Dono do Meu Coração de Ouro
Romancista: Beatriz Mendes
por Beatriz Mendes
Romancista: Beatriz Mendes
Romance: Dono do Meu Coração de Ouro
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Capítulo 6 — A Tempestade de Emoções no Jantar de Gala
O ar na Mansão Dubois vibrava com uma eletricidade palpável. A festa de gala em comemoração aos dez anos da Dubois Joias era o evento do ano, e todos os sussurros pareciam convergir para a figura imponente de Alexandre Dubois, o CEO de beleza austera e mistério que comandava um império de pedras preciosas. Ele, que raramente se deixava envolver em eventos sociais, estava ali, um leão dourado em seu habitat de luxo, observando o burburinho com uma frieza calculada que desarmava a maioria. Mas seus olhos, de um azul profundo como um safira recém-lapidada, pousaram, por vezes, em Sofia, a jovem e talentosa designer que, de forma inesperada, se tornara o centro de seu universo.
Sofia, por sua vez, sentia-se um peixe fora d'água. Vestida em um deslumbrante vestido de seda azul-marinho, criado por ela mesma, cada detalhe uma ode à delicadeza e à força feminina, ela tentava manter a compostura. O peso dos olhares curiosos, alguns invejosos, outros admirados, era quase insuportável. A presença de Alexandre, tão perto, era uma tortura deliciosa. Ele parecia emanar um magnetismo irresistível, um convite silencioso para um mundo de paixão e perigo.
Os convidados eram um desfile de elegância e poder. Empresários renomados, artistas de renome, influenciadores digitais e a nata da sociedade brasileira desfilaram pelo salão principal, decorado com cristais cintilantes e arranjos florais suntuosos. A música, um jazz suave e envolvente, criava a atmosfera perfeita para negociações discretas e flertes audaciosos. Sofia sentia-se pequena diante de tanta opulência, mas Alexandre, com um aceno discreto, a conduziu para uma mesa mais reservada, afastada do olho do furacão social.
"Você está deslumbrante, Sofia", disse ele, a voz um sussurro rouco que fez a pele dela arrepiar. Seus olhos percorreram o vestido, detendo-se por um instante nos ombros delicados expostos. "Parece uma estrela que caiu do céu."
Sofia corou, o calor subindo por seu pescoço. "Obrigada, Alexandre. Você também está… imponente." Ela hesitou, procurando a palavra certa. "Como sempre."
Um leve sorriso brincou nos lábios dele, um vislumbre raro de sua verdadeira natureza. "Sempre tentei não decepcionar. Mas hoje, a estrela é você. Seu trabalho na nova coleção tem sido excepcional. O brilho das suas peças reflete a alma da Dubois Joias."
As palavras dele eram um bálsamo para sua insegurança, mas também intensificavam a tensão entre eles. Eles se conheciam há poucos meses, mas a conexão era inegável, profunda, quase avassaladora. A cada encontro, a cada troca de olhares, a cada toque acidental, a atração se tornava mais forte, mais perigosa.
De repente, uma voz estridente interrompeu a melodia íntima que começava a se formar entre eles. "Alexandre, meu querido! Que bom te ver! E quem é essa linda criatura ao seu lado?"
Era Isabella Moreira, uma socialite conhecida por sua beleza estonteante e por um ego igualmente grandioso. Seus olhos, pintados com um traço grosso de delineador preto, percorreram Sofia com um escrutínio implacável, carregado de uma inveja mal disfarçada.
Alexandre se virou, a expressão impassível. "Isabella. Sofia, esta é Isabella Moreira, uma antiga amiga." Ele se virou para Isabella. "E Sofia Mendes, a designer principal da Dubois Joias. Sofia, Isabella é… conhecida." A ênfase em "conhecida" era sutil, mas Sofia percebeu a ironia.
Isabella forçou um sorriso que não alcançou seus olhos. "Ah, a talentosa Sofia. Ouvi falar muito de você. Dizem que você tem um dom especial para o design. Pena que a beleza nem sempre acompanha o talento, não é mesmo?" A farpa era clara, lançada como uma adaga disfarçada de elogio.
O sangue de Sofia ferveu. Ela não era de levar desaforos para casa, mas diante da plateia, da posição de Alexandre, ela tentou respirar fundo. "A beleza, Sra. Moreira, é subjetiva. Assim como a inteligência. E o talento, bem, esse é inegável."
Um silêncio constrangedor pairou no ar. Alexandre apertou levemente a mão de Sofia, um gesto de apoio discreto. Isabella riu, um som agudo e artificial. "Ah, que audácia! Gosto disso. Mas cuidado, querida. No mundo em que Alexandre orbita, a aparência conta muito. E a lealdade, então, nem se fala." O olhar dela, carregado de ameaça velada, se fixou em Sofia. "Alexandre sempre foi um homem de gostos… exóticos. Mas também muito protetor com o que é dele."
Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. As palavras de Isabella eram um aviso claro, uma tentativa de intimidá-la, de afastá-la de Alexandre. Era mais do que ciúme; era uma possessividade doentia, um desejo de controle que Sofia reconheceu de imediato.
Alexandre soltou uma risada seca. "Isabella, suas observações são sempre tão pertinentes. Sofia é uma profissional excepcional, e a lealdade dela, assim como a minha, é para com a Dubois Joias. E para com as pessoas que ela escolhe manter por perto." Ele apertou a mão de Sofia novamente, seus olhos fixos nos dela, um desafio silencioso para Isabella.
O embate verbal, embora curto, deixou uma marca. Sofia sentiu-se exposta, vulnerável, mas também estranhamente fortalecida pela defesa de Alexandre. Ele não hesitou em colocá-la em pé de igualdade, em mostrar que ela era importante.
Mais tarde, durante o jantar, Alexandre se sentou ao lado de Sofia. A conversa fluía com uma facilidade surpreendente. Eles falaram sobre arte, sobre a inspiração por trás das peças de Sofia, sobre os desafios de gerenciar uma empresa como a Dubois Joias. Ele revelou um lado mais humano, um homem com paixões e anseios, além do império que construíra.
"Às vezes, me sinto como um rei em seu castelo", confessou ele, enquanto observava as luzes da cidade que se estendiam além das janelas. "Mas é um castelo solitário. E você, Sofia, parece ter a chave para destrancar algumas portas."
O olhar dele era intenso, carregado de uma profundidade que a fez sentir como se ele pudesse ler sua alma. "Eu nunca quis ser uma chave para nada, Alexandre. Apenas uma artista que busca expressar a beleza que vê no mundo. Se, por acaso, essa beleza te toca de alguma forma… então, talvez, nossos caminhos se cruzem por um propósito maior."
Ele levou a taça de vinho aos lábios, os olhos azuis fixos nos dela. "Um propósito maior. Gosto disso. E você, Sofia, que propósito maior você vislumbra para nós?"
A pergunta pairou no ar, carregada de expectativa e desejo. Sofia sentiu o coração disparar. Ela não estava preparada para essa confissão, para essa entrega. Mas, olhando nos olhos dele, sentiu que não havia mais como voltar atrás. Havia uma tempestade de emoções entre eles, e ela sabia, com uma certeza assustadora, que estava prestes a se deixar levar pela correnteza. A noite, que começou com a beleza cintilante das joias, prometia desvendar a joia mais rara e perigosa de todas: o amor.