O Jogo do Poder e do Desejo

Capítulo 12 — O Labirinto de Mentiras

por Larissa Gomes

Capítulo 12 — O Labirinto de Mentiras

O apartamento de Rodrigo era um paradoxo de beleza e aprisionamento. Helena se movia pelos cômodos como um animal enjaulado, cada passo calculado para evitar o olhar constante do segurança, cada respiração superficial para não chamar atenção. A sensação de estar vigiada era sufocante, um lembrete constante de sua falta de liberdade. Rodrigo, por sua vez, parecia alheio à sua angústia, imerso em seus próprios afazeres com uma frieza calculista.

Ele apareceu na sala de estar mais tarde, um tablet em mãos, a expressão concentrada. Helena o observou de longe, sentada em um dos sofás de couro macio, fingindo ler um livro que não absorvia. O livro era um presente de Rodrigo, uma edição rara de um clássico da literatura, um gesto que outrora a teria encantado, mas que agora parecia um presente envenenado.

"Tudo bem por aqui, Helena?", perguntou ele, sem tirar os olhos da tela. Sua voz era calma, controlada, mas carregava um tom de autoridade que deixava claro quem estava no comando.

"Estou bem", respondeu ela, a voz baixa. Ela se esforçava para manter a compostura, para não revelar o pânico que a consumia por dentro.

Rodrigo finalmente ergueu os olhos, seu olhar penetrante a avaliando. "Tenho que admitir que você é surpreendentemente resiliente. Não esperava que aguentasse a noite na mansão sem surtar."

Helena deu um sorriso forçado. "Eu não sou tão frágil quanto você pensa, Rodrigo."

Ele riu, um som seco e desprovido de humor. "Frágil? Não, Helena. Você é perigosa. E é por isso que estou tomando todas as precauções." Ele se levantou e caminhou até a janela, observando a cidade lá fora, as luzes cintilando como promessas vazias. "Você é uma peça valiosa no meu jogo, e não posso permitir que seja roubada."

"Eu não sou uma peça, Rodrigo. Eu sou uma pessoa", retrucou Helena, a raiva começando a borbulhar sob a superfície de sua calma forçada.

Rodrigo se virou, um brilho perigoso em seus olhos. "Ah, mas no meu jogo, você é. Uma peça com grande poder de manipulação, devo dizer. Você quase conseguiu me enganar."

As palavras o atingiram como um soco. Quase. O orgulho ferido de Rodrigo era algo que ela não ousava despertar ainda mais. "Eu não te enganei. Eu apenas… fui honesta sobre meus sentimentos."

"Sentimentos?", zombou ele. "Ou uma estratégia bem elaborada para se infiltrar na minha vida e obter o que você quer? Seus pais ensinaram bem, não é mesmo? Usar a sedução e a fragilidade para conseguir vantagens."

Helena sentiu um nó na garganta. As acusações de Rodrigo eram cruéis e injustas. Ele não tinha ideia da verdade, das motivações que a levaram a essa situação. "Você não sabe nada sobre mim, Rodrigo. Nada sobre o que eu passei."

"Eu sei o suficiente", disse ele, aproximando-se dela. "Sei que você está ligada aos meus inimigos. Sei que você foi usada, assim como eu. A diferença é que eu não sou tão ingênuo quanto você." Ele parou a poucos passos dela, o olhar intenso. "Você pensou que poderia me usar para se vingar, não é? Usar meu poder para destruir aqueles que te machucaram."

"Eu não vim para te usar", sussurrou Helena, a voz falhando. "Eu vim para me proteger."

"E acabou se envolvendo comigo", completou Rodrigo, um sorriso sarcástico cruzando seus lábios. "Um risco que você não deveria ter corrido." Ele estendeu a mão, e Helena instintivamente recuou. Mas ele não a tocou. Apenas apontou para a varanda. "Se você quer tanto ir embora, pode ir. Mas saiba que a sua liberdade é apenas uma ilusão, Helena. Você está sob minha proteção, o que, na prática, significa que está sob minha vigilância."

As palavras eram um consolo amargo. Ela podia sair do apartamento, mas não do controle de Rodrigo. A chuva havia diminuído, mas a tempestade em seu interior só se intensificava.

Enquanto caminhava para a varanda, Helena sentiu os olhos de Rodrigo em suas costas. Ela respirou o ar úmido da noite, tentando clarear a mente. Leonardo a esperava. Ele era a sua única esperança de escapar desse labirinto de mentiras e manipulações.

Ao sair para a varanda, encontrou o segurança parado na porta. Ele a observou com seu olhar impassível enquanto ela se dirigia ao elevador privativo. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo barulho distante da cidade.

No carro de Leonardo, o cheiro de couro e o perfume dele eram um alívio bem-vindo. Ele a esperava com um semblante preocupado, seus olhos escuros refletindo a ansiedade que ela também sentia.

"Você está bem?", perguntou Leonardo, a voz carregada de preocupação genuína.

"Estou viva", respondeu Helena, um sorriso fraco surgindo em seus lábios. "E fora daquela gaiola."

Leonardo a olhou com intensidade. "Você não devia ter ido para lá, Helena. Eu te avisei que ele era perigoso."

"Eu não tive escolha, Leonardo. Ele me pegou desprevenida. E agora… agora ele me quer perto." Ela contou a ele sobre a conversa com Rodrigo, sobre as acusações e a sensação de estar sendo vigiada mesmo em liberdade.

Leonardo ouviu atentamente, a mandíbula cerrada. "Ele está jogando um jogo muito perigoso. E você está no meio dele, Helena. Ele não vai te deixar ir facilmente."

"Eu sei. Mas preciso descobrir a verdade. Preciso entender por que ele está tão obcecado em me manter por perto."

"A obsessão dele pode ser mais complexa do que você imagina", disse Leonardo, pensativo. "Rodrigo é um homem de muitos segredos. E seus inimigos também." Ele hesitou por um momento, como se ponderasse algo importante. "Helena, há algo que preciso te contar. Algo sobre seus pais e a família de Rodrigo. Algo que pode mudar tudo."

O coração de Helena acelerou. "O quê? Diga-me!"

Leonardo a olhou nos olhos, a gravidade de suas palavras pairando no ar. "Seus pais não eram apenas empresários, Helena. Eles estavam envolvidos em negócios escusos. Negócios que, de alguma forma, se entrelaçaram com o passado da família de Rodrigo. E essa conexão… essa conexão é a razão pela qual ele está tão interessado em você."

A revelação caiu sobre Helena como uma pedra. O passado de seus pais, a complexa teia de relacionamentos e segredos, era a chave para o presente. O jogo do poder e do desejo era, na verdade, um eco de um conflito antigo, e ela era a peão central em uma partida que mal compreendia.

"Mas que tipo de negócios?", perguntou Helena, a voz embargada pela emoção e pelo medo.

"Isso é o que precisamos descobrir", respondeu Leonardo, sua determinação evidente. "E juntos, vamos desvendar esse labirinto de mentiras, Helena. Mesmo que isso nos coloque em perigo."

Naquele momento, sentada ao lado de Leonardo, Helena sentiu um vislumbre de esperança. Talvez, apenas talvez, houvesse um caminho para a verdade e para a liberdade. Mas ela sabia que a jornada seria longa e perigosa, com Rodrigo à espreita, observando cada movimento seu.

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