Dono do Meu Coração de Ouro

Capítulo 7 — O Desenho da Paixão e a Sombra da Dúvida

por Beatriz Mendes

Capítulo 7 — O Desenho da Paixão e a Sombra da Dúvida

A noite de gala, apesar do deslumbrante espetáculo de joias e da presença de Alexandre, deixou Sofia em um turbilhão de emoções. O encontro com Isabella Moreira, a socialite de olhos de serpente, havia plantado uma semente de dúvida em seu coração. As palavras venenosas sobre a importância da aparência e da lealdade ecoavam em sua mente, lançando uma sombra sobre a crescente conexão com Alexandre. Seria ele apenas mais um homem seduzido pela sua imagem, ou havia algo mais profundo na forma como ele a olhava, na maneira como parecia se importar?

Na manhã seguinte, o ateliê de Sofia era seu refúgio. O aroma de couro e metal precioso, o brilho das ferramentas e os esboços espalhados pelas mesas traziam uma sensação de familiaridade e conforto. Ela tentava se concentrar no trabalho, na criação da próxima coleção de alta joalheria, mas os pensamentos sobre Alexandre e a noite anterior a assombravam. Ele a havia defendido com uma firmeza surpreendente, e isso significava muito. Mas a sombra de Isabella, com sua malícia palpável, pairava como um prenúncio de problemas.

Alexandre, em seu escritório luxuoso, com a vista panorâmica da cidade, também não conseguia tirar Sofia da cabeça. A imagem dela, radiante em seu vestido azul, a força em seus olhos quando enfrentou Isabella, tudo isso o intrigava e o fascinava. Ele estava acostumado a mulheres que o cercavam por interesse, por status. Sofia era diferente. Havia nela uma autenticidade, uma paixão pelo seu ofício que o atraía como um ímã. Ele sentia uma necessidade crescente de protegê-la, de desvendar as camadas de sua personalidade complexa.

O telefone tocou, quebrando o silêncio reflexivo de Sofia. Era Alexandre.

"Sofia? Bom dia." A voz dele, profunda e calma, a fez sentir um calor familiar.

"Bom dia, Alexandre."

"Eu estive pensando sobre ontem à noite. Isabella pode ser… intensa."

Sofia sorriu levemente. "Intensa é uma boa palavra. Ela me fez sentir como se tivesse entrado em um campo minado de inseguranças alheias."

Alexandre riu. "Ela tem esse dom. Mas eu quis que você soubesse que eu… eu aprecio sua coragem. Você não se deixa intimidar facilmente."

"Não quando se trata de defender meu trabalho e a mim mesma. Mas suas palavras sobre lealdade, Alexandre… elas me fizeram pensar."

Houve uma pausa. "Lealdade? Isabella é uma criatura mesquinha que vive de aparências. Eu a conheço há muito tempo. Ela vê o mundo através de um filtro de posses e privilégios. O que eu disse sobre lealdade era sobre o que eu valorizo. E você, Sofia, demonstrou uma lealdade feroz à sua arte, e isso é algo que eu admiro profundamente."

As palavras dele, sinceras e diretas, dissiparam parte da sua apreensão. Ele estava falando a verdade? Ou era apenas mais uma jogada de um homem poderoso?

"Eu… eu agradeço, Alexandre. E sobre o meu trabalho… tenho trabalhado em algo novo. Algo que acho que você vai gostar."

"Eu adoraria ver. Que tal amanhã, no meu escritório? Traga seus esboços. E… venha almoçar comigo. Podemos conversar mais sobre isso. E sobre… outras coisas." A subentensão era clara.

Sofia sentiu o coração acelerar. "Claro. Amostra de amanhã."

"Excelente. Até lá, Sofia."

O dia seguinte seria crucial. Sofia passou a noite revisando seus esboços, escolhendo as peças que melhor representavam sua nova visão. Ela desenhou um colar deslumbrante, inspirado nas constelações, com diamantes brancos e safiras azuis profundas, entrelaçados em uma dança cósmica. Era uma peça audaciosa, complexa, que refletia a dualidade entre a escuridão e a luz, a razão e a paixão. Havia algo de pessoal naquela joia, algo que ela ainda não conseguia nomear.

