O Jogo do Poder e do Desejo

O Jogo do Poder e do Desejo

por Larissa Gomes

O Jogo do Poder e do Desejo

Por Larissa Gomes

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Capítulo 6 — A Sombra do Passado e o Beijo Roubado

O sol da manhã banhava o Rio de Janeiro com uma luz dourada, mas para Helena, a beleza da cidade era um mero cenário emoldurando a tempestade que se formava em seu peito. As palavras de Ricardo, proferidas na noite anterior em um acesso de fúria e desespero, ecoavam em sua mente como os tambores de uma guerra iminente. "Você é minha, Helena! E ninguém, absolutamente ninguém, vai tirar você de mim!" A possessividade em sua voz a arrepiou, uma mistura perturbadora de perigo e um desejo que ela lutava para reprimir.

Ela se olhou no espelho do seu luxuoso apartamento em Ipanema. Os cabelos escuros, que ela costumava prender em um coque elegante, estavam soltos e desalinhados, refletindo o caos interno. Seus olhos verdes, geralmente vibrantes e cheios de vida, carregavam agora uma sombra de preocupação. Aquele beijo… Aquele beijo inesperado, arrebatador, que ela tinha retribuído com uma paixão que a assustou, havia selado algo, uma conexão que transcendia a razão. Mas era uma conexão perigosa, manchada pelo segredo que ela guardava sobre a verdadeira natureza da herança de seu pai e o papel de Ricardo em seu destino.

Enquanto tomava seu café amargo, pensava em Arthur. O sorriso gentil dele, a forma como seus olhos azuis brilhavam de inteligência e bondade, pareciam um refúgio seguro, um contraste gritante com a intensidade avassaladora de Ricardo. Arthur representava a estabilidade, a promessa de um futuro tranquilo. Mas a verdade era que a tranquilidade não a atraía mais. A força bruta, o magnetismo sombrio de Ricardo, o perigo que emanava dele, a seduziam de uma forma que ela não conseguia explicar. Era como ser atraída para uma chama, sabendo que poderia se queimar, mas incapaz de resistir ao calor.

O telefone tocou, quebrando seus pensamentos. Era Daniel, o advogado da família. Sua voz, sempre polida e profissional, soava mais tensa do que o normal. "Helena, preciso que você venha ao escritório o mais rápido possível. Recebemos uma nova informação sobre o testamento do seu pai. É… delicada."

O coração de Helena disparou. Delicate? O que mais poderia haver? Ela sabia que a fortuna do pai era dividida de forma complexa, mas o que Daniel queria dizer com "nova informação"? Vestiu-se rapidamente, escolhendo um tailleur discreto, mas elegante, que tentava projetar uma imagem de controle que ela não sentia.

O escritório de Daniel, no centro financeiro do Rio, era um santuário de mármore e vidro. O advogado, um homem de meia-idade com óculos de aro fino, parecia ainda mais pálido que o usual. Ele a guiou até a sala de reuniões, onde um homem com um terno impecável e um olhar penetrante já a esperava.

"Helena, este é o Dr. Eduardo Vasconcelos. Ele representa a empresa que fez a auditoria final das contas do seu pai."

Eduardo Vasconcelos estendeu a mão. "Dra. Helena. É uma honra. Embora as circunstâncias sejam… complexas."

Daniel sentou-se à mesa, ajeitando os papéis. "O que descobrimos, Helena, é que seu pai, Sr. Amaro, não deixou apenas a divisão das empresas e bens. Houve um investimento significativo, feito em segredo, em um projeto de tecnologia offshore. Um projeto de alto risco, mas com um potencial de retorno astronômico."

Helena franziu a testa. "Tecnologia offshore? Meu pai nunca falou sobre isso."

"Exatamente", disse Eduardo, com um tom de admiração contida. "Ele era um visionário, Dra. Helena. E astuto. Ele investiu em uma startup que desenvolveu um sistema de criptografia revolucionário. O problema é que essa startup, até recentemente, não demonstrou o potencial que ele esperava. Mas, nas últimas semanas, houve uma reviravolta. O sistema foi adquirido por um consórcio internacional por um valor exorbitante. E a participação do seu pai, que pensávamos ser modesta, se revelou ser de 40%."

