A Doce Tirania do CEO

Capítulo 18 — O Labirinto Corporativo e a Verdade Desconfortável

por Beatriz Mendes

Capítulo 18 — O Labirinto Corporativo e a Verdade Desconfortável

Os dias seguintes foram um borrão de reuniões tensas e corredores polidos da Mansão Montenegro. Ana Clara, apesar de abalada, tentava manter a compostura. Ela havia retornado ao trabalho na galeria, sentindo-se observada por todos, como se o rompimento com Eduardo fosse um escândalo público. Carolina, em particular, a tratava com uma simpatia exagerada, como um tubarão disfarçado de golfinho, sempre pronta para dar um golpe nas entrelinhas.

A exposição de Ana Clara estava se aproximando, e a pressão aumentava. Ela sabia que uma parte significativa de seu sucesso dependia da aprovação de Eduardo, não apenas como investidor, mas como a figura central de seu universo. A falta de contato dele era um silêncio ensurdecedor, que ecoava a dúvida em sua mente: ele a havia abandonado, por não aceitar sua fragilidade, sua busca por independência?

Em uma tarde particularmente frustrante, Ana Clara se encontrou em uma reunião com a equipe financeira da Montenegro Corporation. A discussão girava em torno de um investimento estratégico para a galeria, um projeto que Eduardo havia prometido apoiar, mas que agora parecia envolto em burocracia e incerteza.

“Senhorita Ana Clara”, disse o Sr. Silva, o contador de semblante severo, “as projeções financeiras para a expansão da galeria exigem uma análise mais aprofundada. Há riscos inerentes ao mercado de arte que precisam ser cuidadosamente ponderados antes de liberarmos o capital.”

Ana Clara sentiu um aperto no peito. Era a desculpa corporativa para o distanciamento de Eduardo. Ele estava usando os negócios para se afastar, para se proteger, e, de certa forma, para puni-la por não ter se encaixado em seu mundo idealizado.

“Sr. Silva”, ela respondeu, tentando manter a voz firme, “Eduardo sempre demonstrou grande interesse neste projeto. Ele sabe do meu comprometimento e do potencial da galeria.”

“O Senhor Eduardo é um homem de negócios, Senhorita Ana Clara”, retrucou o Sr. Silva, com um leve sorriso irônico. “E neste momento, ele está avaliando os riscos com a clareza que o mercado exige. A paixão é um sentimento nobre, mas não é um bom indicador para investimentos de larga escala.”

As palavras dele foram como um soco no estômago. Paixão. Ele estava reduzindo o amor dela por sua arte, a dedicação de anos, a um mero sentimento passageiro, uma fraqueza. E o pior, ele sabia que isso machucaria Ana Clara, e mesmo assim, ele o fez.

“Eu entendo”, Ana Clara disse, a voz fria agora, a mágoa se transformando em uma resolução gélida. “Talvez seja hora de eu buscar meus próprios recursos, sem depender da benevolência da Montenegro Corporation.”

Ela se levantou, ignorando os olhares surpresos dos presentes. Precisava de ar, precisava pensar. Correu para o banheiro, trancou-se em uma das cabines e permitiu que as lágrimas finalmente caíssem. O peso do mundo, a dor do amor perdido e a insegurança profissional a esmagavam.

Enquanto soluçava, ouviu vozes do lado de fora. Eram Carolina e outra colega de trabalho, a Mariana.

“Eu disse que ela não duraria muito tempo”, dizia Carolina, com um tom de satisfação mal disfarçada. “Essa história com o Eduardo estava destinada ao fracasso. Ele é um homem de objetivos claros, e ela… bem, ela é uma artista sonhadora. Eles não se encaixam. E agora, com a exposição às portas, e Eduardo se afastando, o que ela vai fazer?”

“Mas ela parece tão abalada”, comentou Mariana. “E o trabalho dela… é tão bom.”

“Bom, sim. Mas falta o toque… comercial”, Carolina desdenhou. “Se ela fosse mais flexível, se entendesse o que ele quer, talvez as coisas fossem diferentes. Mas ela é teimosa. E no mundo dos negócios, teimosia custa caro. Eu, pessoalmente, estou pensando em fazer uma proposta para a galeria… dar um novo rumo, talvez com artistas mais… alinhados com os interesses da Montenegro.”

