O Preço da Lealdade e da Paixão

Capítulo 23 — O Confronto e a Verdade Nua e Crua

por Larissa Gomes

Capítulo 23 — O Confronto e a Verdade Nua e Crua

A mansão dos Valente, que antes irradiava opulência e serenidade, agora parecia um cenário de tragédia iminente. Sofia, com a determinação pintada em seus olhos, havia decidido confrontar Arthur Mendes pessoalmente, sabendo que qualquer avanço em sua investigação exigiria essa coragem. Gabriel a acompanhava, seu olhar firme e o braço protetor em torno de seus ombros, um símbolo da aliança que se fortalecia a cada desafio. A viagem até a pacata cidade do interior de São Paulo foi feita em um silêncio carregado de expectativa.

Ao chegarem à residência discreta de Mendes, um sobrado antigo com um jardim bem cuidado, mas sem ostentação, Sofia sentiu um misto de apreensão e repulsa. A simplicidade aparente contrastava com a complexidade de suas ações. Ela sabia que por trás da fachada pacata, escondia-se uma mente perigosa.

Arthur Mendes os recebeu na porta, um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos e um sorriso polido que não alcançava seus olhos. Havia uma frieza calculista em seu olhar, uma confiança implacável que a fez sentir um calafrio. Ele parecia exatamente o tipo de homem que saberia manipular as fraquezas alheias.

"Sofia, Gabriel. Que surpresa agradável", disse Mendes, sua voz suave e melódica, como se estivesse recebendo convidados inesperados para um chá. "A que devo a honra desta visita?"

Sofia o encarou diretamente, sem hesitação. "Viemos falar sobre a Valente S.A., Sr. Mendes. E sobre seu envolvimento nos recentes ataques à empresa."

Um brilho fugaz de surpresa, rapidamente disfarçado, cruzou o rosto de Mendes. Ele sorriu, um sorriso mais largo, mas ainda assim, sem calor. "A Valente S.A.? Eu já não tenho mais nada a ver com os negócios de lá, minha cara. Estou aposentado, desfrutando de uma vida tranquila."

"Aposentado?", Sofia riu secamente. "Ou escondido, planejando sua vingança? Sabemos sobre suas conexões, Sr. Mendes. Sabemos sobre o fornecedor que você usou, sobre a empresa concorrente. E sabemos que você manipulou Leonardo."

Gabriel deu um passo à frente, sua voz soando firme e ameaçadora. "Acabamos com o jogo, Arthur. Entregue-se antes que as coisas fiquem ainda mais desagradáveis."

Mendes deu um passo para trás, seu semblante mudando de polido para uma máscara de desprezo. "Vocês acham que têm alguma coisa contra mim? Que ingenuidade. Leonardo Valente agiu por conta própria. Um moleque ambicioso e inconsequente. Eu apenas... observei."

"Observou?", Sofia repetiu, a voz embargada pela raiva. "Você o incentivou! Você o usou como um peão em seu jogo sujo. Por quê? Qual foi o seu motivo?"

Mendes deu uma risadinha baixa e cruel. Ele convidou os dois para entrar, e eles, com cautela, aceitaram. A casa era arrumada, os móveis clássicos, mas havia uma atmosfera de solidão no ar. Sentaram-se na sala de estar, e Mendes serviu um uísque para si mesmo, oferecendo aos outros, que recusaram.

"O motivo?", Mendes disse, recostando-se na poltrona, o olhar fixo em Sofia. "O motivo é simples. Injustiça. Seu pai, Ricardo Valente, me traiu. Anos atrás, ele me prometeu uma sociedade igualitária na empresa. Tínhamos fundado aquilo juntos, eu e ele. Mas quando a empresa começou a prosperar, ele me deixou de lado, me relegou a um cargo menor, como se eu fosse apenas um capacho."

Sofia sentiu um choque. Ela não sabia dessa parte da história. Seu pai raramente falava sobre o passado com detalhes, e quando o fazia, sempre pintava uma imagem idealizada de sua relação com os antigos associados.

"Meu pai nunca me falou sobre isso", Sofia disse, a voz baixa.

