O Jogo do Poder e do Desejo

Capítulo 2 — O Legado Dividido e a Sedução do Perigo

por Larissa Gomes

Capítulo 2 — O Legado Dividido e a Sedução do Perigo

Os dias que se seguiram à visita de Sofia Mendes foram marcados por uma tensão silenciosa no mundo de Ricardo Almeida. Ele se dedicou com ainda mais fervor aos seus negócios, como se pudesse afogar os pensamentos incômodos em um mar de planilhas e contratos. A aquisição da Lumina avançava, a pressão sobre seus executivos aumentando. Mas, em meio à euforia do poder, a imagem de Sofia, com seus olhos verdes desafiadores, persistia em sua mente. Ele não a queria em sua vida. Não queria essa ligação com um passado que lhe trazia apenas dor e rejeição.

Ele se lembrava de sua infância, da mãe sempre melancólica, dos olhares de pena dos vizinhos. Ele cresceu com a sombra do pai ausente, a pergunta constante do "por quê?". Essa ferida o impulsionou, o transformou no homem implacável que ele era. Ele jurara nunca depender de ninguém, nunca ser fraco. E agora, essa mulher, essa estranha, aparecia como um fantasma de seu pai, exigindo algo dele.

Naquela noite, em seu apartamento luxuoso, com a cidade cintilando lá fora como um tapete de estrelas, Ricardo se viu incapaz de relaxar. Ele serviu mais um uísque, o copo girando em seus dedos. Sofia havia mencionado um acordo, um fundo fiduciário. Ele havia revisado os documentos. A assinatura de seu pai era inconfundível. E a sua também, como testemunha, quando seu pai a havia pressionado a assinar um documento de adoção de um plano financeiro para uma criança que ele chamava de "um futuro investimento". Na época, ele era jovem, ambicioso, e via o pai como um homem excêntrico, cujas decisões não o afetavam. Ele não imaginava que essa "criança" seria uma mulher adulta, aparecendo em sua porta anos depois.

Ele não acreditava em destino, apenas em escolhas. E a escolha de seu pai fora clara: construir duas famílias, duas vidas, e deixar para trás uma confusão que agora respingava nele. Ele não era um homem de cumprir favores sentimentais. Sua vida era um jogo de poder, e ele não estava disposto a ceder terreno.

Enquanto isso, Sofia estava em um pequeno apartamento no bairro da Vila Madalena, um lugar vibrante e artístico, tão diferente do luxo estéril que Ricardo habitava. Ela havia herdado o local de sua mãe, um refúgio de cores e memórias. Naquela tarde, ela estava sentada à mesa da cozinha, rodeada de esboços e telas. Ela era artista plástica, uma paixão que herdara de sua mãe, uma mulher que sempre encontrava beleza nas coisas simples.

Sofia não se iludia sobre Ricardo Almeida. Ela sabia que ele era um homem de aço, acostumado a ter tudo sob controle. Mas ela também sabia que seu pai a amava, e que ele confiara nela a tarefa de procurar o filho que ele negligenciara. "Seja qual for o problema que você tiver com seu pai, Ricardo, não o deixe afetar essa moça", ele dissera a ela em uma de suas últimas conversas, a voz embargada. "Ela é um espírito puro. E você… você precisa de um espírito puro em sua vida."

Sofia riu de suas próprias lembranças. Seu pai, um homem que errava tanto, mas que, em seus últimos anos, demonstrava um arrependimento profundo pela ausência na vida de Ricardo. E ela, a filha ilegítima, era a portadora dessa mensagem.

"Ele precisa de um espírito puro?", ela sussurrou para si mesma. "Ou ele precisa de alguém que o force a olhar para o espelho?"

Ela decidiu dar a Ricardo o tempo que ele precisava para processar a informação. Mas ela não iria desistir. Ela sentia uma estranha conexão com aquele homem, não por laços sanguíneos, mas pela história que eles compartilhavam, mesmo que de formas tão diferentes. A história de Arthur Almeida.

Alguns dias depois, a oportunidade surgiu. Ricardo estava em um evento de caridade, um daqueles compromissos sociais que ele detestava, mas que eram necessários para manter sua imagem pública. A galeria de arte, iluminada por luzes suaves, estava repleta de pessoas influentes, filantropos e artistas. Ricardo, como sempre, mantinha uma postura reservada, observando o ambiente com um distanciamento calculado.

Foi então que ele a viu. Sofia estava em um canto, admirando uma tela abstrata, seu rosto iluminado por um sorriso genuíno. Ela usava um vestido azul marinho, que realçava a cor de seus olhos, e seus cabelos estavam presos em um coque despojado. Ela parecia completamente deslocada entre as socialites engomadas, mas emanava uma aura de autenticidade que atraía olhares.

