disse ela, a voz firme. "Para honrar a minha parte do acordo."

Arthur sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. "Eu não tenho dúvidas disso. E para que você comece a entender o meu mundo, e para que eu possa conhecer melhor o seu, sugiro que você passe algum tempo aqui, na Montenegro Corp. Aprenda como as coisas funcionam. E, quem sabe, deixe que eu aprenda um pouco sobre você também."

Nos dias seguintes, Isabela foi introduzida ao universo de Arthur Montenegro. Ela tinha seu próprio escritório na Montenegro Corp, um espaço elegante, mas funcional, que a servia como base de operações. Miguel a instruiu sobre os procedimentos da empresa, as pessoas-chave com quem ela deveria interagir, e os projetos especiais em que trabalharia.

Ela se viu envolvida em decisões estratégicas, em análises de mercado, em reuniões com executivos que a olhavam com uma mistura de curiosidade e desconfiança. Arthur a supervisionava de perto, mas de uma forma sutil, como um mestre que ensina o aprendiz sem revelar todos os seus truques. Ele a desafiava, a pressionava, mas também a elogiava quando ela se destacava.

Um dia, durante uma reunião sobre um novo projeto de investimento em arte, Arthur fez uma pausa e olhou para Isabela. "Você tem um olho para detalhes que eu não esperava", disse ele, com um leve tom de surpresa. "Como você sabia que aquele artista emergente era um bom investimento?"

Isabela sentiu um leve rubor. "Eu... eu conhecia o trabalho dele. E a história dele. Ele passou por muitas dificuldades para chegar até aqui."

Arthur a encarou por um momento, seus olhos escuros penetrando a alma dela. "Histórias", murmurou ele, quase para si mesmo. "Sempre as histórias."

Ele se aproximou dela, e por um instante, Isabela pensou que ele fosse tocá-la. Mas ele apenas parou a centímetros de distância, o aroma amadeirado de sua colônia a envolvendo.

"Sua editora, senhorita Vasconcelos, está prosperando", disse ele, mudando de assunto abruptamente. "O investimento inicial que fiz já está começando a gerar frutos. Tenho certeza de que em breve você estará lançando best-sellers."

Isabela sentiu um misto de alívio e apreensão. Era bom saber que sua editora estava segura, mas a proximidade de Arthur, a intensidade de seu olhar, a deixavam desconcertada.

"Obrigada, senhor Montenegro. Eu estou trabalhando muito para isso."

"Eu sei que está", respondeu ele, um brilho enigmático em seus olhos. "E eu estou gostando de ver."

No entanto, por baixo de toda a fachada de sucesso e profissionalismo, sombras do passado de Arthur Montenegro começaram a se revelar. Conversas com Miguel, relatórios que ela encontrava em sua mesa, e até mesmo os olhares curiosos e cautelosos dos funcionários mais antigos da Montenegro Corp, pintavam um quadro complexo do homem por trás do império.

Um dia, ela o ouviu em uma ligação telefônica tensa, sua voz dura e implacável enquanto discutia um acordo de aquisição. Ela sentiu um arrepio. Aquele era o Arthur Montenegro que o mundo conhecia: o predador implacável. E ela, de alguma forma, havia se tornado parte de seu mundo.

Em outra ocasião, enquanto revisava alguns documentos antigos, ela encontrou menções a uma fundação de arte que Arthur havia criado anos atrás, mas que parecia ter sido desativada. Havia uma referência a uma artista específica, uma jovem promissora que havia desaparecido misteriosamente na época. O nome da artista a intrigou. Era um nome que ela já ouvira antes, mas não conseguia se lembrar de onde.

Uma noite, enquanto trabalhava tarde em seu escritório, Arthur entrou sem avisar. Ele a encontrou debruçada sobre alguns papéis, a testa franzida em concentração.

"Ainda trabalhando, senhorita Vasconcelos?", perguntou ele, sua voz suave, mas penetrante.

Isabela se assustou um pouco. "Senhor Montenegro. Sim, estou revisando alguns relatórios para o projeto X."

Arthur se aproximou, olhando por cima do ombro dela. "Você se dedica demais. É importante saber quando parar."

"Eu só quero garantir que tudo esteja perfeito", respondeu ela.

Arthur a olhou nos olhos, e por um instante, a fachada de empresário implacável se desfez, revelando uma vulnerabilidade fugaz. "Perfeição é uma ilusão, senhorita Vasconcelos. O que importa é a jornada. E as histórias que criamos ao longo dela."

Ele fez uma pausa, seu olhar fixo no dela. "Você já se perguntou por que eu aceitei investir na sua editora? Por que eu propus este contrato?"

Isabela sentiu um nó na garganta. Ela sabia que havia mais do que apenas negócios envolvidos. "Eu imaginei que você visse potencial nela. E talvez em mim."

Arthur deu um passo à frente, e Isabela sentiu seu coração acelerar. O ar na sala pareceu ficar mais denso, carregado de uma tensão que não era apenas profissional.

"Potencial, sim", disse ele, sua voz baixa e rouca. "Mas também... algo mais. Algo que me lembra de alguém. Alguém que eu conheci há muito tempo. Alguém que também acreditava no poder das histórias."

Ele a olhou intensamente, e Isabela sentiu que estava prestes a desvendar um segredo, uma peça fundamental do passado de Arthur Montenegro. A história que ele carregava, e que de alguma forma, a conectava a ele, estava prestes a vir à tona.

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