"Claro que não", Mendes respondeu com um sorriso sarcástico. "Ricardo Valente sempre foi um mestre em manter as aparpções. Ele se apoderou de tudo, da glória, do sucesso, e eu fiquei com as migalhas. Ele me humilhou. Ele tirou de mim o que era meu por direito."

A raiva começou a se misturar com uma estranha compreensão. A história de Mendes, por mais distorcida que pudesse parecer, carregava um eco de verdade. Havia uma sombra de ressentimento que ela sentia nos próprios olhos de seu pai, em sua necessidade de controle e de reconhecimento.

"Então você planejou isso tudo para se vingar?", Gabriel perguntou, a voz dura.

"Vingança é uma palavra forte", Mendes ponderou, tomando um gole de uísque. "Eu diria que foi uma correção de rumos. Ricardo Valente sempre se achou o mais esperto, o mais genial. Mas ele era apenas um oportunista. Eu quis mostrar a todos, e principalmente a ele, que o legado dele não era tão inabalável quanto ele pensava."

"E Leonardo?", Sofia insistiu, sentindo a dor da traição do irmão misturada à raiva que sentia por Mendes. "Por que você se aproximou dele?"

"Leonardo era a ferramenta perfeita", Mendes disse, com um aceno de desprezo. "Um filho que se sentia negligenciado pelo pai. Um jovem com ambições desmedidas e pouca ética. Eu apenas o ajudei a encontrar o caminho para o sucesso que ele tanto almejava. Uma pequena troca de favores. Informações por dinheiro. Nada mais."

Sofia sentiu o estômago revirar. A frieza com que ele falava de Leonardo, de sua ambição, de sua fraqueza, era repugnante. Ela o encarou com um olhar de repulsa.

"Você é um monstro, Arthur Mendes", ela disse, a voz firme e carregada de desprezo. "Você destruiu a vida de muitas pessoas, apenas para satisfazer seu próprio ego ferido."

Mendes deu de ombros, como se as palavras dela não tivessem o menor efeito. "O mundo dos negócios é cruel, Sofia. Seu pai sabia disso. E agora, você também está aprendendo."

De repente, Gabriel se levantou. "Chega de conversa. Você vai vir conosco."

Mendes sorriu, um sorriso que não prometia nada de bom. "Acho que não. Tenho um plano para isso também."

No mesmo instante, dois homens corpulentos, que até então estavam parados em uma porta lateral, surgiram. Eram brutamontes, com olhares vazios e rostos marcados.

"Esses são meus novos... sócios", Mendes disse com um sorriso irônico. "Eles me garantem que eu não precise me preocupar com visitas indesejadas."

Gabriel se posicionou à frente de Sofia, pronto para o confronto. Mas antes que qualquer um pudesse reagir, um estrondo ecoou pela casa. A porta da frente foi arrombada com violência, e homens armados invadiram o local, gritando ordens em português.

"Polícia Federal! Ninguém se mexe!"

Arthur Mendes empalideceu visivelmente. Seus olhos correram pela sala, em busca de uma saída, mas não havia para onde fugir. Os homens que o acompanhavam foram rapidamente imobilizados.

Um dos policiais se aproximou de Sofia e Gabriel. "Vocês estão bem? Recebemos uma denúncia anônima sobre atividades suspeitas neste local."

Sofia olhou para Mendes, que agora estava com as mãos levantadas, sua postura de confiança desmoronada. A verdade nua e crua havia sido revelada, não apenas sobre a traição de Leonardo, mas sobre a podridão que se escondia por trás de décadas de ressentimento e manipulação.

"Estamos bem, obrigada", Sofia respondeu ao policial, sua voz recuperando a firmeza. Ela olhou para Gabriel, um misto de alívio e determinação em seus olhos. Eles haviam desvendado a conspiração, desmascarado o verdadeiro culpado. Mas a batalha estava longe de terminar. A verdade sobre Arthur Mendes abria um novo capítulo na história da família Valente, um capítulo que, embora doloroso, era necessário para a cura e para a reconstrução.

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