Dono do Meu Coração de Ouro

Dono do Meu Coração de Ouro

por Beatriz Mendes

Dono do Meu Coração de Ouro

Por Beatriz Mendes

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Capítulo 11 — O Despertar da Verdade e a Fúria de Um Rei

O ar na luxuosa mansão dos Vasconcelos parecia denso, carregado de uma tensão que sufocava até mesmo a brisa suave que tentava penetrar pelas janelas imponentes. Helena, com o olhar ainda marejado pelas lágrimas que se recusavam a secar, encarava o retrato de sua mãe, uma pintura a óleo que emanava uma beleza melancólica e um segredo guardado a sete chaves. A revelação de Pedro, sobre a verdadeira identidade de seu pai biológico – o magnata desolado e implacável, Rodrigo Vasconcelos –, ressoava em sua mente como um trovão distante, mas cada vez mais próximo, ameaçando desabar.

“Como… como isso é possível?”, murmurou ela, a voz trêmula mal ultrapassando um sussurro. Seus dedos traçaram o contorno delicado do rosto pintado de sua mãe, como se pudesse arrancar dali uma resposta, uma justificativa para toda a dor que sentia. A imagem de Rodrigo Vasconcelos, o homem frio e calculista que ela conhecera, que a humilhara e a desafiara em cada encontro, agora se misturava à memória de um pai amoroso, um homem que, segundo as palavras de Pedro, a amava incondicionalmente. Era uma dicotomia insuportável.

Pedro observava-a de um canto discreto da sala de estar, o peito apertado pela agonia que via em seus olhos. Ele sabia o quanto essa verdade seria devastadora. A vida de Helena, até então, era construída sobre uma fundação de mentiras e omissões. “Helena, eu sei que é difícil. Eu também passei por isso. Saber que tudo o que você acreditava era uma farsa… é um golpe cruel.”

Ela finalmente se virou para ele, os olhos de safira faiscando com uma mistura de dor e raiva. “Uma farsa? Pedro, você me contou que o homem que me criou, o homem que eu amava como meu pai, não era meu pai. E que o homem que eu odeio, o homem que me fez a vida um inferno… é meu pai. Como você acha que eu me sinto?” A voz dela se elevou, a vulnerabilidade dando lugar a um furacão de emoções. “Eu passei anos com medo dele, lutando contra ele, e agora você me diz que ele é… sangue do meu sangue?”

“Eu não estou pedindo que você o perdoe agora, Helena. Nem que o ame. Estou apenas te contando a verdade. A verdade que sua mãe queria que você soubesse, mas que ela escondeu por medo.” Pedro deu um passo à frente, estendendo a mão hesitante. “Ela te amava mais do que tudo. E ela sabia que Rodrigo a amava também, mesmo que ele tenha se tornado um homem amargurado por ter perdido vocês duas.”

Helena afastou a mão dele, dando um passo para trás. O toque, antes reconfortante, agora parecia invadir seu espaço, sua dor. “Amava? Ele é o Rodrigo Vasconcelos, Pedro! Ele é um monstro! Como você pode falar de amor? Ele destruiu a vida da minha mãe, me humilhou, quase me arruinou! Onde estava esse amor quando eu mais precisei?”

“Ele não sabia quem você era, Helena. E quando soube, o medo de te perder, de repetir os erros do passado, o consumiu. Ele se tornou um homem obcecado em te proteger, mesmo que essa proteção viesse disfarçada de raiva e distanciamento.” Pedro tentava suavizar a ferida, mas cada palavra parecia um novo corte. “Ele te viu quando você estava competindo na galeria, Helena. Ele sabia do seu talento, do seu nome. E ele sentiu que você estava se tornando alguém como ela, alguém que ele não podia mais controlar.”

O rosto de Helena se contorceu em uma máscara de angústia. Ela se jogou em uma poltrona de veludo, cobrindo o rosto com as mãos. Os soluços abafados ecoavam na sala, a força de sua dor a derrubando. Era demais. Era uma avalanche de revelações que a deixava desamparada, sem rumo.

Enquanto isso, nas entranhas de seu império, Rodrigo Vasconcelos estava em seu escritório, o cenário de aço e vidro refletindo sua imagem tensa. Sua mão batia impaciente sobre a mesa de mogno polida, cada toque um eco da fúria que o consumia. Ele havia sido traído. Por Pedro. E agora, por Helena.

“Como ele pôde? Como ela pôde esconder isso de mim por tanto tempo?”, rosnou para si mesmo, a voz grave e rouca de raiva. A imagem de Helena, a mulher que ele via como uma ameaça, como uma extensão de sua falecida esposa, agora se transformava em algo mais complexo. A garota que ele desprezava era sua filha. Sua filha. A filha da única mulher que ele amou.

Seus olhos, antes frios e calculistas, agora ardiam com uma paixão desenfreada, uma mistura de desejo, raiva e uma possessividade que beirava a loucura. Ele havia lutado tanto para mantê-la longe, para controlar o destino dela, para evitar que ela o machucasse como sua mãe o fizera. E agora, a verdade se escancarava diante dele, mostrando que ele era o autor da própria dor, o arquiteto de sua própria desgraça.

Um e-mail chamou sua atenção na tela do computador. Era de seu advogado. Um resumo detalhado da situação financeira da galeria de Helena, com relatórios sobre os empréstimos e dívidas que ela havia contraído. Ele a havia observado de perto, monitorando seus passos, sem que ela soubesse. E agora, ele tinha a arma perfeita.

“Você acha que pode me desafiar, garota?”, sussurrou, um sorriso cruel se formando em seus lábios. “Você acha que pode me humilhar e sair ilesa? Você não conhece o verdadeiro Rodrigo Vasconcelos.”

Ele digitou uma mensagem rápida, a urgência em cada tecla pressionada. Seu advogado, um homem leal e eficiente, logo responderia. A vingança estava em seu sangue, um veneno que o consumia há anos, e agora, com Helena em seu caminho, essa vingança seria ainda mais doce. Ele se levantou, a silhueta imponente projetada contra o vidro da janela, um rei em seu castelo de espelhos, pronto para atacar. Ele a queria. A queria sob seu controle. E ele a teria. Ele era o dono do seu destino, e agora, ele se tornaria o dono do coração de ouro que ele tanto desprezava, mas que, secretamente, desejava possuir. A batalha estava apenas começando, e Rodrigo Vasconcelos não aceitava a derrota. Ele era um predador, e Helena, sua presa mais preciosa.

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