Herdeiro Indomável, Noiva Relutante

Capítulo 7 — A Noiva em Fuga

por Beatriz Mendes

Capítulo 7 — A Noiva em Fuga

O dia do casamento amanheceu com um céu cinzento e um vento frio que parecia prenunciar a tempestade. Sofia sentiu um aperto no peito, uma mistura de pânico e resignação. O palacete dos Montenegro estava em efervescência, com empregados correndo de um lado para o outro, preparativos finais sendo feitos. Dona Helena supervisionava tudo com um olhar de águia, enquanto o Sr. Antônio parecia alheio a todo o burburinho, imerso em seus negócios.

Sofia estava em seu quarto, o vestido de noiva deslumbrante, mas terrivelmente ameaçador, colocado em um manequim. O véu de renda parecia uma nuvem de algodão doce, mas para ela, era uma mortalha. Seus pais estavam ali, com expressões de orgulho misturadas à apreensão.

“Você está mais linda do que eu jamais imaginei, minha filha”, disse Dona Clara, seus olhos marejados. Ela ajeitou um pequeno arranjo de flores no cabelo de Sofia. “Que você seja muito feliz, meu amor. Que Rafael te faça feliz.”

Sofia forçou um sorriso. “Eu vou tentar, mamãe.” Ela abraçou a mãe com força, buscando nela o último refúgio de conforto.

Seu irmão, Pedro, um jovem de dezenove anos, a abraçou em seguida. “Não se preocupe, Sofie. Se esse cara te tratar mal, eu venho aqui e dou um jeito nele!”

Sofia riu, uma risada fraca e ligeiramente histérica. “É, Pedro, você daria um show. Mas não se preocupe. Vai ficar tudo bem.”

Enquanto os últimos retoques eram dados em seu visual, Sofia sentiu uma agitação interna que a impulsionava. A ideia de passar o resto da sua vida com Rafael, de ser a esposa troféu dos Montenegro, tornou-se insuportável. Uma coragem desesperada a tomou. Não era uma fuga covarde, era uma afirmação de si mesma. Ela não seria mais uma peça de xadrez.

“Preciso de um pouco de ar fresco”, disse Sofia, sua voz soando calma e decidida, para a surpresa de todos, inclusive de si mesma.

Dona Clara a olhou com preocupação. “Agora, filha? Estamos quase na hora…”

“Eu volto logo, mamãe. Só um instante. Preciso respirar antes de entrar naquela igreja.”

Sem esperar por uma resposta, Sofia saiu do quarto, descendo as escadas em passos rápidos, mas firmes. Os empregados a olhavam com espanto, mas ninguém ousava detê-la. Ela passou pelo salão principal, onde os convidados começavam a chegar, todos eles figuras proeminentes da sociedade e do mundo dos negócios. Ela os ignorou, o coração batendo forte no peito.

Chegou à porta dos fundos, que dava acesso aos jardins. O vento frio bateu em seu rosto, trazendo consigo um cheiro de terra molhada. Ela correu pelos gramados, contornando a mansão, em direção ao portão de serviço, pouco usado. Uma Kombi velha, usada para o transporte de verduras e flores, estava estacionada ali, seu motorista, um senhor de idade chamado Seu Zé, fumando um cigarro e lendo um jornal.

Sofia parou ofegante, o vestido de noiva deslumbrante contrastando de forma absurda com a cena. Seu Zé a olhou, os olhos arregalados.

“Senhorita Sofia! O que… o que faz aqui? O casamento…”

“Seu Zé, por favor, me ajude”, disse Sofia, a voz trêmula de emoção e adrenalina. “Preciso sair daqui. Agora. Por favor.”

Seu Zé, um homem leal à família Andrade há anos, percebeu a urgência e o desespero nos olhos dela. Ele não fez perguntas. Apenas jogou o cigarro no chão, pisou nele e abriu a porta da Kombi.

“Entre, senhorita. Rápido.”

Sofia não hesitou. Jogou o véu para o lado e, com alguma dificuldade, conseguiu entrar na cabine apertada, o tecido caro e delicado amassando ao seu redor. Seu Zé deu partida no motor, que tossiu e engasgou antes de pegar.

“Para onde vamos, senhorita?”

“Para a rodoviária. O mais rápido que puder, por favor”, disse Sofia, olhando para trás, em direção à mansão, como se esperasse que Rafael aparecesse a qualquer momento.

Enquanto a Kombi se afastava pela estrada de terra, o som da marcha nupcial, que começava a ser tocada na igreja, ainda ecoava fracamente ao longe. O coração de Sofia parecia ter saído em disparada, acompanhando o ritmo descompassado do motor. Ela sentiu uma mistura estranha de alívio e medo. Havia fugido. Havia recusado o destino que lhe fora imposto.

De volta à mansão, o caos se instalou. A noiva desapareceu. Dona Clara estava em prantos, o Sr. Antônio furioso, e Dona Helena, com um brilho de triunfo nos olhos, sussurrava algo para o marido. Rafael, no entanto, permaneceu calmo. Uma calma perigosa, que precedia a tempestade.

Ele sabia que Sofia não era do tipo que se deixava domar facilmente. A fuga não o surpreendeu, mas o irritou. Ele havia prometido um casamento, e um casamento haveria. Ele não era um homem que deixava os assuntos pendentes.

“Gouveia”, disse Rafael, sua voz fria como gelo. “Prepare o meu carro. E mande uma equipe discreta para a rodoviária. Quero que a encontrem. E a tragam de volta. Por bem, ou… por mal.”

Enquanto isso, Sofia chegava à rodoviária, o vestido de noiva ainda preso nela, chamando a atenção de todos. Ela correu para a bilheteria, comprou uma passagem para a cidade mais próxima, um lugar onde ninguém a conhecia. Sua mãe havia lhe dado algum dinheiro para emergências, e ela o usaria agora.

Olhou para o ônibus estacionado na plataforma, um veículo velho e barulhento. Sentiu um calafrio. Estava fugindo, mas para onde? O que faria agora? A realidade de sua situação a atingiu com força. Ela não tinha dinheiro, não tinha um plano, apenas a necessidade desesperada de escapar.

Quando estava prestes a embarcar, um carro preto e reluzente parou abruptamente na entrada da rodoviária. Rafael saiu dele, impecável em seu terno escuro, o olhar fixo nela.

“Sofia”, disse ele, sua voz reverberando no ar carregado de poeira.

Sofia sentiu o sangue gelar. Ela tentou se misturar à multidão, mas ele a viu. Seus seguranças, homens corpulentos e silenciosos, começaram a se mover em sua direção.

“Não pode fazer isso, Rafael”, disse Sofia, sua voz firme, apesar do medo que a consumia. “Eu não vou me casar com você.”

Rafael caminhou lentamente até ela, ignorando os olhares curiosos dos outros passageiros. Havia uma raiva contida em seus olhos, mas também uma determinação inabalável.

“Você não tem escolha, Sofia. Este casamento vai acontecer. Você é minha noiva, e eu não permito que ninguém fuja do que é meu.” Ele estendeu a mão, um convite, ou uma ordem. “Venha comigo. Agora.”

Sofia olhou para a mão dele, depois para o ônibus, e então para o rosto impassível de Rafael. A batalha havia apenas começado. Ela havia fugido, mas ele a encontrara. E agora, ela teria que lutar.

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