Ana Clara prendeu a respiração. Carolina não estava apenas observando, estava agindo nas sombras. Ela estava planejando assumir o controle da galeria, expulsá-la, e tudo isso se aproveitando de seu momento de fragilidade. A verdade desconfortável era que Eduardo, ao se afastar, a havia deixado vulnerável, e Carolina estava pronta para explorar essa vulnerabilidade.

Ela saiu do banheiro, o rosto marcado pelas lágrimas, mas com um brilho de determinação nos olhos. Não era hora de se lamentar. Era hora de lutar. Ela sabia que precisava confrontar Eduardo, não para implorar por seu amor, mas para exigir uma explicação, para entender o que a levou a essa situação.

Mais tarde naquele dia, ela dirigiu até a sede da Montenegro Corporation. Ignorou os recepcionistas perplexos e subiu direto para a sala de Eduardo. A porta estava entreaberta. Ela entrou sem bater.

Eduardo estava sentado à sua mesa, a testa franzida em concentração. Ele levantou o olhar, surpreso ao vê-la ali. A expressão em seu rosto mudou de surpresa para uma defensiva cautelosa.

“Ana Clara. O que está fazendo aqui?” A pergunta era fria, distante.

“Eu preciso de uma explicação, Eduardo”, ela disse, a voz embargada, mas firme. “Por que você está me tratando assim? Por que você está usando os negócios para se afastar de mim? Por que você me fez acreditar que tínhamos algo real, se você estava disposto a me descartar tão facilmente?”

Eduardo se levantou, os punhos cerrados. “Descartar? Você está me acusando de te descartar?”

“Sim! Você me fez sentir insegura, disse que eu precisava confiar em você, e agora você me ignora, me deixa à mercê de pessoas como a Carolina, que estão tramando para tirar tudo de mim! Você está me abandonando, Eduardo!” As lágrimas voltaram a molhar seu rosto.

“Você não entende nada, Ana Clara!”, ele gritou, a voz carregada de frustração. “Você acha que é fácil para mim? Você acha que eu não lido com pessoas que querem me manipular, que querem tirar vantagem de mim, todos os dias? Você me expôs suas inseguranças, e eu tentei te proteger. Mas você se afastou, me acusou de ser um tirano. E agora eu vejo que você não confia em mim o suficiente para superar seus próprios medos.”

“Confiança se constrói, Eduardo! E não se constrói com distanciamento e frieza! Você me prometeu apoio, e agora você me deixa à beira do abismo, enquanto a Carolina planeja me empurrar para dentro dele!”

A verdade desconfortável pairava entre eles. Eduardo havia se afastado, sim, mas talvez por uma tentativa equivocada de dar a Ana Clara o espaço que ela dizia precisar. E Ana Clara, em sua própria insegurança, interpretou esse espaço como abandono. Carolina, a oportunista, estava se aproveitando da brecha. O labirinto corporativo e os meandros dos sentimentos se entrelaçaram, criando uma teia complexa de mal-entendidos e mágoas.

“Eu não posso mais com isso, Eduardo”, Ana Clara disse, a voz rouca. “Eu preciso saber se você vai lutar por nós, ou se eu preciso lutar sozinha.”

Ele a encarou, os olhos azuis turbulentos, um turbilhão de emoções conflitantes. Mas antes que pudesse responder, a porta se abriu novamente. Era Carolina, com um sorriso forçado.

“Com licença, Eduardo. Desculpe interromper. Mas ouvi parte da conversa. Ana Clara, sei que você está passando por um momento difícil. Se precisar de qualquer coisa, ou se quiser discutir o futuro da galeria, estou à disposição. Talvez juntos possamos encontrar um caminho mais… seguro.”

O convite insidioso de Carolina selou o destino daquele momento. Ana Clara olhou para Eduardo, esperando que ele a defendesse, que a protegesse. Mas ele permaneceu em silêncio, um silêncio que era uma resposta em si. A tirania da insegurança, a fragilidade da confiança, e a ambição da concorrência haviam criado um nó quase impossível de desatar.

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