Ricardo sentiu uma pontada de algo que ele não conseguia identificar. Irritação? Surpresa? Curiosidade? Ele se aproximou dela, sua sombra pairando sobre a sua.

"Vejo que decidiu aparecer em meu mundo, Srta. Mendes", ele disse, sua voz baixa, mas carregada de ironia.

Sofia se virou, seus olhos verdes encontrando os azuis dele. "Sr. Almeida. Que coincidência. Ou talvez não." Ela sorriu, um sorriso que parecia desafiá-lo. "Estava admirando esta obra. É… vibrante. Cheia de vida."

"É um investimento, Srta. Mendes. Nada mais", ele retrucou, o tom de negócios impregnado em sua voz. "Espero que não tenha vindo aqui para me pedir para comprar a obra para você. O fundo fiduciário tem regras."

Sofia riu, um som melodioso que contrastava com a frieza dele. "Não, Sr. Almeida. Não vim pedir nada. Apenas… apreciar. E talvez para lhe dar um lembrete."

"Um lembrete de quê?", ele perguntou, sua atenção voltando para ela, um brilho de interesse em seus olhos.

"Um lembrete de que existe mais na vida do que números e poder. Que existem paixões, cores, sentimentos. Coisas que seu pai amava. E que, quem sabe, você também possa amar." Ela fez uma pausa, seus olhos fixos nos dele. "Você disse que não tinha irmãs. Mas você tem. E eu vim para ficar."

Ricardo a encarou, uma mistura de raiva e fascínio tomando conta dele. Ela era ousada, persistente. E, de alguma forma, perturbadoramente atraente. "Você é muito corajosa, Srta. Mendes. Ou talvez apenas imprudente."

"Talvez as duas coisas", ela respondeu, sem desviar o olhar. "Mas eu acredito que, às vezes, é preciso ser um pouco imprudente para encontrar a verdade."

O olhar de Ricardo se intensificou. Ele a via ali, tão diferente de todas as mulheres que ele conhecia, mulheres que buscavam seu dinheiro, seu status. Sofia parecia buscar algo mais, algo que ele não entendia.

"A verdade é um luxo que poucos podem pagar, Srta. Mendes", ele disse, sua voz mais baixa, quase um sussurro.

"E um peso que poucos podem carregar sozinhos", ela completou, seu olhar penetrante.

Nesse momento, um homem de meia-idade, com um terno caro e um sorriso falso, se aproximou. "Sr. Almeida! Que bom encontrá-lo! E quem é esta bela dama?"

Ricardo se virou, seu semblante voltando a ser a máscara impenetrável de sempre. "Sr. Vasconcelos. Esta é Sofia Mendes. Minha… associada."

Sofia sentiu uma pontada de decepção com a resposta, mas manteve a compostura. "Prazer em conhecê-lo", ela disse, com um sorriso educado.

Vasconcelos olhou para Sofia com interesse. "Associada, é? Parece que o Sr. Almeida tem novas parcerias interessantes." Ele deu uma piscadela para Sofia. "Se precisar de algo, minha cara, não hesite em me procurar."

Ricardo sentiu um arrepio de possessividade, algo que ele não esperava. "Sr. Vasconcelos, acredito que a Srta. Mendes está em boa companhia. Com licença." Ele pegou a mão de Sofia, um gesto que surpreendeu a ambos, e a puxou gentilmente para longe.

"Você gosta de me colocar em situações embaraçosas?", Sofia sussurrou, um sorriso travesso brincando em seus lábios.

"Você é que se coloca em situações embaraçosas, Srta. Mendes", ele retrucou, seu polegar roçando suavemente as costas da mão dela. Era um toque leve, mas que enviou uma corrente elétrica através de ambos. "E você é uma distração que eu não preciso."

Sofia o olhou nos olhos, sentindo a atração que emanava dele, uma força poderosa e perigosa. "Talvez você precise mais do que pensa, Sr. Almeida."

Eles ficaram ali, em silêncio, no meio da multidão, um jogo de olhares que falava volumes. O poder, o desejo, o legado dividido. Tudo se misturava naquele momento, criando uma atmosfera carregada de tensão. Ricardo sabia que Sofia Mendes era um perigo para a sua ordem cuidadosamente construída. Mas, por mais que tentasse negar, ele também sentia uma atração inegável por aquele espírito livre, por aquela mulher que ousava desafiá-lo. O jogo do poder e do desejo havia começado, e ambos estavam prestes a descobrir o quão perigoso ele poderia ser.

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