Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Capítulo 19 — O Jogo de Sombras

por Beatriz Mendes

Capítulo 19 — O Jogo de Sombras

Os dias que se seguiram ao evento na cobertura foram marcados por uma tensão silenciosa entre Helena e Ricardo. A conversa na varanda pairava no ar, um lembrete constante da atração perigosa que existia entre eles. Helena se esforçava para manter uma distância emocional, focando nos preparativos do casamento, mas a presença magnética de Ricardo a desarmava a cada instante.

Ricardo, por sua vez, parecia ter adotado uma nova tática. Ele não a pressionava mais abertamente, mas a observava com uma intensidade que a deixava desconfortável. Seus olhares eram perscrutadores, como se ele tentasse ler seus pensamentos, decifrar seus medos. Ele a cercava com uma aura de poder e mistério, e Helena sentia que estava presa em um jogo de sombras, onde cada movimento era calculado e cada palavra tinha um duplo sentido.

Em uma tarde, enquanto Helena revisava a lista de convidados para o casamento, Ricardo entrou em seu escritório. Ele trazia consigo um sorriso enigmático, um brilho de diversão em seus olhos escuros.

"Alguma novidade, minha futura esposa?", ele perguntou, sua voz carregada de uma ironia sutil.

Helena suspirou, fechando a pasta. "Apenas os preparativos habituais, Ricardo. Nada que te interesse."

Ricardo se aproximou da mesa, apoiando-se nela. "Oh, mas tudo o que te diz respeito me interessa, Helena. Afinal, você é a peça central do meu império agora."

Helena estremeceu com a possessividade em suas palavras. "Eu não sou uma peça, Ricardo. Sou uma pessoa."

Ricardo riu, um som baixo e rouco. "E é exatamente por isso que você me intriga. Uma pessoa com força e determinação, presa em um jogo que ela não escolheu. Mas eu gosto de ver como você se sai."

Ele se abaixou, ficando no mesmo nível dos olhos dela. Helena sentiu o cheiro de seu perfume, uma fragrância amadeirada e envolvente.

"Você sabe, Helena", ele continuou, sua voz um sussurro perigoso, "eu sempre admirei mulheres que lutam. Que não se contentam com o destino imposto. E você… você está lutando. Eu vejo isso em seus olhos."

"Eu não estou lutando. Estou apenas tentando sobreviver", Helena rebateu, a voz firme.

"Sobreviver é uma forma de lutar, não é?", Ricardo questionou, um sorriso se formando em seus lábios. "E você está fazendo isso muito bem. Mas eu me pergunto… até quando você conseguirá manter essa fachada?"

Ele estendeu a mão e delicadamente afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. O toque foi leve, mas enviou um choque elétrico por todo o corpo de Helena. Ela tentou se afastar, mas ele a segurou com firmeza.

"Você não precisa se afastar de mim, Helena", ele disse, seu olhar fixo nos dela. "Nós estamos presos nisso juntos. E, acredite ou não, eu não pretendo te machucar."

"Palavras são fáceis, Ricardo", Helena sussurrou, o coração acelerado.

"E ações? As ações falam mais alto, não é mesmo?", ele retrucou. "Eu estou te dando tudo o que você precisa para ter uma vida confortável. Estou quitando a dívida do seu pai. Estou te protegendo."

"Protegendo ou controlando?", Helena questionou, a voz carregada de desafio.

Ricardo a encarou por um longo momento, seus olhos escuros faiscando com uma emoção que Helena não conseguia identificar. Era raiva? Desejo? Ou algo mais profundo?

"Talvez um pouco dos dois", ele admitiu, com uma sinceridade arrepiante. "Mas a intenção é te dar segurança. E, quem sabe, talvez um dia… algo mais."

Ele se afastou, deixando Helena sem fôlego. A sedução do poder que ele exercia era avassaladora. Ela se sentia atraída por ele, por sua força, por sua complexidade, mas ao mesmo tempo, o medo a consumia. Ela sabia que ele era perigoso, que ele era um homem que jogava um jogo de sombras, e ela não sabia se conseguiria sobreviver a ele.

Naquela noite, Helena decidiu que precisava de mais informações. Ela se lembrou de Viper, o homem que havia revelado a verdade sobre a dívida. Ele era um elo direto com o passado de seu pai e com os negócios obscuros da família Vasconcellos. Ela precisava falar com ele novamente.

Usando seus contatos, Helena conseguiu agendar um encontro secreto com Viper em um café discreto no centro da cidade. O local era movimentado, o que garantia um certo anonimato. Helena chegou nervosa, o coração batendo forte no peito.

Viper a esperava sentado em uma mesa afastada, o olhar frio e calculista. Ele parecia imperturbável, como sempre.

"Senhorita Helena", ele disse, com um aceno de cabeça. "Fico surpreso que tenha me procurado."

"Eu preciso entender melhor essa dívida, senhor Viper", Helena começou, sua voz trêmula. "Meu pai… ele nunca me falou sobre isso. Como as coisas chegaram a esse ponto?"

Viper a observou por um momento, como se avaliasse sua sinceridade. "Seu pai, Helena, sempre teve um talento para se meter em enrascadas. Ele fez apostas arriscadas, confiou nas pessoas erradas. E, no final, a dívida com a família Vasconcellos se tornou a única opção para salvá-lo da ruína."

"E o senhor Ricardo sabia de tudo isso desde o início?", Helena questionou.

"Ricardo é um homem com muitos recursos. Ele tem um olho para oportunidades, e sua situação, Helena, era uma oportunidade. Uma que ele não deixaria escapar."

As palavras de Viper confirmaram os medos de Helena. Ricardo não estava apenas se casando com ela por obrigação, mas também por interesse. Ele estava usando a situação a seu favor, fortalecendo seu império.

"Ele me quer?", Helena perguntou, a voz embargada.

Viper deu um sorriso sutil, quase imperceptível. "Ricardo Vasconcellos deseja o que ele acredita que lhe pertence. E, neste momento, ele acredita que você lhe pertence, Helena. Pela dívida, pelo acordo, e talvez… por algo mais que ainda não descobriu."

Helena se sentiu afundar. O jogo de sombras de Ricardo estava se tornando cada vez mais complexo, e ela se sentia cada vez mais perdida.

"E o meu pai?", Helena perguntou, com a voz embargada. "Ele está bem?"

"Seu pai está… sob os cuidados da família Vasconcellos. Seguro, por assim dizer", Viper respondeu, vagamente. "Ele está pagando o preço por seus erros, Helena. E você, agora, está pagando o preço por ele."

Helena sentiu um nó na garganta. A verdade era dolorosa, mas era a única coisa que a mantinha ancorada. Ela sabia que precisava ser forte. Precisava encontrar uma maneira de sair dessa situação sem perder a si mesma.

Ao se despedir de Viper, Helena sentiu um peso ainda maior em seus ombros. O jogo de sombras de Ricardo era real, e ela era a peça principal. Mas, pela primeira vez, ela sentiu uma faísca de determinação acender em seu peito. Ela não seria apenas uma vítima. Ela encontraria uma maneira de jogar esse jogo, de usar as regras de Ricardo contra ele, e de, quem sabe, um dia, encontrar sua própria liberdade. A desconfiança em relação a Ricardo era profunda, mas a vontade de sobreviver e de descobrir a verdade era ainda maior.

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