Dono do Meu Coração de Ouro

Capítulo 3 — O Brilho do Cristal e o Sabor Amargo do Ciúme

por Beatriz Mendes

Capítulo 3 — O Brilho do Cristal e o Sabor Amargo do Ciúme

A sexta-feira chegou com o peso da antecipação e a promessa de glamour. Clara, pela primeira vez, se viu imersa em um universo onde o luxo era a norma. O vestido que a Dantas Corp providenciou era de um azul profundo, um tom que lembrava o céu noturno antes da tempestade, com um corte elegante que realçava sua figura sem ser vulgar. As joias, discretas, mas de um valor inestimável – um colar de diamantes finos e brincos que brilhavam como estrelas minúsculas – eram um presente da empresa para a ocasião, a serem devolvidas no dia seguinte. O salto alto, embora desconfortável, a fazia sentir-se mais alta, mais poderosa.

Ao chegar ao local do evento, um salão de festas deslumbrante em uma cobertura com vista para a cidade iluminada, Clara sentiu-se como uma atriz em um palco. A música suave, os convidados elegantemente vestidos, os garçons circulando com bandejas de champanhe e canapés – tudo criava uma atmosfera de sofisticação e poder.

Miguel Dantas a esperava na entrada do salão principal. Ele estava impecável em seu smoking, a camisa branca realçando a pele bronzeada e os olhos azuis parecendo ainda mais intensos. Um sorriso genuíno, raramente visto, iluminou seu rosto ao vê-la.

"Clara", ele disse, o tom de sua voz mais caloroso do que nunca. "Você está deslumbrante."

Ela sentiu um leve rubor subir pelas bochechas. "Obrigada, Sr. Dantas. Você também está muito elegante."

Ele estendeu a mão para ela, e Clara a aceitou, sentindo a firmeza do seu aperto. "Por favor, Miguel. Nesta noite, não há formalidades excessivas."

Ela assentiu, sentindo-se mais à vontade. Caminharam juntos pelo salão, atraindo olhares curiosos e admirados. Miguel apresentava Clara a figuras importantes do mundo empresarial e social, sempre com um orgulho discreto que a fazia sentir-se especial. Ela se comportava com a graciosidade que lhe era natural, respondendo às perguntas com inteligência e um toque de humor, conquistando a simpatia de todos.

Enquanto conversava com um renomado empresário, Clara percebeu os olhos de Miguel fixos nela. Havia algo ali, uma intensidade que a fez desviar o olhar. Ele estava observando-a, não apenas como sua secretária, mas como uma mulher.

A noite avançava, e com ela, as conversas íntimas e os brindes. Miguel e Clara compartilharam um momento de cumplicidade ao verem o leilão de arte silencioso. Ele, com sua expertise em negociações, a explicava as estratégias por trás de cada lance, e ela, com sua sensibilidade artística, comentava sobre a beleza de cada peça.

Foi então que ela surgiu.

Uma mulher deslumbrante, com cabelos loiros platinados presos em um coque elegante e um vestido vermelho vibrante que exalava poder e sedução. Seus olhos, de um verde intenso, encontraram os de Miguel, e um sorriso largo e forçado brotou em seus lábios. Ela se aproximou com passos firmes, sem se importar com quem estava ao redor.

"Miguel, querido", disse ela, a voz melodiosa, mas com um tom de possessividade velada. Ela o abraçou de forma efusiva, sem se importar com o smoking dele. "Que surpresa maravilhosa te encontrar aqui. E quem é essa bela dama?"

Clara sentiu uma pontada de desconforto. A forma como aquela mulher se dirigia a Miguel, como se fossem íntimos há muito tempo, a incomodou.

Miguel se afastou dela, o sorriso se retraindo ligeiramente. "Isabella, que surpresa. Esta é Clara Ribeiro, minha secretária particular." Ele se virou para Clara. "Isabella Dantas, a tia de Miguel."

Clara franziu a testa. Isabella Dantas. A socialite que ela mencionara em sua pesquisa. A esposa do fundador, Eduardo Dantas. Ela era significativamente mais jovem que Eduardo e, pelos boatos, sempre tivera um relacionamento complicado com a família.

"Secretária?", Isabella repetiu, um tom de deboche em sua voz. Ela olhou Clara de cima a baixo, um olhar calculista. "Bem, Miguel, você sempre soube como escolher suas funcionárias. Muito... peculiar."

Clara sentiu um arrepio. A hostilidade era palpável.

Miguel interveio, a voz firme e protetora. "Clara é uma profissional excepcional, Isabella. Ela tem sido fundamental para a minha organização nos últimos tempos."

"Ah, sim", Isabella sorriu, mas seus olhos não demonstravam alegria. Ela se aproximou de Clara, como se fosse lhe dar um beijo no rosto, mas parou a centímetros dela. "Então, você é a mulher que está tirando meu sobrinho das minhas festas. Sempre soube que ele precisava de alguém que o tirasse desse casulo de trabalho."

