O Jogo do Poder e do Desejo

Capítulo 14 — O Baile das Sombras

por Larissa Gomes

Capítulo 14 — O Baile das Sombras

A noite do evento beneficente dos Vargas chegou, e com ela, um misto de apreensão e adrenalina tomou conta de Helena. A mansão dos Vargas, imponente e sombria, parecia um palco perfeito para o drama que se desenrolava. Luzes cintilantes emanavam das janelas, e o som de uma orquestra clássica preenchia o ar, mascarando as verdadeiras intenções por trás daquela fachada de filantropia. Helena, vestida em um elegante vestido de seda azul-marinho, sentiu-se como uma atriz em um palco perigoso, cada passo calculado, cada sorriso forjado.

Leonardo a acompanhava, impecável em seu smoking, seu olhar vigilante varrendo a multidão de convidados abastados. Ele havia conseguido os convites através de contatos antigos, uma brecha na segurança impenetrável de Rodrigo. "Lembre-se do plano, Helena", sussurrou ele, sua voz baixa e firme. "Encontre o cofre. Pegue as provas. E saia antes que ele perceba."

O plano era audacioso: enquanto Leonardo distraía Rodrigo com uma conversa cuidadosamente elaborada, Helena se infiltraria no escritório dele, onde acreditavam que estivessem os documentos incriminatórios que comprovariam o envolvimento dos Vargas na ruína de seus pais.

Helena assentiu, o coração batendo forte no peito. Ela se sentia mais forte do que nunca, a raiva e a sede de justiça substituindo o medo. Ela se separou de Leonardo, misturando-se à multidão, seus olhos buscando a figura imponente de Rodrigo.

E então, ela o viu. Rodrigo estava no centro de um grupo, sua presença magnética atraindo todos os olhares. Ele parecia um rei em seu castelo, irradiando poder e controle. Ao vê-la, seus olhos escuros encontraram os dela, e um sorriso enigmático brincou em seus lábios. Era um convite silencioso, uma promessa de perigo.

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que ele a esperava, que ele sabia que ela estava ali por um motivo. Mas ela não recuaria.

Leonardo se aproximou de Rodrigo, iniciando a conversa. Helena aproveitou a oportunidade e se afastou, deslizando pelas sombras, em direção à ala mais restrita da mansão. A música alta e as conversas animadas abafavam seus passos, permitindo que ela se movesse sem ser notada.

Ela encontrou o escritório de Rodrigo no final de um corredor longo e escuro. A porta estava fechada, mas ela sabia que ele a deixaria aberta para ela. Um detalhe que a fez hesitar. Por que tanta facilidade? Era uma armadilha?

Respirando fundo, ela empurrou a porta e entrou. O escritório era imenso, decorado com móveis clássicos e obras de arte valiosas. No centro, uma grande escrivaninha de mogno, e atrás dela, uma estante imponente.

Helena se aproximou da estante, seus olhos buscando qualquer sinal de um cofre escondido. Ela sabia que Rodrigo era cuidadoso, que esconderia as provas em um local seguro. Seus dedos percorreram os livros, os entalhes na madeira. E então, ela sentiu. Um pequeno recesso na lateral de um livro antigo.

Com as mãos trêmulas, ela pressionou o local. Um clique suave soou, e uma parte da estante se abriu, revelando um cofre embutido na parede. Era agora ou nunca.

Enquanto lutava para abrir o cofre, a voz de Rodrigo soou atrás dela, repentinamente. "Procurando algo, Helena?"

Helena se virou bruscamente, o coração na garganta. Rodrigo estava parado na porta, um sorriso frio nos lábios, a figura de Leonardo ao seu lado, com um semblante de surpresa calculada.

"Eu… eu estava apenas admirando a decoração", gaguejou Helena, tentando manter a compostura.

Rodrigo caminhou lentamente em sua direção, seus olhos fixos nos dela. "Não minta para mim, Helena. Eu sei que você está procurando as provas. As provas que ligam minha família aos seus pais."

O sangue de Helena gelou. Ele sabia. Ele a esperou. Leonardo, seu aliado, estava trabalhando com ele?

"Leonardo…?", Helena olhou para ele, a voz cheia de traição.

Leonardo não disse nada, apenas desviou o olhar.

"Ele é um jogador habilidoso, Helena", disse Rodrigo, aproximando-se dela. "Assim como você. Mas eu sempre jogo para vencer." Ele estendeu a mão e tocou a estante aberta. "Você acha que essas provas vão me prejudicar? Elas são apenas o começo de um jogo muito maior."

Helena sentiu uma onda de desespero. Ela havia sido enganada, usada. Leonardo, em quem ela depositara tanta confiança, a traíra.

"Por quê?", sussurrou Helena, as lágrimas brotando em seus olhos.

"Porque o jogo é assim, Helena", respondeu Rodrigo, sua voz assumindo um tom de comando. "E você é a minha peça mais valiosa." Ele a puxou para perto, sua mão forte em seu braço. "Vamos, vamos voltar para a festa. Não quero que nossos convidados se preocupem com o desaparecimento da estrela da noite."

Enquanto era arrastada para fora do escritório, Helena olhou para Leonardo, buscando uma explicação, uma migalha de esperança. Mas ele apenas a observou com um olhar vazio, como se ela fosse apenas uma estranha.

Naquele momento, no baile das sombras, Helena percebeu que a maior traição não vinha de Rodrigo, mas de alguém que ela acreditava ser seu aliado. O jogo do poder e do desejo havia se tornado mais sombrio e perigoso do que ela jamais imaginara. A verdade estava ali, ao seu alcance, mas agora, ela estava sozinha em meio a um mar de mentiras e manipulações.

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