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. 40%? De um projeto que valia milhões? "Isso… isso muda tudo? A divisão dos bens?"

"Significativamente", confirmou Daniel, sua voz um pouco mais firme agora. "Essa participação representa uma fortuna adicional. Uma fortuna que, pela estrutura do contrato original que encontramos, está sob a gestão de um fundo fiduciário, com cláusulas específicas. E o beneficiário primário… é você, Helena. Mas com uma condição."

"Que condição?", perguntou ela, a voz embargada pela ansiedade.

"A condição é que você gerencie essa nova fortuna em conjunto com o representante legal do fundo", disse Daniel, olhando para Eduardo.

Eduardo assentiu. "E esse representante sou eu, em nome do fundo. O Sr. Amaro confiou em mim para garantir que esse legado fosse protegido e gerido com sabedoria. Ele sabia do potencial, mas também do risco. E ele previu a possibilidade de que você pudesse ser influenciada por pessoas com interesses escusos. Por isso, a decisão final sobre como investir ou utilizar essa fortuna recairá sobre uma decisão conjunta."

Helena sentiu um arrepio. Interesses escusos? Era um recado direto para Ricardo?

De repente, a porta da sala de reuniões se abriu bruscamente. Ricardo entrou, o terno escuro impecável, a presença imponente preenchendo o espaço. Seus olhos percorreram a sala, fixando-se em Helena com uma intensidade que a fez prender a respiração.

"Ricardo!", exclamou Daniel, surpreso. "O que faz aqui?"

"Eu tenho meus informantes, Daniel", disse Ricardo, sua voz calma, mas com um fio de aço. Ele se aproximou da mesa, ignorando a presença de Eduardo. "E fui informado que vocês estavam discutindo algo sobre a herança do pai da Helena. Algo que me diz respeito, imagino."

Helena sentiu o perigo irradiar dele. Ele sabia. Ele sempre sabia.

"Estamos apenas discutindo os detalhes finais da auditoria, Ricardo", disse Daniel, tentando manter a compostura.

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Detalhes finais? Tenho a impressão de que os detalhes são mais… explosivos do que vocês imaginam." Ele olhou para Helena, e por um instante, ela viu algo em seus olhos que a fez vacilar. Não era apenas possessividade, era uma sombra de dor, uma vulnerabilidade que ele se esforçava para esconder. "Eu não permitirei que ninguém tente manipular você ou o legado do seu pai, Helena. Especialmente se estiverem tentando se aproveitar de você."

A tensão na sala era palpável. Eduardo observava a cena com a neutralidade fria de um profissional.

"Ricardo, a Helena é a única herdeira", disse Daniel, com firmeza. "E a decisão sobre como gerir os bens é dela."

Ricardo deu um passo à frente, a mão pousando levemente no ombro de Helena. Ela sentiu o calor de sua pele através do tecido fino do tailleur. Seu olhar encontrou o dela, um olhar que falava mil palavras. Promessas, ameaças, desejo.

"Não, Daniel", disse Ricardo, sua voz baixa e rouca, quase um sussurro que só Helena podia ouvir. "Não é apenas dela. Agora, é nossa."

E antes que Helena pudesse reagir, antes que pudesse sequer processar as palavras dele, Ricardo se inclinou e a beijou. Um beijo intenso, possessivo, que a pegou de surpresa e a fez se derreter em seus braços. O gosto dele, a força dele, a forma como ele a puxava para perto, era avassalador. Ela ouviu o suspiro de Daniel, o silêncio chocado de Eduardo. Mas tudo o que importava naquele momento era a explosão de sensações que a consumia. Era um beijo de posse, de desafio, de um desejo primitivo que a fez esquecer de tudo ao redor. Quando ele se afastou, seus olhos escuros brilhavam com triunfo.

"Eu cuidarei de você, Helena", sussurrou ele, antes de se virar e sair da sala, deixando Helena com o coração disparado, a mente em turbilhão e o gosto de um beijo roubado e perigoso em seus lábios.

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