Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

por Beatriz Mendes

Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Autor: Beatriz Mendes

Capítulo 11 — A Sombra do Passado

O cheiro de maresia e madeira envelhecida pairava no ar, um perfume melancólico que Sofia não conseguia associar à liberdade que tanto almejara. A pequena pousada em Paraty, com suas paredes caiadas e janelas com rendas de crochê, deveria ser um santuário, um refúgio seguro. Mas, em vez disso, parecia uma gaiola dourada, com os barrotes finos da sua própria insegurança. Cada dia que passava, a imagem de Eduardo a assombrava, não como o predador implacável que ele se mostrava em São Paulo, mas como a silhueta imponente em seu escritório, o olhar penetrante que parecia ler em sua alma.

Ela tentava se ocupar. Desenhava na pequena varanda que dava para um jardim de buganvílias vibrantes, a brisa soprando suavemente em seu rosto. Mas os traços no papel não fluíam. O traço firme de seus lápis era interrompido por rabiscos furiosos, a beleza exótica das flores se transformando em espirais escuras e retorcidas. O seu coração, antes ágil e cheio de sonhos, agora batia em um compasso irregular, prenunciando perigos que ela não conseguia nomear.

O proprietário da pousada, Seu Antenor, um senhor de cabelos brancos e sorriso gentil, tentava fazê-la se sentir em casa. Trazia-lhe café fresco pela manhã, contava histórias sobre a cidade colonial e a observava com uma preocupação velada. Sofia agradecia os gestos, mas sabia que a gentileza dele não era suficiente para apagar o rastro que Eduardo deixara em sua vida. Aquele homem não era do tipo que desistia fácil. Ela o conhecia o suficiente para saber que, se ele quisesse encontrá-la, encontraria.

Naquela noite, a lua cheia lançava um véu prateado sobre as ruas de pedra de Paraty. Sofia não conseguia dormir. Vestiu um roupão leve e desceu até a praia. A areia fria em seus pés era um alívio, o som das ondas um murmúrio constante que a embalava em uma falsa tranquilidade. Ela se sentou em um tronco de madeira trazido pela maré, observando o horizonte escuro.

De repente, um vulto se materializou nas sombras. Um homem, a silhueta esguia e elegante, avançou em sua direção. O coração de Sofia disparou, um tambor de guerra em seu peito. Ela se levantou, pronta para fugir, mas uma voz rouca e familiar a fez parar.

"Não fuja de mim, Sofia."

Era Ricardo. Ele se aproximou, seus olhos escuros fixos nos dela, uma mistura de angústia e resignação em seu olhar.

"O que você está fazendo aqui?", Sofia conseguiu perguntar, a voz embargada.

"Eu precisei vir", disse Ricardo, parando a poucos passos dela. "Não podia mais deixar você sozinha com ele. Ele é perigoso, Sofia. Mais do que você imagina."

Sofia sentiu um arrepio. "Você sabe alguma coisa sobre ele? Sobre o que ele quer?"

Ricardo hesitou. A lua iluminou seu rosto, revelando marcas de cansaço e preocupação. "Sei o suficiente. Eduardo é um homem obcecado pelo controle. Ele te vê como uma posse, algo que ele perdeu e quer de volta a qualquer custo."

"Mas por quê? Por que eu? Eu não sou nada para ele além de um inconveniente para o casamento dele."

"Você é mais do que isso. E você sabe." A voz de Ricardo carregava uma intensidade que Sofia não conseguia decifrar. "Ele te ama, Sofia. De um jeito doentio, possessivo, mas ama. E o orgulho dele não suporta ser rejeitado. Você o humilhou, fugiu dele. Isso para ele é inaceitável."

Sofia sentiu um misto de pavor e uma estranha pontada de algo que se parecia com… compaixão? Não, não podia ser. Eduardo era o monstro. Mas a forma como Ricardo falava, a sinceridade em seus olhos, a fazia questionar tudo.

"Ele te mandou?", ela perguntou, a voz desconfiada.

Ricardo balançou a cabeça lentamente. "Não. Eu vim por conta própria. Eu sei que ele é perigoso. Eu vi do que ele é capaz. E eu não quero que você seja a próxima vítima dele."

Sofia o encarou. Havia algo em Ricardo que a acalmava, uma fragilidade que ela não via em Eduardo. Mas ela não podia se dar ao luxo de confiar em ninguém. A sua liberdade, tão dura e precariamente conquistada, era o seu bem mais precioso.

"Você acha que fugir vai adiantar alguma coisa?", ela perguntou, o tom amargo. "Ele tem os recursos dele. Ele pode me encontrar em qualquer lugar."

"Talvez não se você não estiver sozinha", Ricardo respondeu, dando um passo hesitante em sua direção. "Eu posso te ajudar, Sofia. Posso te levar para longe. Para um lugar onde ele não possa te alcançar."

Sofia o observou atentamente. Havia uma sinceridade em seu olhar que a perturbava. Ela sabia que Eduardo era um homem perigoso, com um passado sombrio que envolvia muitas pessoas e muitos segredos. Ricardo parecia ter conhecimento dessas sombras.

"Por que você faria isso, Ricardo?", ela perguntou, a voz baixa. "Por que você se arriscaria por mim?"

Ricardo sorriu, um sorriso triste e melancólico. "Porque eu também já fui um peão no jogo dele, Sofia. E eu sei como é ser usado e descartado. Eu não quero que você passe pelo mesmo."

Sofia sentiu um arrepio. O que Ricardo estava dizendo era perigoso, mas também tocava em algo profundo em seu interior. A ideia de ter alguém ao seu lado, alguém que entendesse, era tentadora. Mas a lembrança do juramento que ela fizera a si mesma – de nunca mais ser controlada, de nunca mais ser refém de ninguém – a fez recuar.

"Eu preciso ficar sozinha, Ricardo", ela disse, a voz firme. "Eu preciso descobrir por mim mesma."

Ricardo suspirou, uma nuvem de decepção em seu rosto. "Você tem certeza? Ele não vai desistir, Sofia. Ele é implacável."

"Eu sei", ela respondeu, olhando para o mar. "Mas eu também não vou desistir."

Ela sentiu o olhar de Ricardo sobre si, um olhar de preocupação que a acompanhou enquanto ela se afastava da praia, voltando para a segurança ilusória da pousada. A noite em Paraty, antes serena, agora estava carregada de uma tensão palpável. A sombra de Eduardo pairava sobre ela, e a aparição de Ricardo apenas aprofundou o mistério e o perigo que a cercavam. Ela estava sozinha, sim, mas agora sabia que não estava completamente esquecida. E essa certeza era, ao mesmo tempo, um conforto e um terror.

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