Ao chegar à sede imponente da Dubois Joias, Sofia foi recebida com o mesmo respeito e admiração de sempre. O lobista, um homem de terno impecável, a conduziu até o andar executivo. A porta do escritório de Alexandre se abriu, revelando não apenas o CEO, mas um homem com um semblante mais relaxado, um brilho de expectativa nos olhos.

"Sofia. Que bom te ver novamente." Ele a convidou a sentar-se em uma poltrona confortável em frente à sua mesa imponente. "Então, me mostre o que você aprontou."

Sofia desdobrou os esboços em sua mesa. O colar de constelações roubou a cena. Alexandre o pegou com cuidado, seus olhos azuis percorrendo cada detalhe, cada traço.

"Sofia… isso é… extraordinário." Ele ficou em silêncio por um momento, absorvendo a magnitude da criação. "As constelações… o que o inspirou?"

"Acho que… a busca. A busca por algo que nos guie, que nos dê sentido. As estrelas sempre foram um farol para a humanidade, não acha? E eu senti que estava em uma busca… por algo." Ela hesitou, incapaz de articular a verdade crua: a busca por ele.

Alexandre ergueu os olhos, e Sofia sentiu que ele a compreendia. "Uma busca. Sim. E você encontrou alguma coisa nessa sua busca, Sofia?"

O ar ficou denso. Os olhares se encontraram, e por um instante, o mundo exterior deixou de existir. Havia apenas eles, a promessa de algo novo, a tensão palpável que parecia prestes a se romper.

"Eu… eu não sei ainda", ela sussurrou, a voz embargada pela emoção.

Alexandre se levantou, contornou a mesa e sentou-se na beirada, mais perto dela. Ele pegou uma das mãos de Sofia, os dedos grandes e quentes envolvendo os dela.

"Sofia", ele disse, a voz carregada de uma intensidade que a fez estremecer. "Eu acho que você encontrou. E eu acho que nós encontramos um ao outro."

O coração de Sofia disparou. As palavras dele eram um convite, uma confissão. Ela sentiu a necessidade de se afastar, de se proteger da intensidade avassaladora, mas seus pés pareciam presos ao chão. O toque dele era um feitiço, a sua presença uma força magnética.

"Alexandre… isso é… é muito rápido."

"Rápido?", ele perguntou, um sorriso suave brincando em seus lábios. "Ou é apenas certo? Às vezes, Sofia, o coração sabe antes da mente. E o meu coração, eu sinto, tem batido em um ritmo novo desde que você entrou em minha vida."

Ele levou a mão livre ao rosto dela, seus dedos acariciando a curva de sua bochecha. "Você é um mistério para mim, Sofia Mendes. Uma joia rara, com um brilho que nenhuma outra pedra em meu cofre pode replicar. E eu… eu quero descobrir cada faceta sua."

Os olhos dele eram um oceano de emoções não ditas. Sofia se sentiu cativada, incapaz de resistir. A sombra da dúvida que Isabella havia plantado parecia se dissipar diante da sinceridade crua nos olhos de Alexandre. Mas, ao mesmo tempo, o medo de se entregar por completo, de se machucar, a mantinha em alerta.

"E se… e se a busca terminar e o que encontrarmos não for o que esperávamos?", ela sussurrou, a voz quase inaudível.

Alexandre se inclinou, seus lábios roçando os dela. "Então, Sofia, nós buscamos algo novo. Juntos."

E então, ele a beijou. Um beijo que começou suave, hesitante, e rapidamente se aprofundou, carregado de toda a paixão reprimida, de toda a atração que vinha crescendo entre eles. Era um beijo que prometia um futuro incerto, um romance que desafiava a lógica e a razão, um amor que poderia ser a joia mais preciosa de suas vidas, ou a sua ruína. Sofia se rendeu, sentindo o mundo girar em torno daquele toque, daquele sabor, daquele homem que parecia ter se tornado o dono do seu coração. O desenho da paixão havia sido traçado, mas a sombra da dúvida ainda espreitava, ameaçando colorir o futuro com tons de incerteza.

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