O Jogo do Poder e do Desejo

Capítulo 7 — O Jogo de Xadrez e a Teia de Ilusões

por Larissa Gomes

Capítulo 7 — O Jogo de Xadrez e a Teia de Ilusões

O silêncio que se seguiu à saída de Ricardo era pesado, carregado de significados não ditos. Helena sentia o rosto corado, o corpo ainda formigando com a intensidade do beijo. Daniel a olhava com uma mistura de reprovação e preocupação. Eduardo, impassível como uma estátua, retomou a compostura.

"Dra. Helena", disse Eduardo, com a voz calma, "as cláusulas são claras. Qualquer decisão sobre a nova fortuna exige nosso acordo mútuo. O Sr. Amaro não tomou essa decisão levianamente. Ele temia que pessoas como o Sr. Montenegro tentassem controlar o seu futuro."

Helena balançou a cabeça, tentando organizar os pensamentos. Ricardo. A nova fortuna. A teia de ilusões que seu pai, e agora Ricardo, pareciam tecer ao seu redor. Ela sempre pensou que conhecia a verdade sobre o legado de seu pai, mas agora tudo parecia mais complexo e perigoso do que jamais imaginara.

"Ele não tem direito de… decidir o que é nosso", disse Helena, a voz ainda trêmula. "E aquele beijo… foi uma afronta."

Daniel suspirou, passando a mão pela testa. "Ricardo é um homem de influência, Helena. Ele sabe como jogar esses jogos. E o fato de ele saber sobre essa nova fortuna indica que seus informantes são eficientes. Precisamos ser cuidadosos."

"Cuidadosos?", Helena riu sem humor. "Estou presa em um jogo que não pedi para jogar, com um adversário que parece saber todos os meus passos antes mesmo de eu pensar neles."

"Não se desespere", disse Eduardo, com um tom de autoridade. "Seu pai o deixou preparado. Essa fortuna é sua. E eu estou aqui para garantir que seus direitos sejam protegidos. Precisaremos trabalhar juntos, Helena. Mas com discrição. E com estratégia."

Eles passaram as horas seguintes revisando os documentos. Helena aprendeu sobre a estrutura do fundo fiduciário, as proteções legais que seu pai havia implementado, e a extensão do potencial daquela fortuna recém-descoberta. Era um montante que poderia garantir não apenas sua segurança, mas a de gerações futuras. E era exatamente por isso que Ricardo a queria perto, por isso ele a manipulava com seu carisma sombrio. Ele queria o controle.

Ao sair do escritório de Daniel, o sol já começava a se pôr, tingindo o céu de laranja e rosa. Helena sentia um peso esmagador. Ela precisava falar com Arthur. Ele representava a luz, a honestidade. Mas a imagem de Ricardo, seus olhos intensos e o beijo roubado, a assombravam. Ela se sentia atraída para a escuridão dele, para o perigo que ele representava.

Encontrou Arthur em seu estúdio de arte, o cheiro de tinta e terebintina pairando no ar. Ele estava concentrado em uma tela, pincelando com a delicadeza de um cirurgião. Ao vê-la, seus olhos azuis se iluminaram.

"Helena! Que surpresa agradável. Você está linda hoje." Ele a abraçou calorosamente, e por um instante, Helena se sentiu segura.

Ela hesitou, sem saber por onde começar. Contou a ele sobre a nova fortuna, sobre as complexidades do testamento, mas omitiu o beijo. Não conseguia. Era um segredo que ela precisava processar sozinha. Arthur ouviu com atenção, sua expressão séria.

"Isso é… surpreendente, Helena. Seu pai sempre foi um homem de muitos segredos. Mas parece que ele preparou você para tudo."

"Não sei se estou preparada, Arthur. É muita responsabilidade. E Ricardo… ele está envolvido nisso também."

Arthur apertou os lábios. "Eu sei que Ricardo é um homem poderoso. Mas você não precisa se deixar ser controlada por ele, Helena. Você tem força própria."

"É mais complicado do que parece", disse Helena, sentindo a frustração crescer. Ela queria gritar, contar a ele tudo, mas o medo a impedia. Medo de sua reação, medo de perder a única âncora de sanidade que lhe restava.

Naquela noite, Helena mal dormiu. As imagens se misturavam: o sorriso gentil de Arthur, o olhar possessivo de Ricardo, a cifra astronômica da nova fortuna, a voz calculista de Eduardo. Ela se sentia como uma peça em um tabuleiro de xadrez, movida por forças que ela mal compreendia.

Dias depois, Helena recebeu um convite inesperado de Ricardo. Um jantar em sua cobertura de luxo em Copacabana, com vista para o mar. Daniel a aconselhou a não ir, mas Helena sentiu que precisava encarar Ricardo, confrontá-lo em seu próprio território.

A cobertura era um monumento ao poder e à ostentação. Mármore, ouro, obras de arte caríssimas. Ricardo a recebeu com um sorriso sedutor, um copo de champanhe na mão.

"Que bom que você veio, Helena", disse ele, seus olhos escuros estudando-a. "Eu sabia que você não resistiria."

"Eu vim para que possamos conversar, Ricardo. Sobre o que está acontecendo."

Ele a conduziu até uma varanda com vista para a cidade iluminada. "O que está acontecendo, Helena, é que o seu destino está sendo redesenhado. E eu estou aqui para garantir que você não cometa erros."

"Erros? Você quer dizer, não seguir o seu plano?"

Ricardo riu, um som baixo e rouco. "Meu plano é o seu plano, Helena. Eu conheço você. Sei do que você é capaz. E sei do que você precisa. Você precisa de alguém que a proteja, que a guie. Alguém que possa lidar com a intensidade deste mundo."

"E você se considera essa pessoa?", Helena perguntou, a voz carregada de sarcasmo.

Ele se aproximou dela, o perfume caro e amadeirado envolvendo-a. "Eu sei que sim. Eu vi nos seus olhos. Eu senti quando te beijei. Você me quer, Helena. Assim como eu quero você."

Ele a puxou para si, a boca encontrando a dela em um beijo que era mais uma batalha do que uma carícia. Era uma tentativa de dominação, de reafirmação de poder. Helena lutou por um momento, o instinto de autopreservação gritando em seu peito. Mas então, algo mudou. A resistência se dissolveu, substituída por uma faísca de desejo que ela não conseguia mais negar. Era a mesma faísca que a atraía para o perigo, a mesma que a fazia questionar sua própria sanidade.

Quando se afastaram, o olhar de Ricardo era triunfante. "Viu?", sussurrou ele. "Nós somos fogo, Helena. E juntos, podemos incendiar o mundo."

Ele a guiou para dentro, para um jantar regado a vinhos caros e conversas calculadas. Cada palavra de Ricardo era uma armadilha, cada olhar uma promessa velada. Ele a seduzia, a envolvia em sua teia de ilusões, pintando um quadro de um futuro juntos, um futuro de poder e paixão desenfreada. Helena sentia-se dividida. Uma parte dela o repelia, alertando-a para o perigo. Outra parte, a parte mais profunda e sombria, se rendia à sua atração magnética, ao fascínio que ele exercia sobre ela. Ela sabia que estava dançando perigosamente à beira de um abismo, mas por enquanto, a música de Ricardo era a única que ela conseguia ouvir.

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