Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Capítulo 14 — O Pacto Silencioso

por Beatriz Mendes

Capítulo 14 — O Pacto Silencioso

O retorno a São Paulo foi um purgatório para Sofia. O jatinho particular de Eduardo a levou de volta para a cidade que ela tentava desesperadamente esquecer. A paisagem urbana, com seus arranha-céus imponentes e o tráfego incessante, parecia agora uma representação física da teia em que ela se encontrava. Eduardo a levou direto para a mansão que ele havia preparado para ela, um gesto que ele chamou de "cortesia", mas que Sofia sentiu como uma jaula dourada.

O lugar era luxuoso, opulento, mas desprovido de qualquer calor. Móveis de design moderno, obras de arte caras, uma vista panorâmica da cidade que, em vez de inspirar, a sufocava. Ela se sentiu como um troféu exposto, um prêmio conquistado após uma batalha. Seus pertences pessoais, que ela havia deixado na casa de sua falecida mãe, foram trazidos para lá sob seu pretexto de "garantir o conforto dela". Cada objeto parecia ter sido revistado, avaliado, como se pertencessem a ele agora.

Eduardo se movia pela casa com a mesma confiança que demonstrava em seu escritório, o dono absoluto de tudo o que via. Ele a observava com uma intensidade que a deixava desconfortável, como se estivesse sempre analisando seus movimentos, esperando uma falha.

"Você precisa se acostumar com o seu novo lar, Sofia", ele disse, a voz suave, mas carregada de uma autoridade implacável. "Este será o nosso lar. Até o casamento."

Sofia o olhou, o desprezo misturado com o desespero em seus olhos. "Eu nunca vou me acostumar com isso, Eduardo. E eu nunca vou me casar com você."

Eduardo sorriu, um sorriso sem alegria. "Isso é o que você pensa agora. Mas o tempo é um grande professor, Sofia. E eu tenho todo o tempo do mundo."

Ele a deixou em seu quarto, um espaço amplo e elegantemente decorado, mas que parecia mais uma prisão. A porta não tinha fechadura por dentro. Ela estava ali, sob vigilância constante, mesmo que disfarçada. Seus movimentos eram monitorados. Um guarda particular de Eduardo ficava postado do lado de fora, um silêncio ameaçador.

Os dias se tornaram uma rotina opressora. Ela tentava se ocupar com seus desenhos, mas a inspiração parecia ter secado. A beleza de sua arte, antes uma forma de expressar sua alma, agora parecia inútil diante da realidade crua que a cercava. Ela se sentia cada vez mais isolada, cada contato com o mundo exterior cuidadosamente filtrado por Eduardo.

Um dia, enquanto observava a cidade da janela, viu um carro discreto estacionar em frente à mansão. Um homem saiu. Era Ricardo. Seu coração disparou. Ela correu para a janela, querendo sinalizar para ele, mas Eduardo apareceu na porta do quarto.

"O que você pensa que está fazendo?", ele perguntou, a voz fria. "Está tentando se comunicar com o mundo lá fora? Com quem, Sofia? Com aquele verme que te oferece migalhas?"

Sofia se virou, o medo tomando conta dela. "Eu só queria… eu só queria saber se ele está bem."

Eduardo se aproximou, a expressão endurecida. "Ele não está bem, Sofia. Ele está fugindo de dívidas. E você não quer se associar a alguém assim. Alguém que não tem nada." Ele a segurou pelo queixo, forçando-a a olhá-lo. "Você tem tudo agora. Ou terá. A riqueza. O poder. A segurança. Tudo o que você sempre quis, não é?"

Sofia lutou para se soltar. "Eu não queria isso, Eduardo! Eu queria paz! Eu queria a minha vida!"

"E você terá paz", ele disse, a voz sedutora e perigosa. "Eu prometo a você. Desde que você siga as minhas regras. Desde que você seja a minha noiva."

Naquele momento, Sofia percebeu que a resistência aberta era inútil. Ela estava em uma armadilha, e sua única esperança era encontrar uma brecha, uma maneira de sobreviver enquanto procurava uma saída. Ela precisava jogar o jogo dele, mas com suas próprias regras secretas.

Ela mudou sua tática. Em vez de desafiá-lo abertamente, ela começou a ceder, de forma calculada. Passou a aceitar os presentes caros, a usar as roupas que ele escolhia, a participar dos jantares em família, onde a mãe de Eduardo a recebia com um sorriso polido e um olhar avaliador. Ela fingia interesse, aprendia seus nomes, seus gostos. Tornou-se a noiva perfeita para os olhos de todos, exceto para os dela própria.

Eduardo parecia satisfeito com essa mudança. A submissão aparente de Sofia o relaxou. Ele a levava para eventos sociais, onde ela era apresentada como sua futura esposa. A atenção que ela recebia, os olhares de inveja e admiração, pareciam alimentar o ego dele. Ele se sentia vitorioso, tendo domado a "noiva indomável".

Mas por trás da fachada de submissão, Sofia estava mais determinada do que nunca. Ela começou a observar tudo com atenção redobrada. Os hábitos de Eduardo, os horários de seus guardas, as rotinas da casa. Ela usava seu tempo a sós para pesquisar, discretamente, sobre a Leão Holding, sobre as empresas associadas, sobre os negócios obscuros que envolviam Eduardo. Ela sabia que a informação era poder.

Em uma noite, enquanto Eduardo estava em uma reunião importante, Sofia conseguiu acessar seu escritório. A mansão era monitorada, mas ela sabia que havia pontos cegos. Ela procurava por algo, qualquer coisa que pudesse usar contra ele. Em uma gaveta secreta, ela encontrou um caderno antigo, com anotações em uma letra apressada e um código que ela não reconheceu imediatamente.

Ela o escondeu, o coração batendo forte. Era um risco enorme. Se Eduardo descobrisse, as consequências seriam terríveis. Mas a curiosidade e a esperança de encontrar uma fraqueza em seu inimigo a impulsionaram.

Nos dias seguintes, Sofia passou horas tentando decifrar o caderno. Ela percebeu que as anotações não eram apenas financeiras, mas continham informações sobre acordos, nomes, datas. Parecia um registro de negócios ilícitos, de acordos feitos nas sombras. Havia um nome que se repetia com frequência: "Viper".

Ela se lembrou de ter ouvido esse nome em conversas de Eduardo com seus associados, sempre com um tom de respeito e cautela. Quem era Viper? E qual era o seu papel nos negócios de Eduardo?

Uma noite, enquanto estava em um evento de gala com Eduardo, ela o viu conversando com um homem de aparência fria e calculista. O homem tinha um olhar penetrante, quase reptiliano. E ele sorriu para Eduardo com uma familiaridade que sugeria um relacionamento de longa data. Sofia sentiu um arrepio. Seria aquele o Viper?

Ela precisava descobrir. Precisava entender o jogo que Eduardo jogava. E precisava encontrar uma maneira de se libertar antes que fosse tarde demais. O pacto silencioso que ela fizera com si mesma – o de fingir submissão para sobreviver – estava se tornando cada vez mais difícil de sustentar. Ela era uma prisioneira, mas uma prisioneira astuta, aprendendo os segredos de sua própria prisão, esperando o momento certo para escapar.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%