Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

por Beatriz Mendes

Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Por Beatriz Mendes

Capítulo 16 — O Sussurro da Verdade

O ar na mansão dos Vasconcellos parecia denso, carregado de expectativas não ditas e de um silêncio que gritava mais alto que qualquer palavra. Helena, ainda sob o impacto da revelação de Viper sobre a dívida que seu pai contraíra com a família de Ricardo, sentia o estômago revirar. Cada passo que dava pelos corredores luxuosos, outrora um símbolo de segurança, agora parecia um caminho tortuoso para um futuro incerto.

Ricardo, por sua vez, observava-a de longe, o olhar calculista que parecia penetrar em sua alma. Ele sabia que a bomba fora lançada, e agora era hora de colher os frutos. A relutância dela em aceitar o acordo que ele propôs, a hesitação em se casar com ele, tudo isso se justificava pela razão que ele próprio havia orquestrado. Ele a queria, sim, mas não de qualquer maneira. Queria que ela fosse sua, não por obrigação, mas porque, no fundo, ela o desejasse. Uma loucura, talvez, para um homem acostumado a ter o mundo em suas mãos, mas algo dentro dele, uma centelha de algo que ele mesmo não compreendia, o impelia a essa busca.

Naquela noite, Helena não conseguiu dormir. As palavras de Viper ecoavam em sua mente. "Seu pai, Helena, contraiu uma dívida com os Vasconcellos. Uma dívida que você, por ser a única herdeira, terá que pagar. O casamento é a única forma de quitação." A frieza com que Viper falara, a falta de emoção em seus olhos, tudo indicava que aquilo não era um jogo. Seu pai, o homem que sempre a protegeu, que sempre se mostrou um pilar de integridade, a havia envolvido em algo tão sombrio. O desespero começava a roer sua sanidade.

Decidiu que não poderia mais viver na incerteza. Precisava confrontar seu pai. Na manhã seguinte, com o sol mal despontando no horizonte, Helena desceu até o escritório de seu pai, o coração disparado. Encontrou-o sentado à sua escrivaninha, a testa franzida em preocupação, o rosto marcado por uma fadiga que ela nunca vira antes.

"Pai?", chamou, a voz embargada.

Ele ergueu os olhos, um lampejo de surpresa e algo mais, talvez culpa, cruzando seu olhar. "Helena. O que faz acordada tão cedo?"

"Eu… eu preciso saber a verdade", disse ela, aproximando-se. "Viper me contou tudo. Sobre a dívida. Sobre o acordo com a família Vasconcellos."

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O pai de Helena desviou o olhar, os dedos tamborilando nervosamente sobre a madeira polida da mesa.

"Viper…", ele murmurou, a voz rouca. "Ele sempre soube como manipular as situações a seu favor."

"Manipular? Pai, isso é a minha vida! Meu futuro! O que você fez?", a angústia transbordou em sua voz.

Ele respirou fundo, como se reunisse forças para proferir as palavras que poderiam quebrar o último fio de confiança que ainda restava entre eles. "Helena, eu… eu cometi erros. Erros graves. As coisas saíram do controle e eu me vi encurralado. O nome da nossa família estava em jogo. Eu não queria te envolver nisso, meu amor. Jamais."

"E o que eu deveria fazer, pai? Aceitar me casar com Ricardo Vasconcellos para cobrir seus erros?", as lágrimas começaram a brotar em seus olhos.

"Eu sei que é pedir demais. Mas é a única saída que vejo. Ricardo é um homem poderoso. Ele pode proteger você, proteger nosso nome. E… e a dívida será quitada. Você estará livre."

"Livre?", Helena riu, um som amargo e sem alegria. "Casar com o homem que me odeia, que me vê como uma moeda de troca, é isso que você chama de liberdade?"

"Helena, você não entende", ele implorou, os olhos suplicantes. "Ricardo não é o monstro que você pensa. Ele tem suas razões, suas próprias batalhas."

"E quais seriam as razões dele para me querer, pai? Para me humilhar dessa forma?", ela questionou, a voz carregada de dor.

"Ele… ele está buscando algo mais. Algo que só você pode dar a ele." As palavras do pai soaram como um enigma, mas Helena estava muito machucada para desvendá-lo.

