O Jogo do Poder e do Desejo

Capítulo 4 — A Trama de um Passado e o Preço da Verdade

por Larissa Gomes

Capítulo 4 — A Trama de um Passado e o Preço da Verdade

Os dias seguintes foram um turbilhão para Ricardo. A presença de Sofia em sua vida, mesmo que indireta, perturbava sua rotina impecável. Ele se dedicava aos negócios com uma ferocidade renovada, como se pudesse sufocar os sentimentos que emergiam a cada lembrança dela. A aquisição da Lumina era seu foco principal, uma batalha que exigia toda a sua atenção. Ele precisava provar a si mesmo, e ao mundo, que era um homem de aço, insensível a qualquer fraqueza.

Mas a imagem de Sofia, seus olhos verdes desafiadores, seu sorriso travesso, o assombrava. Ele se pegava revendo a conversa na galeria, a forma como ela o confrontara com a verdade sobre seu pai. Ele não podia admitir, nem para si mesmo, mas as palavras dela o atingiram. A culpa era um veneno lento, e ele a sentia corroer suas defesas.

Ele ordenou que seus investigadores particulares investigassem Sofia. Ele precisava saber quem era aquela mulher, quais eram suas verdadeiras intenções. Os relatórios que chegavam eram surpreendentemente simples. Sofia Mendes, uma artista plástica promissora, vivendo modestamente, com um histórico limpo. Nenhuma evidência de interesse financeiro além do estipulado pelo fundo. Era quase decepcionante. Ricardo estava acostumado a inimigos calculistas, a jogos de poder com regras claras. Sofia parecia ser uma força da natureza, movida por algo que ele não entendia.

Enquanto isso, Sofia sentia a resistência de Ricardo, mas não se abatia. Ela sabia que ele estava lutando contra si mesmo, contra o passado que o moldara. Ela decidiu que precisava mostrar a ele que a verdade não era algo a ser temido, mas a ser abraçado.

Ela enviou a Ricardo um convite para uma exposição de arte. Não um convite formal, mas uma pequena tela pintada por ela, com uma única flor em tons de azul e verde, e a inscrição: "Para o homem que se esconde da luz. Venha ver as cores."

Ricardo recebeu a tela em seu escritório. Ele a encarou por um longo tempo, o coração batendo mais rápido. Era uma mensagem direta, um desafio velado. Ele não iria. Ele não cederia a essa manipulação emocional. Mas a beleza da flor, a delicadeza dos traços, o atraíram de uma forma inegável. Ele sentiu uma pontada de nostalgia, de algo que ele havia perdido.

Na noite da exposição, Ricardo estava em seu escritório, tentando se concentrar em um relatório financeiro. Mas seus pensamentos voavam para a galeria. Ele imaginava Sofia, cercada por suas obras, irradiando a mesma luz que ele tentava evitar. Ele se levantou, decidiu que precisava ter certeza de que ela não estaria lá. Era uma desculpa frágil, mas ele a agarrou com força.

Quando Ricardo chegou à galeria, o local estava repleto de pessoas. O burburinho das conversas, o aroma de tinta fresca e café. Ele se sentiu deslocado, um predador em um ambiente de presas. Ele a procurou com os olhos, seu olhar varrendo a multidão. E então ele a viu. Sofia estava no centro da galeria, conversando animadamente com um crítico de arte, seu rosto iluminado por um sorriso radiante. Ela usava um vestido vermelho vibrante, que contrastava com as outras cores ao redor, um farol de paixão e vida.

Ele se aproximou dela, sua presença imponente atraindo olhares. Sofia se virou, seus olhos verdes se encontrando com os azuis dele. Um sorriso lento se espalhou por seus lábios.

"Você veio", ela disse, a voz suave, mas carregada de triunfo.

"Eu precisava ter certeza de que você não estava causando problemas, Srta. Mendes", ele retrucou, tentando manter a fachada fria.

"Eu não causo problemas, Sr. Almeida. Eu trago a verdade. E as cores", ela disse, gesticulando para suas obras. "Eu queria que você visse. Queria que você sentisse."

Ricardo olhou ao redor, observando as pinturas. Havia uma energia nelas, uma força bruta e crua que o atingiu em cheio. As cores vibrantes, as formas abstratas, a emoção expressa em cada pincelada. Ele se sentiu atraído, cativado.

"São... interessantes", ele admitiu, relutantemente.

"Interessantes?", Sofia riu. "Eles são a minha alma, Ricardo. São a minha luta, a minha paixão, o meu amor. São tudo o que seu pai amava, e que ele tentou lhe passar."

Ricardo hesitou. "Ele não me passou nada. Apenas dor."

"A dor é apenas uma parte da história", Sofia disse, sua mão tocando seu braço suavemente. "Ele te amava. E ele se arrependia. E ele queria que você soubesse."

Nesse momento, o crítico de arte se aproximou. "Sr. Almeida! Que honra tê-lo aqui! Sua presença é muito significativa para Sofia."

Ricardo assentiu, mas seus olhos estavam fixos em Sofia. Ele sentia a familiar batalha interna. A necessidade de controlar, de se afastar. Mas a presença dela, a energia que ela emanava, o prendia.

"Eu… tenho que ir", ele disse, mais para si mesmo do que para ela.

"Você não precisa ir", Sofia disse, sua voz baixa, quase um sussurro. "Você pode ficar. Pode ver as cores. Pode sentir."

Ricardo a encarou, a tentação forte, quase avassaladora. Ele podia sentir o poder dela, a forma como ela o desarmava com sua sinceridade. Ele sabia que estava em território perigoso, mas algo o impedia de fugir.

"Por que você faz isso?", ele perguntou, sua voz rouca. "Por que você se importa tanto?"

"Porque eu vejo um homem bom escondido em você, Ricardo", ela respondeu, seus olhos verdes fixos nos dele. "Um homem que sofreu. E que merece encontrar a paz."

Eles ficaram ali, em silêncio, a multidão ao redor desaparecendo. O poder de Ricardo, a compaixão de Sofia. O passado que os unia, o futuro incerto que os separava. Ele sentiu uma vontade de se render, de deixar que ela o guiasse para fora da escuridão. Mas o medo, o medo de se machucar novamente, era um obstáculo intransponível.

"Eu… não posso", ele disse, finalmente, sua voz quase inaudível.

Sofia assentiu, um vislumbre de tristeza em seus olhos. "Eu sei. Mas um dia você vai querer. E eu estarei aqui."

Ricardo se virou e saiu da galeria, deixando para trás Sofia, suas cores vibrantes e a verdade que ela tentava lhe oferecer. Ele voltou para seu escritório, para a segurança de seus números e de seu poder. Mas, pela primeira vez, ele sentiu o peso do silêncio, a ausência das cores em sua vida. A verdade era um preço alto a pagar, mas ele começava a sentir que talvez valesse a pena. E Sofia Mendes, a mulher que o desafiava, estava se tornando mais do que uma herança inconveniente. Ela estava se tornando uma promessa de algo mais.

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