Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Capítulo 13 — O Preço da Liberdade

por Beatriz Mendes

Capítulo 13 — O Preço da Liberdade

A noite em Paraty parecia ter se curvado à vontade de Eduardo. O ar, antes perfumado pela maresia e pelas flores, agora carregava um peso de ameaça. Sofia sentiu o chão sumir sob seus pés ao vê-lo ali, imponente, a força bruta disfarçada em elegância fria. As palavras dele, "Você vem comigo, Sofia. Voluntariamente, ou não", ecoavam em sua mente como uma sentença.

Ela olhou para Ricardo, que parecia mais pálido do que antes. Havia uma hesitação em seus olhos, um reconhecimento tácito da superioridade de Eduardo naquele momento. Ele sabia que não podia protegê-la ali, não contra aqueles homens, não contra a influência de Eduardo.

"Eu não vou com você", Sofia disse, a voz trêmula, mas com uma teimosia que a surpreendeu. Ela sentiu uma força interior que não sabia possuir, um instinto de sobrevivência que a impelia a resistir.

Eduardo deu um passo à frente, a distância entre eles diminuindo perigosamente. Seus olhos, escuros como a noite, a envolviam, tentando desvendar suas intenções, forçá-la a ceder. "Você não tem escolha, Sofia. Você é minha noiva. E tem um casamento a cumprir."

"Um casamento forçado!", ela retrucou, a voz ganhando força. "Um casamento que eu não quero! Eu preferia morrer a me casar com você!"

A ousadia dela o atingiu como um golpe. Eduardo recuou um passo, a surpresa momentaneamente substituindo a frieza em seu rosto. Ele não estava acostumado a ser desafiado dessa forma.

"Você fala de morte com tanta leveza?", ele perguntou, a voz perigosamente baixa. "Você não tem ideia do que está falando, Sofia. Você não sabe com quem está lidando."

Ricardo interveio, dando um passo cauteloso à frente. "Deixe-a ir, Eduardo. Ela não quer você. Você não pode forçá-la."

Eduardo virou-se para Ricardo, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "E quem é você para me dizer o que eu posso ou não posso fazer? O homem que oferece refúgio? Que se esconde nas sombras? Você não passa de um verme, Ricardo. Um parasita. E você não tem nada a oferecer a ela."

Ricardo sentiu o sangue subir à cabeça. Aquelas palavras, ditas com tanta desprezo, o atingiram em seu ponto mais fraco. Mas ele sabia que um confronto físico ali seria desastroso para Sofia.

"Eu ofereço o que você não pode, Eduardo", Ricardo disse, tentando manter a calma. "Liberdade. E respeito. Coisas que você parece desconhecer."

Eduardo deu uma risada curta e amarga. "Liberdade? Você vai oferecer o quê? Um beco sujo? Uma vida de escassez? Você não pode protegê-la. E ela sabe disso. Não é, Sofia?"

Ele voltou seu olhar para ela, esperando vê-la desmoronar. Mas Sofia, para sua surpresa, manteve a postura. Ela respirou fundo, o cheiro de sal e desespero misturando-se em sua garganta.

"Eu não preciso da proteção de ninguém, Eduardo", ela disse, a voz firme, apesar do tremor interno. "Eu prefiro enfrentar as consequências sozinha do que me tornar sua propriedade. O preço da minha liberdade é alto, mas eu estou disposta a pagá-lo."

Houve um silêncio pesado. Os homens de Eduardo, imóveis nas sombras, observavam a cena com a mesma impassibilidade com que observavam tudo. O mar continuava a bater na areia, indiferente ao drama humano.

Eduardo a encarou por um longo momento. Ele viu a determinação em seus olhos, a coragem que ela nem sabia que possuía. E algo nele, algo que ele pensava ter enterrado há muito tempo, se agitou. Era admiração? Ou apenas uma frustração ainda maior por não conseguir controlá-la?

"Você é teimosa, Sofia", ele disse, a voz mais suave agora, quase um sussurro perigoso. "E essa teimosia vai te custar caro." Ele fez um gesto com a cabeça para seus homens. "Vamos embora."

Sofia sentiu um alívio avassalador, mas também um pavor crescente. Eles estavam indo embora, mas ele voltaria. Ela sabia disso. A batalha não havia acabado, apenas mudado de fase.

Enquanto Eduardo e seus homens se afastavam pela praia, Ricardo se aproximou de Sofia. Ele a observou por um instante, a preocupação estampada em seu rosto.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz baixa.

Sofia assentiu, mas seus olhos estavam fixos na silhueta de Eduardo se perdendo na escuridão. "Eu vou ficar bem", ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele. "Eu tenho que ficar."

Ricardo colocou uma mão em seu ombro, um gesto de conforto hesitante. "Você foi corajosa, Sofia. Muito corajosa."

Sofia se afastou ligeiramente, ainda sentindo a necessidade de manter distância, de não se tornar dependente de ninguém. "Eu não tive escolha", ela disse. "Eu não posso deixar que ele me controle."

"Eu sei", Ricardo respondeu. "Mas você não pode ficar aqui sozinha. Ele vai voltar. E ele não vai desistir fácil."

Sofia suspirou, o peso da realidade caindo sobre ela. "Eu sei. Mas eu não posso ir com você. Eu preciso resolver isso sozinha."

Ricardo a encarou, uma mistura de admiração e preocupação em seus olhos. "Se você mudar de ideia, pode me procurar. Eu estarei por perto." Ele hesitou por um momento, como se quisesse dizer algo mais, mas apenas acenou com a cabeça e se afastou.

Sofia ficou sozinha na praia, o som das ondas agora um lamento solitário. Ela havia resistido, havia recusado a oferta de Eduardo. Mas o preço de sua liberdade parecia cada vez mais alto. Ela estava sem dinheiro, sem aliados, e com um inimigo poderoso em seu encalço. A noite em Paraty, que deveria ser um refúgio, agora era um campo minado.

Ela voltou para a pousada, o coração acelerado. Seu Antenor a recebeu com um olhar preocupado.

"Está tudo bem, moça?", ele perguntou.

"Sim, Seu Antenor. Tudo bem", ela respondeu, forçando um sorriso. Mas ela sabia que não estava. A liberdade que ela tanto almejava tinha um preço. E ela estava apenas começando a descobri-lo. A sombra de Eduardo se estendia até aquele paraíso, e ela sabia que a luta pela sua autonomia seria longa e árdua. Ela havia recusado o controle dele, mas agora, mais do que nunca, sentia a fragilidade de sua própria posição. O preço da liberdade era a solidão e a constante vigilância.

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