O Preço do Amor de Luxo

O Preço do Amor de Luxo

por Larissa Gomes

O Preço do Amor de Luxo

Autor: Larissa Gomes

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Capítulo 1 — O Brilho Frio do Diamante

O ar de São Paulo, naquela noite, parecia carregado de uma eletricidade que nada tinha a ver com o clima. Era a energia palpável de uma cidade que pulsava sob as luzes de néon, um palco para os sonhos mais audaciosos e as ambições mais sombrias. E no topo de um dos arranha-céus mais imponentes da Avenida Paulista, onde o luxo se confundia com o poder, estava ele: Eduardo de Almeida Vasconcelos.

Seus olhos, de um azul gélido que desafiava o calor tropical da cidade, percorriam a paisagem urbana com a mesma intensidade com que analisava um balanço financeiro. Cada arranha-céu, cada facho de luz, parecia um mero detalhe em seu império. Ele não via apenas prédios; via investimentos, poder, controle. Aos trinta e cinco anos, Eduardo era a personificação do sucesso. Seu nome era sinônimo de eficiência implacável, de negócios fechados com a precisão de um bisturi e de um patrimônio que se contava em bilhões. A empresa de seu pai, a Vasconcelos Holdings, florescera sob sua gestão, expandindo-se para além das fronteiras brasileiras, tornando-se um titã no mercado financeiro global.

Naquela noite, porém, o brilho frio do seu apartamento duplex penthouse não era capaz de aquecer o vazio que ele teimava em ignorar. A sala, com seus móveis assinados, obras de arte contemporânea e uma vista panorâmica de tirar o fôlego, parecia um cenário montado para um homem que já tinha tudo. Tudo, exceto a calmaria que parecia ser o privilégio dos menos afortunados.

Um copo de uísque caro repousava em sua mão, o gelo tilintando suavemente. Ele não o bebia por sede, mas por um ritual, um gesto que, de alguma forma, o ancorava em meio ao turbilhão de sua existência. Seu telefone tocou, um som discreto que, no entanto, cortou o silêncio pesado. Era a sua secretária executiva, sempre eficiente, sempre impecável.

"Senhor Vasconcelos, o jantar no 'Le Ciel' está confirmado para as oito horas. Senhorita Sofia Bittencourt já está a caminho."

Eduardo suspirou, um som quase inaudível. Sofia Bittencourt. A herdeira de uma das mais tradicionais famílias do ramo imobiliário. Um casamento arranjado, cuidadosamente orquestrado por sua mãe, Dona Helena Vasconcelos, uma senhora de fibra, que via na união de Eduardo com Sofia a consolidação de dois impérios. Era a jogada perfeita para o status social e para os negócios. E Eduardo, um homem que sempre fez o que era esperado dele, não via motivos para questionar a ordem.

"Entendido, Clara. Agradeço."

Ele desligou, o olhar perdido no horizonte iluminado. Sofia era bonita, inteligente, educada nos melhores colégios e falava fluentemente três idiomas. Era a noiva perfeita, a esposa ideal. E, no entanto, a ideia de passar o resto de sua vida com ela, em um casamento sem paixão, apenas por conveniência e legado, lhe causava uma estranha melancolia.

Naquele mesmo instante, a quilômetros dali, em um bairro que ainda lutava para se livrar das marcas da simplicidade, Aurora Menezes se olhava no espelho desgastado de seu pequeno apartamento. O vestido que ela vestia, um tom azul-celeste simples, mas elegante, era o seu melhor, o que ela guardava para ocasiões especiais. E naquela noite, a ocasião era a festa de aniversário de sua amiga, Camila.

Seus cabelos castanhos, que ela havia tentado domar em um coque elegante, teimavam em escapar, emoldurando um rosto de traços delicados, mas que emanava uma força silenciosa. Os olhos verdes, profundos e expressivos, carregavam uma mistura de esperança e uma sombra de resignação. Aurora trabalhava como designer gráfica em uma agência de publicidade de médio porte. Amava seu trabalho, a capacidade de dar vida a ideias com cores e formas, mas o salário mal cobria suas despesas e as de sua mãe, que sofria de uma doença crônica.

"Aurora, você está linda!", a voz de Camila ecoou do outro lado da porta, um misto de animação e impaciência.

Aurora sorriu para seu reflexo. "Chego em um minuto, amiga!"

Ela pegou a pequena bolsa, certificando-se de que sua carteira estava no lugar. Os saltos altos, um presente de sua amiga, apertavam um pouco, mas ela os usava com a graciosidade de quem estava acostumada a superar pequenos desconfortos. A vida de Aurora não era feita de luxo, mas de resiliência, de pequenos prazeres conquistados com esforço e de um amor incondicional por sua família.

O caminho até a festa, em um táxi lotado, foi um lembrete constante da vida que ela levava. O trânsito caótico, as buzinas impacientes, as luzes que refletiam nas poças de água da chuva que caíra mais cedo. Mas quando ela desceu do carro, o burburinho da música e as risadas de Camila a envolveram, dissipando momentaneamente as preocupações.

A festa era em um bar badalado no centro da cidade, um lugar vibrante, cheio de jovens com sonhos tão grandes quanto os de Eduardo, mas com realidades tão diferentes. Aurora se juntou ao grupo de Camila, sentindo-se um pouco deslocada, mas logo se entregou à alegria do momento. O álcool, mesmo em doses moderadas, parecia dissolver as barreiras, a música alta convidava à dança, e por alguns momentos, ela se permitiu esquecer o peso do mundo.

