Dono do Meu Coração de Ouro

Dono do Meu Coração de Ouro

por Beatriz Mendes

Dono do Meu Coração de Ouro

Autor: Beatriz Mendes

Capítulo 21 — O Enigma da Mansão Sombria

O ar daquela noite parecia carregado de segredos, tão denso quanto a névoa que se arrastava pelos jardins da mansão. Luna sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não apenas pelo frio cortante que emanava da brisa marinha, mas pela aura de mistério que envolvia o lugar. A mansão, outrora um farol de opulência e alegria, agora parecia um monumento silencioso a tempos perdidos, suas janelas escuras como olhos vazios que observavam o mundo com uma melancolia profunda. Ela apertou o casaco em volta de si, os saltos finos afundando levemente no gramado úmido, enquanto seu olhar varria a fachada imponente.

"Tem certeza que é aqui, Leo?", sussurrou, a voz embargada por uma mistura de apreensão e fascínio. A chuva fina que caíra mais cedo deixara um rastro de gotículas brilhantes nas folhas das árvores centenárias, refletindo a pouca luz que escapava das poucas janelas acesas. A arquitetura era grandiosa, quase opressora, com suas torres pontiagudas e detalhes em ferro forjado que pareciam garras estendidas em direção ao céu noturno.

Leonardo, ao seu lado, parecia igualmente tenso. Seus ombros estavam mais tensos do que o usual, e ele passava a mão pelos cabelos escuros com uma frequência que denunciava seu nervosismo. "É aqui, Luna. A informação que recebi é confiável. O senhor Alencar tem um esconderijo, um lugar para guardar o que ele considera... valioso."

"Valioso como o quê? Joias? Ouro? Ou algo que ele não quer que ninguém saiba que existe?", Luna retrucou, a imaginação correndo solta. A obsessão de Alencar em proteger seus segredos sempre a intrigara, e agora, a perspectiva de invadir um de seus refúgios mais bem guardados a deixava em um estado de alerta máximo. Ela, que sempre viveu à margem da opulência e dos jogos de poder, sentia-se como uma intrusa em um mundo que não lhe pertencia, mas que a atraía de forma irremediável.

"Exatamente. E eu preciso saber o que ele está escondendo. Principalmente depois do que aconteceu com a minha mãe." A voz de Leonardo baixou para um tom sombrio, um eco de mágoa e determinação que Luna conhecia bem demais. O passado de Leonardo era um labirinto de feridas ainda abertas, e ela sentia o peso de cada uma delas. O desejo de vingança, ou pelo menos de justiça, era o motor que o impulsionava, e ela estava lá para apoiá-lo, mesmo que isso significasse cruzar linhas perigosas.

Eles se aproximaram da entrada principal, um imponente portão de madeira maciça com entalhes intrincados. Leonardo consultou um pequeno dispositivo em sua mão, seus dedos ágeis deslizando pela tela. "O sistema de segurança aqui é antigo, mas robusto. No entanto, há um ponto cego que consegui identificar."

"E você acha que vamos simplesmente entrar?", Luna perguntou, um misto de incredulidade e excitação borbulhando dentro dela. A ideia de se infiltrar em um lugar assim, sob a luz fria da lua e a vigilância silenciosa da noite, era digna de um roteiro de cinema.

"Não. Vamos ser mais espertos que ele. A empregada que trabalha aqui me deu acesso a um mapa antigo da propriedade. Há uma entrada de serviço pouco utilizada, perto dos antigos estábulos. Menos protegida, e com uma probabilidade maior de nos levar direto ao que procuramos." Leonardo sorriu, um brilho perigoso em seus olhos azuis. Era um sorriso que Luna reconhecia, o sorriso do predador que se aproxima de sua presa.

Eles contornaram a mansão, o som de seus passos abafado pela grama orvalhada. As sombras dançavam ao redor deles, moldando-se em formas fantasmagóricas. Luna sentiu um calafrio diferente, desta vez não de frio, mas de antecipação. A aventura, por mais arriscada que fosse, a fascinava. Ela olhou para Leonardo, para a determinação em seu rosto, e sentiu uma onda de afeto e admiração. Ele estava arriscando tudo, e ela estava disposta a ir até o fim com ele.

"E se houver alguém?", ela perguntou, a voz um pouco mais alta do que pretendia.

"Não se preocupe. A empregada me garantiu que hoje é a noite em que a maioria dos seguranças tira folga. Alencar confia muito na localização isolada e nos seus sistemas 'impessoáveis'. Ele subestima a capacidade de quem tem algo a provar." Leonardo parou perto de um muro baixo, coberto de hera densa. "É por aqui."

Ele tirou uma pequena ferramenta de sua bolsa, que se parecia com um canivete multifuncional, e começou a trabalhar em uma pequena grade de ventilação escondida pela vegetação. O metal rangeu, um som agudo que pareceu ecoar na quietude da noite. Luna prendia a respiração, cada som, cada movimento, amplificado em sua mente. A adrenalina começava a inundar suas veias, preparando-a para o desconhecido.

Finalmente, com um clique suave, a grade cedeu. Um cheiro mofado e de terra úmida emanou da abertura. Leonardo fez um sinal para que ela se aproximasse. "É apertado, mas dá para passar. Você vai primeiro. Eu a guio por trás."

Luna hesitou por um instante. O buraco era pequeno, escuro e exalava um odor desagradável. Parecia o início de uma toca de animal, não a entrada para o covil de um poderoso magnata. Mas o olhar de Leonardo a encorajou. Ela engoliu em seco, respirou fundo o ar frio da noite e se espremeu pela abertura, sentindo a terra fria e úmida arranhar suas roupas. Os galhos finos arranhavam sua pele, e o cheiro de mofo se intensificava. Por um momento, ela sentiu o pânico a dominar, a claustrofobia apertando seu peito.

"Calma, Luna. Devagar. Estou aqui", a voz de Leonardo, abafada, mas firme, a alcançou. Ele empurrava suavemente suas pernas, guiando-a. Ela se moveu com mais confiança, os dedos tateando a parede de pedra úmida. O túnel era curto, terminando abruptamente em um piso de terra batida.

"Consegui!", ela ofegou, emergindo em um espaço escuro e apertado. Era uma espécie de depósito subterrâneo, com prateleiras empoeiradas repletas de objetos esquecidos. O ar era pesado e parado.

Leonardo se juntou a ela, fechando a grade por dentro com cuidado. Ele acendeu uma pequena lanterna tática, o feixe de luz dançando sobre as teias de aranha que cobriam tudo. "Vamos encontrar o caminho para o escritório principal. É lá que ele guarda os arquivos mais importantes."

Eles se moveram com cautela pelos corredores subterrâneos, o silêncio quebrado apenas pelos seus passos e pelo sussurro distante do mar. Cada sombra parecia esconder algo, cada rangido do assoalho antigo soava como um alarme. Luna sentia o coração disparado, não apenas pelo perigo, mas pela emoção crua de estar desvendando um segredo. A mansão, antes um símbolo de poder e mistério, agora se revelava em sua intimidade sombria, um palco para a busca por respostas. E ali, no coração da escuridão, ela sentia que estava mais perto do que nunca de desvendar a verdade sobre Alencar e o passado que assombrava Leonardo.

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