"Eu não posso, pai. Eu não posso fazer isso. Não posso me casar com ele."

"Você tem que entender, Helena. Se não fizermos isso, tudo o que seu avô construiu, tudo o que eu lutei para manter, vai desmoronar. E você… você ficará desamparada."

A gravidade da situação a atingiu com força total. Desamparada. A palavra ecoou em sua mente. Ela sempre se sentiu forte, independente, capaz de seguir seu próprio caminho. Mas agora, essa força parecia se esvair diante da realidade esmagadora. Olhou para o pai, para o desespero em seu rosto, e uma parte dela, a parte que ainda o amava incondicionalmente, sentiu compaixão. Mas a outra parte, a parte que se sentia traída e encurralada, gritava por uma fuga que não existia.

Naquele momento, Ricardo apareceu na porta do escritório, atraído pela conversa acalorada. Seus olhos encontraram os de Helena, e ele a viu, a dor em seu rosto, a luta travada em seu olhar. Ele não precisou ouvir as palavras para entender a gravidade da situação. Algo na forma como ela o encarava, um misto de ódio e resignação, fez seu peito apertar de uma maneira estranha. Ele se aproximou lentamente, o olhar fixo em Helena.

"Algum problema, Helena?", ele perguntou, a voz calma, mas com uma intensidade que fez Helena sentir um arrepio percorrer sua espinha.

Helena hesitou, olhando para o pai, depois para Ricardo. A verdade, mesmo dolorosa, era o único caminho. "Meu pai me contou tudo, Ricardo. Sobre a dívida. Sobre o acordo."

Ricardo assentiu lentamente, seus olhos escuros perscrutando o rosto dela. Ele viu a tempestade que se formava em sua alma, a luta entre a razão e o sentimento. Ele sabia que aquele momento era crucial. Ele podia pressioná-la, forçá-la a aceitar o acordo. Mas algo o impedia. Talvez fosse a forma como a luz do sol iluminava os fios rebeldes de seu cabelo, ou a fragilidade que ela tentava esconder.

"E qual é a sua decisão, Helena?", ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. "Você vai honrar o acordo? Ou prefere ver tudo desmoronar?"

Helena fechou os olhos por um instante, respirando fundo. A liberdade que seu pai mencionara parecia uma miragem distante e inalcançável. Olhou para Ricardo, para o homem que representava seu destino. O ódio ainda estava lá, mas misturado a uma curiosidade perigosa. Ele era um enigma, um homem de poder e mistério, e, por mais que tentasse, ela não conseguia deixar de se sentir atraída por essa aura sombria.

"Eu…", ela começou, a voz trêmula, mas firme. "Eu vou aceitar. Mas com uma condição."

Ricardo ergueu uma sobrancelha, um leve sorriso brincando em seus lábios. "E qual seria?"

"Eu não me casarei com você por amor. Não agora. Mas eu não serei sua prisioneira. Eu quero minha liberdade dentro desse casamento. Uma liberdade para… para descobrir quem eu sou. Para não ser apenas a noiva relutante."

Ricardo a encarou por um longo momento, o silêncio se estendendo entre eles. Ele podia sentir o desafio em suas palavras, a centelha de rebeldia que ele tanto admirava, e, ao mesmo tempo, temia. Ele a queria, a queria desesperadamente, mas não como uma peça em um jogo. Ele a queria de verdade. E talvez, apenas talvez, essa condição fosse o primeiro passo para conquistar seu coração.

"Aceito suas condições, Helena", disse Ricardo, a voz grave e segura. "Você terá sua liberdade. Mas lembre-se, a liberdade tem suas próprias responsabilidades."

Helena assentiu, um misto de alívio e apreensão tomando conta de si. O futuro era incerto, mas ela sentia que, de alguma forma, havia conquistado uma pequena vitória. O caminho seria árduo, mas ela estava determinada a não se deixar ser consumida pela escuridão. E, pela primeira vez desde que soube da dívida, um fio tênue de esperança começou a se acender em seu peito. A verdade, por mais dolorosa que fosse, a havia libertado de uma prisão de ilusões.

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