Foi em um desses momentos de euforia, enquanto ria de uma piada de Camila, que seus olhos cruzaram com os de um homem. Ele estava em uma mesa mais afastada, sozinho, observando a multidão com um ar de desinteresse calculado. O homem era, sem dúvida, deslumbrante. Vestia um terno impecável, de corte perfeito, que evidenciava sua figura alta e esguia. Seus cabelos escuros estavam perfeitamente penteados, e um traço de seriedade marcava seu rosto. Havia algo nele que a atraiu, uma aura de mistério e poder que a fez parar por um instante. Seus olhos se encontraram novamente, e por um fugaz segundo, um brilho de curiosidade passou pelo olhar dele.

Eduardo, em meio a um jantar de negócios com o pai de Sofia, sentiu um arrepio na espinha. Ele não era um homem de festas, mas seu sócio, um homem mais jovem e vibrante, insistiu para que ele viesse a este bar, um lugar que, segundo ele, "era onde a verdadeira São Paulo se reunia". Ele se sentia um peixe fora d'água, o brilho frio do seu mundo corporativo contrastando com a descontração do ambiente.

Foi então que ele a viu.

Ela dançava com uma amiga, os olhos verdes brilhando com uma alegria genuína que ele raramente via. Havia algo na forma como ela se movia, na sua espontaneidade, que o cativou. Era um contraste gritante com a polidez calculada de Sofia e das mulheres de seu círculo. Havia nela uma vivacidade, uma autenticidade que o atraiu como um ímã.

Seu olhar encontrou o dela por um breve momento. Um choque elétrico percorreu seu corpo. Ele notou um brilho de curiosidade em seus olhos, uma faísca de algo que ele não conseguia identificar. Ele desviou o olhar rapidamente, voltando sua atenção para o sócio, mas a imagem daquela mulher dançando, com o cabelo escapando do coque e um sorriso radiante no rosto, ficou gravada em sua mente.

Enquanto isso, Aurora, sentindo o olhar dele sobre si, sentiu um rubor subir pelas suas bochechas. Quem era aquele homem? Havia algo nele, uma pose de comando, um ar de inacessibilidade, que a intrigou. Ele não parecia pertencer àquele lugar, assim como ela, de certa forma, também não pertencia. Era como se dois mundos colidissem naquele breve instante de olhares.

A noite avançou, e Eduardo, embora mantivesse as aparências, não conseguia tirar a imagem dela da cabeça. Ele se sentia estranhamente incomodado, uma sensação que não era comum em sua vida rigidamente controlada. Era como se um fio invisível o puxasse na direção dela.

Aurora, por sua vez, tentava se concentrar na conversa com Camila, mas seus olhos, de forma quase involuntária, buscavam a figura do homem solitário na mesa. Ele parecia um predador em meio a um bando de presas, observando tudo, mas participando de nada.

Quando a festa começou a esvaziar, Eduardo se viu impelido a agir. Ele se levantou, despediu-se do sócio com um aceno breve e caminhou em direção à saída. Seus olhos, porém, estavam fixos nela.

Aurora também sentiu que a noite estava chegando ao fim. Ela se despediu de Camila com um abraço apertado e se dirigiu para a porta. Foi então que ela o viu novamente, parado perto da saída, como se a esperasse. Por um instante, o medo a dominou. Aquele homem parecia perigoso, poderoso. Mas a curiosidade, um fio de audácia que ela raramente permitia aflorar, falou mais alto.

Ele parou a poucos passos dela. Seus olhos azuis a estudaram com uma intensidade que a fez sentir-se exposta.

"Boa noite", ele disse, a voz grave e melodiosa, mas com um tom de autoridade que não permitia réplica.

"Boa noite", Aurora respondeu, a voz um pouco mais baixa do que o habitual, a mão apertando a alça da bolsa.

"Você... dançou muito bem."

O elogio, vindo dele, soou como um comando. Aurora não sabia como reagir. Era um homem diferente de todos que ela conhecia.

"Obrigada", ela conseguiu dizer, um sorriso tímido surgindo em seus lábios.

Eduardo sentiu uma pontada de algo que ele não conseguia nomear. Era a primeira vez em muito tempo que ele se sentia genuinamente interessado em alguém. Não por seu nome, sua família ou sua conta bancária, mas por algo mais intangível.

"Meu nome é Eduardo", ele disse, estendendo a mão. Um gesto formal, mas que naquele contexto parecia carregar um peso incomum.

Aurora hesitou por um instante, seus olhos verdes encontrando os azuis dele. A mão que ela estendeu para apertar a dele era pequena, marcada pelo trabalho, e contrastava com a mão grande e bem cuidada dele.

"Aurora", ela respondeu, sua voz um sussurro.

O toque de suas mãos foi breve, mas pareceu carregar uma descarga elétrica. Eduardo sentiu algo se mover dentro dele, um tremor sutil que ele não conseguia controlar. Ele sabia que não deveria, que tinha um compromisso, um destino traçado. Mas naquele momento, sob as luzes vibrantes da noite paulistana, ele sentiu a tentação de desviar do caminho.

"Talvez... possamos nos encontrar novamente?", ele perguntou, a pergunta soando mais como uma afirmação.

Aurora sentiu seu coração acelerar. Encontrar aquele homem novamente? Aquele homem que parecia pertencer a outro mundo?

"Eu não sei", ela respondeu, a sinceridade transbordando de seus olhos.

Eduardo a observou, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ele estava acostumado a ter o que queria, a obter respostas afirmativas. A incerteza dela o intrigava ainda mais.

"Espero que sim", ele disse, e com um último olhar que parecia prometer um futuro incerto, ele se virou e desapareceu na noite, deixando Aurora com um turbilhão de emoções e uma pergunta ecoando em sua mente: quem era Eduardo de Almeida Vasconcelos e qual seria o preço de se envolver com um homem como ele?

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