Clara sentiu o sangue ferver. "Eu estou apenas fazendo o meu trabalho, Sra. Dantas."

"Sra. Dantas?", Isabella riu, um som seco e sem graça. "Que formalidade. Você pode me chamar de Isabella. Somos quase família, afinal. Miguel tem falado muito de você?"

"Não", Miguel respondeu antes que Clara pudesse. "Clara é uma profissional. Nossa relação é estritamente de trabalho."

Isabella olhou para ele, um brilho de raiva em seus olhos verdes. "Ah, Miguel. Você sempre foi tão reservado. Mas eu sei que você se abre com quem conquista sua confiança. E essa garota..." Ela fez uma pausa, avaliando Clara novamente. "...ela parece ter essa capacidade."

Clara sentiu o ciúme emanar de Isabella como um perfume forte e enjoativo. Era claro que a mulher via Clara como uma ameaça, não apenas profissionalmente, mas em um nível mais pessoal.

"Se me dão licença", disse Clara, querendo escapar daquela tensão. "Preciso ir cumprimentar alguns dos patrocinadores do evento."

Miguel a segurou suavemente pelo braço. "Espere, Clara. Precisamos conversar com o Sr. Carvalho sobre o projeto no Rio."

Isabella sorriu de forma vitoriosa. "Vão lá, vocês dois. Eu não quero atrapalhar os assuntos de trabalho. Mas depois, Miguel, quero que você me conte tudo sobre essa nova e interessante funcionária."

Enquanto Miguel e Clara se afastavam, Clara sentiu o olhar de Isabella em suas costas, um olhar carregado de desconfiança e um toque de malícia. Ela se virou para Miguel, que parecia incomodado.

"Desculpe, Miguel. Eu não queria causar problemas."

"Não se preocupe com ela, Clara", ele disse, sua voz suave. "Isabella é... possessiva. E sempre se sentiu a matriarca da família, mesmo após a morte de Eduardo. Ela não está acostumada a ver as coisas fora do controle dela."

"Ela deixou isso bem claro", Clara respondeu, com um leve sorriso.

Miguel a olhou, seus olhos azuis fixos nos dela. "Você lidou com ela com dignidade. Fiquei impressionado."

"Apenas fiz o meu trabalho", ela repetiu, sentindo uma onda de calor subir pelo peito.

Miguel então a puxou para mais perto. "E você o faz muito bem. Mas esta noite, não precisamos ser apenas profissionais. Podemos ser... nós mesmos."

Eles passaram o resto da noite juntos, ignorando os olhares de Isabella e as fofocas que começavam a circular. Miguel a fez se sentir como a única mulher na sala, compartilhando com ela histórias de sua infância, seus sonhos para a Dantas Corp, e até mesmo, com um toque de vulnerabilidade, sobre a saudade que sentia de seus pais. Clara, por sua vez, compartilhou seus próprios sonhos, seus medos, e a determinação que a movia.

Houve um momento, enquanto observavam as luzes da cidade brilhando abaixo, em que Miguel virou-se para ela, a mão gentilmente tocando seu rosto. Seus olhos transmitiam uma mistura de desejo e algo mais profundo, algo que Clara não conseguia decifrar completamente.

"Você tem uma luz própria, Clara", ele sussurrou, o hálito quente em sua pele.

Clara fechou os olhos, sentindo o mundo ao redor desaparecer. A proximidade dele era eletrizante, e a tentação de se render era quase avassaladora. Mas, antes que ele pudesse se inclinar para beijá-la, um garçom se aproximou, entregando a Miguel um envelope com urgência.

"Sr. Dantas, uma mensagem importante do Rio de Janeiro."

Miguel se afastou, um lampejo de preocupação em seu olhar. Ele abriu o envelope e começou a ler. Sua expressão mudou de relaxada para tensa em segundos.

"O que aconteceu?", Clara perguntou, preocupada.

"Um problema inesperado com o projeto de construção", ele disse, a voz tensa. "Preciso resolver isso imediatamente. Sinto muito, Clara. A noite foi... interrompida."

Ele se virou para ela, um pedido de desculpas silencioso em seus olhos. "Tenho que ir. Você pode voltar para casa? O motorista da empresa a levará."

Clara assentiu, o coração apertado. A magia da noite havia se dissipado, substituída pela dura realidade dos negócios. "Claro, Miguel. Entendo."

Ao sair do evento, em um carro luxuoso cedido pela Dantas Corp, Clara olhou para trás, para a cobertura iluminada. Ela havia vislumbrado um mundo de riqueza e poder, e em meio a ele, um homem complexo e intrigante. Mas também vira a sombra do ciúme e da possessividade, e sentiu que, naquele universo, as batalhas não eram apenas financeiras, mas também pessoais. A noite, que começou com promessas de romance, terminou com a reafirmação de que, para Miguel Dantas, o trabalho sempre viria em primeiro lugar. E ela, a humilde secretária, estava agora no centro de tudo isso.

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