O Preço da Lealdade e da Paixão

Capítulo 13 — O Campo de Batalha Corporativo

por Larissa Gomes

Capítulo 13 — O Campo de Batalha Corporativo

O luxuoso carro de Leonardo deslizou pelas ruas de São Paulo, o tráfego matinal um borrão de buzinas e pressa. Helena sentia a tensão no ar, uma eletricidade palpável que parecia emanar de Leonardo. Ele dirigia com uma precisão calculada, o olhar fixo na estrada, mas a mente claramente em outro lugar. O nome de Ricardo Valença pairava entre eles como uma nuvem negra.

“Ele não vai hesitar em usar qualquer tática”, disse Leonardo, a voz baixa, mas firme. “Valença não é como os outros. Ele não tem escrúpulos. Ele vai explorar qualquer fraqueza que encontrar.”

Helena apertou a mão dele, sentindo a força em seus dedos. “Eu não tenho medo dele, Leonardo. Eu tenho medo de perdê-lo. E eu não vou deixar que ele nos separe.”

Leonardo virou a cabeça para ela, um sorriso terno cruzando seus lábios. “Você é mais forte do que pensa, Helena. E eu estou aqui. Nós vamos enfrentar isso juntos.”

Ao chegarem ao imponente prédio da Leonardo S.A., a atmosfera era de apreensão. Os seguranças estavam em alerta máximo, os funcionários pareciam inquietos. A notícia da chegada iminente de Valença já havia se espalhado pelos corredores.

A sala de reuniões era um reflexo do poder e da riqueza de Leonardo. Mesas de mogno polido, poltronas de couro macio, uma vista panorâmica da cidade. Mas naquele momento, o luxo parecia sombrio, prenunciando o confronto que estava por vir.

Ricardo Valença entrou na sala sem pedir licença. Ele era um homem de meia-idade, com um rosto marcado por rugas profundas e olhos penetrantes que pareciam analisar tudo e todos. Vestia um terno impecável, transmitindo uma aura de perigo contido. Ao seu lado, um homem musculoso e de semblante ameaçador, seu guarda-costas.

“Leonardo, meu caro amigo”, disse Valença, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios. “Que bom que você me recebeu. Eu vim buscar o que é meu por direito.”

Leonardo se levantou, mantendo a calma. “Valença, você não tem direito a nada aqui. Você virá com ameaças vazias?”

“Ameaças vazias?”, Valença riu, um som áspero. “Eu tenho provas, Leonardo. Provas de que seu pai roubou de mim. Provas que podem arruinar o nome da sua família, o seu legado. E eu tenho o nome de Miguel. Ele me contou tudo. Como você o chantageou, como você o usou para chegar até mim.”

O sangue de Helena ferveu. Miguel. De novo Miguel. Mas ela se lembrou das palavras de Leonardo. Miguel foi forçado.

“Você mente”, Helena interveio, a voz firme, surpreendendo a todos. Ela deu um passo à frente, o olhar fixo em Valença. “Miguel foi forçado a fazer o que fez. Você o chantageou, ameaçou a família dele. Você é o manipulador aqui.”

Valença virou-se para Helena, um brilho de surpresa em seus olhos, seguido por um sorriso perverso. “Ah, a linda Helena. Sempre protegendo seu amado. Mas você é ingênua, minha querida. Você não entende o mundo real. O mundo onde o poder dita as regras.”

“O poder não dita o amor, Valença”, Leonardo disse, colocando-se entre Helena e Valença. “E você não vai usar Helena para chegar até mim. Eu não permitirei.”

“Ah, mas você não tem escolha, Leonardo”, Valença disse, aproximando-se. “Eu tenho o que preciso para te destruir. E se você não me entregar o que eu quero, eu vou expor tudo. A todos. E a sua querida Helena será a primeira a sofrer as consequências. Ou talvez eu fale com o pequeno Miguel. Ele parece um homem tão preocupado com a segurança da família. Talvez ele queira me ajudar a garantir que você pague pelo que fez.”

A ameaça era clara, direta. Helena sentiu um calafrio, mas não vacilou. Ela sabia que a força de Valença estava em sua capacidade de destruir reputações, de jogar com medos. Mas ela também sabia que Leonardo estava ali, protegendo-a.

“Você não vai conseguir nada de mim, Valença”, Leonardo disse, a voz fria. “Eu já tomei as minhas precauções. Se você tentar me expor, eu terei provas irrefutáveis de suas extorsões e ameaças. E você vai para a cadeia, onde seu lugar é.”

Valença riu novamente. “Acha que me assusta? Eu tenho tudo planejado. Se algo acontecer comigo, tudo será divulgado. E você vai junto para o fundo do poço.”

“Então vamos ver quem aguenta mais tempo”, disse Leonardo, com um olhar desafiador. “Eu estou pronto para a guerra, Valença. E você não sabe com quem está lidando.”

O confronto se intensificou. Palavras afiadas como lâminas eram trocadas. Valença, confiante em seu poder, subestimava a determinação de Leonardo e a força recém-descoberta de Helena.

De repente, um alarme soou. O segurança de Leonardo correu para a porta. “Senhor, há uma invasão no andar de baixo. Pessoas com armas!”

O pânico se instalou. Valença sorriu, um sorriso de triunfo. “Parece que meu plano está se desenrolando melhor do que eu esperava. Leonardo, essa é a sua queda.”

Leonardo agarrou a mão de Helena. “Precisamos sair daqui.”

Os homens de Valença avançaram. A sala de reuniões, antes um símbolo de poder, se transformou em um campo de batalha. Leonardo e seus seguranças lutavam para proteger Helena, para abrir caminho para a saída.

Helena, apesar do medo, agiu com coragem. Ela viu um dos homens de Valença mirando em Leonardo e, sem pensar, o empurrou, fazendo com que o tiro fosse para o alto.

“Helena!”, Leonardo gritou, a preocupação em sua voz.

“Eu estou bem”, ela disse, o coração disparado. “Precisamos ir!”

Eles correram, o som de tiros ecoando pelos corredores. A elegância do prédio se transformava em caos. Leonardo, com sua inteligência estratégica, guiava Helena e seus seguranças por rotas de fuga.

No meio da confusão, Helena teve um lampejo de insight. Miguel. Se Valença estava tão confiante em suas provas, ele deve tê-las guardadas em um lugar seguro. E se Miguel, em seu desespero, tivesse conseguido salvar alguma coisa?

“Leonardo!”, ela gritou, ofegante. “Miguel! Ele pode ter algo! Algo que Valença não quer que seja revelado!”

Leonardo a olhou, a compreensão surgindo em seus olhos. “Você tem razão. Precisamos encontrar Miguel. Ele é a nossa chave.”

A fuga se tornou uma corrida contra o tempo. Eles precisavam não apenas escapar de Valença, mas também encontrar Miguel antes que ele fosse silenciado. O preço da lealdade e da paixão estava sendo pago com sangue e suor. A batalha corporativa havia se transformado em uma luta pela sobrevivência. E Helena, a outrora inocente observadora, estava agora no centro do furacão, lutando por seu amor e por sua verdade.

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