Coração de Magnata, Alma de Sonhadora

Coração de Magnata, Alma de Sonhadora

por Fernanda Ribeiro

Coração de Magnata, Alma de Sonhadora

Romance Milionário CEO

Autor: Fernanda Ribeiro

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Capítulo 21 — O Preço da Verdade Revelada

O aroma inebriante do jasmim pairava no ar pesado da mansão dos Montenegro, um perfume que antes trazia a promessa de romance, mas que agora parecia sufocar Sofia. As palavras de Antônio ecoavam em sua mente como um trovão distante, cada sílaba carregada com o peso de anos de mentiras e omissões. Ele havia confessado. A verdade, nua e crua, estava ali, exposta como uma ferida aberta entre eles. Não era um acidente, não era uma fatalidade qualquer. Era premeditado. Miguel, seu irmão, fora o alvo. A culpa, agora, pesava como uma âncora em seu peito, dilacerando-a em pedaços.

Sofia estava sentada no luxuoso sofá de veludo azul da biblioteca, as mãos tremendo enquanto segurava uma xícara de chá que já estava frio. As estantes repletas de livros, antes um refúgio, agora pareciam testemunhas silenciosas de sua dor. Antônio, de pé perto da lareira apagada, a observava com uma expressão que misturava desespero e uma resignação sombria. Seus olhos, geralmente tão penetrantes e confiantes, agora refletiam a angústia de quem carrega um fardo insuportável.

"Eu... eu não consigo acreditar, Antônio", a voz de Sofia saiu embargada, quase um sussurro. "Miguel era seu amigo. Como você pôde?"

Antônio deu um passo hesitante em sua direção, as mãos cerradas em punhos. "Sofia, por favor, me deixe explicar. Não foi um ato de maldade, foi... foi desespero. Uma escolha terrível em um momento de completa escuridão."

"Desespero?", ela repetiu, a incredulidade tingindo sua voz. Seus olhos marejaram, e as primeiras lágrimas teimosas começaram a rolar por seu rosto. "Você destruiu uma família, Antônio! Você destruiu a minha família!"

Ele se aproximou mais, a ponto de poder tocá-la, mas hesitou. O espaço entre eles parecia um abismo intransponível, um abismo construído com anos de segredos. "Eu sei. E eu carrego essa culpa todos os dias. Mas a verdade é que a situação era... muito mais complexa do que eu jamais pude imaginar. Havia ameaças, Sofia. Ameaças à nossa própria segurança, à sua segurança."

Sofia balançou a cabeça lentamente, incapaz de absorver as palavras dele. "Ameaças? Que ameaças? E por que você não me contou antes? Por que esperar todos esses anos? Por que me deixar viver nessa ilusão?"

"O medo", Antônio respondeu, a voz rouca. "Medo de perder você. Medo de que a verdade a afastasse de mim para sempre. E, em parte, medo das consequências. O que eu fiz foi para proteger, de uma forma distorcida e equivocada, mas era o que eu achava que precisava fazer."

Ele se ajoelhou diante dela, o olhar fixo no dela, implorando por compreensão. "Miguel... ele estava envolvido em algo perigoso, Sofia. Algo que colocava muitas pessoas em risco. Eu tentei tirá-lo dessa vida, mas ele não ouvia. E quando a situação se tornou insustentável, eu tomei uma decisão que me assombra até hoje. Foi um acidente orquestrado, sim, mas não com a intenção de matá-lo. Foi para... para que ele parasse. Para que ele fosse detido antes que pudesse causar um dano irreparável."

As palavras de Antônio a atingiram como golpes físicos. Um acidente orquestrado. A ideia era horrível, grotesca. "Um acidente orquestrado para detê-lo? E você me deixou acreditar que foi apenas um trágico acidente? Você me permitiu chorar por meu irmão, sofrer pela sua perda, sabendo que você teve algum tipo de participação nisso?"

"Sofia, eu estava apavorado. Acreditava que se a verdade viesse à tona, você me odiaria. E eu não suportaria isso. Eu te amo mais do que a minha própria vida. A ideia de perder você era insuportável. Então, eu menti. Eu me tornei o monstro que você vê agora, para tentar manter a paz, para tentar te manter perto."

As lágrimas de Sofia agora corriam livremente, molhando as palmas de suas mãos que cobriam o rosto. O amor que sentia por Antônio, tão forte e verdadeiro, agora estava em conflito com a repugnância pela mentira, pela manipulação. Ela o amava, mas como poderia amar alguém que a enganou de forma tão cruel?

"Você não entende, Antônio", ela disse, a voz quebrada. "Eu não preciso de mentiras para estar perto de você. Eu preciso da verdade. Eu preciso saber que a pessoa que eu amo é alguém em quem eu posso confiar. E agora... agora eu não sei mais."

Ele segurou as mãos dela, o toque quente em sua pele fria. "Sofia, por favor. Eu sei que errei. Errei de forma monumental. Mas eu nunca deixei de te amar. E eu preciso que você saiba que a minha motivação, por mais errada que tenha sido a execução, era te proteger e proteger outros. Miguel estava em um caminho sem volta."

"E qual era o caminho dele?", Sofia perguntou, a voz tensa. "E quem eram essas 'outras pessoas' que precisavam ser protegidas? Você me deve isso, Antônio. Você me deve toda a verdade."

Antônio suspirou, o peso da confissão ainda evidente em seus ombros. Ele sabia que a jornada para reconquistar a confiança de Sofia seria longa e árdua, talvez impossível. Mas ele precisava tentar. Ele não podia mais viver com o peso das mentiras, não quando o amor que sentia por ela era a única coisa que ainda lhe dava algum sentido.

"Vamos sentar", ele disse, levantando-se e estendendo a mão para ela. "Eu vou te contar tudo. Desde o início. E você tem todo o direito de me odiar no final. Mas eu preciso que você saiba."

Sofia olhou para a mão estendida dele, hesitando por um longo momento. Cada fibra de seu ser gritava para correr para longe, para fugir daquele homem que a amava e a enganava ao mesmo tempo. Mas o desejo por respostas, a necessidade de entender o que realmente aconteceu com seu irmão, a mantinha presa. Lentamente, tremendo, ela colocou sua mão na dele.

Enquanto ele a guiava de volta para o sofá, o silêncio pairava no ar, carregado de expectativas e temores. A noite que se prometia longa, seria a noite em que as sombras do passado finalmente seriam dissipadas, revelando um futuro incerto, mas, esperançosamente, mais honesto. A verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho a seguir. E Sofia, com o coração partido, estava pronta para encarar o preço.

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